Dr. Meirelles no palanque defendendo Temer e reformas? Dá para acreditar?

Dr. Meirelles no palanque defendendo Temer e reformas? Dá para acreditar?

Ainda estamos na quarta-feira e a semana não para de nos surpreender na corrida maluca para 2018, que já começou na base do acredite se quiser.

Com a desistência de Huck e Doria, e a confirmação de Alckmin como o presidenciável do PSDB, o fato novo do dia é o balão de ensaio de Henrique Meirelles, o ministro das reformas, como candidato do governo Temer. Qual a chance de dar certo?

Jornalistas devem dar respostas para esclarecer dúvidas e não ficar fazendo perguntas. Sei disso.

Mas chegamos a um ponto em que não dá para acreditar em nada do que está acontecendo e nas mil projeções sobre o que pode acontecer no ano que vem.

A impressão que dá é que o Brasil está pirando.

Sabemos todos que o Dr. Meirelles, como todos o chamam, com a reverência de quem está diante de um ser superior, há muito sonha com a Presidência da República, desde que voltou ao Brasil, após se aposentar na presidência mundial do Bank of Boston, nos Estados Unidos.

Vamos relembrar sua trajetória. Logo entrou no PSDB para ser ser candidato a governador de Goiás, em 2002, e iniciar sua caminhada rumo ao Palácio do Planalto.

Não conseguiu, e aceitou ser candidato ao Senado. Também frustrado nesta tentativa, foi eleito deputado federal e acabou renunciando ao mandato para ser presidente do Banco Central no governo Lula.

Articulou com Lula para ser vice na chapa do PT em 2010, mas foi vetado por Dilma, que acabou ficando com Michel Temer.

E com Temer ele voltou ao poder após o impeachment, agora como ministro da Fazenda, depois de prestar serviços ao grupo JBS, de Joesley Batista, onde criou o Banco Original.

Por esse motivo, teve seu nome citado na conversa gravada de Joesley com o presidente Temer naquela fatídica calada da noite no porão do Palácio do Jaburu.

No governo, foi logo escalado para tocar as reformas da “Ponte para o Futuro” e promover o ajuste fiscal, um projeto tucano agora reciclado para a campanha de Alckmin em 2018.

Algumas reformas foram aprovadas no Congresso, sabemos todos como, contra a vontade de ampla maioria da população, levando o presidente Temer aos mais baixos índices de aprovação da nossa história republicana.

Ficou faltando a principal, a reforma da Previdência, que agora querem aprovar a toque de caixa para agradar ao mercado e embalar a candidatura do Dr. Meirelles.

Esta seria a grande bandeira eleitoral do candidato da frente ampla governista, capaz de fazer a economia deslanchar, em dobradinha com o DEM, de Rodrigo Maia, que pode ser o vice, e a turma barra pesada do Centrão de Eduardo Cunha.

Alguém pode imaginar o ministro da Fazenda no alto de um palanque defendendo o legado de Temer, e o povão lá embaixo gritando o nome dele, carregando faixas em defesa das reformas?

Quem não deve estar gostando nada desta história é o governador Geraldo Alckmin, que sonhava ser o candidato único de uma grande aliança de centro-direita, para isolar Lula e Bolsonaro, mas agora corre o risco de ficar falando sozinho, enquanto o PSDB tenta juntar os cacos da sua divisão interna.

Faltam só 300 dias para a eleição presidencial e, nesse ritmo de trem fantasma, tudo ainda pode acontecer. Só uma coisa é certa: não faltarão fortes emoções para quem gosta de brincar na beira do precipício.

Vida que segue.

 

 

 

 

14 thoughts on “Dr. Meirelles no palanque defendendo Temer e reformas? Dá para acreditar?

  1. É Ricardo! Parece surreal essa descrição do cenário eleitoral brasileiro para 2018. Mas não é. Enquanto lia, eu quase desejei que você fosse um roteirista de novela. Mas não é. É jornalista e brilhante.

  2. Perfeito. A direita disputa os espólios de sua conquista. Nos próximos capítulos vamos descobrir quais deles vão restar na reta final. Enquanto isso, o andar de baixo espreme a cana até sobrar só o bagaço! Adelante!

  3. Meirelles, antes, Doria, Huck e Barbosa, e quem mais vier, Mestre, são egos em expansão no universo dominante em repouso, utilizados como dispersão até março de 18, pelos donos do mercado (inter)nacional da bufunfa, que não estão à procura do “Macron brasileiro”, como bem informa em post anterior, pois já o tem definido, como também o Novo partido que o abriga e virá substituir futuramente o velho PSDB, que será utilizado com Geraldo em 2018, como garantia.
    Esses mesmos banqueiros e bufunfeiros, golpistas, que encomendaram à Casa das Garças a tal “Ponte para o Futuro”, na prática revelada, “Pinguela para o Passado”, definiram um novo João, não o Doria, mas o Amoêdo, como candidato da Classe Dominante em 2018.
    O Novo “João Macron” será o candidato da Meritocracia, repetindo via comando Global a operação que lançou e consolidou o “Caçador de Marajás” em 89, lembra? O resto é pôr do sol na Praça do dito e Lula candidato e presidente, se quisermos ter futuro que não seja o passado.

  4. E, enuqanto isto, a esquerda dorme no ponto de ônibus, discutinho a que horas vai passar o trem da retomada do Brasil!
    Melhor começarmos a nos mexer, urgentemente!

  5. Caro e prezado grande repórter RK, o seu retorno é a melhor notícia deste fim de novembro.
    Nossos votos de sucesso hoje e sempre.

    Abração do Sandro Villar, um cronista a serviço da República Federativa do Brasil.

  6. Uma perguntinha ao nobre jornalista….”mas esse não era o homem de confiança do lula, para o governo dilma?”…..acho que quem não deve estar gostando nada disso é o lula, três perdas de peso, nas suas pretensões presidenciais, zé dirceu, palocci e agora Meirelles, tudo conspira contra elle.

  7. Caro Mestre, só hoje descobri o seu retorno, acabei de ler todas as postagens anteriores, a lucidez e a ética continuam a me deslumbrar. Boa sorte e vida que seguimos.

  8. Faz sentido sim, tão somente para alavancar mais espaço para o PSD na disputa do espólio da base alugada, pós-desembarque do tucanato,; além de ganhar terreno como candidato a vice do tucano paulista de Pindamonhangaba.

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