Para o novo Huck de FHC, Bolsonaro é de esquerda

Para o novo Huck de FHC, Bolsonaro é de esquerda

Já no desespero para inventar um novo Luciano Huck, depois da desistência do apresentador da Globo, FHC pediu uma pesquisa qualitativa sobre possíveis nomes e incluiu o do empresário Flávio Rocha, dono das Lojas Riachuelo (ao que se saiba, Geraldo Alckmin não está na lista).

Desconfio que o ex-presidente não sabe direito de quem se trata. Ou, o que é pior, sabe muito bem quem é, e resolveu bancar o seu nome assim mesmo, para desespero dos tucanos que ainda confiavam nele.

Bastaria pedir aos seus assessores uma rápida pesquisada no Google que eles logo descobririam se tratar de uma tremenda roubada para a biografia do decano dos tucanos.

FHC talvez nem se lembre que, na eleição de 1994, Flávio Rocha chegou a se lançar candidato a presidente pelo Partido Liberal, quando tinha 36 anos e dois mandatos de deputado federal.

Em plena campanha, o PL o abandonou para entrar na coligação que elegeu justamente Fernando Henrique Cardoso no primeiro turno.

Para se ter uma ideia de quem é e o que pensa a nova aposta do ex-presidente, garimpei algumas declarações recentes de Rocha sobre Jair Bolsonaro, o candidato da extrema direita nativa:

“Bolsonaro é o único que está nadando de braçada na onda conservadora, mas é de esquerda na economia porque ele é estatizante antes de mais nada”.

“É uma pessoa simpática e boníssima, mas que está sem coerência entre os discursos econômico e social. Sem o discurso do Bolsonaro liberal na economia, desestatizante, privatista, reformista, não há esperança de se consertar o país”.

“A gente precisa de um Reagan ou de uma Thatcher, alguém que seja liberal na economia e conservador nos costumes. É isso que o povo tá pedindo muito”.

Esta afinidade com Bolsonaro já fez o nome de Flávio Rocha ser cotado para vice na chapa do ex-capitão do Exército que defende os torturadores da ditadura militar.

Rocha também é o preferido do MBL, o Movimento Brasil Livre daquele Kim Kataguri, ponta de lança da direita raivosa que ataca nas redes sociais e invade exposições artísticas.

Campeão de reclamações trabalhistas na Justiça e denunciado pelo Ministério Público Federal do Rio Grande do Norte por crime de coação, Rocha disse à colunista Monica Bérgamo que levou um susto ao ser citado por FHC, mas desdenhou da ideia de sair candidato.

“Não deixa de ser lisonjeiro ser lembrado por um dos maiores influenciadores do país, mas não sou candidato”, garantiu.

Desse jeito, só vai restar ao inconformado tucano apoiar o candidato do PSDB ou anular o voto.

Vida que segue.

 

6 thoughts on “Para o novo Huck de FHC, Bolsonaro é de esquerda

  1. Nome sugerido por FHC? Faz pensar em Alckmin. Desespero e … estratégia a favor. Após aprovação pelo partido, o ex sairá vendendo picolé de chuchu. Cada lambida em público, duas virtudes, apesar do passado. FHC já sentiu o sabor de engolir Alckmin. Subir a rampa? A vida que segue política e traiçoeira… dirá.

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  2. Em complemento ao seu breviário, Kotscho, aduziria a tese abraçada pelo deputado para tentar salvar Collor na undécima hora, em 1992. A tese do “imposto único”. A reboque da mais descarada demagogia fiscal logrou a repetição do seu mandato. Realmente, FHC esqueceu tudo que escreveu e leu.

  3. Marcos Coimbra faz um diagnóstico preciso de FHC e sua movimentação perpassada de intensa ansiedade em busca de algum protagonismo no seu ocaso decadente. O pesquisados titular do Instituo Vox Populi assim definiu o ex-sociólogo e ex-presidente: “Distanciando-se cada vez mais do sociólogo progressista que foi e aproximando-se celeremente do que de pior há no pensamento autoritário nacional, FHC sugere que o melhor seria demitir o eleitorado brasileiro e substituí-lo por outro”. A análise pode ser conferida na íntegra em Carta Capital, também disponível para não assinantes.

  4. Belo texto, como sempre, mas o quero mesmo é dar os parabéns ao melhor Repórter brasileiro ainda em atividade nestes tempos vampirescos.
    Parabéns Ricardo Kotscho e, em seu nome, meus parabéns a todos os (bons) Repórteres, pela passagem, hoje do Dia do Repórter.

    1. Caro José Alves Filho,
      muito grato pelas tuas generosas palavras sobre meu trabalho. É isso que me faz continuar exercendo meu ofício diário em mais de meio século de jornalismo. Os tempos estão mesmo vampirescos, mas tudo um dia passa.
      Abraços,
      Ricardo Kotscho

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