Washington por Olivetto: o que é lenda e o que é real?

Washington por Olivetto: o que é lenda e o que é real?

Das muitas lendas urbanas que correm sobre este personagem incomum, tem uma que é bem antiga e engraçada.

Conta sobre um almoço de W. com uma publicitária mais jovem em que ele enfieirou as histórias das campanhas premiadas, dos comerciais inesquecíveis, das agências que inventou e comandou, e por aí afora, sem pausas.

Lá pelas tantas, ele se tocou e passou a palavra para a moça:

“Já falei demais de mim… Fala um pouco você agora… sobre mim”.

A egolatria já faz parte do folclore sobre os publicitários, mas no caso dele até que há bons motivos pelo conjunto da fantástica obra construída nas últimas décadas.

Perto de outros menos votados, no entanto, fica mesmo parecendo modesto esse velho amigo corintiano, um homem sempre agitado de ideias e apaixonado por tudo: pelo que faz, por sua família, pela música brasileira, pelo futebol, pelo Rio de Janeiro, por um bom papo de boteco.

Morando agora em Londres, W. me pareceu até meio tímido na mesinha colocada nos fundos de um imenso salão da Livraria Cultura, no Shopping Iguatemi, onde passou horas na segunda-feira assinando dedicatórias na sua autobiografia “Direto de Washington _ W. Olivetto por ele mesmo” (Estação Brasil, 2018).

De camiseta azul básica, tênis idem, cabelos mais curtos, o autor vislumbrava com prazer o tamanho da fila.

Tão discreta quanto ele, sua mulher Patrícia ficou a um canto conversando com amigos para saber notícias do Brasil e contar como os filhos, um casal de gêmeos de 14 anos, vão bem na escola em Londres, principal motivo para o casal morar lá.

Muito já se escreveu e falou sobre W.  Agora, finalmente, vamos conhecer sua própria versão, bem resumida na contracapa: “Neste livro ele conta algumas histórias que ajudam a compreender como o grande publicitário criou o seu melhor personagem: ele próprio”.

É verdade. Desde muito moço, quando o conheci, W. lembra mesmo personagens de ficção, desses que se jogam de cabeça em tudo o que fazem, e geralmente dá certo.

Conseguiu até escapar sozinho do cativeiro onde permaneceu sequestrado por 52 dias e 23 horas, uma das passagens mais emocionantes do livro, junto com a grande aventura da Democracia Corintiana, seu grande orgulho.

Dei uma rápida folheada no livro para escrever este texto e não resisto a transcrever o último parágrafo das 398 páginas autobiográficas, sempre de olho no futuro:

“Agora só falta dizer que desejo que você, que me leu até agora, viva mais de 100 anos. E que a sua última leitura na vida seja algo que eu tenha acabado de escrever”.

Vida que segue.

 

3 thoughts on “Washington por Olivetto: o que é lenda e o que é real?

  1. Caro Kotscho,

    Olivetto é um cara sensacional, alem de ser corintiano. Só não gostei do senhor ter me comparado aos mortos vivos dia desses.

  2. Sei de quem se fala, lembro daquele personagem dos 53 dias de cativeiro. Geralmente esses caras que mexem com publicidade são muito criativos. Se eu tivesse o faturamento anual que esses caras têm, eu tb não moraria no Brasil.

  3. Admiro o talento e o caráter do Washington Oliveto. Sempre se negou a fazer publicidade de governos e campanhas políticas, graças a firmeza de caráter hoje não está em nenhuma lista da Odebrecht com algum codinome esquisito, como Feira e Xepa por exemplo. É fácil dizer não às maracutaias.

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