O medo venceu a esperança (2002-2018)

O medo venceu a esperança (2002-2018)

Em tempo: não deixem de ler a comovente reportagem de Eliane Brum “Vidas barradas em Belo Monte” publicada pelo jornal inglês “The Guardian” e reproduzida no UOL neste domingo. Ali está um retrato pronto e acabado do Brasil de 2018 onde o medo venceu a esperança.

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“O Brasil é um país curioso, é um país extremamente sem vergonha, não tem a chamada vergonha na cara”.

Antonio Callado, jornalista, romancista, biógrafo e dramaturgo (1917-1997), em entrevista à Folha, poucos dias antes de sua morte.

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Quem escreve esta coluna hoje não é o jornalista, mas o cidadão brasileiro montado no burrico do Paulo Caruso aí acima.

É um cidadão de quase 70 anos, pai de duas filhas e cinco netos, que está preocupado com o futuro de sua família.

Vamos esquecer por alguns momentos neste domingo o Fla-Flu político-partidário que dividiu a Nação nas eleições de 2014.

Quero e preciso falar das minhas angústias.

Qualquer que seja o resultado da eleição presidencial de 2018 sabemos que o país continuará rachado ao meio.

Atribuir isso a um lado ou outro não resolverá nossos problemas nem fará cessar nossas aflições.

De nada adianta fulanizar a responsabilidade pela maior crise da nossa história recente.

Nenhum dos nomes até agora incluídos na lista de candidatos tem condições de unir novamente este povo em torno de um projeto comum.

Esta é a grande encruzilhada à nossa frente, apenas três décadas após a redemocratização do país.

Nossa jovem e frágil democracia está ameaçada.

Já nem sei o que dizer aos netos que me perguntam o que vai acontecer com o Brasil.

Nós que sempre fomos movidos a esperança em dias melhores, mesmo nas noites mais escuras da ditadura, já não conseguimos enxergar uma luz no fim do túnel.

Em 2002, quando parte da minha geração chegou ao poder vestimos uma camiseta em que se lia:

“A esperança venceu o medo”.

Agora, neste começo de 2018, tão pouco tempo depois, sou obrigado a reconhecer que o medo venceu a esperança.

Não me refiro ao medo imposto pela violência da bandidagem, mas ao medo do futuro, pela absoluta falta de perspectivas de mudança no cenário.

Esperança e medo são os dois sentimentos mais fortes manipulados em eleições desde sempre.

Em 2018, já está claro que o medo vai dominar a campanha eleitoral.

É isto que está por trás da intervenção militar no Rio de Janeiro e da criação extemporânea de um Ministério da Segurança Pública.

São operações do marketing do desespero deste governo e de setores da mídia carioca, em que o combate à criminalidade é apenas uma forma de disseminar o medo para colher votos e assustar ainda mais o eleitorado.

Nos últimos anos, voltamos às piores lembranças do passado, comprometemos o presente e deixamos as novas gerações sem futuro.

Como explicar isso a uma criança?

Eleição sempre foi um momento de renovação de esperanças, de acreditar num futuro melhor, mas este ano nem tenho vontade de sair de casa para votar.

A maioria das pessoas com quem converso, de todas as latitudes políticas, me diz a mesma coisa.

A oito meses da abertura das urnas, quase ninguém tem candidato.

É terrível constatar isso partindo de gente que lutou pelo fim da ditadura e pela volta das eleições diretas para presidente da República, nem faz tanto tempo assim.

Em 1989, na primeira eleição direta da minha geração, neste mesmo período do ano, os eleitores já brigavam por seus candidatos, enfeitavam carros e casas com propaganda, os postes eram tomados por cartazes, não se falava de outra coisa, era uma festa.

Agora, reina o mais absoluto silêncio nas ruas, não há sinais, fora da imprensa e das redes sociais, de que em breve seremos chamados a decidir o nosso destino.

A cada dia aumenta a desesperança, a sensação de que não tem mais jeito, o país não deu certo nem nunca vai dar, como Antonio Callado desabafou aos repórteres Matinas Suzuki Jr. e Maurício Stycer, no final de janeiro de 1997, poucos dias antes de sua morte.

Tenho pensado muito ultimamente nesta entrevista do grande brasileiro Antonio Callado. Ao final, na semana em que completou 80 anos, faz uma triste constatação:

“Perdi completamente o interesse em operações políticas no Brasil. Não acredito que elas venham. Não vejo como podemos sair daqui, agora. Acho o mundo muito esculhambado no momento. Não vejo esperança… Não tenho a menor esperança de ver coisas diferentes na minha frente. Lutei muito é verdade… E não deu em nada”.

Isso foi vinte anos atrás. O que ele diria hoje?

Vida que segue.

 

39 thoughts on “O medo venceu a esperança (2002-2018)

  1. A esperança morreu quando Lula assumiu o poder no começo de 2003 e se aliou a Sarney, Jader Barbalho, Renan Calheiros e toda a podridão que nós petistas fanáticos tanto combatíamos. O Lula traiu os verdadeiros idealistas de uma ideia que poderia mudar o país para melhor. Logo no começo de seu governo se afundou na corrupção e deveria ter sido cassado em 2005 quando surgiu o mensalão, o maior escândalo de corrupção da historia do país. Foi salvo por FHC que liderou a oposição para evitar um processo de impeachment. O governo foi salvo mas. A corrupção continuou bilionária até levar o país a ver o fundo do poço. Temos candidatos para melhorar o país. Basta saber escolher mas. Não está nos candidatos que lideram as pesquisas.

  2. lula nao se aliou ao sarney nem jader lula como presidente precisava deles para fazer o que fez pelo povo de todas as classes ,veja o caso da dilma foi enfrentar os bandidos e os bandidos viraram mocinhos ner,o brasil perdeu a vergonha com aecio fhc temer e tantos outros coxinhasss

    1. A ALIANÇA DO PT COM O PMDB DE SARNEY E QUE TAIS FOI UMA CONTINGÊNCIA ABSOLUTGMENTE INDISPENSÁVEL PARA DUAS COISAS, GANHAR A ELEIÇÃO E GARANTIR MAIORIA NO CONGRESSO. É DAQUELES ATOS DA POLÍTICA QUE SE TEM DE FAZER TAPANDO O NARIZ, FECHANDO A BOCA E PEDINDO A TODOS QUE NÃO FAÇAM ONDA. O GRANDE ERRO FOI HAVER DADO MARGEM A CORRUPÇÃO. O MENSALÃO NÃO PRECISARIA TER ACONTECIDO, BASTARIA DAR VERBAS LEGAIS AOS POLÍTICOS FISIOLÓGICOS DO PMDB, QUE SÃO A IMENSA MAIORIA DAQUELA CHOLDRA, POIS SEM TAIS RECURSOS ELES NÃO TOCAM ADIANTE AS SUAS CARREIRAS.

  3. Vamos ver se os que comentarem desta vez terão em mente o que você, Ricardo Kotscho, escreveu: “Atribuir isso a um lado ou outro não resolverá nossos problemas nem fará cessar nossas aflições. De nada adianta fulanizar a responsabilidade pela maior crise da nossa história recente”.
    Haveria mais esperança se cada cidadão brasileiro conseguisse elaborar seus argumentos tendo em mente qual o Brasil que quer viver agora, e ser coerente no voto atual e futuro. Haveria mais esperança se cada cidadão tivesse a responsabilidade de apurar as informações que recebe para debater ideias e buscar soluções com maior qualidade e eficiência.
    O meu medo está maior que a esperança, mas ainda a tenho. Tenho porque me sinto de mãos dadas a você e tantos outros que buscam uma saída neste túnel que está bem escuro, mas que faz as ideias se propagarem por causa do eco. O eco não vai servir para sairmos do túnel escuro mas serve para reunir cada vez mais pessoas e, algum dia, achar a saída.

    1. Christine,
      belíssimo comentário este teu, que me fez ganhar o dia hoje. Penso exatamente como você. Precisamos reunir cada vez mais pessoas para juntos acharmos a saída. Não tem outro jeito.
      Grato pela participação,
      Ricardo Kotscho

  4. Concordo com Moisés. Paradoxal que pareça, a esperança pode hoje estar enfiada no realismo. O realismo é que não pode ser sem esperança. Não pode acreditar demais em si. Não vemos é qual a força política que possa encarnar historicamente esse realismo da esperança. A epoca dos idealismos puros, no mundo no capitalismo globalizado, pode ser um descaminho de uma esperança ainda possível.

  5. Sr .Kotscho.
    Como, aos 70, não tenho netos, não me preocupa em nada o que deixar para gerações futuras. Estou certo que as gerações futuras saberão resolver situações com as quais a atual simplesmente agravaram. Como o passado não volta, às vezes temos que voltar a ele e, assim, nostalgicamente, tentar descobrir onde foram tantos erros cometidos que nos fez viver o que vivemos e, infelizmente, sinto que os doutores e administradores continuam cometendo os mesmo erros de forma grosseira e ostensiva. Quero lembrar para seus leitores que a CFF de 1988 já previa em seu Art.5º que os condenados por crime hediondo teriam que cumprir as penas aplicadas em regime fechado integralmente, uma vez que o Inciso XLIII já determinava que, para estes crimes, a lei considerava insuscetíveis de GRAÇA, INDULTO OU ANISTIA. Em 2007 o ministro Marco Aurélio de Mello, numa decisão magistral concedeu HC a um condenado por tríplice estupro de menores indefesas. O preso cumpria pena de 18 anos e foi libertado imediatamente com apenas 3 anos. Assim, O STF, IMPLODIU a lei de crimes hediondos. A partir daí Sr.Kotscho, perdi todas as esperanças . O STF desconstitucionalizou a Constituição de 1988, exatamente naquilo que seria o maior, e único, instrumento legal contra os crimes hediondos.
    A lei que regulamentou o Inciso XLIII é a 8.072 de 1990. Ou seja, neste caso os políticos fizeram sua parte, pois regulamentaram o texto apenas 2 anos após a promulgação da CF.

  6. O ex-ministro da Fazenda Bresser Pereira deu a entender, em entrevista a Mário Conti, que apenas três candidatos teriam condições de lidar com o que está aí. Alckmin pela meia-direita. Ciro pela meia-esquerda. Um neoliberal. Outro desenvolvimentista. Segundo Bresser, Lula deveria disputar a eleição por ser um meio-campo com grande poder de articulação. Callado e Kotscho têm razão. A nossa nação perdeu o rumo.

  7. Discordo…
    Temos grande oportunidade de escolher melhor, Presidente , para os otimistas para o futuro, Geraldo Alckmin, Álvaro Dias ou Marina e para os decepcionados, revoltados Ciro ou Bolsonaro…
    Assim teremos opções similares para governador…
    Para o Senado, não votar em ao menos 80% dos que encerram o mandato em 2018…
    E deputados, votar em nomes mais qualificados, ainda que de pouca experiência política !

  8. Mestre, não concordo que ninguém tenha candidato. Lula é a cada dia mais forte. E não concordo que tenha dado em nada. Hoje não temos mais a sensação de sabermos o que queremos, como nos anos 80 e 90. Hoje temos certeza do que queremos, porque vimos ser feito. Hoje é melhor do que ontem.

  9. Medo do porvir. Qual é o peso de um voto? Impicharam 54 milhões de brasileiros, à flagrante revelia da Lei. Nova versão da esculhambação cantada por Callado. Porvir?

  10. O medo não deveria sobrepujar a esperança, o período de 2014 a 2018 é para ser esquecido, o silencio nas ruas é enganoso. Temer agora quer ser popular, cegado pelo poder acredita em milagres, o que é de seu interesse somente a colheita de votos. Não devemos nos permitir ser vencidos pelo medo, deixemos de lado o joguinho de opiniões políticas do “nós contra eles“, não existe um muro que separa o Brasil.

  11. Agradeço muito o convite para retornar. Peço desculpas se agora não for muito serena.
    O desespero tomou conta.
    Não é para menos, com a dosimetria combinada 12.x, sem sustentação oral da defesa e com inferências, olha o cara!, bayesianas na produção de provas, foi-se pelo ralo o que ainda havia de segurança jurídica. O Direito Penal vira uma praça de guerra quando o juiz circular diz que agora aprova só a prova que ele prova (degusta favoravelmente), porque só prova (experimenta) a prova que ele aprova (não vale ver o filme antes para impressionar o namorado, fingindo que não sabe ainda o que vai acontecer, até porque lapsos acontecem ao reiniciar a sessão). E o que dizem? “Tudo em conformidade com a Constituição, as instituições estão funcionando”.

    Temer arrasta o Exército para uma aventura altamente indesejada no interior da corporação. Digamos sem rodeios: Bolsonaro sabe que não tem votos no setor moderno das Forças Armadas, que sua plataforma é o exato oposto da autoimagem civilizada e da consciência não intervencionista na vida civil, mas soube habilmente colher a insatisfação dos militares, que não o tinham antes como candidato, ao se posicionar contra a intervenção.
    É simples: quer o militar, que mora no Maracanã e tem seus filhos numa escola pública dos arredores, comandar uma operação na Rocinha e no Alemão? Não só não foi treinado para isso, como não esperava tal reconfiguração drástica de funções sem longa aclimatação nos seus foruns internos. Com base na expectativa inicial da carreira, ele fez escolhas práticas para a condução da vida. Escolhas que o lançaram no coração de comunidades, onde é reconhecida a dignidade de um papel social definido em conformidade com a Constituição.
    Ele é o oposto do juiz que posa com um fuzil. Tudo o que ele deseja, ao contrário, é uma inserção discreta na vida civil, sem extrapolações de suas funções militares. Querem convertê-lo ao mesmo tempo em herói e inimigo da comunidade?
    Se antes eram intervenções pontuais, elas próprias polêmicas, como a Olimpíada e ações estratégicas localizadas, agora a tônica é a assimilação absoluta da corporação na luta contra o crime organizado no cartão postal do Brasil no exterior, o Rio de Janeiro. Diz-se ali na grande Jacarepaguá que a população aprova. Mas como poderia ser diferente? Desesperada, ela enxerga no exército não apenas aquilo que ele não é, mas o que ele não quer e não pode ser: a narrativa cinematográfica de uma tropa de assalto-contra-o-assalto, uma legião exterminadora do tráfico no e através do morro. Como culpá-la, população, quando a condução coercitiva segue um figurino de série televisiva de ação, quando Cabral é acorrentado como um serial killer?
    Só que lá nesta outra instituição, hoje objeto de temor e filmes, também há muita gente descontente com a espetacularização e vazamentos de delações premiadas (sem investigação ainda) para sites extremistas da direita. São brasileiros sérios que não defendem a tortura, a seletividade política e deploram a humilhação fatal a que foi submetido o reitor de Santa Catarina.
    O Jânio de Freitas viu o perigo: o Exército não pode perder a luta que ninguém no mundo consegue ganhar na bala. Eu acrescentaria: tudo bem que o Temer se distraia, a ponto de confundir a Suécia com a Noruega, faz mesmo muito frio por lá e eles todos, teimosos, querem manter o estado, não encolhê-lo. Mas daí a confundir também as aç?es militares cooperativas, internacionalmente valorizadas, no Haiti (e mesmo em Angola) com a ocupação da Maré? Não dá! Só pode ser uma fabulação carnavalesca, estimulada pelo cerco crescente ao esquema do Gedel e pelo ressentimento despercebido com a fantasia romena da escola vice-campeã em 2018. Bateu o desespero quando talvez não precisem mais dele, despertou uma vingança contra o irreverente Rio. Fernando Henrique ainda tinha um pezinho na praia carioca, já Temer …
    Dizem que FHC errou com a aposta no Huck desistente e teria dilapidado o seu capital simbólico. Será? Nunca votei nele, mas nunca deixei de prestar atenção em tudo o que ele diz. Doze vezes ao ano, no grande jornal conservador de São Paulo, compartilham a mesma página o sociólogo ex-presidente e seu colega de profissão Werneck Vianna, o brilhante crítico do tenentismo de toga. Há desespero na jogada de Fernando? Sim, mas não creio que a motivação seja achar um candidato para derrotar o PT. É a busca de alguém fora do jogo partidário para derrotar, isto sim, o núcleo duro da direita no segundo turno. De resto, é a tese , se não estou enganada, defendida por ninguém menos que Giannotti, pensador de prestígio, influente nas escolhas do amigo famoso.
    É preocupante para todos a desconfiança de que Alckmin não levante vôo fora de São Paulo. Mas aqui, em vez do Schadenfreude de camarote com a disputa encarniçada no interior do PSDB, guardo certo otimismo.
    Vamos imaginar um jogo maluco chamado “me-mostra-seu-Macron”. Antes, o PSDB, fora do poder nacional, exibia a musculatura dos seus quadros de elite, figuras de estado. Mesmo o Werneck Vianna, não no mesmo barco, mas na mesma constelação, interpelava a esquerda acerca da escassez de políticos qualificados. Cartas na mesa em 2018: a coincidência da briga interna por candidaturas (agravada com a chegada de Doria) com a direitização da juventude tucana no bojo da lava-jato afastou ou neutralizou quadros promissores, por consequência produziu uma atmosfera de terra arrasada para o partido. Da sorbonnização à carbonização. Daí FHC ter apostado no apresentador global? Não sei. O que sei é que a esquerda, numa inversão curiosa quando se fala da sua debilidade, tem pelo menos dois “Macrons”: Haddad e Celso Amorim. E três lideranças populares jovens ou quase: Manoela, Freixo e Boulos. Tem na algibeira o enigma da transferência de votos do maior líder popular da história, hoje inelegível. Há o enigma também da sua eventual prisão funcionar como catalisador da mobilização popular sempre anunciada, mas até aqui ausente. Prisão desejada apenas pela linha hardline dos que sempre quiseram a liquidação da voz dissidente.
    O que me parece paradoxal é o que o jogo dos quadros capacitados virou justamente quando a derrota trazida pelo golpe ainda é muito sentida, quando o discernimento e a prudência mandam agora não mais lutar por uma eleição perdida, mas saber perder, enquanto é tempo, uma eleição com grandes chances de vitória. A meta? Ganhar o debate público de lavada e compor indiretamente o novo governo de centro, vitorioso sobre a extrema direita. Podem achar esdrúxula a pretensão: da esquerda quero interferir na escolha do meu candidato de centro, de preferência antes das prévias, se estas existirem.
    Utopia mínima? Pensam que é pouco! Por falar em conversar com militares, meu candidato para a esquerda é o Celso Amorim (e o meu voto). Ele teria apoio de mais do que meio “mundo”. Suspeito que do PSDB venha um quadro que faça parte do governo, apoiado pelo Temer. Discussão então sobre política externa no cerne de debates televisivos. Isso chamaria atenção do planeta. Dois ministros de relaç?es exteriores discutindo o retorno do protagonismo brasileiro. Um egresso da luta armada como porta voz do espectro centro-direita, um quadro do Itamaraty assumindo a voz de uma frente de esquerda. Não haveria aí uma, tênue que seja, promessa de equilíbrio?
    Se não for ele, será o Alckmin. Não importa, é o meu país. Pego um ônibus e em sete horas estou na Paulista, contra o Bolsonaro. Outsiders? Joaquim Barbosa. Pode introduzir nuances na crítica ao tenetismo de toga, pode falar dos limites da politização do judiciário. É um candidato negro, em um país com cicatrizes da escravidão. Tudo isso conta.
    Assim como a França fez bonito, com o perdão da linguagem, esmagando Le Pen, depois de todos os americanos que gostamos terem perdido para Trump, poderia bem ser o caso de reconquistarmos as altas credenciais dos anos FHC-Lula com uma campanha de bom nível. Estou sonhando?

    1. Sonhar é preciso, cara Serena, mas te peço para da próxima vez mandar comentários mais curtos, que todos possam ler, nos padrões habituais da internet.
      Ninguém mais lê estes textos tão longos.
      Grato pela participação, abraços,
      Ricardo Kotscho

  12. Minha principal preocupação com essa intervenção federal para combater a criminalidade no Rio de Janeiro é que um eventual fracasso nas operações possa comprometer a credibilidade das Forças Armadas, o único setor governamental em que o povo brasileiro ainda confia.

  13. é se o povo brasileiro tem esse sentimento, fico imaginando o que sente o povo venezuelano. Ainda bem que cortamos o mal pela raiz, antes que chegasse a nós.

    Como dizia lula …..”A Venezuela pratica a democracia”

  14. Mestre, se Callado tivesse tomado o ‘elixir Niemeyer’, em 2010, aos 93 anos, provável que abjurasse a frase de 1997 e aos 100 anos, em 2017, reformaria-a: “O Brasil é um país medroso, é um país extremamente covarde, não tem a chamada coragem na alma”, enquanto Darci, lá de cima, reforçaria, “O Brasil continua um país atrasado, é um país de classe dominante extremamente ignorante e mesquinha, não tem a chamada elite de raiz, só a classe de chupins do atraso”.

  15. Compreende-se a situação e a angustia, mas como assim, “De nada adianta fulanizar a responsabilidade pela maior crise da nossa história recente”, se a pasmaceira de meio tom, de falta de precisão, de decisão, de apontar o problema com nome e sobrenome, o medo e por tabela a ‘fragilidade’, é justamente o que nos arrasta por séculos nesse desfile insano de, Casa Grande, Senzala e os hospedeiros do atraso, Patrimonialismo & Desigualdade.

    1. Caro Dias,

      você tem toda razão na tua análise, mas continuo achando que a esta altura do campeonato apontar os culpados não irá resolver o problema do desemprego, por exemplo. Patrimonialismo, corporativismo, nepotismo, desigualdade _ tudo isso faz parte da nossa História, da nossa cultura, do nosso caráter nacional (ou falta de),desde a vinda da Família Real ao Brasil, já faz mais de dois séculos. Teu diagnóstico está correto, mas o que você propõe para a cura do doente?
      Abraços,
      Ricardo Kotscho

      1. ‘Movimento Resgata Brasil’, Mestre. Centrar os esforços progressistas na união e na eleição, para derrotar o golpe, tirar do poder, recuperar a democracia e retomar o desenvolvimento.
        Não basta ser favorito em ganha-la, pois não aceitam o resultado, deve-se utilizar a única possibilidade de garantir a vitória eleitoral, de fato, com a candidatura foco em Lula (livre ou preso) ou ‘Lula’ (substituto ) se interdito no TSE, e trazer o povo próximo ao ‘Movimento RB’, nas ruas, para garantir inibi-los e/ou derrota-los nas tentativas que farão para manter o poder, via tapetão. Se usarem a força, com ‘mundo’ e povo mobilizado, informado e focado, não duram, no atoleiro em que se meteram, golpe e golpistas.

  16. Não temos que esquecer nada, nunca deu certo e continuará não dando, precisamos sim é, de lembrar mais, de desvencilharmos dessa atávica ‘memória curta’ e dessa ‘alma vira-lata’. Não pode se esquecer da tortura e não se deixa de punir torturadores, impunemente. Não pode se esquecer de terem jogado na lata de lixo mais de 54,5 milhões de votos de cidadãos brasileiros, em 2016, para retomarem o poder à custa da destruição da democracia.

  17. Não, Mestre, nossa jovem e frágil democracia não está ameaçada, desde 2016 não mais existe de fato e direito e finge-se, como a mídia golpista, que as instituições estão funcionando normalmente, quando sabe-se que não. Se “Em 2018, já está claro que o medo vai dominar a campanha eleitoral”, está em nossas mãos fazer com que assim não seja, e pior, só haverá ‘eleição’ se garantido estiver ser eleito um candidato dos golpistas, portanto cabe-nos com coragem, entrega e decisão, garantir a eleição e restaurar a democracia, ao invés de ficar-se mais uma vez esperando que alguém faça por nós. Não farão.

  18. Destaco aqui dois pontos de seu post, para um breve comentario:
    “Nenhum dos nomes até agora incluídos na lista de candidatos tem condições de unir novamente este povo em torno de um projeto comum.” RK
    Se não tem nomes para unir este pais, tem sim nomes com capacidade imensa para destrui-lo,
    mais do que já o fez. E são estes que tem que ser de uma vez por todas banidos deste cenario.
    “Agora, neste começo de 2018, tão pouco tempo depois, sou obrigado a reconhecer que o medo venceu a esperança.” RK
    Eu diria que o medo NÃO VENCEU A ESPERANÇA. É a esperança que foi vencida pela esperteza e safadeza de quem a tanto se esperava e traiu seu povo. Justiça vai ser feita… e so aguardar

  19. Caro Kotscho, suas palavras soam a de um guerreiro cansado. Entendo. Sou de uma geração posterior à sua, cresci sob a sombra da ditadura e do medo. Na primeira década do século a esperança floriu ao sabor de um País que se mostrou grande, pujante e com indícios de que seus crônicos problemas de desigualdade e injustiça social estavam sendo solvidos por um projeto de nação justo e democrático. Sonhei que o Brasil do futuro tinha chegado. Mas o sonho foi estancado. A esperança não. Trago comigo que meu País é muito maior que todos eles. Não passarão. O País sim. Um fraterno abraço.

    1. Caro Wilson Lima,
      é muito bom saber que gente mais jovem pensa assim e concordo com você: meu País é muito maior do que todos eles. Espero que você tenha tempo de ver o Brasil mudar.
      Grato pela participação, apareça sempre.
      Ricardo Kotscho

  20. “Meu País é muito maior do que todos eles “. Esse foi o comentário da esperança que desafia o medo. É do que estamos precisando agora.
    Valeu, Wilson Lima !

  21. Outro grande brasileiro disse o mesmo mais recentemente, o historiador José Murilo de Carvalho, de quase 80 anos. Se esses homens, estudiosos e sábios, chegaram ao fim da vida com esse conceito da política brasileira, só nos resta, ao Kotscho e a mim, apelar para o grande mote da política democrática estadunidense desde Roosevelt: “All we have to fear is fear itself”. Pois à frente, como disse o estimado Blogueiro, hoje só se vê o medo…

  22. seu artigo remeteu-me a lembranca do celebre soneto de autoria do Pe. Antonio Thomaz, intitulado “Contraste”onde o poeta diz:”quando partimos o verdor dos anos,…. as esperancas vao conosco a freste., e vao ficando atras os desenganos”…………. ” eis que chega a velhice, de repente, desfazendo ilusoes, matando enganos….. e vemos que sucede exatamente o contrario dos tempos de rapaz: os desenganos vao conosco a frente e as ESPERANCAS vao ficando atras.” Triste Brasil, infeliz patria nossa! Tao jovem e sem uma esperanca para levar a vida adiante.

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