A guerra que não aconteceu no último debate

A guerra que não aconteceu no último debate

Eduardo Enomoto/R7

Como a lendária Batalha de Itararé dos anos 1930, o último debate da campanha eleitoral em São Paulo, quinta-feira à noite, na TV Globo, foi a guerra anunciada que não aconteceu.

Os candidatos que disputam a segunda vaga deram de barato que João Dória, do PSDB, na liderança em todas as pesquisas, já está no segundo turno. Como o tucano foi poupado, e ninguém quis correr muito risco, sobrou para a administração do petista Fernando Haddad, que mesmo entrando no debate em quarto lugar, longe dos líderes, foi o alvo principal dos ataques dos concorrentes.

As regras rígidas e o formato do debate facilitaram a formação de “tabelinhas”, em que um levantava a bola para o outro, como aconteceu quatro vezes com Doria e Marta, do PMDB.

Se era a última chance de provocar uma reviravolta nas pesquisas, a oportunidade foi perdida. Foi um debate bem comportado, mas ao final ficou a impressão de que não mudará votos, o que beneficia Celso Russomanno, do PRB, que liderou a maior parte do primeiro turno e agora aparece em segundo lugar nas pesquisas, seis à frente de Marta, do PMDB.

Mais afirmativo e contundente do que nos debates anteriores, Russomanno parece ter assegurado a ida com Doria para a disputa final em outubro.

Seria a primeira vez, desde a redemocratização, que dois candidatos de centro-direita disputarão o cargo de prefeito paulistano, com o PT alijado da disputa, confirmando a derrocada do partido em todo o país.

Com todos os candidatos trajando roupas de tom escuro e camisas ou blusas brancas, como se tivessem combinado, o que mais se ouviu no debate foram as expressões “você tem toda razão”, “eu concordo com você”, “com todo respeito”. Mais cordatos, nem pareciam os beligerantes adversários dos debates anteriores.

O primeiro embate direto pela segunda vaga só aconteceria no terceiro bloco, entre Marta e Haddad, quando tratavam de inspeção veicular. A ex-prefeita aproveitou para enumerar tudo o que, segundo ela, o prefeito prometeu e não fez. Na réplica, Haddad, que passou a maior parte do tempo na defensiva, listou as suas obras e atacou o ex-prefeito Gilberto Kassab, que apoia Marta.

Falando sobre o que “vai fazer” na prefeitura, com a tranquilidade de quem já se sente eleito, Doria só foi confrontado, em várias ocasiões, por Luiza Erundina, do PSOL, que atuou como franco-atiradora, o mesmo papel desempenhado por Major Olímpio, do Solidariedade.

Entre mortos e feridos, todos saíram desta guerra que não houve do mesmo tamanho que entraram.

Vida que segue.

 

 

11 thoughts on “A guerra que não aconteceu no último debate

  1. Ricardo, lendo seu post, mais precisamente o trecho em que você cita o apoio dado por Kassab a Marta, nesta eleição, lembrei de uma eleição passada, em 2008, também para a escolha de prefeito, quando Marta e Kassab disputavam a mesma vaga. Marta, a pretensa defensora da diversidade de gênero, cometeu a baixaria de sugerir aos eleitores que seu adversário não era casado nem tinha filhos. Mergulhou com gosto no conservadorismo da nossa sociedade para garimpar votos e perdeu. Hoje eles estão do mesmo lado, são aliados. As diferenças ficaram no passado. Muito estranho esse mundo dos políticos. Mas voltando ao seu post, sim, não houve guerra no último debate. Na verdade, praticamente, nem debate houve.

  2. O voto paulistano é o verdadeiro samba do criolo doido. Já elegeram Jânio Quadros, Maluf, Marta, José Chirico Serra, Kassab, Tiririca, Um hipopótamo, etc. Parece que o voto depende de quem está patrocinando o candidato. Desta vez é o governador que colocou a máquina estatal para o riquinho faturar. Aliás, ele já vem saturando muita grana do estado de São Paulo. Sugere um meio a meio.

  3. Sua leitura é bastante precisa, Kotscho. Certamente, a turma dos 30% que declararam na pesquisa que poderiam mudar o voto ou ainda não tinha escolhido nenhum, possa ter se decepcionado com os demais 03 postulantes à segunda vaga. Isso deve favorecer os extremos. Dória e Haddad. Dória pelo voto útil, da aposta no cavalo com pinta de ganhador, e no Haddad, quem aposta no azarão!
    Creio numa disparada do Dória, próximo dos 40%, e os 03 demais brigarão pelos 15%, em disputa acirradíssima!
    Eis minha aposta.. Dória entre 38 a 42%, e o segundo colocado, entre 15 e 18%! (não duvido que este já seja o retrato das pesquisas de amanhã)

    1. Na mosca!
      Como opinei aqui, o Dória convenceu, e rompeu a barreira dos 40%.
      E a briga de foice no escuro, vai ser na casa dos 15%, sendo que os votos de Erundina podem ser útil ao Haddad. Diga-se de passagem, era melhor o PT ficar de fora do segundo turno… pois vai apanhar feio!
      Mas o melhor é ver que no Rio, a Jandira corre o risco de ficar em último lugar após levar a Dilma e o Lula para seu palanque!

    1. Segundo as pesquisas, dentre todas as capitais, o PT, só vai eleger( ou reeleger) o prefeito de Rio Branco/AC. Em nenhuma outra capital o PT, é favorito e na maioria delas o partido está entre quarta e ultima opção do eleitor.

    2. Obrigado Mauro.No estado de SP, que concentra número expressivos de cidades financeiramente importantes,parece que só Araraquara deve ter um prefeito do PT,mesmo assim por ser o ex ministro Edinho Silva,que se assumir possivelmente não termina o mandato. No ABC e Grande SP também fracasso total,inclusive o PT já tem até a justificativa : ¨…mudanças sociais e econômicas nas cidades ajudam a explicar o novo perfil do eleitor da grande São Paulo, onde o Partido dos Trabalhadores surgiu na esteira das greves nos anos 1970 e 1980…¨.Parece que acabou mesmo!

  4. Sinto falta dos debates com Brizola, Mario Covas e Maluf …………hoje esta tudo “engessado” pelos marqueteiros e assessores.
    Ontem, até pelas circunstâncias em que se encontra nas pesquisas, o Dória “surfou tranquilamente no debate, seguro, muito claro nas suas explanações, tem tudo para levar essas eleições, e com um detalhe, se preocupava com o seu tempo, tentando passar respeito as regras do debate…..diferentemente da retrógrada senhora Erundina.

  5. O maior aliado do Doria, “é o fato dele ser desconhecido”. Mas bastou “um mês e pouco, pra ele mostrar quem é”; pois: “ainda na convenção do PSDB que o escolheu para ser o candidato, ele ja fora acusado de comprar apoio; depois veio a questão dos contratos milionarios entre ele e o governo Alckmin (hoje o uol mostrou que o Doria recebeu mais de 10 milhões em contratos com governos do PSDB); semana passada veio a decisão da justiça que o obrigou a devolver um terreno em Campos do Jordão em que ele se apropriou de maneira indevida; ontem apareceram processos de funcionarios contra as empresas dele; e no debate de ontem, ele mostrou toda a sua empáfia ao dizer, traduzindo em miúdos, que “ele é um empresario de sucesso e que a Erundina é uma velha fracassada”. Pois bem então, vamos “tentar descobrir de onde vem tanto sucesso do João Doria”. Bom, o Doria disse que ganhou 180 MILHÕES em 45 anos de trabalho, começando do ZERO. Bem eu não duvido, pois conheço pessoas que ganharam até muito mais do que isso, e até mesmo em menos de 20 anos. No entanto, “São pessoas com dotes artisticos, esportivos ou criativos. O Doria, foi um grande craque de Futebol, um grande cantor, um grande escritor ou um genio que inventou um produto inovador? Reposta: Não. Então ele ganhou esse dinheiro, como empresario no setor de marketing e publicidade. Sim, pois ele é formado em jornalismo e publicidade. Então ele montou empresas com grandes contas de publicidade, como fizeram: Washington Olivetto, Nizan Guanaes e Eduardo Fischer? Reposta: NÃO! Então vamos pras contas: suponhamos que o Doria tenha ganho desde os seus 14 anos, um salario de 30.000,00 em 45 anos, ele teria ganho 17.550,00. Um valor muito abaixo dos 180.000.000,00 que ele declarou a justiça eleitoral. “Vamos lembrar que ele disse que é um grande gestor, e não um grande investidor ou especulador”. Então, apenas gerenciando uma empresa, fica estranho os valores. E ainda, vamos lembrar que são 45 anos de trabalho no Brasil, com plano economicos, inflação e etc.

  6. Nessa altura do “campeonato”, debate nenhum faz alguem mudar votos, principalmente quem precisa mudar milhoes deles.
    Eu já escrevi aqui e vou repetir que o que decidirá essa eleição é o indice de rejeição e o (os) que tiverem menos rejeição serão os favoritos, seja para uma eleição direta, ou para um segundo turno.
    Por todas as conversas que tenho com pessoas de diversas classes sociais, os mais rejeitados são Haddad ( com muita) Marta e Erundina.
    Nada mudará nas ultimas horas que antecedem o pleito e só o que resta é o voto dos ainda indecisos, mas em uma média histórica de todas as eleiçoes desse periodo de democracia no Brasil, rarissimas foram as ocasioes que esses indecisos mudaram os numeros das pesquisas.
    Está claro e nitido que o PT, será o grande perdedor nessa eleição e ja se aponta que deve eleger (entre as capitais) sómente o prefeito de Rio Branco/AC, o que não representa nada em função do que o partido ja comandou.
    É inegavel que todos os problemas a nivel federal repercutiram na cabeça do eleitor, esse que faliu, está endividado ou até desempregado e para o cidadão comum, isso reflete em todas as esferas e dane-se que o prefeito não é o responsável pela situação dele. Não há essa separação.
    Em São Paulo parece estar definido que Dória e Russomano irão a segundo turno e ai seja o que Deus quiser!
    Que todos nós, ao invés de brigar pelo que já passou, exijamos a tal reforma politico-partidária-eleitoral urgentemente e assim teremos o que escolher e como escolher em futuras eleiçoes, pois agora isso é uma tarefa quase impossivel de se fazer com qualidade.

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