Tite mostra na seleção o que falta aos políticos: é coerente e inspira confiança

Tite mostra na seleção o que falta aos políticos: é coerente e inspira confiança

Ao assistir pela televisão à entrevista do Tite anunciando os convocados para a Copa da Rússia fiquei pensando se ele não está no lugar errado.

É um cara coerente, honesto e inspira confiança em quem o ouve _ ou seja, tudo o que falta aos políticos brasileiros.

Poderia muito bem ser candidato a presidente da República depois de terminar seu trabalho na seleção em julho.

Cada macaco no seu galho, eu sei, mas Tite é hoje a única unanimidade nacional e reúne as qualidades de um líder inconteste, que tanta falta faz ao nosso país no elenco de candidatos.

Sabe montar equipes, comandar com equilíbrio, estuda e trabalha muito, ouve os outros e não é dono da verdade, cumpre o que promete, sabe de tudo o que acontece à sua volta, assume a responsabilidade pelos erros, não foge da raia.

É um milagre que ele continue sendo assim, depois de 20 meses à frente da seleção brasileira, trabalhando neste antro de cartolas corruptos chamado CBF.

Ainda bem que hoje nem sabemos quem é o presidente desta entidade que envergonha o futebol brasileiro fora de campo.

Tite não diz uma coisa hoje e outra amanhã, ao sabor das conveniências, para agradar a quem quer que seja.

Já era assim no Corinthians, e continua sendo do mesmo jeito agora, ciente da enorme responsabilidade que assumiu ao aceitar o comando da seleção.

Desde o primeiro texto que escrevi neste Balaio sobre o Tite, ele não mudou nada, e eu não mudaria uma vírgula.

Na contra-mão do que muito comentarista esportivo costuma dizer, eu acho que técnico ganha jogo, sim, da mesma forma como pode conduzir à derrota.

A maior prova é que o Brasil estava ameaçado ser eliminado da Copa do Mundo pela primeira vez na história, antes de Tite assumir o lugar do melancólico Dunga.

Foi em desespero de causa que a CBF o chamou e, em pouco tempo, praticamente com o mesmo elenco, ele devolveu a confiança aos jogadores e à torcida.

Em menos de dois anos, mudou tudo no comportamento da seleção, e o Brasil voltou a impor respeito aos adversários após a tragédia do 7 a 1 contra a Alemanha.

Apesar dos Teixeiras, Marins e Del Neros, a seleção sobreviveu nas mãos de Tite.

É de alguém como ele que precisamos para voltarmos a ter orgulho do nosso país, também fora do futebol.

Que os políticos brasileiros se mirem neste exemplo de dignidade para devolver a confiança a todos os brasileiros.

Deve ter sido a primeira vez em que ninguém acusou o técnico de ter cometido uma injustiça ao convocar os 23 da Copa.

Esta, com certeza, é a melhor seleção que Tite poderia formar.

Para quem está acostumado a ver em ação os supremos ministros e os nossos governantes, a entrevista de Tite foi um banho de simplicidade, bom senso e compromisso com seu ofício.

Vida que segue.

 

20 comentários em “Tite mostra na seleção o que falta aos políticos: é coerente e inspira confiança

  1. Só um detalhe na sua análise. Na seleção brasileira de futebol, a única Esquerda que funcionou foi a perna do Roberto Carlos.
    Vida que segue.

    1. Este senhor nada sabe de futebol. Em 1958 e 1962, o lado esquerdo da seleção era Nilton Santos, o maior lateral esquerdo do mundo, e Zagallo com uma inovação tática. Em 1970, simplesmente Rivellino, o ídolo de Maradona. Em 1994, a perna esquerda de Branco colocou o Brasil na semifinal da Copa. Em 2002, o melhor jogador da seleção foi o canhoto Rivaldo. Para falar com propriedade é preciso estudar um pouco até mesmo a história do futebol brasileiro. Saudações a todos.

  2. Mesmo quando morei em Porto Alegre por seis anos, jamais fui gremista, continuei palmeirense. Mas esse Geromel me admira e é a segurança necessária para comandar a nossa defesa e ser o capitão vitorioso da nossa seleção. Dá sim pra acreditar.

  3. Oxalá que na politica teriamos um expurgo geral de todos os partidos e, como Tite, começando do zero, poderiamos ter unanimidade em torno de um unico dirigente, com a imagem, semelhança e idoneidade deste cidadão. Ainda bem que vez ou outra temos alguns salvadores do orgulho da pátria. Avante Tite

  4. O time era fraco, fraquinho. Não mudou muito. Vencemos uma Alemanha que entrou em campo sem seis titulares. Empatamos com a Inglaterra, um time medíocre. O fato é que estamos tão mal das pernas em todos os setores. Há quem diga que o complexo de vira-lata (nunca gostei dessa comparação, porque considero uma ofensa aos cães, que sempre precisaram correr atrás de um resto de prato de comida) voltou com força. Na verdade, a maioria nem mais está interessada na seleção. Certamente, esta será a Copa que mais distante ficou dos brasileiros, em todos os sentidos. Ninguém deglutiu, até hoje, aquele opróbrio nacional dos sete a um ( e olha que cada mequetrefe daqueles embolsou mais de dois milhões pelo quarto lugar). Se somarmos as remunerações de todos os integrantes da seleção brasileira, em especial da comissão técnica e dos jogadores, chegamos a grandes fortunas. Não se poderá dizer que não fazem mais do que suas obrigações. Verdade que a classe política, da esquerda à direita, não vale o quanto pesa e tem conseguido repetir sistematicamente o sentimento do 7 a 1 em todas as unidades da federação. O Brasil conseguiu tornar-se um país impossível de acreditar: fomos do sete a um ao PIB negativo de menos sete e aos treze milhões de desempregados. É melhor prevenir do que remediar: a seleção não é esse balaio todo e vem piorando desde os últimos dois jogos da eliminatória. O time é fraquinho, como já disse. A única coisa que me parece ter sido incisivamente dita por Tite foi a seguinte: “não volto para o Brasil com um colar de sete contas amarrado eternamente ao meu pescoço”. Já é alguma coisa e, para esse time fraquinho, está de muito bom tamanho.

  5. O futebol no campo é jogado, só que com uma equipe bem organizada, e com preparo físico, inspira mais confiança. Depois do Moro, em Curitiba, e o Tite, em campo, tanto a Política quanto o futebol estão despertando respeito no mundo lá fora. A incompetência toda é só querer botar nos pés dum jogador ou dum técnico de futebol todo o destino de sucesso duma nação. Idolatrá-los como deuses. Futebol é a arte do laser. Um chutador de bola aqui tem mais valor do que um educador, que prepara os filhos dos trabalhadores para a vida. Além de salvar almas. Nesta magia de associação dos mvtos do corpo com os mvtos da bola surgem as belas jogadas. Infelizmente a Política contaminou tudo. Porque a Política neste país não é levada á sério. Nem pelo Congresso que não fiscaliza, nem pelo Executivo, sobrando pro Judiciário. Nunca foi. Só embromação. Então, o que se vê é só politicagem: o mesmo que picaretagem! Dá vergonha! Lá na Alemanha, Suécia, poderia citar outros, quando tem qualquer problema envolvendo um cidadão, eles se reúnem, resolvem tudo direitinho e nunca alguém de fora do país fica sabendo de nada! Lá tem problema? (Tem, mas procuram resolvê-los). Aqui, jogam ‘toda a porcaria’ no ventilador! Isso, quando não esquece de dar a descarga! Tem o caso aí da Marieli, crime hediondo de repercussão internacional, que até hoje ninguém sabe quem são os verdadeiros assassinos. Cito só como exemplo, de como as coisas acontecem nesta terra de ninguém. Mas a vida segue.

      1. Não tem ninguém misturando nada, caro Kotsho, todavia foi tabu muito grande prender políticos famosos neste país. Não sabes da repercussão da investigação da Lavajo que desperta o interesse de vários países mundo afora? O Balaio é um fórum de debates, ou um saco de maldades, onde só tem gente aqui pra me atingir com as suas maldades?

          1. Não é quem escreve o que quer: – é quem, como eu, tão independente, como idem, e com todo o respeito que espera do contraditório do Caro Jornalista, sempre provocativo em suas perguntas -, tb falei o que penso. O adágio popular é: “quem fala o que quer, ouve o que não quer”. Aí caro Kotscho, quando eu falo na existência da tal de Ditadura mole, da não Democracia vivida, ainda tem um ex-sindicalista daqui, que ainda me questiona…dizendo que é coisa da minha cabeça (…). Creio que a minha participação sempre valorizou o seu blog no que tange ao debate democrático (é o que dizem); trago sempre alternativas de vida para um país melhor, inclusive até apresentando sugestão de administração pro próximo presidente. Meus comentários aqui devem estar-lhe causando muitos transtornos e pressão por parte Dos da Esquerda.

  6. Quanto a coerência, Tite pisou no tomate em dois casos, pelo menos: Luan e Artur do Grêmio. Não dá para acreditar que um cabeça de bagre como Fernandinho, um Taison e um Fred caibam em qualquer seleção, mesmo fraquinha.

  7. Parece que a Globo resolveu, depois da tentativa fracassada de lançar seu prosélito animador de auditório, incensar o treinador da seleção brasileira. Nunca vi tanto rapapé e bajulação de um treinador. Com todo o respeito e sem querer fazer qualquer ilação injuriosa, não deixa de ser curiosa a mera e vera coincidência, no mesmo dia, do Kotscho com o Bonner. Nunca antes vista na história deste Balaio. Se o Brasil chegar às quartas de final, já estará de bom tamanho. Se cruzar com a Alemanha, nas quartas, não passa…’nem com reza brava’. Não com Taison, Fred e Fernandinho.

  8. Em termos, tratando-se de futebol o Brasil está afim de acertar.Quanto á política brasileira até o “Pelé” nesta área está preso!.

  9. Quanto à perna esquerda, mesmo vascaíno roxo, não vi lateral esquerdo melhor que Jorginho. Mas um fato positivo da seleção brasileira é que o futebol está deixando de ser o ópio de nosso povo, assim como novelas e jornais nada nacionais estão com seu dias contatos. Viva a democratização da internet!
    Voltando à seleção brasileira, vou ler um bom livro!

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