Tite prova que não tem milagre: basta ser honesto

Tite prova que não tem milagre: basta ser honesto

1º de setembro de 2016, uma quinta-feira.

Diante de 34 mil testemunhas nas arquibancadas do Estádio Olímpico de Atahualpa, em Quito, a 2750 metros de altitude, ele fazia sua estréia como técnico da seleção brasileira, derrotando o Equador por 3 a 0.

Em um ano, tudo mudou, graças a um sujeito chamado Adenor Leonardo Bachi, mais conhecido por Tite.

Antes deste jogo, lembram-se?, o Brasil de Dunga estava ameaçado de ficar, pela primeira vez, fora de uma Copa do Mundo.

Nesta quinta-feira, contra o mesmo Equador, o Brasil entra novamente em campo, desta vez na Arena do Grêmio, em Porto Alegre, já classificado para a Copa, a primeira seleção a garantir sua vaga para Moscou, além dos anfitriões.

Qual foi o milagre?

No futebol, como na vida, tudo depende das pessoas, dos seus propósitos, de quem está no comando e à sua volta.

Tite não inventou nada, não revolucionou o futebol, não revelou nenhum Pelé, não fez mágicas.

Os jogadores são quase os mesmos, mas o time é outro, novamente o melhor do mundo no ranking da Fifa.

Se há uma palavra para definir este milagre, que não é milagre, mas resultado de muito trabalho e competência, é honestidade _ uma qualidade rara neste país de coitadinhos e malandrões.

Gaúcho de Caxias do Sul, 56 anos, ex-jogador mediano, formado em Educação Física, o cidadão Adenor é, acima de tudo, um sujeito de caráter, honesto com seus jogadores, a torcida, a imprensa.

É isto que faz toda a diferença num ambiente em que todos querem levar vantagem em tudo.

Se há algum milagre, é Tite continuar sendo Tite, apesar de trabalhar na CBF, aquela casa mal assombrada infestada pela corrupção.

Tite chamou para trabalhar com ele uma comissão técnica formada por profissionais à sua imagem e semelhança e criou logo um ambiente de respeito mútuo em que todos são tratados da mesma forma.

Para quem começou sua carreira de técnico no pequeno Guarany, de Garibaldi, no Rio Grande do Sul, em 1990, e chegou a campeão do mundo pelo Corinthians, até que demorou muito para Tite chegar à seleção.

Deveria ter sido chamado logo após a tragédia da seleção de Felipão na Copa do Brasil, em 2014, quando já era o melhor técnico do país.

Mas os cartolas da CBF, ameaçados pelo FBI, preferiram a turma de Dunga, que se adaptava melhor aos seus interesses de fazer da seleção apenas uma gazua para bons e suspeitos negócios.

Só quando ficamos seriamente ameaçados de ser eliminados da Copa é que eles se renderam e entregaram nosso futebol a Tite, com carta branca para trabalhar.

O Brasil voltará a ser um país respeitado, e não só dentro de campo, se as novas gerações se mirarem no exemplo de homens como Tite, que devolveu confiança e esperança à torcida.

Pode demorar, mas no final a honestidade sempre vence.

Este será o principal legado do técnico da seleção, mesmo que a gente não ganhe a Copa da Rússia.

No futebol, pelo menos, já voltamos a impor respeito. Ganhar ou perder é do jogo.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

9 thoughts on “Tite prova que não tem milagre: basta ser honesto

    1. Caro Marco,

      foi engano meu. Já me ligaram pra avisar que é na Arena do Grêmio. Vou corrigir agora. O resto continua valendo. E viva o Tite, que foi técnico do Grêmio.

      Abraços,

      Ricardo Kotscho

  1. Kotscho, Tite deu uma grande aula sobre como incentivar jovens que sabiam jogar bola a também ganhar o jogo. Tomara que, como você disse, o Brasil e seus cidadãos “bons de bola” comecem a jogar para ganhar, derrotando os vilões que só dão carrinhos nos nossos direitos e continuam vencendo de todas as formas. O jogo da vida está aí, vamos brilhar, meu povo, só depende de nós!

  2. “No futebol, como na vida, tudo depende das pessoas, dos seus propósitos, de quem está no comando e à sua volta”. Lazer é preciso, e pro futebol não faltam verbas. Mas, qualquer mudança verdadeira neste país – se caso algum dia houver – só vai acontecer a partir do momento que a mudança acontecer na tomada de posição por opção de mudanças da Comunidade Escolar – juntamente com a Sociedade – ora em construção de novos propósitos; disso estamos careca de saber. Só através dos investimentos que faltam na Educação de qualidade, e também na qualidade da Saúde que o povo recebe; investimentos do governo que estão congelados em vinte anos pela frente. E é aí que mora o meu desânimo, que às vezes sou incompreendido por comentaristas aqui deste seu espaço, a ponto de ter um lá do “Carajás” que chegou a falar que não entendo nada da realidade de escola pública deste país”.

  3. Mendes da Casa da mãe Joana diz que jornalista da Folha viaja com mais de dez mil euros no bolso e não considera isso evasão de divisas….O jornalista da Folha respondeu-lhe que não conhece jornalista algum que seja portador de mais de dez mil euros em viagem. Tudo para justificar o fundamento do seu salvo conduto dado ao rei do ônibus do Rio de Cabral. Mendes da Casa da Joana sem mãe é um caso que prova ser capaz de argumentar com argumentos que até Deus duvida. Mendes prova que não tem milagre. Basta ser cínico e ter a certeza de que todo mundo é otário, néscio ou delirante.

    1. Caro Netho,
      li essa entrevista do Gilmar Mendes agora e um detalhe da matéria me chamou a atenção.
      O colunista da Folha diz que ele está “em visita oficial a Bucareste”. Como assim, visita oficial? O supremo ministro já se promoveu a presidente da República? O Temer tá sabendo disso?
      Abraços,
      Ricardo Kotscho

    2. Se o Instituto Ipsos fizer uma pesquisa sobre a aprovação da autoridade de Tite para dirigir a “seleção canarinho” – como diriam os inesquecíveis Fiori Giglioti e Mário de Moraes -, o resultado será inversamente proporcional ao logrado por Mendes da Casa da Joana sem mãe, cuja reputação de credibilidade surfa uma onda gigantesca de desaprovação crescente, que já atingiu o STF, segundo o levantamento que atribuiu raquítico percentual de 3% ao ‘trêfego e barulhento’ Mendes. Fraternal abraço, estimado Kotscho!

    3. Estimado Kotscho! Faltou ao colunista da Folha comparar o impedimento de Mendes com o desimpedimento de Fachin. Senão vejamos: Em março do ano passado, o ministro do STF e atual relator da Lava Jato na Corte Edson Fachin se declarou “suspeito” e se afastou de um julgamento por ser “padrinho de casamento” da filha de um dos advogados responsáveis pela ação. Detalhe curiosíssimo: o caso envolvia o próprio Mendes. O que torna o caso ainda mais curioso é que o julgamento em questão cuidava da análise do habeas corpus (HC) 133605, impetrado em favor do ex-presidente Lula. A defesa queria suspender a decisão do ministro, que anulara a nomeação de Lula para a Casa Civil da então presidenta. O principal argumento usado era que Gilmar teria constrangido o ex-presidente ao também determinar o retorno do processo para o juiz federal Sérgio Moro. Ou seja, a tese era que o ministro fora além do que pediram as ações judiciais, que queriam somente suspender a nomeação. Com a declaração de suspeição feita pelo próprio Fachin, que havia sido nomeado relator do caso por sorteio, o processo passou para a ministra Rosa Weber, que julgou inviável o prosseguimento do HC: “Não cabe pedido de habeas corpus originário para o Tribunal Pleno, contra ato de ministro ou órgão fracionário da Corte”. Voltando aos dias atuais, além de lembrar que Gilmar foi padrinho de casamento da filha de Barata, os procuradores do Ministério Público Federal (MPF) responsáveis pela Operação Ponto Final, que havia culminado com a prisão dos Reis dos ônibus, divulgaram aquela nota pública (dia 18) em que relatavam “apreensão” com o fato de Guiomar Mendes, mulher do ministro, estar entre as advogadas do escritório de Sérgio Bermudes, que representa os acusados no processo. No ofício em que apelam pelo afastamento de Mendes do caso, os procuradores também lembram que o advogado Rodrigo Murdrovitsch, um dos que representam o “Rei dos reis” Barata Filho, também atua (pasmem!) em defesa do próprio ministro do STF, o “trêfego e barulhento”, em uma ação ajuizada em abril de 2014. Mendes comprova que não tem milagre no seu argumento de insuspeição e desimpedimento. Basta ser cínico, nada mais!

  4. Honestos Dunga e Parreira entendo que tambem eram. (esquecendo -por inevitáveis -as limitaçoes, os ‘yes,sir’, e salamaleques que eles tem que dar á CBF e indiretamente á Rede Globo de manipulação)
    Então acho que é por outras coisas.
    Ele entende do traçado no campo e os jogadores compraram sua ideia de jogo e de liderar pessoas.
    Neste ultimo quesito Tite é simplesmente melhor bem mais eficiente que os outros.

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