Ho, ho, ho, é Natal, alegrem-se! Está no ar o Brasil Maravilha de Papai Temer

Ho, ho, ho, é Natal, alegrem-se! Está no ar o Brasil Maravilha de Papai Temer

Como num passe de mágica, entrevistados voltaram a sorrir ao lado de repórteres felizes e, de um dia para outro, só boas notícias inundaram a pauta da mídia.

É como se fábricas e lojas tivessem reaberto suas portas, oferecendo vagas de emprego a granel, os serviços públicos estivessem novamente funcionando, o dinheiro já não faltasse antes do final do mês, as pessoas voltando a viajar e sonhar, tudo uma beleza.

Já nem dá para saber o que é notícia e o que é propaganda oficial, as canções maviosas se sucedendo a embalar gente feliz.

Anuncia-se que “o Brasil voltou”, produzindo a todo vapor, de vento em popa, como naquelas campanhas ufanistas dos tempos do general Médici e do “milagre brasileiro”.

É o Brasil Maravilha de Papai Temer no ar, com seu saco de bondades, em todos os canais, o dia inteiro, invadindo os lares enfeitados de Natal à espera do bom velhinho.

Qual foi o milagre para tudo mudar tão rapidamente?

Uma pequena notícia publicada na página A7 da Folha desta quinta-feira, sob o título “Presidente teve encontro com a cúpula da Globo”, talvez ajude a entender esta mudança radical.

Diz a nota: “O presidente Michel Temer teve um encontro reservado no início de outubro em São Paulo com João Roberto Marinho, do Grupo Globo, para discutir a cobertura de seu governo pelos veículos da empresa, além de pedir apoio para a reforma da Previdência”.

Apoio para a reforma da Previdência não precisava nem pedir, já que toda a mídia está a seu favor, como o próprio presidente já tinha afirmado por estes dias.

O objetivo era outro, relatam os repórteres Marina Dias e Bruno Boghossian: “O presidente reclamou da cobertura do caso JBS pelos veículos do grupo, que tinha, segundo o político, o objetivo de derrubá-lo (…) Uma das reclamações centrais de Temer foi o editorial de O Globo, em 19 de maio. Intitulado “A renúncia do presidente”, defendia a saída de Temer do cargo como a melhor opção do país”. O colunista Ricardo Noblat chegou a anunciar na véspera que a renúncia era uma questão de horas.

De fato, a partir daquele dia, o maior grupo de comunicação do país deflagrou em todos os seus veículos uma campanha sem tréguas contra o governo de Temer, que chegou a lembrar os meses que antecederam o impeachment de Dilma Rousseff.

Só se falava da crise do fim do mundo e de escândalos em todos os níveis, a Lava Jato dominava todos os noticiários e o baixo astral se instalou no país.

Tudo começou a mudar depois de Temer derrubar a segunda denúncia de Rodrigo Janot na Câmara, quando o ministro Moreira Franco assumiu o controle da propaganda oficial do governo e iniciou uma contraofensiva junto aos principais veículos.

Da recessão profunda à euforia consumista no comércio de Natal, das delações sem fim às conquistas da economia, foi um passo.

O Brasil saiu do inferno para o paraíso num piscar de olhos, sem disfarces nem aviso prévio.

Por trás destas conversas com a Globo e os demais, havia um inimigo comum a assombrar a todos, como se dissessem uns aos outros: “Se nós não nos unirmos agora, o Lula vai acabar ganhando estas eleições” (ver coluna anterior sobre a busca de um candidato anti-Lula), como já tinha alertado o ministro tucano Aloysio Nunes.

Na falta de outras opções, o próprio Michel Temer ousou apresentar seu nome como candidato de união na quarta-feira. “Temer não descarta disputar a reeleição”, anuncia a manchete da mesma página em que saiu a nota sobre o encontro do presidente com a direção da Globo.

Apesar de ostentar 1% de intenção de votos para 2018 na última pesquisa Datafolha, empatado com Levy Fidélix, aquele do aerotrem, como bem observou a coluna de Bernardo Mello Franco, o que animou o presidente foi a divulgação de um novo Ibope em que a a avaliação de ótimo e bom do governo oscilou positivamente de 3% para 6%, dentro da margem de erro, enquanto 74% consideram seu governo ruim ou péssimo (eram 77% em setembro).

Empatado com os mesmos 1% na pesquisa está o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que pegou uma carona no programa do PSD apresentado nesta quinta-feira para fazer seu primeiro discurso de campanha:

Com o mote “o brasileiro não quer mais saber de aventuras”, Meirelles pregou “o reencontro dos milhões de brasileiros que são maioria e que não estão nos extremos do ponto de vista político e ideológico”, ou seja, Lula e Bolsonaro, que vêm liderando todas as pesquisas.

Ao apresentar sua trajetória ao eleitorado, o ministro da Fazenda só se esqueceu de incluir os oito anos em que foi presidente do Banco Central nos dois governos do “aventureiro” Lula.

Resta saber o que sua excelência, o eleitor, está achando de toda esta movimentação do establishment em busca de um candidato governista, que agora pode ser até o próprio presidente Temer, quem diria.

José Sarney, em circunstâncias muito semelhantes, não ousou tanto em 1989, quando todos os candidatos eram contra o seu governo e Fernando Collor acabou vencendo a eleição.

Quem seria o Collor da vez para enfrentar novamente o mesmo Luiz Inácio, quase três décadas depois?

Esta é a pergunta de um milhão de dólares para o cada vez mais imprevisível ano de 2018.

Vida que segue.

 

8 thoughts on “Ho, ho, ho, é Natal, alegrem-se! Está no ar o Brasil Maravilha de Papai Temer

  1. Por isso, de quando em vez, repito aqui frase dita por meu irmão, após a eleição de 1994:
    “Mais importante que eleger o presidente do Brasil é eleger o presidente da Globo.”
    Continua a fazer sentido, né, Mestre?
    Até quando?

  2. Todos os movimentos, não apenas de O GLOBO, mas também dos demais veículos, sem exceção, vão na direção de buscar um candidato capaz de isolar o ex-capitão à direita para ocupar o chamado “centro político”. Há tempo suficiente para tanto? Tempo há. Dinheiro não falta para financiar o bloco do poder no poder. A questão é se haverá, como repisa Mino Carta, o tal “sangue na calçada” durante o ensaio burlesco dessa ópera bufa.

  3. Olá, Ricardo, você voltou com o Balaio! Que ótima notícia. Pena que somente ontem fiquei sabendo. Mas já está entre os “favoritos”. Tenho mais uma leitura diária obrigatória. Abraços.

  4. Quem será? Quem será? O que será? O que será? O tempo que se chama hoje está dizendo, tudo isso acontecendo, os muchachos catimbeiros nos ensinando e eu aqui parado bem alienado! Muito triste tudo isto!

  5. É… Temer é dominante. Só conversa com dominantes. Pior, só governa pra dominantes. Por mais 12 meses, será “” sócio”” da Grobu. Um primo pobre dos “marinheiros” grobais. No Porto de Santos estão ancoradas as pretensões de Temer. Tais quais naus, elas são sonhadas para zarparem. Sonhou mais um sonho dominante: meter os “marinheiros” do plim/plim no timão da nave mãe. Zarpou reeleição. Pra Grobu navegar é preciso em mares dominantes e dominados. O plim/plim cuida dos dominados… o “sócio” Temer nos próximos 12 meses pilota o orçamento dos dominantes. De vento de popa, “marinheiros” de mares orçamentários, sonham e preparam o “levantar âncoras” para mais 4 anos de governo… pasmem… transformando o sádico e velho impichado Temer….no candidato ANTI LULA. Não duvide, caro leitor dominado, antes e com todas as suas “” armas”” , a dominante Grobu pensou em destruir as famílias brasileiras …. e conseguiu! Fazer de Temer, o anti Lula e reelege-lo será mais fácil. E o Brasil? Fica no plim/plumm.

  6. Se acertar, quem paga a aposta de um milhão de dolares? do balaio de gatos, quem vai sair da cartola será o savonarola, o unico que pode unir a direita e desidratar o extremista Bolsonaro.

    1. Ja esta tudo preparado e combinado, só estao aguardando a condenacao do Lula para lancar o novo salvador da patria, nao como cacador de marajas, mas como heroi contra a corrupcao, discurso que soa como musica nos ouvidos dos fascistas. Programa de governo é um detalhe, isso eles acertam depois num jantar no Fasano.

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