Primeiro domingo sem futebol faz pensar no nosso futuro dentro de campo

Primeiro domingo sem futebol faz pensar no nosso futuro dentro de campo

Sem nenhum jogo pra gente se distrair na tarde deste domingo, fiquei pensando na inapelável vitória por 1 a 0 do Real Madri contra o Grêmio, no sábado, em Abu Dabi, na decisão do mundial, mais pelo que representa para o futuro do nosso futebol do que pelo resultado em si, que já era esperado.

Nem dava para torcer pelo clube brasileiro, tamanha era a disparidade de futebol mostrado pelos dois times desde o primeiro minuto de jogo.

Mesmo jogando mais dois dias, o Grêmio simplesmente não tinha como ganhar do time espanhol.

Como tem pela frente um importante confronto com o Barcelona, o Real Madri jogou só para o gasto.

Poderia tranquilamente ter terminado em 3, 4 ou 5 a 0, como aconteceu naquela final entre Barcelona e Santos, quando o time de Neymar não achou a bola, que não seria um resultado injusto, tal a diferença de postura dos dois times.

Não faz muito tempo, o futebol brasileiro era muito superior ao espanhol e sempre entrava em campo como favorito, tanto em jogos de clubes como de seleções.

Há um abismo hoje entre a seleção brasileira de Tite, uma das favoritas na Copa da Russia, e o futebol praticado por aqui, em que os nossos clubes já não têm condições de competir com os europeus.

Por que acontece isso?

Cada vez mais os meninos bons de bola vão embora daqui com 15, 16 anos, e até menos.

Tenho três sobrinhos, netos de meu irmão Ronaldo Kotscho, com menos de 14 anos, que jogam nos times de base do Manchester City do mago Gardiola. Qual é a chance de eles voltarem um dia para o Brasil?

O caso mais emblemático é o de Vinícius Júnior, de 16 anos, a grande revelação do Flamengo, que já foi vendido justamente para o Real Madri.

Enquanto isso, Renato Gaúcho fez o milagre de montar o time que chegou à final com um catado de jogadores baratos encostados em seus clubes, alguns já com o prazo de validade vencido (todo o elenco do Grêmio custa R$ 7 milhões por mês, o mesmo que Cristiano Ronaldo ganha no Real).

Para disputar a Copa, Tite montou o time base da seleção com os melhores jogadores brasileiros que atuam na Europa, onde eles estão adaptados ao novo futebol de triangulações rápidas da defesa para o ataque, sempre no sentido vertical, em que raramente erram passes, exatamente o contrário do que vimos o Grêmio fazer em Abu Dabi, encurralado em seu campo sem saber o que fazer com a bola e sem chegar ao gol adversário.

Tite é uma exceção por aqui. O técnico da seleção passou os últimos anos conhecendo os melhores técnicos e laboratórios lá fora, trouxe para cá toda a parafernália eletrônica de análise de desempenho, é um estudioso do futebol embora também tenha começado como boleiro.

Deveriam aproveitar e entregar a CBF de uma vez para ele e sua equipe, e não para essas tranqueiras que disputam  o espólio de Marco Polo del Nero, que foi afastado pela Fifa, enquanto as autoridades brasileiras fazem de conta que nunca ouviram falar em corrupção no futebol.

Se nada for feito, o Brasil se limitará a ser um exportador de jovens craques e dentro de campo se repetirá a mediocridade e a bandalheira que vemos do lado de fora, descambando para a violência que vai afastar ainda mais os torcedores dos estádios.

Nossas tardes de domingo poderão ficar ainda mais pobres e a molecada vai ver na TV, como já está acontecendo, os campeonatos europeus.

E vamos que vamos.

Vida que segue.

 

 

6 thoughts on “Primeiro domingo sem futebol faz pensar no nosso futuro dentro de campo

  1. Se não há o porquê discordar da análise da postagem no tocante aos cartolas e às estruturas profissionais comparadas aos torneios europeus (mas isto não é novo e desde sempre foi assim), há muito que discordar da postagem quanto ao ‘jogo jogado’. O Madri foi a campo com seus 11 titulares absolutos. Sem nenhuma baixa. O Grêmio pisou o tapete verde com 3 baixas; a mais importante delas, Arthur, já exportado como sendo o novo Iniesta. O Madri jogou 61 vezes antes de enfrentar o Grêmio. A esquadra gaúcha jogou 81 jogos, mais uma prorrogação, antes de ir à cancha final. No campo de jogo, o Madri quase não passou pelo time de Romarinho, que chegou ao segundo gol, mal anulado, antes que o Madri conseguisse empatar. Isto porque o goleiro titular árabe foi substituído no meio do jogo. Renato, como Murici, erraram ambos, feio. Em lugar de jogarem como Abel Braga – que venceu o Barça e foi campeão do Mundo -, com o time bem fechado e postado atrás, Renato simplesmente não fechou o time e quis jogar o seu jogo tradicional, sem seu principal jogador armador de meio campo, quebrando a articulação rápida e quase perfeita de que o Grêmio dispunha. Renato, ontem, Murici anteontem e Scolari contra a Alemanha, simplesmente formaram seus times taticamente da forma errada. Em lugar de reconhecerem que seus times estavam desfalcados (Renato sem Artur, Murici sem o volante titular e Scolari sem Neymar e Thiago Silva), ainda assim resolveram jogar de igual para igual, com o time escalado tal qual enfrentassem um adversário coloquial. Mesmo assim, o Madri, com o seu orçamento faraônico, ganhou apenas porque a barreira abriu, de uma forma elementar e vulgar. O básico, não virar de costas e não abrir a barreira, não foi feito. Tite banhou do Chelsea de Drogba e seu orçamento multimilionário, porque jogou como o Corinthians jogava: fechando a casinha com Ralf e Paulinho, como dizem os boleiros, e só por uma bola. Exatamente a bola que Guerreiro, o peruano, aproveitou para dar ao Timão sua primeira e única estrela mundial. Tite tem tudo para ganhar o Mundial. Basta jogar o jogo simples que o levou ao estrelato. Nem Barça, nem Madri, nem United aguentariam um campeonato brasileiro, com viagens do Oiapoque ao Chuí, duas vezes por semana, intercalando jogos da Copa do Brasil, Sul Americana e Libertadores. Barça e Madri, no Brasil, talvez nem chegassem em quarto ou quinto lugar no Brasileirão. Se bobeassem disputariam a zona da degola. O Madri deu sorte contra o Al Jazhira, que por muito pouco não chegou à final contra o Grêmio. Renato não esteve à altura da final, porque, igual a Murici e Scolari, não soube arrumar a equipe com uma ‘defesa agressiva’. No xadrez, a tática da ‘defesa agressiva’ é conhecida como “a abertura siciliana”: os peões e peças principais são postados de forma a reagir, apenas defensivamente, mas com movimentos que sejam bem agressivos, de modo a forçar o empate dos movimentos adversários. Murici, Scolari e Renato tinham tudo nas mãos para levar o jogo às penalidades máximas. Murici e Scolari foram humilhados por serem pouco inteligentes ao ousarem sem chão debaixo dos pés. A arrogância de Renato saiu com a cabeça erguida; já a sua pouca inteligência, não. Tite teria ganho do Barça se fosse o técnico do Santos, como também teria ganho da Alemanha e do Madri. Abel Braga também. Se Tite não inventar e fizer o simples e básico, a seleção vai voltar de Moscou com o hexacampeonato.

  2. A melhor notícia para 2018 no futebol brasileiro vem exatamente de onde menos se esperava: fora do tapete verde. Há sinais de que o baixinho Romário, o rei da área, e que carregou o Brasil nas costas em 1994 garantindo o tetracampeonato mundial, já tomou a iniciativa para estimular Ronaldo Fenômeno e Zico a disputar o comando da CBF. Zico e Ronaldo, com apoio total e explícito do senador Romário, devem pregar novas eleições – com amplo direito a voto -, na tentativa de virar a mesa da CBF e revolucionar o padrão da administração do futebol da ‘cartolagem premiada’. Se Romário lograr êxito terá feito o golaço mais importante da sua carreira futebolística e política. A conferir

  3. Propina, propina, propina… O que fizeram com o futebol bretão! Atrás de cada bola, o sonho de bilhões e bilhões de crianças e adolescentes do planeta Goool. Propina, propina, propina, atrás de cada gol, um ninho de cobras… cobras criadas na lista de criminosos internacionais. Havelange, Marin, Teixeira, Nero… bolicídios da vez, infelizmente, não a última. E a taça de ouro maciço do tri de 70? Tenho confiança na seleção. Neymar e Cia são do ramo. Milionários todos. Esses bandidos que exploram o futebol, piores que políticos da quadrilha de Temer…. já tem uma desculpinha em caso de insucesso: Neymar. Será o principal bode expiatório. O jovem que fará 26 anos em 5 de fevereiro próximo… será malhado por todas as torcidas e fanáticos outros. Tite saltará de banda, fará coro com a maioria para manter-se no cargo. O mundo aprendeu a dar espetáculo e levar a taça. Vai Brasil, o Brasil confia. E a arbitragem? A Rússia, corrupta tal qual tupiniquins … fará a festa e deixará o caneco em outras mãos?

  4. Jogadores com mais de 31 anos deveriam ser impedidos de disputar a Copa do mundo. A leitura do futebol mundial estaria próximo da realidade. Aos outros craques, outras copas, certames, desafios e torneios rápidos e menos dispendiosos e quase nada políticos. E todas as mídias teriam acesso aos eventos.
    Aí sim, estaríamos alforriados da voz cada dia mais afônica de Galvão Bueno (bom profissional) e suas ridículas e exageradas mímicas. Suas mãos, plágio grotesto de italiano da gema, parecem envergonhadas ao tentar convencer o telespectador… para Galvão a regra não é clara, não é mesmo Arnaldo? O Post de hoje, claríssimo está, é a voz vez de milhões de brasileiros. Pelé, o rei soube parar na hora certa. Bem Amigos, programa oba oba e cansativo, porque ali contrariar o chefe, nem pensar! Ele que se deleite com seu público, mas todo domingo no futebol, F1 e demais modalidades… humm, a regra é clara: o público está cansado! “Bem amigos” , aqui o Balaio é tribuna livre e cabe de tudo. Gooolaço do Kotscho….. ééééé do Balaio ! (Bomfíglio Liporoni nasceu em Ancona, centro leste da Itália, cidade portuária banhada pelo Adriático, braço do Mediterrâneo).

  5. O elenco merengue é avaliado em 700 milhoes de euros enquanto o do Gremio em 70 milhoes. Como o futebol hoje e movido só a dinheiro, ficou evidente que a condicao psicologica do Gremio é 10 vezes inferior a do Real Madri.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *