Saques de Renan põem bancos na roda da Lava Jato

Saques de Renan põem bancos na roda da Lava Jato

O senador Renan Calheiros

“Muitos crimes poderiam ter sido evitados se os bancos tivessem agido corretamente, feito o trabalho corretamente. E a gente percebeu isso tanto no Brasil como no exterior” (Orlando Martello, procurador regional da República, membro da força tarefa da Lava Jato, ao avaliar os trabalhos da operação no final de 2016).

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As delações já vazadas dos executivos da Petrobras mostram como milhões de reais em dinheiro vivo circulavam diariamente pelo país, sem que ninguém se desse conta, pelo menos publicamente, ao longo dos três anos de investigações da Lava Jato.

O ex-diretor da empreiteira Hilberto Mascarenhas, chefe do setor de propinas, contou que fazia os pagamentos aos partidos e políticos em pacotes de R$ 500 mil, que era o que cabia nas suas mochilas.

De onde vinha e por onde passava esse dinheiro antes de chegar aos corruptos? Por mais poderosa e onipresente que fosse a Odebrecht, não consta que a empresa fabricasse cédulas de reais.

Estas montanhas de dinheiro passavam, necessariamente, por algum banco, na entrada ou na saída.

No começo do ano passado, a Receita Federal baixou a instrução normativa 1.571, determinando aos bancos que toda movimentação financeira mensal acima de R$ 2 mil feita por pessoas físicas e de R$ 6 mil, no caso de empresas, deveria ser comunicada ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf.

Pois só nesta segunda-feira, com a divulgação dos comprovantes de saques em dinheiro vivo feitos no Banco do Brasil pelo senador Renan Calheiros (PMDB-AL), ficamos sabendo dos resultados práticos desta medida, e os bancos entraram finalmente na roda da Lava Jato.

Com base em dados do Coaf que constam de uma planilha do Ministério Público Federal, Renan sacou R$ 100 mil em grana viva numa agência do banco em Brasília no dia 27 de dezembro de 2012 e, outros R$ 200 mil, no dia 30 de dezembro de 2014, na agência de Maceió.

Segundo a Procuradoria Geral da República, o dinheiro pode ser resultado de pagamento de propina da Lava Jato, no total de R$ 800 mil,  para beneficiar a empreiteira Serverg-Civilsan em contratos com a Petrobras.

Por que só ficamos sabendo disso agora? Quantos outros casos iguais não aconteceram durante este período, envolvendo outros políticos e empresas, sem que aparecessem os nomes dos bancos na história?

Ao depor na CPI da Petrobras, no ano passado, o presidente do Coaf, Antonio Gustavo Rodrigues, informou que o órgão já tinha investigado “movimentações atípicas” no valor de R$ 51,9 bilhões. Desse total, R$ 1,381 bilhão foi de dinheiro em espécie, ou seja, grana viva.

De onde veio e onde foi parar esta montanha de dinheiro?

Rodrigues disse também que o Coaf já tinha identificado ocorrências ilícitas que resultaram em 276 relatórios entregues aos investigadores da Lava Jato sobre as movimentações financeiras de 27.579 pessoas físicas e jurídicas.

Os saques de Renan são um grão de areia nesta praia sem fim de propinas, mas serviram para chamar a atenção para o papel do sistema financeiro nestas operações, como advertiu o procurador regional Orlando Martello.

Para ele, a Lava Jato este ano deve ter um foco maior em instituições financeiras, que poderiam ter evitado muitos crimes, referindo-se à lavagem de dinheiro. “Nós percebemos que há muitas falhas nos bancos”, disse Martello, ao apresentar seu balanço em dezembro de 2016.

Renan, claro, negou tudo. “Minhas contas são auditadas pela Receita desde 2007 e nunca foi encontrada qualquer irregularidade simplesmente porque não há nenhum centavo em minhas contas que não tenha origem lícita”.

É o que todos dizem, mas os bancos não poderiam ter uma forma mais eficaz de controle das contas de seus clientes, informando imediatamente o Coaf, como determina a Receita Federal, sobre transações suspeitas de ilicitudes?

Ninguém desconfiou das transações bilionárias da Odebrechet e suas mochilas de propinas durante todo este tempo?

E vamos que vamos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

10 thoughts on “Saques de Renan põem bancos na roda da Lava Jato

  1. Essa lava-jato é pra sujar o Lula. O impeachment foi pra sujar o Lula. A traição do Vice foi pra sujar o Lula. O golpe, ainda em curso, é pra sujar o Lula. A prisão coercitiva foi pra sujar o Lula. A “republiqueta desfederativa” do Brasil é pra sujar o Lula. Vazamento foi pra sujar o Lula. A pauta da grande mídia é pra sujar o Lula. Inocentes úteis patos amarelos são usados para sujar o Lula. Huuummm… Acho que um povo limpinho vai comparecer às urnas em 2018 ! Quem tem a ficha mais suja do país é o banqueiro que cobra criminosos 459% de “juros sujos” anuais. Banqueiro paga quase nada de imposto de renda. Mas, os patos inocentes não sabem fazer essa leitura. Fácil é dar as mãos ao Moro e sujar o líder operário! Líder que o povo limpo fez substituir um dos maiores intelectuais de nossas “incontadas memórias”. Pra não melar tudo… com o povão, é melhor… jogar limpo!

    1. Nós treze anos do governo de lula Dilma os bancos e as empreiteiras foram a farra. Justamente no governo operário. A mas o lula não sabia de nada só papai Noel existe.

    2. Lula não soube de nenhuma casa que ficou sem a visita de Papai Noel. No tempo de Lula, as renas e bom velhinho estavam empregados. Papai Noel quase morreu de trabalhar, 36 milhões de irmãozinhos saíram da miséria, compravam presentes e o velhinho entregava tudo. Essa é a dificuldade de FHC, o Senhor Excelência, por excelência, ao se ver batido por um operário, e hoje, empoderado apenas de memórias, tenta reescrevê-las fugindo à leitura comparativa com a gestão social operária que o sucedeu. Quanto aos Bancos, desde que o BB, agência inicial de D.João VI, ganhou concorrente, estes “beneméritos cidadãos da burra” pública e particular elitista, sempre respeitando seu coloquial e figurado vernáculo: “foram à farra”. O intelectual e o operário tiveram os mesmos 8 anos para enfrentarem essa perversa ditadura das burras inimigas das dietas dos juros. Por isso, essas burras da ditadura econômica, engordam hoje, como o fizeram ontem, 459% ao ano. FHC tentou enfrentar esses poderosos, mas seu Ministro Sérgio, quase desfalecido diante da derrota iminente, ao olhar para o próprio umbigo, saiu-se com a frase que, certamente, estará nas memórias do chefe: “ninguém aguenta essa masturbação social”. Lula, por sua vez, combateu o desemprego e dedicou-se ao social, levando milhões à boca do caixa eletrônico. Com Lula-Dilma, os juros do cheque especial da Caixa e do BB caíram para 4,6% ao mês. Hoje, cobram 14%. Com o operário, ganharam o Bancos, os trabalhadores e Papai Noel quase morreu de trabalhar. Infelizmente, hoje, o bom velhinho está quase desempregado. Os banqueiros continuam se locupletando! Abraços, caro Mário. Foi uma honra.

  2. Eis a manchete de matéria da BBC, “Conselheiro informal do governo Temer, Citibank promove privatizações brasileiras nos EUA”, acho que explica muita coisa.

  3. Alguém arrisca dizer até quando,envolvendo quantos e onde vai chegar esta CORRUPÇÃO VIGENTE no Brasil().É situação não apenas para uma reforma geral e sim uma REVOLUÇÃO GERAL E IRRESTRITA!.

  4. Concordo totalmente. Não tereia como operar toda essa montanha de dinheiro sem um sistema financeiro conivente e beneficiado. Não dá para esquecer que com crise ou sem crise bancos sempre contabilizam lucros altíssimos.

  5. Apenas para esclarecer o ‘factóide fiscal’ como cortina de fumaça para os bois voadores, na verdade, boiadas voadoras, que planam faz tempo do Oiapoque ao Chui. A CPMF, durante sua vigência, facultava o rastreamento e monitoramento. Ao ser liquidada em dezembro de 2007, não em fevereiro de 2008, em seu lugar foi introduzida a Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof), que impunha os bancos declararem ao fisco as movimentações de cinco mil reais, por semestre, para pessoas físicas e de dez mil reais às jurídicas. Nada de novo no front, exceto a mesmice, a repetição e o nada. Afinal, por onde passa uma boiada levianamente repatriada, um Renan também passa, fácil.

  6. Lembra Mestre, Ulysses dizendo que em Brasília o mais bobo conserta relógio com luvas de boxe.
    O PRATO: Crime de Abuso de Autoridade à moda maçônica, com ervas especiais e na manteiga. INGREDIENTES: Segundo a UOL, o PGR, Rodrigo Janot, se reuniu nessa terça com os presidentes do senado e da câmara, para debater o projeto que trata do crime de abuso de autoridade e apresentou um anteprojeto com sugestões para o texto em discussão no Congresso. PONTO DE COCÇÃO: O principal ponto tratado com as lideranças é que as punições a juízes e promotores por sua interpretação e aplicação da lei nos processos não conste do projeto. TEMPERO: O projeto em questão é de autoria e defendido pelo senador Renan Calheiros. SOBREMESA: Bem-casados à moda é dando que se recebe, com cravo e canela.

  7. Sou aposentado, recebendo do INSS e de um Fundo de Pensão. Diferentemente do Renan, todos os anos, mesmo com uma aposentadoria que não chega aos pés dos salários dos Senadores, caio na malha fina do Imposto de Renda. O leão do Imposto de Renda somente é bravo com uma certa parcela da população. Por que será? Será que os políticos tem a “Carne Fraca”, por isso o leão não dá nem pelota?

  8. Prezado Jornalista,

    Desde 2001 sob a gestão de Armínio Fraga, o BACEN, possui moderno sistema de computadores que controla a Base Monetária, Velocidade de Circulação da Moeda e liquidez do sistema financeiro, em tempo real.

    Os Bancos, seguradores, financeiras e outras estão obrigados a enviar para o BACEN informações sobre todos os cheques pagos e compensados, débitos em conta e cartão de crédito (dinheiro eletrônico ou Moeda escritural). Cheques de valor igual ou superior que sejam sacados no Caixa são informados ao BACEN que por sua vez informa a COAF do MINIFAZ.

    Ficou sem explicação a insolvência do Banco Santos quando o então senador Sarney amigo do sócio controlador. Sarney sacou 24 horas antes R$ 2 milhões e 159 mil reais http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,supremo-analisa-se-sarney-foi-beneficiado-no-caso-do-banco-santos,1170741

    ‘Amigos íntimos’. Na época, os procuradores ressaltaram que havia uma relação estreita de amizade entre o senador e o então controlador do Banco Santos, Edemar Cid Ferreira. Segundo os integrantes do Ministério Público Federal, existia uma “proximidade de Sarney com Edemar” porque os dois seriam “amigos íntimos há mais de três décadas”.

    Como se explica então que as empreiteiras e outras grandes pagadoras de propina movimentem milhões em dinheiro vivo e bilhões em transferências inclusive para o exterior sem que o BACEn tomasse conhecimento?

    Está tudo contaminado e podre.

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