Para a Justiça, chacina foi legítima defesa

Para a Justiça, chacina foi legítima defesa

Polícia chega ao Carandiru no dia 2 de outubro, data do massacre

2 de outubro de 1992. Com saraivadas de tiros pelas costas e na cabeça (em média, cinco em cada um), 111 presos foram executados por 74 PMs na chacina do Carandiru, em São Paulo.

Condenados a penas de 48 a 624 anos de prisão, os policiais militares acusados pelas mortes recorreram das sentenças, alegando falta de provas, e nunca chegaram a ficar um único dia na cadeia.

28 de setembro de 2016. A 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo acatou o recurso da defesa e anulou todo o julgamento.

“Não houve massacre, houve legítima defesa”, decretou o relator do processo, desembargador Ivan Sartori, ex-presidente do TJ de São Paulo, embora os presos estivessem desarmados, conforme depoimento do coronel Valter Alves de Mendonça no júri popular, em 2013.

“Nós julgadores não podemos nos influenciar por imprensa, ou por quem se diz dos direitos humanos. A minha consciência está aqui. Sou o julgador. Quem manda na minha consciência sou eu mesmo. Eu sou o juiz”, justificou Sartori.

Ou seja, manda quem pode e obedece quem tem juízo, como diz o velho aforismo tão em voga durante a ditadura militar, que agora voltou à moda, 24 anos depois da maior carnificina registrada na história dos presídios brasileiros. Os incomodados e as famílias das vítimas que se danem.

Ao saber da decisão da Justiça, Débora Maria da Silva, fundadora e coordenadora do movimento Mães de Maio, uma das entidades de direitos humanos que se manifestaram contra a anulação do julgamento, não se conformou:

“Que vergonha. A polícia só mata porque o Judiciário enterra com a canetada. Mata mais do que a polícia que aperta o gatilho. Que lei é essa que não pune quem tira a vida?”

Em nova sessão, sem data marcada, a Justiça deverá decidir por um novo júri, ou simplesmente pela absolvição de todos os réus, e a Promotoria vai recorrer ao Superior Tribunal de Justiça contra a decisão do TJ de São Paulo.

O cabo Wilson Moraes, presidente da Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar do Estado de São Paulo, comemorou:

“É uma boa notícia, pelo menos para nós, que somos policiais, e para estes 74 pais de família que não conseguiam dormir”.

Sente-se no ar um cheiro de brilhantina e laquê dos anos 70 do século passado.

Vida que segue.

24 thoughts on “Para a Justiça, chacina foi legítima defesa

    1. Bom calculo, mas te digo que até nisso os comunistas são mais lentos, pois no Brasil tentaram por 13 anos, emburrecer milhoes, mas só conseguiram emburrecer aqueles que eles compraram com bolsas-tudo, empreguinhos em orgãos públicos e outras benesses tal qual os portugueses faziam com os indios, que se vendiam por quinquilharias, enquanto eles ficavam com os tesouros. Bem PT, isso, né?

  1. A justiça ,que sempre esteve à frente e acima do direito ,finalmente está sendo feita.Intolerável a condenação física de sequer 1(um) defensor da sociedade,mais personalizado impossível que na figura de um policial,em detrimento de qualquer bandido,homicida,condenado, que no lugar de cumprir sua pena estava promovendo a desordem e a insegurança.As consequências sofridas pelos pobres inocentes que habitavam o mesmo ambiente dos marginais durante a necessária ação do estado por intermédio da polícia precisam de amparo pra que cobrem dos remanescentes dos que verdadeiramente provocaram tal tragédia.

  2. Oi Kostcho, passei por aqui para só para agradecer ao seu elogio de ontem, é uma honra para mim recebe lo. Estava sumida sim, porque esse clima de fla x flu estava meio cansativo e sinceramente, não tenho um pingo de paciência para essas pessoas que se acham donas da verdade….que querem impor o seu ponto de vista a ferro e fogo. Então decidi que a melhor coisa que faço é ignorar certos comentarios e deixar essas pessoas falando sozinhas…. Pra falar a verdade, dependendo da pessoa que escreve nem me dou ao trabalho de ler e muito menos de responder. Pra que ficar dando corda pra quem só quer provocar, não é mesmo? Sobre essa questão de legítima defesa, cada um diz aquilo que lhe convém…e sempre teremos apenas uma versão dos fatos, porque quem morreu não pode mais contar a sua….Beijos, seu lindo!

  3. Quando leio seu blog e outras notícias parecida com essa, tenho a sensação que estamos regredindo ao ano de 1963, onde cada atos, em outros países parecem insanos de concordar, aqui passa numa facilidade impressionante, tenho tristeza das próximas gerações.

  4. Esse é o perigo de pessoas que “ao invés de usar a RACIONALIDADE, usam a passionalidade para falar o que as pessoas dizem e querem ouvir num momento de emoção”. Claro que todo mundo sabe que no carandiru, “não tinha nenhum santinho preso”, pelo contrario; mas isso é motivo, para alguém querer se sentir o senhor da vida?” Alguns dizem que os presos estão comendo e bebendo as custas das pessoas de bem. Ok, mas isso, é motivo pra se tirar a vida de alguém; afinal tem gente aí COMENDO UMA COMIDA MUITO MELHOR QUE A DA CADEIA, AS CUSTAS DO ESTADO BRASILEIRO, devido AO DINHEIRO DA MERENDA ESCOLAR QUE ROUBOU? -Por que viver falando em Deus, como fazem estes POLITICOS REPRESENTANTE DE RELIGIÕES, se não observam o que está na biblia que eles carregam embaixo do braço, que diz que todos têm o direito ao perdão 70 vezes 7; ou seja, é precisa NÃO DESISTIR DO SER HUMANO? -Que tal fazermos uma PENA DE MORTE NAS URNAS para politicos, que APOIAM E FAZEM ACORDOS COM O CRIME ORGANIZADO, não dando o voto à eles, afinal, um sujeito desconhecido que diz que não é politico, “mas em menos de um mês a justiça ja o condena a devolver o que ele SE APROPRIOU INDEVIDAMENTE, como qualquer politico corrupto, e prejudicou a sociedade, tal qual um ladrão que ja está preso? -Como querer falar em justiça, se a pessoa é MOVIDA PELO INJUSTIÇA do conceito prévio, o PRECONCEITO? Então vale mais votar, num cara que ja se mostra desonesto antes de assumir um cargo eletivo, do que votar num cara que ja ficou mais de 13 anos, a disposição para o julgamento da sociedade?

    1. Caro Gesiel,
      gosto dos teus comentários, mas te peço para não escrever mais em caixa alta (letras maísculas) em respeito aos outros leitores e às normas do blog.
      Abraços,
      Ricardo Kotscho

  5. Impressão ou desligaram o Brasil do mundo civilizado? Repito a indagação feita em comentário anterior, para ressaltar que, paramos esse zoo-ilógico paleolítico da mediocridade fascista que nos ameaça ou o Brasil poderá entrar na era das trevas, pior que Síria e Ucrânia, somadas, que não tinham a desigualdade campeã que aqui grassa em milagroso estado de repouso. Os ainda sãos, a imensa maioria, devem organizar-se para pressionar instituições e responsáveis enquanto pressionáveis, portanto urgentemente, para detê-los, antes que a barbárie se instale, ampla, geral e irrestrita, e tenhamos ainda que consolar insufladores inconsequentes do caos, também atingidos e arrependidos, a choramingar não saberem que acabaria em tragédia no Brasil real. Mestre, prepare-se para meias brucutus e brucutus por inteiro, com o mesmo fascismo utilizado para acossarem Chico Pinheiro, por expressar o que qualquer cidadão civilizado expressaria em relação a esse absurdo perpetrado pela “justiça paulista”, também, digna e competentemente, expresso por você, como não poderia deixar de ser. Parabéns e orgulhoso faço minhas tuas palavras e a indignação, expressas sobre mais essa barbárie

    1. Lamentável o tipo de argumento utilizado. “Queria ver se fosse um de sua família”. Ora, que argumento mais idiota! Se fosse qualquer um teria que se submeter à lei. Não existe pena de morte na nossa lei. Queria ver se um poliicial executasse um da sua família, como já vimos acontecer até ao vivo e a cores. E sabemos que não só são mortos bandidos mas também pais de família. Nosso povo está perdendo o pouco de sensatez que tinha.

  6. Um ponto de vista um pouco diferente, se me permitem. Eu sou absolutamente favorável à punição rigorosa dos COMANDANTES deste crime hediondo. Agora, punir com 648 anos de prisão, equivalente à prisão perpétua, um soldado raso (que no fundo é um trabalhador pobre ) que foi compelido a cumprir uma ordem absurda de invadir um presídio atirando no meio de uma rebelião, aí eu não tenho certeza. Mesmo em casos de crimes de guerra escabrosos, quem é julgado e punido é o comandante, não os soldados, que ainda que sejam responsabilizados, são punidos de forma menos rigorosa. Eu concordo, evidentemente, que deve haver punição, mas tenho imensas dúvidas se punir os soldados subalternos é uma atitude correta. É só um ponto de vista, evidentemente.

    1. Caro Paulo,
      teu ponto de vista é absolutamente correto. Em nenhum momento, nestes 24 anos do processo do Carandiru, ficamos sabendo quem deu a ordem dentro do governo do Estado para que fosse cometida esta barbárie. Não se tratou disso em nenhum dos julgamentos nem na decisão de ontem do Tribunal de Justiça de São Paulo. Te agradeço pela observação.
      Abraços,
      Ricardo Kotscho

    2. Perfeito raciocinio e lógica!
      No dia em que quem comandou for julgado e condenado, que se determine qual soldado matou qual e qual detento e ai se julgue separadamente cada um.
      É um crime tão horrivel quanto as 111 mortes, condenar todos por todas as mortes, pois é generalizar um ato que pode até não ter sido cometido por um ou outro militar que entrou no presidio.
      Não haviam santos e nem freiras carmelitas enclausuradas no presidio, assim como não há na PM, mas se alguem deseja justiça, que ela seja feita de forma correta, imparcial e unitária e se isso não for possivel, ( in dubio, pro reu) que não se condene ninguem e que sirva de lição para que nunca mais se faça algo igual.

    3. Penso que a questao da situacao econômica do soldado nao deva ser levada em consideracao. Soldado pobre mata e recebe uma pena menor e soldado “rico” mata e recebe uma pena maior..essa é a conclusao do seu texto. Agora, evidentemente que a pena deva ser aplicada a ambos, o comandante e o comandado (observada a influência da hierarquia no tamanho da pena). O comandado sempre terá o livre arbítrio de atirar ou nao.

    4. Ainda bem que exite um sistema jurídico mobiliado por pessoas que se submeteram a duras provações para o ingresso e maiores ainda para ascensão na carreira até o posto de desembargador, quando esses sim possuem a autoridade e responsabilidade de decidir e nunca achar isso ou aquilo.A opinião de quem nunca sequer ingressou em um presídio pacificado,sentiu o cheiro característico de todos ,que exalam odor semelhante às jaulas de animais de grande porte,vir aqui e achar que deve suprimir a liberdade de outro ser humano,comandante ou comandado,porque cumpriu sua missão de proteger a sociedade ,não passa de total falta de noção de sua falta de importância neste tipo de assunto.

  7. Nunca pensei que fosse ver comentários do tipo “Tá com pena? Leva pra casa!” ou “Bandido bom é bandido morto” no Balaio do Kotscho. Mudou seu público, meu caro Ricardo, e infelizmente não posso dizer que foi para melhor.

  8. Nós precisamos tomar cuidado com dois extremos…”bandido bom é bandido morto”…..”polícia militar só serve para matar”……….Esse é um caso difícil de julgar, de um lado temos uma “chacina” com 111 mortos que precisa de respostas e do outro 73 policiais que foram expostos a um ambiente totalmente hostil, as escuras, sem saber que encontrariam pela frente e com alto risco de exposição suas vida…………..Pode ter tido abuso desses policiais? PODE……… alguns policiais podem ter sido acometidos pelo medo extremo que os levou essa reação de matar? PODE………. pode ter ocorrido um mal comando? PODE……..Agora esse problema dramático nos presídios pelo Brasil persistem (superlotação, tratamento desumano………) e a União e os Estados pouco fazem…NÃO PODEMOS NOS ESQUECER DISSO, temos que cobrar.

  9. Aquela ”invasão” não foi um ato isolado. Foram homens devidamente ”comandados”, ordens que vieram de cima para baixo, talvez até dadas por pessoas que não tinham experiência de ação in-loco, até de políticos querendo aparecer naquele momento. Não tinham sequer noção do que poderia acontecer no confronto violento entre policiais e detentos. Expuseram até os policiais à graves riscos, a obediência cega foi posta em prática, sem o mínimo cuidado. Fato é, que o resultado foi o que todos viram, nem vale a pena descrever. O tempo passou, e agora? PROCURA-SE CULPADOS. O único que segurou o rojão foi Ubiratan Guimarães que teve uma morte trágica (problema particular) e nada mais pode esclarecer. Um quebra-cabeças cujas peças já se desfizeram. Fica na história mais um vexame sócio-policial.

  10. Olha, não estou defendendo ninguém, mesmo porque a historia completa ninguém conhece, só quem estava lá e quem era do Governo, mas a muitos atrás conversando com um ex-policial, que aliás largou a policia pelo stress desse dia me disse o seguinte: Ele estava em patrulhamento pela região do Carandiru e quando estourou a rebelião ele foi dos primeiros a entrar e quando ele entrou em um pavilhão, vieram dezenas de presos correndo em sua direção gritando que iam pega-lo, ele saiu correndo que nem um louco e na correria cruzou a tropa de choque em sentindo contrario indo pra cima dos presos, ele disse que não viu o que aconteceu, mas sabe que ali no confronto já morreu muita gente e disse tb, que qualquer policial que entrasse ali ia usar tudo o que tinha, porque o clima era de terror, acho que tem que se levar tudo em conta, não só esse numero isolado de 111, aliás, muitos dizem que menos de 300 não foram e naquela época não difícil imaginar que o governo tenha mentido e omito fatos, mas o bicho feio demais lá

  11. O massacre de agentes do Estado,quem detinha a responsabilidade sobre aqueles presos-Os executaram,de acordo com as melhores notícias sobre o fato!.

  12. Ricardo, não dá prá ficar achando que bandido é coitadinho, coitados somos nós, que estamos fora das grades….. Lá não tem nenhum santo…. Essa coisa de direitos humanos prá bandido já encheu….

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *