Doria e Moro festejam em NY; crianças da tragédia jogadas na rua em SP

Doria e Moro festejam em NY; crianças da tragédia jogadas na rua em SP

17 de maio de 2018.

Duas imagens nos jornais desta quinta-feira retratam com fidelidade a tragédia brasileira, dois anos após o golpe.

Numa delas (ver post anterior), João Doria e Sergio Moro festejam em Nova York a entrega do premio “Personalidade do Ano” outorgado ao juiz.

João Doria deveria estar em São Paulo, acudindo as vítimas do desabamento do prédio dos sem teto, mas abandonou o cargo 33 meses antes do final do mandato para se candidatar a governador.

Está praticamente eleito por WO, por absoluta falta de adversários no tucanistão.

Sergio Moro foi aclamado como “herói nacional” por empresários e banqueiros nos Estados Unidos.

Os dois são brasileiros que venceram na vida.

Diante do prédio que caiu no largo do Paissandu, em São Paulo, ficaram os derrotados: as vítimas da ocupação dos sem-teto que pegou fogo e caiu, deixando na rua centenas de desabrigados.

Na outra imagem do dia, o fotógrafo Danilo Verpa, da Folha, mostra crianças comendo e brincando no chão da praça ocupada por barracas dos desabrigados.

Se alguém me perguntar no futuro como era o Brasil em 2018 bastaria mostrar estas duas fotos. Nem precisam de legendas.

Entre os derrotados pelo sistema que gerou Moro e Doria estão também os 27,7 milhões de brasileiros sem trabalho ou subempregados, chegando a 24,7% da população economicamente ativa _ um entre cada quatro trabalhadores, segundo os novos dados do primeiro trimestre do ano divulgados pelo IBGE.

É o maior contingente desde o início da série histórica, em 2012, com taxa de desemprego de 13,1%, um crescimento de 1,3% em relação ao trimestre anterior.

Deste total, 13,7 milhões procuraram os empregos prometidos pelo governo, mas não encontraram.

Os demais são catalogados como “subocupados” por insuficiência de horas trabalhadas, e as pessoas que gostariam de trabalhar, mas nem se animaram a procurar emprego

Outro recorde registrado foi o da “taxa de desalento” dos trabalhadores, os 4,1% que simplesmente desistiram de procurar emprego por falta de ofertas.

A turma de smoking que está fazendo festa em Nova York não se mostra preocupada com estes números, tão distantes da realidade deles como o Brasil dos EUA.

Para distrair o andar de baixo, vêm aí a Copa do Mundo e as festas juninas e, em seguida, a campanha eleitoral, em que Doria poderá exibir a foto com Moro.

Enquanto isso, 50 famílias continuam acampadas com as crianças largadas no coração de São Paulo, esperando os R$ 400,00 por mês de auxílio-aluguel prometido pelas autoridades, mas não há prazo para isso acontecer.

O Brasil do andar de cima tem outras prioridades este ano.

Vida que segue.

 

13 comentários em “Doria e Moro festejam em NY; crianças da tragédia jogadas na rua em SP

    1. CesarT, no post anterior, o tal de Xikito escreveu essa pérola sobre a festa novaiorquina de Dória e Moro: “Nao vejo nada demais na foto, basta um janota feito Doria se por ao lado do juiz no evento social”. CesarT, basta um janota tirar uma selfie com Sergio Moro em Nova York pra confundir a cabeça do Xikito. Durma com um barulho desses !!!

  1. Kotscho e comentaristas: já lhes ocorreu que nos dois maiores incendios prediais de nossa história (Edificios Andraus e Joelma), nada aconteceu aos predios ? Foram reformados e ocupados normalissimamente. Arderam por dias e permaneceram de pé. Mas esse do Largo Paissandu não só caiu em minutos, como, coincidentemente, Michel Temer estava nas imediações pra prestar solidariedade as vitimas. Donald Trump afirmou, sobre as torres gêmeas: “A investigação precisa de ser reaberta. Os documentos não mencionam um terceiro predio”. /// “Eu li esses documentos. Se o povo americano descobrir o que há neles, haverá uma revolução na América, amanhã”. (Bob Graham, ex-governador da Florida).

  2. Ricardo Kotscho, é por textos como esse, um verdadeiro manifesto sobre o desastre que estamos vivendo, que eu te digo: Escreva, Escreva, Escreva. Porque cada texto desse é uma vela que se acende no meio desta escuridão onde estamos. Todavia, é um retrato desanimador de como sofremos de uma terrível Síndrome de Estocolmo coletiva.

    Se me permite, colo, em complemento, parte de um texto do Kennedy Alencar de ontem: Realmente, não merece crédito nenhuma teoria conspiratória sobre o interesse dos Estados Unidos nas consequências da Lava Jato em relação às grandes empresas brasileiras que eram competidoras das americanas na América Latina e na África. É detalhe o Departamento de Justiça dos EUA considerar normais e produtivos os contatos informais com procuradores e magistrados brasileiros. Softpower pouco é bobagem. Que se dane a mulher de César.

    A servidão voluntária de uma elite deslumbrada, apegada ao auxílio-moradia e outros privilégios de casta, faz o serviço completo e ainda agradece a homenagem _porque abaixo do Equador o Supremo segura a barra, legaliza e avaliza a coisa toda.

    1. Caro George, esse brilhante Kennedy Alencar, além de grande amigo, é meu afilhado de casamento.
      No dia em que eu parar, vai continuar escrevendo o que eu também penso.
      Concordo com o que você bem resumiu: “sofremos de uma Síndrome de Estocolmo coletiva”. Apareça mais vezes. Abraços, Ricardo Kotscho

      1. Desculpe por entrar na conversa, mas esta fábula criada pela mídia esquerdista de Soft power e Síndrome de Estocolmo (entre agressor e vitima), foram originadas das reportagens de jornalistas brasileiros que vivem nos EUA que tentam em vão disfarçar os erros cometidos pelos seus políticos da Esquerda brasileira quando estiveram no poder tentando justifica a existência da lavajato. Se esquecem que o petróleo salgado, de custo elevadíssimo, inviável, produzido pelo pré-sal levou os levaram a duas vitórias de eleição presidencial, quando eles mesmos receberam até o OBama, aqui, que intitulou o EX-presidente de “o cara”; hoje culpam a American way of life de suas políticas erradas-, políticas das propinas de partidos / empreiteiros; daí, a vaca foi pro brejo. A CIA já faz há décadas esse trabalho inteligente de orientação aos sus senadores. Lembro que tive uma namorada que se aposentou como engenheira da NASA, ou melhor, morreu quando estava preparando os pápeis p/ se aposentar; antes, já conversávamos sobre a influência deste imperialismo americano. Cada país tem a sua soberania.

  3. Eu não tenho vergonha de ser brasileiro, eu tenho vergonha (e muita) é de ser paulista !!!
    Que conste nos autos: São Paulo e Paraná já foram um mesmo estado.

    1. Mas os paulistas precisam se esforçar pois estão ameaçados pelos cariocas.
      SP é o estado mais rico do Brasil. Tem ótimos centros de ensino, mas…Costumo repetir que consciência política nada tem a ver com escolaridade. Imagino que em Canudos não havia nem 200 pessoas alfabetizadas, mas se aquilo não era consciência política (claro que num nível incipiente)…Por outro lado, nos anos 40, os ocupantes de uma certa mesa de reuniões em Berlim eram quase todos doutores. Ali discutia-se a…solução final

  4. Realmente nao tem preco ver fanáticos como CesarT, Victor Hugo, Enio tendo que “engolir” os fatos. Radicais aprendendo (à forca) “the hardest way…”. Humildade só se adquire com muito sofrimento e, vcs, estao no caminho certo…

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