Esquerda ataca Padilha e faz propaganda grátis da série da Netflix

Esquerda ataca Padilha e faz propaganda grátis da série da Netflix

Se soubessem antes o que iria acontecer, os marqueteiros da Netflix certamente não teriam investido milhões no lançamento da série O Mecanismo comprando sobrecapas dos jornais.

Não se fala de outra coisa nos becos e botecos de esquina.

Os violentos ataques da esquerda a José Padilha e os contra-ataques do diretor no mesmo tom, estão fazendo a maior propaganda grátis da série sobre os escândalos de corrupção no Brasil.

Como não criei o hábito de assistir a estas séries de TV, porque não tenho paciência e prefiro ler um bom livro, não vi nem vou ver O Mecanismo, mas encontrei uma boa resenha na coluna do Daniel Castro que resume bem do que se trata:

“O Mecanismo é a Narcos da corrupção. Ninguém é santo nela, nem os heróis, nem o juiz Sérgioo Moro. Talvez para se defender da patrulha da esquerda, Padilha atira para todos os lados, repete a afirmação de que a corrupção é um câncer, um mal epidêmico do Brasil, que vem desde 1808, com a chegada de Dom João 6º, e afeta do presidente da República ao encanador que conserta o vazamento do esgoto. Um câncer que se alastra e pega você e pega eu quando damos aquele jeitinho”.

Até a ex-presidente Dilma Rousseff entrou na dança que virou uma batalha verbal nos jornais e nas redes sociais:

“Netflix não pode fazer campanha política. Vou falar para as lideranças políticas que eu encontrar. A direção da Netflix não está sabendo onde se meteu. Não vejo por que uma estrutura como aquela dar margem para isso”.

A resposta de Padilha:

“Essa discussão é como se o sujeito entrasse na sua casa, estuprasse sua esposa, amarrasse seu filho, roubasse um isqueiro. A esquerda quer discutir o isqueiro, porque, se ela olhar para o macro, para o que aconteceu, não vai ter o que falar”.

É aquela velha história dos políticos: falem mal, mas falem de mim. Ou como filme de sacanagem proibido para menores de 18 anos. Tudo que é proibido ou contestado acaba despertando maior interesse.

Enquanto os líderes de esquerda condenam a série de Padilha por fazer propaganda política contra o PT em ano eleitoral, e pede que os clientes cancelem suas assinaturas, a Netflix vai faturando alto.

Acusado por Dilma de ter produzido uma obra de fake news, o diretor reagiu: “Não creio que espalhamos notícias falsas. Ou será que a corrupção gigante que PT, PMDB e PSDB operam no país são fake news?”

Padilha vinha pensando em fazer um filme ou uma série sobre a Lava jato há muito tempo. Falamos muito sobre isso na viagem que fizemos juntos ao Ceará para revisitar os personagens da cidade onde ele filmou “Garapa”, uma pungente história sobre a sobrevivência ameaçada em terras assoladas pela seca nordestina.

A reportagem foi publicada na saudosa revista Brasileiros e pode ser encontrada no arquivo digital da publicação (acho que  pode estar também na rubrica reportagens aqui do blog).

Sem entrar no mérito do trabalho do premiado diretor de “Tropa de Elite”, pois não vi a série, O Mecanismo acabou sendo mais um ingrediente incendiário nesta campanha eleitoral radicalizada que tem tudo para não acabar bem, seja qual for o resultado das urnas.

Qualquer fagulha pode ser o estopim para uma grande fogueira.

Para o meu gosto, os ânimos andam muito exaltados nos tribunais, nas ruas e, agora, também nas telas.

Vida que segue.

 

54 thoughts on “Esquerda ataca Padilha e faz propaganda grátis da série da Netflix

  1. De fato, nem tinha a tal NetFlix.. mas por ocasião da compra de uma TV, na configuração apresentava a oferta de um mês grátis da dita cuja…como sou “fasqueiro” dessas iscas nem iria ativar, pq certamente correrei o risco de permanecer pagando… Eis que leio uma manchete sobre uma entrevista da Dilma… “A NetFlix não sabe onde se meteu…”
    Não resisti! Validei o tal “um mês grátis” só para assistir a dita Série… rs
    Afinal, ultimadamente, se leio o PT condenando algo, (um projeto, uma reportagem, até um candidato, mesmo que seja de esquerda, como o Ciro Gomes) já fico de alerta… “Se o PT diz que não presta, acredite, é o primeiro sinal que é bom”!

    1. Eu ajo assim também mas em relação à Globo. Se ela defende algo, sei que é uma m…
      Se ela ataca, sei que é bom. Como não gosto do “efeito manada” e não sou “Maria vai com a Globo”…

      1. Já eu, adoraria ter políticos, governantes (prefeitos, governadores ou presidente da república) e legisladores (vereadores, Dep Estaduais, Federais ou Distritais), sejam eles de direita ou de esquerda, de frente ou de costas, executando ações e projetos com o “padrão Globo de qualidade”!

  2. Caro e prezado grande repórter RK, sobre esse negócio de mecanismo(palavra horrível)tudo parece indicar que os mecânicos não fazem uso de certos mecanismos.
    Ou fazem?

  3. Tudo leva a crer que a série “O mecanismo” faça parte de um baita mecanismo. Se esta crença está errada, não entendo qual a razão de fazer uma série pouco fiel aos fatos: para citar apenas um exemplo, porque não colocar o famoso diálogo sobre “estancar a sangria” na boca de quem realmente disse isso? É um desserviço pois infelizmente as pessoas assistirão como se a série fosse uma fonte de informação acurada! E dá-lhe mais manipulação aos suscetíveis e desinformados. Uma vez fiz uma analogia aqui no Balaio sobre estarmos em um túnel escuro. José Padilha perdeu a chance de contribuir para ajudar-nos achar a saída. Ou ele não sabe do poder que tem, ou ele sabe e age de má fé. Triste.

  4. Excelente post, Kotscho. Venho pensando exatamente isso: a Netflix e o diretor Padilha devem estar felizes da vida com tamanha repercussão. Até eu que não gosto de séries (assisti apenas duas até hoje) vou ver O Mecanismo. E fiquei em dúvida com os comentários que ouvi aqui e ali: a corrupção no Brasil é fake news? Quem diz isso vive em um universo paralelo.

  5. Kotscho, devagar com o andor. Era assinante da Netflix e graças a celeuma, descobri que há várias alternativas melhores, pela metade do preço. Cancelei a dita cuja e não senti o menor desejo de assistir a série do Padilha. O que realmente importa nesse imbroglio está sendo ignorado, qual seja, a safadeza do cineasta ao atribuir a Lula as palavras de Romero Jucá, pois outro canalha será muito bem pago pra filmar “O Suicídio da Vereadora Marielle” e a famigerada frase de Aécio “tem um que ser um que a gente mate antes que abra a boca”, será atribuida a Dilma Rousseff. Lamentável o rumo que vai tomando o Brasil e o mundo. Estamos chegando ao fundo (apenas um estágio, segundo Veríssimo) poço. Nossos filhos e netos pagarão o preço do nosso desvario. Pessoas sendo caluniadas em rede nacional, opinião publica manipulada de forma escandalosa e descarada, bandidos no poder e um quadrupede que prega o armamento da população com chances reais de assumir a presidência em 2018. Tudo normal, segue o enterro. Que ganhe o Bolsonaro, armemo-nos todos, vamos a guerra, que vençam os piores. E que o futuro nos traga, em dobro, tudo o que estamos fazendo por merecer.

    1. Esta é a visão do teólogo, pra você matutar. Não é por processo de oposição que caminharemos para o pleno do ser humano. Ninguém se pode sentir proprietário da sua verdade nem do seu espírito. O seu único dono é o Pai.

  6. Realmente Padilha foi preciso quando diz que o PT e as esquerdas tentam passar a imagem de virgens imaculadas. Formaram uma organização criminosa com PMDB e demais partidos que lhe apoiasse com o único objetivo de se perpetuar no poder e transformar seus membros milionários. Foram com toda sede do mundo nas Estatais, BNDES, fundos de pensões e tudo mais que pudesse gerar os famigerados 2 a 5% de propina. Somente os alienígenas acreditam que não estavam envolvidos até o último fio de cabelo em toda essa sujeita. Padilha mais uma vez demonstra sua capacidade de expor o verdadeiro Brasil como o fez em Tropa de Elite. É o sistema criminoso montado por políticos inescrupulosos. Oxalá que os brasileiros comecem a votar somente em políticos verdadeiramente honestos e joquem no limbo da história os populista que como parasitas apenas mantém seu hospedeiro vivo mas o impede de crescer pois isso seria sua morte certa. Padilha não se importando com os patrulheiros esquerdopatas. Vida que segue

      1. Posso começar a dizer em quem não votar. Como por exemplo políticos que estavam no bolso ou melhor na lista da Odebrecht, estes estão definitivamente fora. Você não pensa em votar em quem se fartou nas propinas da Odebrecht? Ou não? Já diminuiu muito a possibilidade de votar em corrupto. Vida que segue

          1. é até uma piada de mal gosto uma pergunta dessas , em nosso pais hoje quem existe , de realmente honesto , está difícil saber em quem votar eu mesmo não tenho candidatos hoje ,,

  7. A liberdade criativa dele tem limites. Tá na Lei Maior (que responda nos tribunais). O direito à liberdade de expressão do indivíduo não é absoluto. É contrabalanceado pelo direito à honra dos demais. Sistema de leis. Nenhum direito é analisado isoladamente.
    Também temos direito do consumidor de boicotar a Netflix. Se o mega empresário se meteu onde não deve (política), distorcendo fatos, nós (consumidores, parte mais fraca do elo) temos todo o direito de boicotar quem quisermos! Habbib’s, Riachuelo, Netflix, etc.. Quem detém o poder $ econômico são eles, não nós. Nós temos o poder da escolha e o exerceremos com toda liberdade que temos! Já foi a época que só tínhamos uma emissora hegemônica goela abaixo… Eles que aguentem a concorrência.
    Há muita gente competente pedindo passagem, produtores independentes. Além disso, durante os governos democráticos e populares do PT, MinC, ANCINE (PCdoB), BNDES e Petrobrás deram apoio a projetos dele ao longo de anos e anos…
    Será que ele vai devolver a verba que ele pensa ser oriunda de corrupção?

  8. Sobre o sucesso dos Filmes Tropa de Elite: até fez uma crítica interessante, expôs as milícias, mas, quando no filme 2 começou a demonizar a política, partiu pra crítica sem sugestão de caminho, de solução, de esperança. E a política é a essência da democracia, com todos os seus defeitos. Sem ela, partimos pro fascismo. Fez um desserviço.
    Paralelamente a isso, a “limpeza” que eles pensam estar sendo feita, como deveriam enxergar, é construída apenas para um lado. “Limpeza” com lado, “justiça” com a balança pendente e sem a venda, contra pobres e partidos de esquerda.

  9. Quando dizemos que são todos farinha do mesmo saco dizem que é generalização. Vejam que oportunidade a esquerda nos deu para ver como realmente ela é, o quão autoritária. Igualaram-se ao MBL, estes tomaram pra si o departamento de censura de artes plasticas, a esquerda o de cinema. Dilma e suas providências foi a cereja do bolo, parece que vai levar a questão à ONU. Este caso me fez lembrar da situação em que a ditadura se meteu com a censura ao filme Rio Babilônia, 1982, a proibição virou publicidade, provocou tanta curiosidade e polêmica que teviram de liberar. Só rindo mesmo.

  10. À primeira critica lida na internet falando das ‘licenças políticas’ da série, ‘O Mesmanismo’, do marqueteiro da ‘fadinha da floresta’, ‘Tropadilha de Elite’, resolvi dar pitaco dizendo achar não necessário esforço ao desmonte, pois tornaria-se ignorada sem ajuda, sendo, além de cinematograficamente ruim, mais do mesmo, paroquialmente vista e muito jeca cópia, metropolitanamente assistida.
    Sem falar nos ‘apliques’ de cenas de sexo pra garantir a gororoba da 13ª vara na segunda instância e as caricaturas escrachadas, até pra teatro de revista, exageradas à Cazuza, para desconstruírem Lula e Dilma.
    O problema, Mestre, é o Brasil ser o paraíso do, não vi, não li e não gostei, pois no caso, se tivessem visto dois capítulos, certamente saberiam ignora-la.
    Mas pensando bem, agora com o abacaxi em combustão, melhor descascá-lo e como nos apliques, mostra-lo peladão e mais explícito.

  11. O que sei desta serie são os banners chatos nos sites que acesso. Pelo seu comentário vejo que finalmente está acontecendo no Brasil algo comum nos EUA e UE: arte com críticas ferozes em quase tempo real aos fatos relatados. Aquela coisa de filme do Vietnam depois de 10 anos finda a guerra não existe mais. Nos USA por exemplo há dezenas de filmes e documentários que foram lançados durante a ocupação do Afeganistão e Iraque. É o fast-food da arte.

  12. Caro Kotscho, antigamente existiam as locadoras de vídeos e dentre aquela quantidade enorme de fitas ou DVDs, a gente escolhia a que melhor se adaptava ao nosso gosto e vontade e levava pra casa pra assistir. Quantas vezes nos decepcionávamos ou nos surpreendíamos ?
    Com o Netflix é a mesma coisa. Sou assinante desse serviço de streaming (é assim que se escreve ?) e sei que há nele muita porcaria e também séries e filmes espetaculares bem como excelentes documentários. Não vou cancelar !!! Também não vou assistir esse “Mecanismo” já que não me agradou o que disseram sobre ele em que o José Padilha mente ao apresenta-lo como “baseado em fatos reais” mas mete o discurso do Romero Jucá na boca do personagem que representa Lula. Também inventa um pronunciamento que Dilma nunca fez. Caso um dia eu venha a assistir, o máximo que poderia fazer é avaliar a tal série com estrelas negativas, mas cancelar ou boicotar o serviço, isso eu não vou não. Tem que dar pau no diretor e nos atores brasileiros “que se venderam” mas não (nesse caso) em quem os comprou, porque tratando-se de uma empresa norte-americana, o que esperar ??? Em política macro, geopolítica ou geo-economia, o jogo é jogado e no caso dos interesses deles em um país do nosso tamanho, o jogo é pesado. Pesadíssimo !!! Um jogo tão bruto em que ética, moral e decência não são fichas. Money, money, money, money e money !!!!

  13. José Padilha conta uma história, em uma entrevista para a Revista Trip, na qual bate na porta do apartamento do Ministro da Cultura do Governo Lula, Gilberto Gil, para “confiscar” um DVD pirata do filme dirigido por ele, Tropa de Elite.
    Essa entrevista está disponível no youtube.

      1. Acho que tem bastante a ver. É o Padilha dizendo que foi “sacaneado” pelo PT já na época do Tropa de Elite.
        Não é difícil imaginar que ele jamais filmará a história de algum aspecto positivo dos governos Lula/Dilma.

        1. Um DVD? Devolve e reconhece o erro.
          Assim como o Padilha pode devolver as verbas que recebeu de MinC, ANCINE, BNDES e Petrobrás, durante os governos democráticos do PT, caso pense ser advindo de corrupção.

        2. Realmente tem tudo a ver. Esse “causo” é realmente muito plausível, coerente e nada absurdo: uma mãe de santo revela ao Padilha uma trama diabólica do Lula, Hugo Chaves, Evo Morales, Vladimir Putin etc… O Plano secreto, microfilmado no DV (de fachada) Tropa de Elite, é na verdade uma trama diabólica/comunista de dominar a Via Lactea, a partir de Saturno, onde uma revolta bolchevique tomou o poder e alterou a órbita de Titã, colocando-a em rota de colisão com o planeta Marte. Após mil façanhas e peripécias de Luis Inacio, José Dirceu, Luke Skywalker, Dart Vader e Aécio Neves, a emocionante aventura termina de forma surpreendente: Padilha vinga-se do PT, duas décadas depois, colocando a famigerada fala de Romero Jucá na boca do Lula. Em seguida, a telona vai perdendo o foco ao mesmo tempo em que uma mensagem enigmática, que intrigou cinéfilos ao redor do mundo, vai surgindo cada vez mais nítida e brilhante: “ O Balaio não seria o que é, se não contasse com doidivanas como Victor Hugo, Guilherme Maciel, Mauricio Teixeira etc…” (Eu mereço !!!!).

  14. “Urubuservando” um pouco de tudo dessas conversas por aí, notei a ausência do ator Alexandre Frota na série do Padilha que a tornaria ao menos mais educativa.
    Enquanto isso não sei quem matou a Marielle, como e porque morreu o Teori, quem é o dono do jatinho do Eduardo Campos e em que nariz foi parar o “Helicoca”. Quem souber “certifique-se de que se possa mata-lo antes de delatar”

  15. Essa é a inteligência da esquerda que temos no país Kotscho? Socorro…

    O chapéu serviu direitinho na Sra. Dilma, tanto é que retrucou oficialmente no seu site dilma.com.br.

    E concordo plenamente com Padilha, a esquerda fica nessa tecla de “golpe” por que não tem como negar a corrupção que PT, PMDB e afins fizeram no último quarto de século.

    1. Qualquer pessoa, quem quer que seja, de qual partido for, tem pelo menos um pouquinho de algo positivo( nem que seja pequena centelha que brilha). Está provado, então, que o que precisa ser lapidado aqui na terra é o espírito – e não o caráter das pessoas!

  16. Dilma não aprendeu nada, desde o episódio de Lina Vieira da Receita Federal. Aceitar a série da Netflix como a narrativa de Lula e do PT é de uma ingenuidade rudimentar. Deu uma dimensão ao factóide que apenas se presta ao jogo da direita. Aliás, desde a nomeação de Joaquim Levy, a ex-presidente vem errando na mão e na dose. Não vi a série e não gostei.

  17. Não tenho a menor vontade de assistir à tal série do tal Padilha, principalmente quando já se provou que palavras ditas por Romero Jucá foram postas em evidência como ditas por Lula. Parou aí.

  18. Tudo agora para a Senhora ex-presidenta virou sinônimo de xingamentos e fake news. A vantagem da Netflix é deixar todos os capítulos prontos de uma só vez. O que tá em jogo é mais proliferação de plataformas do que redivivo (remoçado) do Nazismo. Certamente, suponho, ela não gostou de narrar a operação policial em si, desde a redemocratização. A história seria outra se não tivesse a participação corrupta dos partidos políticos. Vida que seque.

  19. Tema delicadíssimo: mais uma vez, somos nós da esquerda a enfrentar questões espinhosas, sem medo de expor as divergências internas. Vale o paralelo: Gleisi errou ao falar de derramento de sangue após o julgamento no TRF4, mas ela enxergou um perigo real. Havia o risco de perder o controle diante da comoção coletiva com o 12.1 para lá de suspeito do tribunal. Como consequência do erro na formulação houve o reforço indesejado da narrativa hegemônica: o PT estaria tentando condicionar o julgamento do tribunal. Dilma foi inábil de novo, dirão alguns, pois leva água ao moinho da alcunha predileta dirigida contra o PT: “patrulha incansável contra a liberdade artística”. Caberia perguntar, antes de mais nada, se qualquer crítica contra a série “Mecanismo” será sempre patrulha?
    Não vou me deter na formulação da crítica feita pela presidente (não, não esquecí o prefixo “ex”), a verdade é que ela viu algo.
    A Netflix é, com méritos, o soft power por excelência do mundo globalizado e encarna, com baixo custo nas duas pontas da escala, o emissor e o receptor, a formulação de experiências estéticas dentro de um espírito anti-mainstream. É também o escoadouro global de narrativas enraizadas em contextos nacionais. Ocorre que é o momento em que a esquerda brasileira luta internacionalmente pela desconstrução da narrativa em que foi encaixotada: como estratégia de manutenção poder, ela teria operado o maior assalto sistemático da história contra os cofres públicos de um estado soberano. Lula seria o capo de um vasto esquema de corrupção, através da canalização do petro-recurso para fins eleitoreiros e de enriquecimento pessoal. No mesmo movimento o país estaria caminhando para uma bolivarização, correndo o risco de se tornar uma imensa Venezuela. Coerente com isso, o PT defenderia os Direitos Humanos dos bandidos, as prerrogativas dos corruptos e os interesses corporativos de categorias ineficientes, parasitas de um estado deficitário. A esquerda em geral seria caudatária e beneficiária desta presumida constelação. As políticas de inclusão somente teriam sido possíveis pela casa arrumada anterior do PSDB e pelo céu de brigadeiro de uma conjuntura internacional favorável, que teria também deixado de existir.
    O que se espera de Padilha é que ele, livre para criar, saiba que já narra, e assim fala para o mundo, no interior de uma outra narrativa enraizada e extremamente poderosa (sem um Guardian para se contrapor ao Brexit). Uma narrativa que ele não pode deixar também de desconstruir, ainda que o faça para reafirmar o seu ponto de vista.
    Uma sugestão de episódios: a preparação de um filme nas dependências onde estavam os presos da Lava-Jato e investigações correlatas, a condução coercitiva do ex-presidente, o vazamento “misterioso” e em tempo real do depoimento de Marcelo Odebrecht para um site da extrema direita, a revista humilhante a que foi submetido o reitor que veio a cometer o suicídio, a prisão do blogueiro conhecido. Sem ironia, sei que não faltará coragem ao cineasta.

  20. Você quer honestidade e objetivo. Para presidente Joaquim Barbosa que virá pelo PSB ou Bolsonaro. Governador ainda não o sei quem será candidato aqui no Rio mas os que até agora se candidataram sem chance de votar. Deputado federal Bernardinho e estadual ainda não sei os candidatos. Senador Carlos Bolsonaro. Nenhum desses estão na lista da Odebrecht ou responde processo por corrupção. Mas se até lá aparecer provas que digam ao contrário não sou fanático e perderam meu voto. Como você não vota no Rio quais são os seus honestos?

      1. Não entendi? Pediu honestidade e lhe informei. Mas a recíproca não é verdadeira? Não têm coragem de dizer os seus? Qual seria os motivos? Que não são os meus nem precisa falar mas pelo menos diga para que todos aqui tenham a noção dos seus padrões de honestidade. Ou acha que honestidade não é a principal qualidade para um cidadão almejar governar e administrar nossos impostos?? Vida que segue

  21. Comecei a ver a série. Interessante. Que haja mais “Rufos” e menos “Kotschos”, Enios”, CesarTs, “Diass) etc, etc…o Brasil merece uma chance para se salvar….

    1. Certo. Tem que pôr no poder um leão como o Bolsonaro, porque senão as hienas vão continuar comendo a comida das leoas. O leão chega e põe todo mundo pra correr. Risos.

  22. Kotscho, sem querer botar a colher no comentário dos outros, esse comentário das 19,55 onde o sujeito vota na pessoa e não em projetos de governo, mostra o nível de consciência política da parcela da população que bateu panelas. Como pode votar num candidato do PSB a presidente, que claramente e a favor dos direitos humanos, do estatuto do desarmamento e outras conquistas sociais, e pra senador vota num candidato que quer destruir todas essas conquistas. Por essas e outras que a cruza de pato com coxinha, sai um sapo.

    1. Caro CésarT não sei se percebeu que não faço comentários de post que não concordo apenas do texto é por vezes no máximo para ratificar não para criticar. Claro quando sou mencionado uso meu direito de resposta quando o Ricardo entende conveniente publicar. Bom!! O principal do meu candidato é honestidade. Prefiro um radical honesto que um sinico corrupto. Se para você o político de fala mansa acolhedora lhe trás confiança é um direito seu. Se fosse menos fanático e não sequisse uma seita entenderia mas isso lhe cega. Volto afirmar sem mudar uma linha. Meus candidatos não podem estar no bolso de nenhuma Empresa ou lista e muito menos se escondendo atrás do STF para não ser processado ou cumprir cadeia. Tenho coragem para indicar meus candidatos. Estou esperando do Ricardo e de você a mesma coragem que me foi solicitada. Vida que segue

      1. O voto e de consciência, se estivesse num buteco tomando uma pinga com vc, apenas lhe diria para tem um mínimo de coerência, apenas isso, senão fica difícil entender tuas ideias.

      2. Meu filho, se você espera votar em um candidato honesto para presidente da república, então o único em quem você poderia votar é o TIRIRICA. Pois ele cumpriu com o seu mandato, foi a todas as sessões e fez os trabalhos ao qual foi designado. E É TAMBÉM O ÚNICO QUE PODERIA OBTER VOTOS SEM TER QUE FAZER ALGUM ACORDO POLÍTICO COM EMPRESÁRIOS PARA PATROCINÁ-LO… E ai? vai votar no palhaço se ele se candidatar? rs

  23. Caro Kotscho, sou se fã mas, nesse caso, discordo completamente do seu ponto de vista. Desde qdo temos de nos privar de criticar um absurdo, como o praticado nessa série, com receio de que isso pode alavancar a sua audiência? A sacanagem do Padilha foi tão gritante q não apenas petistas, mas críticos de cinema, intelectuais e jornalistas isentos tomaram partido em defesa da verdade. O que Padilha fez não foo licença poética. Longe (muito longe) disso. Ao creditar a Lula uma fala de Jucá, ele descontextualizou completamente a série.

    1. Caro Jaime Silva, claro que as pessoas têm o direito e o dever de criticar o que acham errado e desonesto, mas neste caso a ofensiva contra a Netflix serviu apenas para fazer propaganda gratuita da série.
      Foi sobre isso que escrevi, sem entrar no mérito. Grato pela participação, Ricardo Kotscho

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