Muambeiros e marreteiros, os sem carteira assinada ocupam ruas do Brás

Muambeiros e marreteiros, os sem carteira assinada ocupam ruas do Brás

É sempre bom a gente sair de casa e encontrar a vida real onde o povo está para entender melhor as manchetes dos jornais e suas consequências no mundo do trabalho.

Tinha acabado de ler na capa da Folha: “Brasil perde um milhão de vagas formais por ano _ Postos com carteira assinada caem desde 2014”.

E tomei um susto ao pegar neste sábado a avenida Celso Garcia, no Brás, a caminho do Pari, para almoçar com amigos no Carlinhos, um fantástico restaurante armênio escondido na cidade velha.

Ao longo de vários quilômetros, as calçadas estavam tomadas por milhares de muambeiros, marreteiros e fregueses neste shopping popular a céu aberto, mistura de feira de Caruaru com a zona franca do Paraguai na fronteira com o Brasil, o paraíso dos sacoleiros.

Fazia tempo que não passava por aquelas bandas que abriga a lendária Estação do Norte, por onde chegavam os retirantes nordestinos em busca de uma vida melhor, antigo reduto de fábricas e lojas, a maioria delas hoje fechadas.

Mal dava para ver as fachadas do comércio regular, tamanho era o formigueiro humano que se deslocava em bandos nas calçadas e pelo meio da rua em busca dos produtos “importados” e das marcas de “grife” dos camelôs que perderam os empregos e esticaram panos no chão para vender qualquer coisa.

“O Brasil perdeu quase 4 milhões de vagas com carteira assinada desde o começo da crise no mercado de trabalho”, relata a matéria do jornal. “Em março, o número de empregados formais foi de 32,9 milhões, o menor desde 2012, início da série histórica.”

Uma coisa puxa a outra: sem carteira assinada, os trabalhadores têm medo de fazer prestações, sem saber se vão ter condições de paga-las, e se contentam em comprar quinquilharias dos muambeiros e marreteiros que se multiplicam na cidade.

“Desde que começou a crise, não se recuperou um posto com carteira de trabalho”, constatou Cimar Azevedo, do IBGE, que divulgou a pesquisa sobre o desemprego esta semana.

Fora do alarido da Celso Garcia, para não falar só de crise neste belo domingo em São Paulo, preciso registrar que a qualidade da comida do Carlinhos, que morreu recentemente, continua a mesma nas mãos da viúva e dos filhos, que se desdobram para atender a todos no restaurante lotado com fila de espera, uma maravilha. Fica a dica.

Bom domingo.

E vida que segue.

 

10 comentários em “Muambeiros e marreteiros, os sem carteira assinada ocupam ruas do Brás

  1. O que está faltando é o aquecimento da Economia, pois a geração de empregos no nível atual que está demoraria 32 anos para atingirmos um nível de agrado nacional satisfatório. O ideal seria se o futuro presidente fizesse um programa de governo pra SP, e outro, pro restante do país. Falta competência e mais trabalho por parte de quem governa. Como medida emergencial a qualidade do gasto público é a única ferramenta que ruma à solução da crise financeira dos Estados. Do jeito que tá, nem os funcionários públicos podem comprar com prestações futuras visando o pagamento mensal, que é uma incógnita.

  2. A situação do País, o que me entristece profundamente, é desastrosa. De norte a sul. Mas, a luta continua. A boa notícia é o restaurante, vou lá e confirir a indicação. Direto de Belém. Salve Kotcho. Um abraço paraense

  3. Proteção ao trabalhador: CF de 1988. Art. 7º .XXVII – proteção em face da automação;
    Vejam o que é utopia Constitucionalizada; desde quando e em que mundo é possível controlar a inovação tecnológica com a finalidade de criar empregos? Sim, sim, no Brasil isso é previsto legalmente, como vê, no Art. 7º da CF. Na antiguidade houve sim, uma proposta para que fossem abolidas as pás que seriam substituídas por colheres de sopa. Uma providência imaginada pelos gênios, a qual geraria 100 empregos por cada pá a menos.
    Em 1972 a Volks de São Bernardo tinha 45 mil empregados diretos e produzia 1/10 do que se produz atualmente com 6 mil. O virabrequim do FUSQUINHA consumia, na década de 70, 12 h e 10 homens na sua produção, o que atualmente é feito em 8 minutos por uma só pessoa que, a rigor, não é um operário de macacão, igual aos da CUT.

  4. No baixo Pari, no entorno da rua Valtier, proliferou inumeros predios voltados para comercio tipo “Feirinha da Madrugada”, que também funcionam na madrugada. Uma grande parte destes comerciantes “AUTONOMOS” ficam ali no entorno e durante o dia ocupam as calçadas em frente ao comercio establecido. Somente no predio da antiga fábrica de biscoitos Totstines, tem mais de 600 lojas. O unico prefeito que teve pulso para controlar aquilo foi o Kassab, que aliás foi quem normatizou a publicidade comercial, fazendo verdadeira revolução positiva. Hoje a predominância dos camelôs são de origem Bolivianos, que muitos são escravizados pelos seus proprios irmãos de pátria.
    Para quem depende daquela região para abastecer seu comercio, principalmente do interior, sofre muito para trabalhar naquela região. Tem ruas que estão tomadas e não há circulação de veiculos.

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