É muita grana para propina e pouca contra violência

É muita grana para propina e pouca contra violência

As duas notícias estão no alto da home do R7, no começo da manhã desta segunda-feira fria e cinzenta, o primeiro dia do inverno brasileiro:

“Disque denúncia oferece R$ 3.000 por pistas que levem a traficante resgatado de hospital _ Fat Family comanda o tráfico em localidade do Morro do Santo Amaro, no Catete”.

“Odebrecht comprou banco para pagar propina, diz delator _ Transferências suspeitas das contas associadas somam pelo menos US$ 132 milhões (R$ 451 milhões)”.

A brutal diferença entre a grana destinada pelo andar de cima para a corrupção e a do poder público para combater a violência no andar de baixo, as duas grandes pragas nacionais, sintetiza de forma dramática os tempos que estamos vivendo neste Brasil de 2016, um campeonato de horrores. É uma luta desigual.

Com a corrupção e a violência crescendo em progressão geométrica, estamos nas mãos de delatores da Lava Jato e do Portal dos Procurados do Disque Denúncia.

Vinicius Veiga Borin, um dos executivos apontados como operadores de offshores do chamado Departamento de Operações Estruturadas, o nome oficial do “departamento de propina” da Odebrecht, começou a entregar o ouro da empreiteira, que promete revelar nos próximos dias para quais políticos destinou a fortuna guardada no Meinl Bank, de Viena, em Antígua, um paraíso fiscal do Caribe, segundo o noticiário da agência Estadão.

Mais difícil vai ser encontrar quem se disponha a revelar, por menos de três salários mínimos, o paradeiro do traficante Nicolas Labre Pereira de Jesus, o Fat Family, que foi resgatado domingo, por um bando de 25 comparsas armados até os dentes, do Hospital Municipal Souza Aguiar, no centro do Rio, onde estava internado.

O anonimato é garantido, segundo o Disque Denúncia da polícia carioca, mas quem vai ter coragem de correr o risco e ligar para o (21) 2253-1177 para entregar Fat Family por tão pouco?

Seria bem menos arriscado buscar o patrocínio de alguma empreiteira, que ainda não esteja na mira da Lava Jato, e se candidatar a qualquer coisa nas próximas eleições.

E vamos que vamos.

 

 

 

 

 

 

 

 

7 thoughts on “É muita grana para propina e pouca contra violência

  1. Muitos dizem;”A corrupção vem de longa data no Brasil…”Como se fosse necessária e importante para o “desenvolvimento” do país!!!!!!.Idéia de país SUBDESENVOLVIDO!.O nde a corrupção impera,impera a violência, a injustiça e a desgraça!.

  2. Essa é a realidade brasileira. Povo que não sabe votar, tem os governantes e legisladores que merece e arca com esse tipo de consequência. Duvido que haja algum tipo de preocupação de vossas excelências com esses fatos “isolados”. Estão mais preocupados em lutar pra ver quem vai ficar com as chaves dos cofres públicos. E para o Judiciário, que também não é de ferro, sempre sobra algumas boquinhas pra “mamar”. Bem feito para esse povo frouxo. Seu post é preciso e real.

  3. Caro kotscho, somos talvez os medalhistas número um no quesito das quadrilhas, não nas juninas como deveria ser mas, na bandidagem, praticadas nas favelas ou no congresso nacional. Infelizmente essa é a realidade.
    Kotscho, gostaria se possível que você comentasse o por que das dívidas dos estados. Como o estado mais rico do país São Paulo é o maior devedor e como o estado mais pobre o Piauí nada deve a federação.

    1. Caro Gilberto,
      confesso que não sei te responder a esta pergunta.
      Acho que nem os próprios governadores podem te dar esta resposta.
      Só sei que alguma coisa está muito errada.
      Como sabemos, os mais pobres, como o Piauí, costumam pagar as suas dívidas.
      E, talvez, São Paulo seja o estado mais rico exatamente por não ter o costume de pagá-las, como é comum no nosso país.
      Abraços,
      Ricardo Kotscho

  4. As leis brasileiras Sr. Kotscho, são por demais frouxas e ,nesses tempos, estamos sob a égide de uma filosofia Gramsciana ,a qual, como é sabido, prega a desmoralização das sociedades tradicionais conservadoras e seus valores ,tais como o Cristianismo e todas as formas de religiões, o ensino público e a moral burguesa.A moral burguesa é atacada através da excessiva liberdade sexual, a qual, no médio prazo, se transforma em libertinagem e numa sociedade animalizada, No caso do Hospital, se os PMs estivessem com fuzis (que não pode naquele local) e reagissem ao ataque, haveria um banho de sangue, e mais vítimas fatais seriam feitas e, nesse caso, novamente, os nossos filósofos e pensadores iam demonizar a polícia e, pobre dos policiais envolvidos, sequer têm o direito sagrado da presunção da inocência e do direito à legítima defesa.O Sr. já observou que policiais são punidos na hora, no ato e sem defesa? Quando há uma ocorrência que envolva menores, aí então é certo; qualquer que seja a ação do policial que não seja se deixar matar, é expulsão e prisão na certa. o Brasil, aliás, acaba de ser agraciado com o 4º lugar em violência no mundo. Foram 60 mil homicídios em 2014, o que resulta numa taxa de 30 eventos por grupo de 100 mil habitantes. E, sabe qual a taxa dos EUA; 3.8/100 mil. E no principado de Mônaco, imagine Sr.Kotsho, é ZERO.

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