Inventário da reforma fracassada: R$ 15 bilhões e um ano jogados fora

Inventário da reforma fracassada: R$ 15 bilhões e um ano jogados fora

Manchete do Estadão desta sexta-feira:

“Previdência fica para 2018 e governo cede a servidores”.

É o réquiem da fracassada Reforma da Previdência que queria acabar com os “privilégios”.

Feitas as contas e passada a régua, o balcão de compra e venda montado pelo governo para aprovar a reforma que não houve consumiu no mínimo R$ 15 bilhões dos cofres públicos em agrados a parlamentares, governadores e prefeitos, segundo cálculo do jornal O Globo.

Mais do que isso: custou-nos um ano inteiro de tempo e trabalho perdidos nas negociações entre o governo e o Congresso.

Tudo isso para quê? Para nada.

Da economia esperada com a reforma de cortar R$ 800 bilhões em dez anos, sobrou algo em torno de R$ 450 bilhões _ isto se até fevereiro não fizerem novos puxadinhos no remendo que sobrou.

Do início ao fim desta encenação mambembe com atores canastrões do tipo Carlos Marun, que ganhou um ministério de presente, todos sabiam que o governo nunca chegou nem perto dos 308 votos necessários para a aprovação.

Participou desta farsa toda a grande mídia, que gastou toneladas e toneladas de papel e tempo de TV em defesa da reforma, apresentada como a salvação da lavoura do ajuste fiscal, deixando ao fim um rombo fiscal de R$ 159 bilhões este ano.

O papel mais grotesco ficou para o PSDB, que passou o ano todo ameaçando desembarcar do governo e fez de conta que “fechou questão” a favor da reforma, para no fim do baile sair como o grande paladino do funcionalismo público, ao defender os privilégios dos servidores contratados antes de 2003.

O governo gastou todo seu arsenal para se defender das denúncias da Procuradoria Geral da República e raspou o tacho do Tesouro, tudo em nome da tal reforma que só Michel Temer seria capaz de fazer para acalmar os mercados.

Do outro lado da praça dos Três Poderes, o Congresso, ainda comandado pelo Centrão de Eduardo Cunha, o que fez em 2017, além de salvar Temer? Aprovou a nova reforma trabalhista para acabar com os direitos dos empregados e agradar aos empregadores, sob o pretexto cínico de combater o desemprego e levar o país à modernidade.

Agora ficou tudo para depois do Carnaval e do julgamento de Lula em segunda instância.

Em Brasília, o ano já acabou, deixando um cenário de terra arrasada, com o presidente entrando e saindo de hospitais, e sua tropa de choque batendo cabeça.

Entramos assim no ano eleitoral, com o governo, a mídia e o mercado incapazes de encontrar um candidato competitivo para enfrentar Lula.

Só restou um jeito: tirá-lo do jogo o quanto antes, não importa como. Ou jogar todas as suas fichas e recursos no inacreditável capitão Jair Bolsonaro, como fizeram com Fernando Collor em 1989.

E vamos que vamos.

Vida que segue.

 

12 thoughts on “Inventário da reforma fracassada: R$ 15 bilhões e um ano jogados fora

  1. Temer apesar de tudo, dos males foi o menor. Temer com um ano de governo, fez infinitamente mais que aquela senhora que nos “brindava” tão somente e unicamente com suas frases tiradas do fundo da cartola, para nos divertir.
    Temer, nos tirou de uma inflação de 2 dígitos, de uma desaceleração da economia como nunca visto nas últimas décadas e um desemprego galopante.

    Fico aqui pensando com meus botões, como “o mágico de oz”, vulgo lula, com seus conhecimentos, não apresentou a sua gerentona, soluções aos graves problemas que o país passava…….estaria elle a traindo?, guardando para si todos seus conhecimentos para uma futura candidatura própria?…..
    lula…lula…lula, você como um homem probo que é, caso seja impedido de ser candidato, terá a grande oportunidade de dirimir-se a sua gerentona, indicando ella novamente como sua sucessora.

  2. Não restou jeito algum, Mestre, e MAIS que bilhões foram jogados fora pelo golpe jurídico-midiático, que fracassou no excesso da dosagem aplicada para derrubar Dilma e que fez perderem o ‘timing’ e agora Inês é morta.
    Não bastasse Lula, fantasmas do negócio das ‘delações premiadas’ pairam cada vez mais atrevidos sobre cabeças jurídicas ‘imparciais, convictas e convergentes’, com Taclas e executivos da Odebrecht, zumbindo em seus intocáveis ouvidos, enquanto às telinhas da blogosfera, malas recheada$ perseguem un$ e outro$ no poder e sobrevoam telhado e batem umas ás outras no sótão e porões, da suprema justiça e outras são feitas às pressas no Cosme Velho e cercanias, enquanto à base da pirâmide começa-se sentir na pele o real significado de emprego intermitente, sucumbência jurídica e fim das políticas de proteção social.
    Acabou! Só resta saber o tempo na tentativa de sobreviverem no poder, mas está difícil, daí o desespero nas ações, em todas instâncias e casas golpistas. Começou o processo ‘sísmico’ e os sismógrafos deles registraram.

  3. Não há nenhuma tese de doutorado que ateste, comprove a apresente a metodologia de cálculo do suposto e alegado déficit da ‘seguridade social’, incluídos no conceito desse alardeado déficit, aquilo que o constituinte de 1988 definira, decidira e aprovara naquele 5 de outubro – sob o signo da Constituição ‘Cidadã’ ( não a Constituição ‘Mercantil’), ou seja: previdência pública, assistência social, saúde pública. A única tese de doutorado existente a respeito da Seguridade Social existente aponta, não um déficit, mas um superávit histórico permanente. A única exceção deficitária, não por acaso, surgiu no período recente vigente, por conta do PIB negativo (média em torno de 3%) contados por 2015 (3,4), 2016(3,3), 2017(0,7). Mesmo com PIB negativo, caso o Cartel do PMDB eliminasse metade das desonerações empresariais e cobrasse 10% das dívidas dos bancos acumuladas na dívida ativa, então o superávit histórico teria sido assegurado, ainda durante a depressão econômica dos últimos dois anos. A tese de doutorado é da professora Denise Gentil da UFRJ e pode ser acessada pela internet: ” “A falsa crise da Seguridade Social no Brasil: uma análise financeira do período 1990 – 2005”. Os elementos da análise também seriam ainda mais válidos no período de 2006 a 2014. Os ingênuos e crédulos na retórica do Cartel do PMDB – sensibilizados pelas verbas faraônicas que fazem a festa das empresas publicitárias, marqueteiros e horário regiamente pago às TVs – ignoram solenemente o que está em jogo debaixo do pano verde da “responsabilidade fiscal bufa”: a voracidade do apetite das seguradoras e fundos privados dos bancos, ávidos em dragar aos seus cofres todos os clientes da previdência pública, porque este é o resultado do “reformismo triunfalista” que faria o país sair do abismo cavado pelo Cartel do PMDB e sua base alugada a peso de ouro. O sonho de consumo das seguradoras privadas e da banca financeira é reduzir a seguridade social apenas à “assistência social”, com um denominador mínimo comum de um salário mínimo para todos. A partir daí, todos apenas receberiam do setor privado sua aposentadoria paga em contas individuais de capitalização, sem nenhuma garantia estatal, exceto a do atual fundo garantidor de 250.000,00 no caso de quebra da instituição financeira. Basta olhar para o Tio Sam, com a quebra do Lehman Brothers em 15/09/2008 para ver que milhões de americanos perderam, do dia para noite, toda a sua “previdência privada”. Com essas lorotas, o Cartel do PMDB consegue conquistar Polianas aqui e acolá, iludir quem acredita que o Cartel está preocupado com o futuro do país e não tem nada a ver, nem estaria comprometido, com esses “privilégios”. FHC chamava os aposentados de “vagabundos”, após Collor havê-los denominados de “marajás”. Agora o Cartel do PMDB recicla a retórica para “privilegiados”. Nenhuma palavra a respeito do imposto sobre grandes fortunas deitado em berço esplêndido no artigo 173 da Carta Magna durante as últimas três décadas, aguardando a regulamentação para cobrar o devido do ‘Brasil de cima’. Ontem o El País mostrou o país como o campeão mundial da concentração de renda do 1% mais rico: o Brasil. Tudo a ver com o Cartel do PMDB.

  4. Decepcionante ver o Kotscho defendendo a tunga, o calote nos aposentáveis, pelo governo mais ladrão e larápio, um bando de gatunos, que já houve no Bananil. E ver ele defender o calote nos servidores que entraram antes de 2003, como se esses servidores não tivessem que pagar 11% sobre tudo o que ganham, sem o teto da CLT (de 600 pratas), por 35 anos…. E depois de pagar toda essa grana, por todo esse tempo, sofrer um calote na hora de se aposentar e quererem que ele se aposente também pelo teto….. Na verdade os regimes já foram unificados, agora o que propõem os gatunos é o CALOTE EM CIMA DO PESSOAL QUE PAGA PREVIDENCIA HÁ 30 ANOS SEM TETO DE CONTRIBUIÇÃO. Triste ver o Kotscho defender a injustiça feita por um bando de larápios e gatunos em cima dos servidores e dos aposentados em geral. Um bando de gatunos e ladrões sem nenhuma legitimidade. Lamentável…..

    1. Caro Rovizin,

      entendo a tua bronca, mas, se você quiser trocar de aposentadoria comigo, topo na hora, no escuro, sem saber quanto você ganha.

      Depois de 53 anos de trabalho como jornalista, sempre contribuindo com o teto do INSS, ganho menos de R$ 3 mil por mês como aposentado. Mal dá para pagar o plano de saúde.

      Amigos meus que se aposentaram no serviço público, com bem menos tempo de serviço, chegam a ganhar 10 vezes mais do que isso. É justo?

      Grato pela participação, um abraço,

      Ricardo Kotscho

  5. Há uma deliberada nuvem de fumaça espalhada pelo ‘Cartel do PMDB’ – obcecado na sobrevida do ‘governo do MT’ – sobre o ‘setor público’. Fazem da “reforma” da previdência seu ‘prato principal’. Com isso afastam, para longe de si, a total e absoluta responsabilidade no desmantelamento do mercado de trabalho e do aumento da miséria no país. Mais uma vez, os servidores públicos são convocados como bodes expiatórios. Já fora assim com Collor e FHC, quando tratados como ‘marajás’ e ‘vagabundos’. Muita gente boa embarcou, e ainda embarca, nessa canoa furada do ‘déficit da previdência’. Vamos à verdade factual e à realidade objetiva: o empregado do setor privado – inclusive quem ganhe valores elevadíssimos – contribui com uma alíquota de 11%, incidente sobre o intervalo fixado pelo INSS, hoje balizado entre R$ 2.765,67 e R$ 5.531,31. Como contribuem sobre esse intervalo, não poderiam, nem podem, receber além disso quando se aposentarem. Já o empregado do setor público, ganhe pouco ou muito, contribui com a mesma alíquota de 11%, porém há um “grande detalhe”, que faz toda a diferença: a alíquota de 11% incide sobre sobre o total bruto da sua remuneração, sem a limitação do setor privado. Vale dizer que o empregado do setor público que receba acima de R$ 5.531,31 recolherá também, acima desse valor. Isso não acontece com o empregado do setor privado. O que o ‘governo do MT’ quer fazer – incorrendo em apropriação indébita -, é receber, de um lado, os pagamentos durante trinta e cinco anos, das contribuições cobradas pelo total da remuneração, e de outro lado, devolver apenas os proventos de aposentadoria calculadas como se houvessem sido cobradas igualmente àquelas do setor privado. Como se vê, isso não faz nenhum sentido lógico, justo ou atuarial. Por uma simples razão. No setor público foram cobrados valores, durante o período ativo, bem maiores, proporcional e relativamente àqueles pagos por quem trabalhou no setor privado. É justo? Não seria, nem justo, nem judicialmente, nem contabilmente correto. O formidável detalhe que passa desapercebido – mas faz toda a diferença -, é que desde 2003, o governo Lula já igualara a contribuição do setor público com a do setor privado. O que significa dizer que, simplesmente, há catorze anos não há mais diferença entre empregados dos dois setores. O que o ‘Cartel do PMDB’ deseja – com ‘reformismo farsesco’ – é, simplesmente, dar o ‘calote’ nos servidores públicos que contribuíram (por trinta e cinco anos)sobre o valor total de sua remuneração, pagando-lhes como se houvessem contribuído, tão somente, pelo teto do INSS fixado no setor privado. O que o ‘governo do MT’ realmente não faz é cobrar o que deveria ser cobrado de quem não tem pago o que deve: as grandes empreiteiras, os grandes bancos, as grandes seguradoras, os grandes contribuintes e as grandes fortunas, que regiamente têm sido beneficiários e beneficiados com reiterados favores e renúncias fiscais. Alardear a responsabilidade dos empregados do setor público na tragédia econômica brasileira é, para dizer o mínimo, total ignorância e indizível má fé. A única modificação natural na questão previdenciária, desde sempre cabível, em ciclos de trinta anos, diz respeito exclusivamente à alteração da idade mínima. Isto é óbvio e ululante até para os habitantes do reino protozoário. E mesmo assim, haverá diferenças abissais na expectativa de vida entre os habitantes do Brasil de cima e do Brasil de baixo que exigem consideração especial. O que implicaria o imperativo ético e social de se fixarem diferentes idades mínimas para o ‘andar de baixo’ e o ‘andar de cima’. Se a expectativa média de um habitante do Maranhão (o estado de expectativa mais baixa) é completamente distinta do habitante de Santa Catarina (o estado de expectativa mais alta) e os cidadãos de rendas mais baixas (até dois salários mínimos) vivem bem menos do que os cidadãos de renda mais alta (mais de dez salários mínimos), não há dúvida de que o modelo matemático de cálculo ( “o que é justo?) deveria identificar os algorítimos adequados incorporando as desigualdades sociais, pessoais e regionais. Mas isso não está, nem de longe, na pauta do “reformismo fake” que o Cartel do PMDB. O que está, sim, na pauta da “reforma da previdência” é a agenda do mercado financeiro: o deslocamento do maior número de pessoas, especialmente do setor público, para as seguradoras e previdências privadas. Estas sim, as grandes e bilionárias beneficiárias da “reforma da previdência”.

  6. Deixando de lado os 2 por cento da margem de erro que dá apoio a esses gatunos e larápios, ninguém mais aguenta a quadrilha q assaltou o poder. Dia 2 de janeiro de 2019, vamos tomar tudo de volta.

  7. A mais recente pesquisa de atividade divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PMS), relativa ao setor de Serviços, registrou em outubro quedas expressivas, tanto no comparativo com o mês imediatamente anterior (-0,8%) quanto frente ao mês de outubro de 2016 (-0,3%). Assim, devido ao quarto mês seguido de números cadentes, o setor que tem o maior peso no PIB brasileiro e que responde por mais de dois terços dos empregos do país acumula uma perda de 3,7% nos últimos doze meses e de 3,4% entre janeiro e outubro do presente ano.
    Por tudo isso, as recentes projeções que vinham apontando para um crescimento do PIB em 2017 entre 0,91% (Boletim Focus) e 1,1% (Ministério da Fazenda) muito provavelmente deverão ser frustradas pela anemia que parece ter se disseminado na economia brasileira neste último trimestre. E essa permanente depressão econômica nada tem a ver com a “panaceia previdenciária” do ‘MT’.

  8. Rovisin, decepcionante és tu, que desconhece a realidade do Brasil e os números da previdência! Boa Ricardo, eu também topo trocar a minha aposentadoria de professor de ensino médio com a dele!

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