Temer balança: quem se habilita a ficar no lugar?

Temer balança: quem se habilita a ficar no lugar?

Quem será o novo inquilino do Palácio do Planalto? (Foto: Agência Brasil)

Aos leitores: o blog vai fazer uma parada técnica e volta na semana do julgamento no TSE. 

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Ao mesmo tempo em que Michel Temer se segura como pode na cadeira presidencial, a cada dia mais isolado e enfraquecido, para não perder o foro privilegiado, aliados e oposicionistas movimentam-se abertamente na busca de um nome de consenso para por no seu lugar.

Só que não está fácil antecipar a saída do ainda titular do Planalto, e muitos menos encontrar uma solução constitucional para o impasse político criado com as delações da JBS.

E a renúncia está fora dos planos de Temer, como ele já anunciou várias vezes.

Qualquer que seja o caminho escolhido para encurtar o mandato do presidente _ impeachment, cassação no TSE, convocação de eleições diretas ou indiretas _ os rituais de passagem são demorados e, com isso, Temer vai ganhando tempo, que é seu principal objetivo no momento.

A fórmula mais rápida e menos traumática seria a cassação da chapa Dilma-Temer no julgamento marcado para começar no dia 6 de junho, mas nada garante  que o desfecho possa acontecer ainda este ano.

Como de costume, os ministros podem pedir vistas (o governo acabou de nomear dois novos integrantes do tribunal), sem prazo para devolver o processo e, caso perca o mandato, Temer já comunicou que vai recorrer em todas as instâncias.

Enquanto isso, a cada dia que passa, nomes de possíveis substitutos para uma disputa no colégio eleitoral entram e saem das listas de apostas.

A semana começou com o favoritismo do ex-ministro Nelson Jobim, um político-jurista que circula com desenvoltura em todos os partidos e poderes, mas nesta sexta-feira ele já foi rebaixado a possível ministro da Justiça num eventual governo comandado pelo tucano Tasso Jereissatti, tendo Rodrigo Maia como vice.

“Não contem comigo”, avisou Jobim na véspera, em almoço com investidores promovido pelo banco BTG Pactual, onde é sócio, quando lhe perguntaram sobre uma possível candidatura presidencial. Ministro, então, nem pensar.

Com passagem marcada para uma longa viagem ao exterior, o ex-ministro não quer nem falar no assunto, alegando motivos profissionais e familiares, mas em política nunca se sabe.

Senador e ex-governador do Ceará, Jereissati teria dificuldades para impor seu nome na Câmara, dona de 513 votos no colégio eleitoral (o Senado tem 81), o que favorece Rodrigo Maia, outro presidenciável indireto.

O desespero é tamanho com a falta de opções viáveis que, na quinta-feira, começou a circular o nome do governador paulista Geraldo Alckmin, do PSDB. O tucano já descartou seu nome e indicou os de Tasso e FHC.

Talvez se torne necessário importar algum executivo estrangeiro para ocupar o cargo, como sugeri aqui no começo do ano quando Barack Obama ficou desempregado depois de passar a presidência para Donald Trump.

Ficha limpíssima, saiu do governo americano aplaudido pelo mundo todo, tem um currículo invejável e, além de tudo, fala bem inglês.

Tem o detalhe de que não nasceu no Brasil, mas Rodrigo Maia também não (nasceu no Chile, quando seu pai era exilado político). Nada que uma pequena mudança na lei não resolva. Por que não?

O outro lado da história

Acostumamo-nos tanto com o pensamento único na mídia nativa que ouvir o outro lado da história foi uma agradabilíssima surpresa.

De um lado da mesa,estava o jornalista Mario Sergio Conti, apresentador do programa “Diálogos”, na Globo News.

De outro, o ex-ministro Gilberto Carvalho, apresentado como um quadro histórico do PT.

Durante meia hora, já tarde da noite, chegando do trabalho, voltei a me sentir partícipe de um diálogo de fato democrático, sem cartas marcadas.

Um perguntava o que deveria perguntar e o outro respondia na lata como um militante político daqueles de antigamente.

Conti já havia entrevistado outros petistas em seu programa, abrindo espaço para o contraditório, mas nenhum tinha defendido com tanto empenho o lado derrotado na guerra política que dividiu o Brasil.

Gilberto tinha acabado de sair da batalha campal de Brasília e veio dar a entrevista em São Paulo. Deu uma uma versão bem diferente da oficial.

Quem está contando a verdade?

Para saber, só vendo o programa que pode ser resgatado na internet nestes mil canais que existem hoje em ida.

Foi, para mim, acima de tudo, um momento de grandeza do jornalismo e do que restou da velha militância em nosso país, qualquer que seja o nosso lado nesta interminável guerra política.

Quem foi?

Ao anunciar a retirada das tropas do Exército de Brasília, no dia seguinte ao protesto que acabou em confronto entre manifestantes e a polícia, com atos de vandalismo e barbárie dos dois lados, o ministro da Defesa Raul Jungmann, que me lembra muito o personagem do “sambarilove” no modo de falar, disse que o governo quer identificar e punir os responsáveis pelos prejuízos causados ao patrimônio público.

Acho ótimo que isso seja feito. Assim, finalmente, saberemos quem são e de onde vêm os pequenos grupos de alucinados chamados de “black-blocs”, que aparecem no meio das manifestações com pedras, paus e coquetéis molotov, apesar da revista que é feita pela polícia.

Não se deve descartar a ação de agentes provocadores infiltrados, como aconteceu no ano passado aqui em São Paulo, quando um oficial foi detido antes de um protesto, e de quem nunca mais se ouviu falar.

Vida que segue.

 

 

 

21 thoughts on “Temer balança: quem se habilita a ficar no lugar?

  1. Não consta que a ficha de obama seja tão limpíssima assim….Carregará em seu currículo a mancha de ter mandado bombardear um hospital no Afeganistão, matando 22 pessoas entre médicos e crianças. Além da questão da Palestina, da África…Obama foi um redundante fracasso.

    1. Pesa sobre Obama, cara Décio, a pecha de que no seu governo os EUA perderam o protagonismo no Oriente Médio para a Rússia e que ainda viu surgir no período o Estado Islâmico, sem que não tenha feito absolutamente nada para coibir o crescimento do mesmo.

  2. No mesmo tempo em que ocorria toda aquela violência contra os manifestantes em Brasília, com várias pessoas feridas e ensanguentadas, a PM do Pará (governado pelo PSDB) tirava a vida de mais 10 seres humanos. Mas isso não é notícia importante.
    Em razão disso quero aqui prestar as minhas condolências a todos os familiares e amigos das vidraças.

  3. Mestre, infelizmente no Brasil ainda ninguém ‘se segura como pode na cadeira presidencial’ quando a classe dominante resolve defenestrar o ocupante. O que acontece hoje, é que a tal da ‘delação premiada’ proporciona ao ameaçado da ocasião sacar rápido o dito salvo conduto, sabendo-se quando relativo a classe dominante, pelas relações tipo ‘caranguejo’, que ao puxar um vem todos em ‘fieirada’, não se prende ninguém desse lado do balcão do entreposto, sem ao menos pactuar garantias, curto período preso e ganhos relativos. Para comprovar, basta apreciar os livres, leves e soltos, mt & tchurma, mineirinho, ricardo peixeira, careca, santo, dona cruz e por ai segue. Escancarada nas gravações a compra de votos de deputados para o golpeachment, ‘a fórmula mais rápida e menos traumática seria’ reconduzir a presidente Dilma, legitimamente eleita e ilegitimamente deposta, ao cargo, pactuando-se em função da situação política, uma agenda de transição com constituinte exclusiva contemplando a reforma política e o congresso as reformas trabalhistas e da previdência, pactuadas democraticamente com as partes interessadas. Quanto ‘o governo querer identificar e punir os responsáveis pelos prejuízos causados ao patrimônio público’, recomenda-se antes, que identifique e puna os responsáveis pelo massacre de posseiros no Pará, segundo o JN, da globo dos marinho, num ‘CONFRONTO’, onde o placar final foi de DEZ a ZERO pra polícia. Pode? Passando o traço, em relação a ‘agentes provocadores infiltrados, como aconteceu no ano passado em S. Paulo, quando um oficial foi detido antes de um protesto, e de quem nunca mais se ouviu falar’, aproveito para informar que ouvi falar que o dito escafedido, capitão do exército Willian Pinto Botelho, infiltrado Balta Nunes, foi promovido a major pelo Papai Noel, trajando verde oliva, a partir de 25 de dezembro de 2016, três meses após ser identificado.

      1. Dias. Vc sempre com longuissimos textos, geralmente enfadonhos, que ocupam mais e mais espaco digital. Utilize esta midia com mais responsabilidade.

    1. CesarT, só não esqueça de informar (tenho certeza que você apenas se esqueceu), que o vídeo que mostra policiais depredando vidraças, aconteceu na República Bolivariana da Venezuela!

  4. Não é de estranhar que o Ministro da Defesa tenha acionado as Forças Armadas em lugar da Força Nacional conforme a solicitação do ‘Botafogo’. Raul Julgmann tem o apelido de ‘Bruto’ na planilha da Odebrecht. Ambos combinam bem. Maia agiu ao estilo de quem gosta de uma cortina de fumaça quando o circo está pegando fogo e o Raul não perdeu a oportunidade de defender o bloco dos sujos fazendo uso das Forças Armadas, que foram usadas como peões para sustentar a governabilidade dos malfeitos, mal lavados e mal cheirosos.

  5. A propósito do “sambarilove”, que o olhar experimentado do repórter deixou passar despercebido, trago à colação do comentário um trecho assinado por Luís Costa Pinto do Poder360, que comprova a arguta percepção de Kotscho no tocante ao ‘Bruto’. Segue o texto (recortado de Luis Costa Pinto do Poder360, caso seja possível reproduzi-lo sem desrespeitar direitos autorais e titularidade editorial), entre aspas: “”Quem inventou Raul Jungmann para o exercício de cargos públicos foi o ex-governador de Pernambuco (assumiu por 11 meses entre 1990 e 1991) e ex-senador Carlos Wilson, que o nomeou secretário de Planejamento. Jubilado na Faculdade de Filosofia do Recife, onde não conseguira conquistar o diploma superior, o hoje ministro da Defesa era chamado por Wilson de “Gogó de Ouro”. O então governador explicava: “Tenho orçamento curto e preciso projetar ao menos minhas ideias. Raul fala tudo de forma tão mirabolante, diz as coisas mais incríveis de forma tão crível, que é a melhor pessoa para se ter quando a gente sabe que vai fazer muito pouco e precisa causar impacto e impressionar”. Definição melhor, impossível.

    Ao convocar a imprensa para o pronunciamento em que mentiu sobre a autoria do pedido de convocação das Forças Armadas para a exibição coercitiva na Esplanada Jungmann certamente se sentiu um dobermann de guarda pretoriana de Palácio. É a fantasia perfeita para esconder o espírito sabujo de labradores brincalhões que combinam mais com seu jeitão meio atrapalhado, embora se diga que ali habita um cérebro de dálmata (dálmatas têm handicap pouco lisonjeiro no mundo canino).

    Antes que chegasse ao fim a tensa quarta-feira 24 de maio o ministro da Defesa havia descoberto que sua identidade real nesse universo paralelo era a de um pinscher – aqueles cãezinhos que latem como se não houvesse amanhã e exibem um porte de gigantes. Todo pinscher nasce se crendo um dobermann. Ameaçam como dobermanns. Ladram como tal. Até estufam o peito – aliás, outro gesto típico de Jungmann. Quando se descobrem pinscher de fato, desinflam.

    Michel Temer, que exibiu vontade de ser contemporâneo no diálogo com Joesley Batista no subsolo do Palácio do Jaburu ao falar que o presidiário Eduardo Cunha queria “trotá-lo” ao fazer-lhe mais de 40 perguntas via Sérgio Moro, transportou-se para o mundo dos trolls. E trolls são criaturas imaginárias do folclore escandinavo que fazem travessuras às escondidas e se transformam em pedras quando expostos à luz do sol. Mesmo errando a expressão – trocando “trollar” por “trotar” – compreendeu-se o que quis dizer Temer a seu ex-amigo Joesley. Reza a lenda que os trolls não têm mais do que 45 centímetros. Nada mais natural, portanto, que para eles os pinschers miniatura se assemelhem a dobermanns. Só o são no mundo imaginário de quem já se foi, mas ainda não evaporou””.

  6. Por enquanto, o melhor nome é Tasso Jereissati. Tem experiência no executivo e no legislativo, e não está citado nas delações.
    Segundo o Governador do Ceará, Camilo Santana do PT, adversário do tucano, o Tasso Jereissati é um excelente nome para o Brasil.
    Ah, o vice, caso seja mesmo obrigatório, por segurança, vão tentar o Papa Francisco!

  7. Meu caro Kotscho: se o oficial ao qual você se refere é o Capitão Willian Pina Botelho, o “Balta”, saiba que ele foi promovido a Major. Segundo o Portal G1, a promoção do Capitão a Major foi publicada no Diário Oficial da União em 22 de dezembro de 2016.
    Um abraço.

  8. Se alguém acha que a nossa extrema direita capitaneadas pelo PSDB e seguidas fielmente pelo DEM e PPS, abandonou a chance de chegarem ao Poder pela porta dos fundos, estamos redondamente enganados, até o Serra se lançará principalmente depois que o Aécio finalmente foi indiciado, o Alkimin amarelou, no FHC ninguém confia é só desviu de foco, o Dória não ganharia nem do Bolsonaro.
    Mas vão aparecer outros nomes pouco esperados, o Ronaldo Cagado, o Crivela, o Romário, o Rossi, o Tiririca, a Regina Duarte, o Huk.

  9. A Folha de Frias Filho não honrou a memória do patriarca Frias. O editorial de 28 de maio faz vergonha àqueles que levaram Ulysses a dizer que a Folha era o “Porta-voz das Diretas Já”. Certamente porque não há um repórter na redação da Folha em 2017, à altura do repórter Roberto Kotscho em 1983 para inspirar o jornalão a revisitar o editorial de 3 de novembro de 1983 e resgatá-lo para fazer valer a regra basilar da democracia: o voto popular. A Folha de Frias Filho não está à altura dos nossos dias. O ‘velho Frias’ deve estar envergonhado do primogênito tanto quanto Tancredo Neves do neto.

    1. Caro Netho,
      concordo com o que você escreveu sobre o “velho Frias”, mas o nome correto do repórter citado é Ricardo Kotscho, que por acaso sou eu.
      Abraços,
      Ricardo Kotscho

    2. Claro que era você! Quem mais poderia sê-lo?Aliás, até o mundo mineral sabe (como Diria Mino Carta), que foi Ricardo Kotscho, o repórter da Folha, que em três laudas apresentara a pauta que deu o mote inspirador ao ‘Velho Frias’. A credibilidade da Folha disparou entre a população. Certamente, o repórter Ricardo Kotscho está inscrito de forma indelével na história do jornalismo, do melhor jornalismo, comprometido com as causas mais justas do país, sobretudo da democracia legítimada. Perdoe o meu lapso, que se tem tornado mais frequente do que eu desejaria, nos umbrais dos meus quase setenta anos. Colho do instante para registrar que se dependesse de Boris Casoy, então chefe de redação da Folha àquela época, o editorial histórico não teria sido o ‘Diretas agora’. Casoy era contrário à sugestão de Ricardo Kotscho. Felizmente, o coração do Velho Frias foi tocado bem fundo pela sensibilidade política de Ricardo Kotscho, que farejava acertadamente o que andava nos becos e por todas as bocas. Quem conhece e lembra-se da história daqueles dias, jamais poderia deixar de registrar a importância de Ricardo Kotscho, na hora azada, para abrir as portas do jornalismo às águas de março de 1983. Obrigado, Ricardo Kotscho”.

      1. Caro Netho,
        não liga, não, isso acontece nas melhores famílias.
        Achei engraçado porque tem um maluco em Porangaba que até hoje só me chama de Roberto Kotscho.
        Eu também estou chegando perto dos 70, e os meus lapsos estão ficando igualmente cada vez mais frequentes.
        Faz parte do ciclo da vida.
        Mais importante que ter boa memória, é ter histórias pra contar, e esta das Diretas Já de 1984 me dá muito orgulho.
        Era um tempo de esperança.
        Abraços,
        Ricardo Kotscho

  10. Nao adianta os golpistas fazerem conchavos, o cadaver ja esta podre na sala. Se querem paz, deixem o POVO participar, fora isso, o confronto só faz aumentar.

  11. Tudo indica que o Temer balança mais não cai. Está sendo preparado uma grande pizza em Brasília pelos seus aliados corruptos, então ele deverá come-lá até o final de 2018. Em qualquer País onde a democracia funciona de fato e é séria, um sujeito desse já estava preso e fora do poder.

  12. Caro Kotscho, como um jornalista experiente e com penetração em meios palacianos deverias levar a melhor saída para o governo Temer, o exílio!
    Ainda é tempo, Temer arruma um país que não tenha tratado de extradição com o Brasil, pega um avião e quando este sair do espaço aéreo brasileiro ele renuncia. Pelo menos se elimina mais um fator na grande confusão brasileira e ele não terá que curtir alguns anos preso, que na sua idade com uma mulher jovem fora será uma desgraça!

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