Huck não quer brincar de ser candidato, mas FHC insiste, e Alckmin dança

Huck não quer brincar de ser candidato, mas FHC insiste, e Alckmin dança

O apresentador da TV Globo Luciano Huck já comunicou oficialmente ao Tribunal Superior Eleitoral nesta segunda-feira que não é e não será candidato a presidente da República.

Foi a resposta dada por Huck na ação movida pelo PT no TSE por abuso de poder econômico e campanha eleitoral antecipada, depois da sua apresentação no programa do Faustão no início do ano.

Mesmo assim, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, principal articulador da sua candidatura, insiste: chamou Huck para uma conversa em São Paulo em que pretende pressioná-lo a voltar atrás na sua desistência da candidatura.

FHC já arrumou até um vice para o apresentador, o governador capixaba Paulo Hartung, do MDB, que ele chamou para participar da conversa com Rodrigo Maia, do DEM, na tentativa de formar uma chapa.

O que deu em FHC, presidente de honra do PSDB, que agora dá entrevistas todo dia para detonar o candidato do seu partido, o governador Geraldo Alckmin?

Para entender o que se passa no ninho tucano, mais uma vez rachado numa eleição presidencial, é preciso recuar um pouco no tempo.

Alckmin e FHC nunca foram da mesma turma.

Quando o PSDB foi criado, como uma dissidência do antigo MDB, o ex-governador Mario Covas disputava com FHC a liderança dos tucanos e foi ele quem impediu o ex-presidente de ir para o governo de Fernando Collor, eleito em 1989.

Ex-prefeito de Pindamonhangaba, Geraldo Alckmin era da turma de Covas, que o fez seu vice na campanha para governador de São paulo.

Com a doença e depois a morte de Covas, Alckmin herdou seu grupo político e foi quatro vezes governador. Duas vezes presidente, FHC não deixou herdeiros políticos, daí a insistência em Huck.

O grupo de FHC nunca engoliu Alckmin, considerado caipira e provinciano pelos intelectuais e empresários que se uniram em torno do ex-presidente.

Na eleição de 2006, em que Lula disputava a reeleição, Alckmin venceu a disputa interna para ser o candidato tucano e foi cristianizado durante a campanha, exatamente como está acontecendo agora.

Na mesma noite em que FHC jantava no elegante restaurante Massimo, de saudosa memória, com José Serra, Tasso Jereissati e Aécio Neves para escolher o candidato do grupo, Alckmin foi a uma churrascaria conversar com o baixo clero do partido, mas perderia a eleição para Lula no segundo turno.

Nas eleições seguintes, Serra e Aécio também seriam derrotados pelo PT, e o PSDB só voltou ao poder com Michel Temer após o impeachment de Dilma Rousseff.

FHC e Serra, um dos autores da “Ponte para o Futuro” de Temer, logo aderiram entusiasticamente ao novo governo, enquanto Alckmin olhava de lado, achando que aquilo não ia dar certo.

Agora, com Serra e Aécio fora de combate, por conta das denúncias da Lava Jato, o caminho ficou livre para o governador paulista ser o candidato tucano, mas logo começou o fogo amigo.

Por baixo do pano, Serra incentivou o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, a também se lançar candidato para disputar as prévias com Alckmin, um problema que ainda não foi resolvido e emperra a campanha do governador.

E FHC resolveu bancar Luciano Huck para ser o candidato de “centro-direita-liberal-reformista” em nome de uma renovação da política.

Na segunda-feira, em mais uma entrevista, FHC foi explícito: “É bom ter gente como Luciano, porque precisa arejar, botar em perigo a política tradicional, mesmo que seja do meu partido(…) Eu gosto do Huck. Sou amigo dele e da família. Acho que para o Brasil seria bom”.

Precisava dizer mais?

Ao ser informado do encontro entre FHC e Huck hoje em São Paulo, um integrante do comando da campanha de Alckmin reagiu com um palavrão, chamando de “sabotagem” a articulação do ex-presidente, segundo o blogueiro Josias de Souza.

Qualquer que seja a definição de Luciano Huck sobre a sua candidatura, a turma de FHC já atingiu seu objetivo: detonar no nascedouro a candidatura de Geraldo Alckmin, o aliado de Mário Covas.

É assim que o PSDB vai para mais uma campanha presidencial, depois de quatro derrotas consecutivas para o PT, justamente agora que a Justiça está cuidando de tirar o retrato de Lula das urnas eletrônicas.

Vida que segue.

 

 

10 comentários em “Huck não quer brincar de ser candidato, mas FHC insiste, e Alckmin dança

  1. Se Covas fosse vivo, teria em relação ao apresentador – movido à base de “marketing do proselitismo’ -, o mesmo pressentimento quanto ao caçador de marajá: “não confio nesse sujeito”. E afastaria FHC de Huck como fez em relação a Collor cerca de vinte anos atrás. FHC aproveita o caos e a ausência de Covas para buscar seu protagonismo; soterrado desde que entregou o país endividado, em estado pré-falimentar, ao final de 2002. De braços dados com a Vênus platinada, FHC tenta rejuntar em torno de si o velho PFL e o PMDB, que garantiram a sua reeleição. Tudo para tentar fazer um representante das Organizações Globo dar as cartas ao país. É o FHC que a direita gosta!

  2. Por essas e outras, é que no Brasil deveria ser aceito “Candidato Independente”, desvinculado à partido politico. Partidos hoje são dominados por verdadeiros chefes de facção criminosa, que pensa em tudo, menos na pátria. O PSDB tem mais caciques que indio e vive rachado. Já o PT sempre foi gerido por LULA com mão de ferro, que sempre aniquilou qualquer concorrente. Formou-se internamente no partido correntes ideológicas, mas que nunca participaram das decisões centrais. Ali quem coloca e retira postes chama-se Lula. Os demais partidos vivem de vender seu apoio à facçao maior que tem condições de chegar ao poder.E nós pagando o pato e a conta desses malandros

  3. Até a depressão política tem explicação. A do ser humano, aí tenho as minhas dúvidas. Foi no primeiro mandato de governador do Aécio, justamente, Lula foi salvador da pátria; foi com o seu aval {do Lula} que lhe garantiu, nos EUA, empréstimo junto ao BIRD – a fim de garantir e sanar todas as dívidas pública do Estado de Minas Gerais junto aos seus credores, os bancos internacionais. Aécio pagou com a sua participação no impeachment da Dilma ao requerer uma CPI (1ª da Petrobras) que foi o primeiro e grande passo dessa Revolução na política brasileira perpetrada pelo Mensalão e Lava-jato. Outrora, CPI da Petrobras, sempre fora dificultada por Sergio Ferrara; pernambucano, e ex-presidente do PSDB. Deus que o tenha num bom lugar. Mas, pelos comentários postados, aqui, Hoje, comentaristas de plantão culpam até o judiciário pelos caos político que se encontra o nosso país. RKotscho e FHC, conhecem bem a História do Brasil. Se não a conhecem, estão tentando esconder o que deu origem à realidade dos fatos! Não existe nem esquerda nem direita neste país. 726 mil presos são vitimas duma Educação sem qualidade em que o jovem sai do segundo grau sem uma profissão, e nem existe uma política de emprego preparada para inserir ou receber o jovem trabalhador no mercado de trabalho.

  4. 97/ rejeitam as propostas neo-liberais de direita que só beneficiam os rentista, não tem mágica que mude esse quadro. A esquerda só perde essa eleição pra ela mesma.

  5. Enquanto isso o “outro lado ” contrata o ex ministro Sepulvida, por entender que a defesa feita anteriormente atacando a justiça, não teve sustentacao alguma …..vida que segue de um lado um único cacique e do outro vários caciques.

  6. O senhor bem definiu, “a turma de FHC já atingiu seu objetivo: detonar no nascedouro a candidatura de Geraldo Alckmin“. É bom que briguem entre si, devemos lembrar que o PSDB apoia as malvadezas do governo Temer, como se não bastasse a vergonha de ter Aécio Neves em seu quadro de políticos. Na minha modesta opinião é um partido em franca decadência e FHC talvez esteja tentando encontrar uma solução mágica, na esperança de “inventar“ um candidato com chance de chegar em primeiro lugar na corrida presidencial. Isso não dará muito certo.

  7. Sem comentários Luciano Hulk não têm a mínima condição ou competência de ser presidente do Brasil isso so pode ser piada ? enquanto esse tal de FHC o capeta ? le aguarda muito ansiosamente nos quintos dos infernos por ele essa múmia vai pagar muito caro pelo meu que já fez ou Brasil e ou povo Brasileiro ele e seus comparsas não tem mau que dure para sempre

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