“Luzes, luzes, por favor!”: resposta ao apelo dramático de um amigo logrado

“Luzes, luzes, por favor!”: resposta ao apelo dramático de um amigo logrado

Na hora em que o amigo Humberto Werneck me mandou este pungente apelo aí do título, com ponto de exclamação e tudo, às 10h49 de sexta-feira, eu estava chegando a São Bernardo do Campo para cobrir a prisão de Lula, que não houve naquele dia.

Tantas coisas aconteceram de lá para cá, que só agora, na manhã deste domingo, com a cidade repentinamente calada depois de muito barulho, arrumei tempo para colocar minha correspondência eletrônica em dia.

Werneck não é um amigo qualquer e, por isso, merece uma atenção especial, que vai me obrigar a pensar um pouco antes de lhe responder.

Trata-se de jornalista e escritor mineiro, dono de um dos mais refinados textos deste país onde a língua é tão maltratada nas redes sociais.

Não só isso: é também uma das poucas pessoas com quem ainda dá prazer de conversar, em meio à algaravia enlouquecida dos mortos-vivos ressuscitados nas últimas semanas.

Vejam o que ele me escreveu:

“Querido amigo Kotscho, me diga, por favor, em quem votar, em qual canoa embarcar a esta altura de nossas vidas. Anteontem, encerrada a votação no STF, não dei conta de me levantar do sofá, onde fiquei por umas duas horas, abúlico, diante da tela apagada onde passavam todas as minhas ilusões e desilusões de moço, homem maduro e senhor encanecido. Não me considero especialmente ingênuo, Kotscho, mas me sinto em parte como quem foi logrado”.

Perdoe o dasabafo e aceite o abraço deste HW.”

Meu caro amigo Werneck, como não sei deixar pergunta sem resposta, vou correr o risco de dar alguns pitacos sobre as questões que você me apresentou.

Antes de ir direto ao assunto e citar os nomes que me pede, vou falar mais no geral sobre como estou vendo as coisas.

Nós dois somos de uma geração que votou pela primeira vez para presidente da República só em 1989, embora tenhamos nascido na primeira metade do século passado.

Éramos então ainda jovens jornalistas por volta dos 40 anos, cheios de sonhos, com uma vida toda pela frente.

Por contingências do destino, quis a sorte que eu votasse pela primeira vez para presidente num grande amigo, que também perderia naquela ocasião a virgindade nas urnas.

Mais que amigo, quis a sorte que eu fosse assessor de imprensa dele na campanha presidencial.

Rodamos juntos este país de ponta a ponta e pude testemunhar a festa que foi o reencontro do Brasil com a democracia.

No primeiro turno, havia 22 candidatos (parece que agora são mais ou menos 18) de todos os credos e latitudes, do meu querido velho Dr. Ulysses a um jovem quase desconhecido chamado Fernando Collor, que acabaria ganhando a eleição.

De lá para cá, só votei no Lula para presidente e depois em quem ele indicou como sucessora, a tua conterrânea Dilma Rousseff.

Com Lula passando hoje o primeiro dia de prisão em Curitiba, não podendo mais disputar a eleição, assim como você, também fiquei órfão de candidato.

Direta ou indiretamente, ganhando ou perdendo, Lula participou de todas as eleições presidenciais desde 1989.

Sem ele na disputa, por motivos de força maior, fecha-se um ciclo da política brasileira e acho que está na hora de pensarmos em novos nomes. Nossa geração esgotou seu estoque.

Não dá para ficar nessa história que tenho ouvido muito de que é preciso votar no “menos pior”, ficar discutindo nomes com prazo de validade vencido como Alckmin, Ciro e Marina, e que tais.

Como não sou mais obrigado por lei a votar, depois de ter completado 70 anos, e com pouco tempo pela frente, ao contrário do meu primeiro voto, não posso errar.

Este pode ser o último e tenho que pensar bem.

Cheguei a pensar até em nem ir votar em Porangaba, uma cidadezinha do interior paulista onde tenho um sítio e fica meu domicílio eleitoral.

Seria uma heresia para quem tanto lutou pelo direito de votar para presidente da República na campanha das Diretas Já.

Nas longas horas que passei na vigília do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo à espera da prisão de Lula, tive tempo para pensar na tua pergunta.

Por mais um acaso do destino, cruzei lá com dois jovens que são candidatos a presidente e foram prestar sua solidariedade ao Lula: o Guilherme Boulos, líder do MTST, lançado pelo PSOL, e a Manuela D´Ávila, do PCdoB.

Boulos é a primeira liderança popular que surgiu no país depois de Lula, à frente do Movimento dos Sem Teto de São Paulo, e Manuela é uma jovem política gaúcha, jornalista de formação, que já foi deputada federal e hoje é estadual.

Lula resolveu minhas dúvidas eleitorais ao chamar os dois para a frente e lhes dar as mãos no palanque-caminhão, ao final da missa campal pelo aniversário da minha amiga Marisa, no sábado.

Se é para mudar, se é para renovar, como dizem os arautos da nova velha ordem encastelada no poder desde sempre, por que não uma chapa Manuela-Boulos ou Boulos-Manuela?

Sim, eu sei, os partidos dos dois não têm recursos nem tempo de televisão, ambos são ainda muito jovens, na faixa dos 30 anos, sem experiência em cargos executivos, podem assustar a classe média sempre temerosa, mas já que estamos nesse deserto de lideranças, literalmente afundados na merda, por que não tentar com eles?

O perfil de ambos não é muito diferente daquele de Lula na primeira eleição presidencial que disputou. Também ele assustava quem tem medo de mudança, o mercado e esta turma toda que está fugindo para Miami ou Lisboa.

A campanha ainda nem começou e muita água ainda vai correr debaixo da ponte até a abertura das urnas daqui a menos de seis meses.

Lula teve que perder três eleições para finalmente chegar à vitória em 2002.

Eu só voto em quem eu conheço e confio e me dá esperanças de viver num país melhor sem sair daqui. Gosto de gente que fala do futuro com brilho nos olhos.

Por isso, te agradeço, meu caro Werneck, por ter me obrigado a pensar em quem vou votar.

Não sei se ajudei o amigo para não se sentir tão logrado, mas eu já sei o que vou fazer em outubro.

Sem Lula, temos que começar tudo de novo.

Em 1989, ele também era candidato de um partido pequeno que depois cresceu, tornou-se o maior do país e chegou ao poder.

E seja o que Deus quiser. Espero poder votar nesta chapa.

Vida que segue.

 

 

43 thoughts on ““Luzes, luzes, por favor!”: resposta ao apelo dramático de um amigo logrado

  1. Em 6 de fevereiro passado, tu consideraste Ciro o único candidato capaz de liderar uma frente de centro-esquerda, com alguma chance de êxito.

    1. Cara Karla, Ciro continua tendo chances, é claro, mas não é o único.
      O cenário muda a todo momento. Fatos novos exigem que todos assumam seu campo e seus aliados.
      Falta Ciro consolidar sua posição como candidato de esquerda, apresentando suas propostas e alianças, o que ainda não aconteceu.

      1. Quando começo a ver muitos sites de economia de direita como InfoMoney interessando-se e dando espaço pro Ciro, desconfio.
        Ele diz que tá pouco se lixando pro mercado financeiro, que focará na produção, contudo os próprios financistas (especuladores) estão dando atenção a ele.
        Há algo de estranho no ar.
        Gostaria de acreditar nele, mas não confio.

  2. Vô vc é um grande exemplo pra mim e para todos que o seguem. Sei de toda sua trajetória na política e de sua experiência com o Brasil e suas “brasilidades”. Também sei que as coisas não estão nada fáceis para -quase- nínguém, o que faz de nós pessoas desesperançosas com o que está por vir. Mesmo que queira, não posso votar esse ano, por não ter idade o suficiente, mas acredito que pessoas como vc, vão achar o caminho para enxergar uma luz no fim desse túnel sombrio em que estamos vivendo. O Brasil um dia vai ser o país que todos nós sonhamos!
    Obrigada por sempre me fazer ter esperança.
    Um beijo, Laura.

    1. Minha querida neta Laurinha, você tem só 15 anos e já é uma das mais lúcidas e sensatas comentaristas deste blog.
      Tenho muito orgulho de você, que também me dá esperança de viver num Brasil mais justo e solidário.
      Não sei quando nem como, mas tenho certeza de que ainda vamos viver num belo país sem ter que sair daqui.
      Grato pela tua participação, apareça sempre. Um beijo do vovô Ricardo.

  3. Muito bom Ricardo. Estou contigo no mesmo barco. Ou pelo caminho apontado por Lula. Ciro não dá! Quem não é solidário na dor, um egoísta nato, que se dane.

  4. Pois é Sr.Kotscho. Tenho orgulho de dizer que, votei a 1ª vez em 1994 no PSDB, já com 43 anos. Passei todo o regime militar sem votar e paguei várias multas. Não me decepcionei com FHC que teve a coragem de fazer uma grande programa de privatizações, que era, é e sempre será, enquanto vivo ,meu sonho, pois entendo que o estatismo é a base da ladroagem, como, por sinal se viu. Não vote em pessoas ou em mitos ,isso é coisa de subdesenvolvidos.

    1. Pois é, Velho, só Freud explica porque as privatarias de FHC foram um sonho pra voce, pois foram um pesadelo pro Brasil, pro povo brasileiro e, principalmente, pros tucanos, que perderam as quatro eleições seguintes e perderão a quinta, se não impedirem Lula. Tô mentindo, meu bom velhinho ? Aceite dois conselhos: 1 – leia o best seller “Privataria Tucana”. 2 – Jamais as defenda num palanque tucano ou será chutado palanque abaixo pelos próprios correligionários. Defenda a honestidade de Aécio Neves, mas não dê um pio sobre as privatarias tucanas. Abração, boa noite e ótima semana, Velho.

      1. Suas interpretações políticas são de um fanático e, portanto, não merecem crédito e nem tem eficácia lógica. Insisto porém, se una entre os bons e vamos à luta contra os outros corruptos que estão soltos, de qualquer partido, insisto. Suas argumentações são de ”galera” de futebol, as quais jamais frequentei.

  5. O PT desapareceu e a Esquerda não consegue se unir. O MDB ainda não escolheu o seu candidato. Qualquer decisão política importante tem primeiro que passar por Minas. O trabalho de reafirmação dos valores humanos para a construção dum mundo melhor, será muito cobrado nesta eleição. Nesta visão futurista, qualquer candidato que tiver caso de envolvimento com corrupção será carta fora do baralho.

  6. Dilma recebeu 45 milhões de votos e foi impedida. Lula foi preso e não será candidato. Aécio, Serra, Alkmin, Temer, Jucá etc… continuam soltos e poderão candidatar-se. Um General boquirroto afronta a Constituição e o poder judiciário. Quatro ministros do STF rasgam a Constituição. Se houver eleições, ou serão fraudadas ou não servirão pra nada. Recordemos: acusavam o PT de ligações com tráfico de drogas, mas o Helicoca pertencia a quem ? Acusavam Lulinha de ser dono da Friboi, que pertence a quem ? Acusavam o PT de envolvimento com o PCC, mas Alkmin, segundo matéria da Folha (pesquisem no Google), fez acordo com qual facção criminosa de São Paulo ? Apesar das seguidas eleições de Aécio e Alkmin, Beto Richa, João Dória, ACM Neto etc…acusavam o PT de fraudar as urnas eletrônicas. Percebem onde quero chegar ? Os atuais donos do poder fraudarão as urnas eletrônicas, pois são especialistas em bater carteira e gritar “pega ladrão”. Por propinas, Aécio pretendia assassinar o próprio primo. Geddel escondia centenas de milhões de Reais em dinheiro vivo. Jucá costurou acordo com Congresso, STF e Forças Armadas pra derrubarem uma presidente honesta. Acham que essa gente está pra brincadeira ? Estamos no mato sem cachorro. Que Deus tenha misericórdia do povo brasileiro.

  7. Caro RK.
    Só um aspecto me incomodou no seu post. Nem todos os que saíram do Brasil “fugiram”. Por questões profissionais, já morei em Miami, e hoje moro em Lisboa. Fico sempre com a sensação, com essa generalização, de fazer parte de um grupo desprezível. Conheço muitos brasileiros que cá vivem, e nenhum com essa característica que considero pejorativa. Todos, inclusive, muito preocupados com os rumos do Brasil.
    Um abraço.

      1. Está desculpadíssimo, caro RK.
        Na campanha de 1989, eu fui o locutor dos programas de TV do Lula. Campanha pobre de dinheiro, rica de ideias geniais. Nessa época, o comando não era de marketeiro, mas sim de jornalista, como o genial Carlos Azevedo.

  8. A dupla golpista Temer/Aécio deixou um legado muito ruim, todos candidatos que gravitam em seu entorno tem esse fardo nas costas. Qualquer candidato de esquerda que prometer a retomada do desenvolvimento e das conquistas sociais surrupiadas, leva essa eleição.

  9. Sem foro privilegiado. O Brasil só tem um território e uma Constituição. Logo, a mesma Justiça que julga o rico, julga tb o pobre. Ou será que temos dois brasis: um para julgar os ricos e outro para julgar os pobres? Direito tem quem direito anda. Disse Jesus: “Dize-me com que tu andas que direi quem tu és.” Toda regra tem exceção. Infelizmente no esgoto que ora sai da internet, não é o caso daqui do espaço do Kotscho, que considero exemplar e diferente; existem “jornalistas” de comportamento esdrúxulo que tentam impor suas ideologias e doutrinas malucas com o propósito de mudar ou alterar a seu favor a opinião pública – neste momento muito importante da vida nacional. Esses “ditos”, geralmente, têm um candidato de grande poderio econômico por trás deles. Por outro lado, não sei até que ponto os demagógicos políticos que estão no Poder vão conseguir segurar esses pequenos impulsos de crise política e econômica. Esse é um fato comum que ocorre em toda a América Latina que não tem um tribunal com a operação da Lava Jato.

  10. Salve mestre! Um brinde ao nosso reencontro.Já estava com saudades. Andei lendo por aí, que a prisão de Lula “pegou todos de surpresa”. Surpresa só se for pra quem nasceu ontem, vamos combinar. Que a lava a jato sempre caminhou para esse desfecho, isso é fato. Os reais motivos pelos quais não prenderam o Lula desde o início , quiçá um dia será revelado, mas o jogo nao é muito dificil ser lido..A prisão de Lula não prejudica apenas ele, mas tambem todos aqueles que o rodeiam, e isso inclui aliados , oposição, juízes, procuradores, delatores,imprensa e a própria Lava a Jato. Observe que durante todos esses anos da operação, a pauta principal sempre foi a prisão de Lula. Seus aliados a temiam, seus adversários a utilizaram como tema recorrente de seus discursinhos hipocritas, competindo entre si, pra ver quem conseguia ser o mais anti-Lula possivel.Jornais, revistas e telejornais, desde o início, não falaram de outra coisa a não ser dessa prisão Lula. Enquanto o grande dia nao chegava, a Lava a Jato tratou de trabalhar muito mais para se auto promover, do que efetivamente para acabar com tal a corrupção, como alardeava por aí. nação. A fama e o poder chegaram rápido, e o juiz Moro, ó meu Deus, viu que isso era bom! Se prendesse Lula logo de cara, acabaria a expectativa e consequentemente o interesse na operação. Lula era a vitrine. Lula era o prato principal ,e esse a gente só serve no final, certo Moro? Então nesse primeiro momento nada de pressa. O cardapio tem que ser elaborado com cuidado. Pra comecar que tal umas entradas? No menu sempre bastante petista, pra aguçar a “fome de justiça” dessa gente do bem, claro. Aves estão proibidas é que o “master chef” tem uma grande apreciação por essa espécie, e não quer sacrifica las, (fazer o quê se ele tem o coração tão generoso?) Bastante bebida, para matar a sede de poder dos meninos de Curitiba. Que tal um impeachement de sobremesa? Nao esqueca o toddynho das criancas, se nao elas “protestam”. E entre uma delacao e outra, um vazamento aqui e outro la, a Lava Jato seguia cozinhando tudo em banho Maria. So que o cardápio começou a ficar muito repetitivo ,e uma parte da clientela se perguntava a toda hora por que eram servidas sempre as mesmas cabeças ? Pra encher linguica, começaram a testar outros “ingredientes”, mas o novo sabor não agradou a certos poderosos, principalmente a tal da sangria, também não despertou o apetite daquela gente do bem, e pra falar a verdade, faltava convicção ao “chef” em testar novos sabores, afinal sua especialidade sempre foi frutos do mar…enfim agora que o prato principal foi servido, resta saber se a Lava a Jato ainda vai continuar despertando o apetite dessa gente do bem e, principalmente, se os seus integrantes vão mergulhar fundo em busca de novos sabores… , Ingredientes pra trabalhar é o que não falta, são mais de 200 hein, Moro? Um bom “chef” é aquele que tem a capacidade de promover um banquete que sacie a fome de todos, usando todos os ingredientes que dispõe, e não apenas um que agrade o paladar de uma parcela de sua clientela

    1. Nada está decidido, cara Suely. Por enquanto, as pessoas só estão pensando nas soluções possíveis.
      A campanha só está começando e Lula, afinal, ainda não foi proibido de ser candidato.
      Haddad é um dos bons nomes do PT para entrar nesta disputa que ainda está aberta.

  11. Como não curto esse negócio de extremidades, esquerda ou direita, mitos ou ídolos, ovadas ou tomatadas, irei caminhar pelo caminho de quem melhor apresentar as melhores intenções de unir o País em prol dele. Não do candidato, mas sim do Brasil mais moderno, mais produtivo, menos burocrático, é que dê mais oportunidades ao maior número de pessoas possíveis. Candidato comprometido em reformas administrativas que diminua o peso do Estado sobre as costas de quem trabalha.
    Enfim, muita coisa vai acontecer. A Lava jato ainda tem muita água no tanque!

  12. Mestre, nada a contestar, apenas acrescentar que Padilha confirmou Lula como candidato a ser lançado pelo PT, permanecendo na campanha até o TSE decidir exclui-lo, não podendo faze-lo antes do final de agosto.
    O esperado. Não tem sentido o PT entregar aos golpistas o que mais precisam e que há quatro anos os faz moverem ‘mundos e fundos’ para que Lula não participe da eleição em que pretendem legalizar o golpe, estabilizar o hoje atolado governo e manterem-se no poder legalmente, sem conseguirem e sendo que a seis meses da dita, não tem mais como impedirem sua participação, sabendo que lidera e dificilmente não a vencerá, sendo ou não, candidato, o próprio, com a campanha “Lula Livre! – Eleições 2018”, ganhando as ruas.
    Restará cancelarem a eleição ou fraudá-la, aprofundando o golpe e atestando a ditadura.
    Cabe-nos impedir que seja cancelada, para democraticamente derrotá-los.
    Confirmado, há um ‘Lula’ a ser ‘preservado’ até certo momento, que penso ser Haddad.

  13. Caros Kotscho e Humberto Werneck, se houver eleição esse ano, creio que a primeira decisão que devemos tomar, caso Lula não dispute, é imaginarmos uma pirâmide de votos para sustentar o Brasil que sonhamos PARA TODOS e não do “Brasil que EU quero” (ou ela, a Globo quer).
    Explico: Digitaremos 6 votos na urna. 1 para deputado estadual, 1 para governador, 1 para deputado federal, 2 para senadores e no topo da pirâmide, por fim, o voto para Presidente da República. O Brasil está nessa tragédia exatamente por nos fixarmos só no nome para Presidente esquecendo (ou forçados a não nos atentar) que nenhum Presidente governa sem base e sem sustentação nos estados e no Congresso.
    De minha parte eu pretendo começar a pensar nos votos debaixo para cima e assim ir subindo a pirâmide com uma boa margem de coerência. Até agora só escolhi o nome da Carina Vitral para deputada estadual, aquela menina ex-presidente da UNE e que sairá pelo PC do B. É com o vigor dessa juventude que pretendo até o final da campanha decidir pelos outros 5 votos que darei.
    Em tempo: Nunca fiz isso, é a minha primeira vez.

  14. Prezado Kotscho: Estou de acordo como você diz que “Se é para mudar, se é para renovar, como dizem os arautos da nova velha ordem encastelada no poder desde sempre, por que não uma chapa Manuela-Boulos ou Boulos-Manuela?” – desde que o Lula não possa mesmo ser candidato, numa virada que pode ser, por que não, possível. Vamos aguardar o que vem pela frente. E por falar em virada gostaria de, modestamente, dedicar ao Lula a emoção que senti ontem em ver meu Corinthians ser campeão paulista pela 29ª vez.

  15. Belo texto Kostcho, como sempre. Uma pergunta apenas: e o Fernando Haddad, você o vê fora da disputa? Abraços fraternos!!

    1. De jeito nenhum, caro Jamil.
      Fernando Haddad é um dos melhores nomes que temos no campo da esquerda para enfrentar o rolo compressor da direita e da extrema direita.
      Tudo vai depender daqui pra frente das alianças que forem feitas e do que vai acontecer com Lula.

      1. Haddad é um excelente nome, mas será que é competitivo? Perdeu a reeleição para a prefeitura de São Paulo no primeiro turno, e não vejo projeção nacional suficiente para uma eleição que vai acontecer já em outubro.

  16. Obrigado pela sua sempre sinceridade e humildade nas palavras. A luta não acabou…ela ganhou novos componentes para ser reiniciada. Um abraço de um anônimo, dentre tantos que ainda sonha em ver esse país ser justo para todos, brasileiros e os que se dizem ser.

  17. Kotscho meu querido amigo. Sim a internet e as redes sociais permitem essa graça, sermos amigos sem nunca termos nos visto, apesar de nos abrigarmos sob as mesmas convicções. Mais do que a prisão de Lula, a reação de um certo setor da sociedade, me trouxe a sensação de um filme já visto. O ódio agora aflorado contra Lula e a esquerda de um modo geral sempre esteve presente. Faz parte da alma de uma parcela grande dos brasileiros. Portanto, o que vemos nas ruas e aqui nessa internet não deve nos abater. Vamos rir, sonhar e começar de novo. Ainda no domingo coloquei minha camiseta vermelha e fui ao mercado num bairro “chic” em Brasília. Me dei conta que não podemos nos esconder mesmo diante da cara feia do homem que compra o vinho caro ao meu lado. Não podemos ficar chorando pelos cantos. A luta é assim. Lula foi preso. Lutadores do MST são mortos. Professores são agredidos. Infelizmente a elite brasileira se comporta assim. As vezes fica mais dócil, por conveniência, mas ela é o que é. Vamos de Boulos de Manuela ou de outra alternativa, mas sigamos em frente. Temos o que mostrar e, apesar de homens do século passado, temos energia para queimar.

    1. Meu caro Cesar, simplesmente primoroso seu comentário: sereno, equilibrado, simples, objetivo, conciso, cristalino, pedagógico, elucidativo. Meus parabens !!! Desopilou-me o fígado do destempero, agressividade e intolerância do, outrora educado, Luis Carlos Velho. Algum sentimento de culpa e remorso pela prisão de Lula está incomodando esses “mortos vivos” do qual falou Kotscho. Considero bom sinal. Bom dia, Cesar e Balaieiros.

  18. Unir a esquerda em torno um nome que ultrapassa este objetivo e, em um segundo momento, formar um amplo arco anti-barbárie para derrotar a extrema-direita (como na França ou, de forma indireta, na Alemanha). Um nome agora com trânsito internacional e experiência ao longo da era FHC-Lula. Um nome que não herde, como paralisia, o pesado cisma regional de SP entre PSDB e PT; de resto, uma disputa encarniçada de décadas, legítima em toda e qualquer democracia e, na sua gênese, plataforma difícil, mas plataforma, para futuros entendimentos. Um nome com trânsito que salve os militares modernos da cilada perigosa onde se encontram: não podem dizer de público que não votam em Bolsonaro. Um nome que abra um canal de diálogo com o Itamaraty, até mesmo com os “bilateralistas” de plantão.
    O nome: Celso Amorim

  19. Meu caro Kotscho, tomo a liberdade de lhe escrever fazendo uma pergunta, considerando que em seu texto vc disse não gostar de deixar perguntas sem resposta. Tem uma questão, quase filosófica, que vem me incomodando: dizemos que eleição sem Lula é fraude. Mas, discutimos em quem votar, caso Lula fique impedido. Ao votar, estaremos partipando de uma eleição fraudulenta ou eleição sem Lula não é fraude? Muito obrigado pela atenção e abraço.

  20. PS à msg anterior
    Quando digo “estaremos participando de uma eleição fraudulenta” quis dizer “estaremos participando e corroborando com nosso voto uma eleição fraudulenta”.

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