Lula X Alckmin outra vez? Cenário é bem diferente de 2006

Lula X Alckmin outra vez? Cenário é bem diferente de 2006

Em 2006, o petista Lula, que disputava a reeleição, e o tucano Alckmin foram para o segundo turno, mas dificilmente este cenário se repetirá em 2018.

PT e PSDB, os dois partidos que se revezaram no poder nas últimas duas décadas, entram na campanha presidencial do próximo ano desta vez isolados, desunidos, com dificuldades para fazer alianças, fragilizados pelas denúncias da Lava Jato e representam o velho sistema político apodrecido num momento em que o eleitorado clama pela renovação.

Como candidatos não se inventam de um dia para outro, Doria e Huck, os dois representantes do chamado “novo centro”, já desistiram antes mesmo da corrida começar (ver post anterior).

O campo de centro-direita ficou livre para o eterno governador paulista Geraldo Alckmin, praticamente ungido como candidato do PSDB numa reunião de caciques tucanos na noite de segunda-feira, no Palácio dos Bandeirantes.

Do outro lado, até o PC do B, aliado histórico do PT, lançou candidatura própria, a deputada estadual gaúcha Manuela D´Ávila, e o PDT já está em campanha com Ciro Gomes.

A grande novidade da próxima eleição, por incrível que pareça, pode agora surgir do PMDB de Michel Temer, que começou discretamente a costurar uma “frente ampla” com o DEM de Rodrigo Maia e o PSD de Henrique Meirelles, levando de cambulhada o poderoso Centrão de Eduardo Cunha, hoje hegemônico na Câmara.

Quem poderia, trinta dias atrás, imaginar que um governo com apenas 3% de aprovação ousasse pensar numa candidatura própria em 2018?

Pois no Brasil tudo é possível, já que dependemos do imponderável da economia e da Justiça da Lava Jato, que está acelerando os trabalhos para julgar Lula em segunda instância o mais rápido possível.

Com Lula na disputa, teremos um cenário; se o ex-presidente, que lidera todas as pesquisas com folga, for impedido pela Justiça, será outro, completamente diferente e imprevisível.

Por enquanto, continua correndo por fora, mantendo a segunda posição nas pesquisas, o outsider bélico Jair Bolsonaro, a última flor do brejo da ditadura militar, transformado em fenômeno novo das redes sociais, embora seja tão antigo na política como Lula e Alckmin.

Sem ninguém prestar muita atenção, também está sendo gestado na surdina _ por Michel Temer aliado a Gilmar Mendes, o líder do governo no STF _, um monstrengo de mudança do regime para “semi-presidencialismo”, o novo nome do parlamentarismo duas vezes derrotado em plebiscitos.

Ao contrário do que aconteceu em 2006, desta vez PT e PSDB podem ficar fora do segundo turno, se a Justiça vetar Lula e o PSDB não se unir em torno de Alckmin para procurar os aliados de sempre.

Michel Temer já mandou um recado para Alckmin no fim de semana de que a chance de uma aliança com o PMDB em 2018 é remotíssima, segundo a coluna “Painel” da Folha.

Talvez por isso, logo após ser entronizado no comando do PSDB, Alckmin já tenha desdenhado das alianças partidárias:

“Os partidos estão fragilizados, desgastados. Os eleitores vão votar nas pessoas”.

Só resta saber quais pessoas chegarão à urna eletrônica.

Vida que segue.

 

 

 

 

8 thoughts on “Lula X Alckmin outra vez? Cenário é bem diferente de 2006

  1. Um ano na política é uma eternidade, principalmente se levarmos em conta que a economia esta crescendo e tende crescer mais. O emprego vai crescer com a nova lei trabalhista, o cenário será outro ao vivido nos últimos 2 anos.
    As previsões acima, se confirmadas, enterrarão de vez os chamados “salvadores da pátria”, aqueles plantonistas , aproveitadores do quanto pior melhor…..Pode escrever…Alvaro Dias pode ser um nome forte se não houver nenhum respingo da lava-jato………….quem viver verá.

    1. A economia está crescendo. O gas, a gasolina que o digam. A nova lei trabalhista estimula a criação de empregos. Empregos de 190 reais por mes. Como que alguém com um mínimo de cérebro pode acreditar nestas baboseiras. Esse é o discurso de economistas a serviço dos bancos. Não é sério.

  2. A experiência e a inteligência de Ricardo Kotscho aqui ao nosso dispor é uma das melhores notícias de 2017, concordemos ou não com suas opiniões. Sê bem vindo.

  3. Saudações, Kotscho e Balaieiros !!! Só passei pra saudar a volta e desejar vida longa ao novo Balaio, abraçar meus amigos e matar saudade, especialmente do meu querido mano Dias, a quem não vejo, desde o fim do Balaio, no site R7 (Everaldo e Enio são meus amigos no Facebook). A todos, meu mais cordial e ensolarado “Bom Dia !!!”, que estendo ao Meia Coxa (Sergio), Gilvanildo Costa, José Eduardo, “o Velho”, e demais coxinhas (sem ofensa) e tranqueiras anti-PT’s do Balaio. E “vamu qui vamu”, como diria meu impagável mano Everaldo. Vida que segue, ótima quarta a todos !!!

    1. Salve, salve, Victor Hugo, o bom amigo sempre ao Balaio torna. Bom te rever!
      PS: Não utilizo redes sociais, mas cá de novo o “nosso” velho, safo e bom, Balaio, reunindo a companheirada de mesma jornada, no país das camarilhas.

  4. Mestre, no texto abordas a Justiça em quatro momentos.
    No primeiro como “a Justiça da Lava Jato”, que acelera para julgar Lula em segunda instância, no segundo como “a Justiça”, que pode impedir Lula de ser candidato, no terceiro, também “a justiça”, reafirmando o segundo e sobre PT e PSDB ficarem fora do segundo turno e no quarto como “…Gilmar Mendes, o líder do governo no STF”, gestando “um monstrengo de mudança do regime para semi-presidencialismo. Então, em tempo medíocre e obscuro, além de “justiça lavajateira”, temos como chamá-la, no Brasil?
    Quanto ao “outsider bélico Jair Bolsonaro, a última flor do brejo da ditadura militar”, na realidade, infelizmente, não a última, pois faz-se acompanhar de inúmeras outras, desse brejo que continua a floresce-las.

  5. Nunca subestime a militância PTista, e não vejo nada mais e atual que os ideais da nossa Militância, que em sua maioria absoluta, luta pelo melhor para todas e todos os Brasileiros, que venha 2018, é vamos a Vitória

  6. Um forte abraço ao amigo Ricardo com votos de renovado sucesso nesta nova fase do nosso Balaio. Mais do que nunca o Brasil necessita de uma Imprensa independente e de vozes que se preocupem, de fato, com a democracia. Vida longa ao Balaio!

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