"Sr. Brasil" de Boldrin é um outro Brasil, do bem, bom e bonito

"Sr. Brasil" de Boldrin é um outro Brasil, do bem, bom e bonito

O apresentador Rolando Boldrin (Foto: Divulgação)

Zapeando pela televisão ao final de mais um dia pesado na cobertura política, dei a sorte de reencontrar esta semana o “Sr. Brasil”.

Foi uma benção, um alívio, um verdadeiro bálsamo para o noticiário tóxico que se repete dia após dia.

Ali me dei conta de que um outro Brasil também existe, e resiste: é um Brasil do bem, da boa música, do bom humor, do alto astral.

Quem é este senhor de basta cabeleira branca, com seu jeitão caipira, que recebe seus convidados vindos de todos os rincões do país, contando causos como se estivesse na sala de visitas da nossa casa?

Só pode ser o grande Rolando Boldrin, um dos mais completos artistas brasileiros _ além de apresentador e diretor de programas de TV, é cantor e compositor, ator de novelas, filmes e peças de teatro.

Aos 80 anos, passeia pelo palco com a alegria de um menino no belo e colorido cenário de Patrícia Maia, sua mulher, montado com tranqueiras da roça no teatro do Sesc-Pompéia, onde o programa é gravado às terças-feiras, no mesmo dia em que vai ao ar, às 22h30, na TV Cultura.

Me lembrei na hora dos bons tempos em que tive a sorte de trabalhar com ele na rede CNT/Gazeta, em Curitiba, nos anos 1990.

Depois do serviço, ficávamos horas no boteco ouvindo as histórias engraçadas que nos contava sobre brasileiros anônimos, dono de uma memória de elefante.

Agora, estou vendo no palco a cantora Giana Viscardi, de São Paulo, de quem nunca havia ouvido falar, interpretando a Canção do amor que chegou, de Vinícius de Moraes e Carlinhos Lira.

Cenário, som, imagem, palco e platéia, tudo é de uma beleza cativante na sua simplicidade, lembranças de uma época em que não era proibido sonhar com dias melhores, nem se tinha medo de olhar para o futuro.

Dá até saudades do Brasil…

Antes de se consagrar como batalhador incansável da melhor música brasileira e defensor da nossa cultura, Boldrin foi sapateiro, frentista, carregador, garçom e ajudante de farmacêutico.

Paulista de São Joaquim da Barra, com sete anos já tocava viola e, nos primórdios da pioneira TV Tupi, veio para São Paulo na boleia de um caminhão, com o sonho de ser artista.

Nestes programas do “Sr. Brasil” cabe de tudo, desde que seja autêntico e de boa qualidade. Só não entra cantor sertanejo de chapelão e camisa xadrez para se fantasiar de caipira, algo que ele abomina.

Na passagem para o intervalo, toca a vinheta com versos de “Vide Vida Marvada”, música de Boldrin que o acompanha vida afora:

“É que a viola fala alto no meu peito humano/

E toda mágoa é um mistério desse plano…”.

Vida que segue e não volta.

Bom domingo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

4 thoughts on “"Sr. Brasil" de Boldrin é um outro Brasil, do bem, bom e bonito

  1. O programas apresentados pelo Rolando Boldrin são excelentes.Cultura,verdadeiramente cultura brasileira.Foi apresentador na rede Globo,hoje,na rede Brasil.

  2. Boldrin encarna como ninguém o “Brasileiro, profissão esperança”, um dos mais importantes espetáculos teatrais, escrito por Paulo Pontes, montado na década de 70. Um painel romântico do Rio dos anos 50, a capital do país, da boemia. O pano de fundo é a vida e a música de Dolores Duran e Antonio Maria, com suas andanças pelos becos e garrafas da cidade. Vi Maria Bethânia e Ítalo Rossi na emblemática montagem do Canecão, com Clara Nunes e Paulo Gracindo, com o teatro absolutamente lotado. Dirigido por Bibi Ferreira, a “alma” do espetáculo, na poesia e na música, fala de esperança: a mais antiga e permanente profissão do brasileiro. Um Rio onde o jogo do bicho era o máximo a que chegava a contravenção das favelas. Muito diferente do estágio ao qual chegamos: a “era colombiana” de Cali, Medellin e Norte del Valle, herdeiros de Pablo Escobar, “El Patrón”.

  3. A fora esse grande brasileiro Boldrim, estamos nos deparando com a Mega encruzilhada que está metido o PSDB, mesmo a Datafalha sendo coxinha da extrema direita brasileira, não pode mentir nem enganar o povo brasileiro como sempre fizeram mancomunadas com Veja, Istoé, Globo e Ibope, tiveram que mostrar a pesquisa na qual nem um tucano sequer vai ao segundo turno, e o que vai acontecer daqui pra frente é uma grande incógnita, mas as coisas caminham para a saida do engomado Dória do PSDB, o Aécio terá sua cabeça entregue para tentar salvar o partido eles tem a última chance de abandonar o Temer e depois tentar vender que o partido sem o Aécio e sua trupe não admitem corruptores nem no partido e nem no governo.
    Se o PSDB não sacrificar o Aécio e ajudar a derrubar, vai haver uma debandada histórica no partido, que vai ficar na história, e os que ficarem já estarão marcados na paleta por todas as safadezas que fizeram, fazem e ainda apoiam o corrupto e corruptor Temer e seu PMDB.

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