Em apenas 11 dias, a primeira crise

Em apenas 11 dias, a primeira crise

Romero Jucá e Michel Temer no gabinete de Renan Calheiros, antes do afastamento de Jucá do Ministério, nesta segunda-feira (Agência Estado)

Bem antes do que se poderia imaginar, o governo interino de Michel Temer enfrenta a primeira grande crise. Com apenas 11 dias no cargo, viu sua casa em São Paulo cercada por manifestantes e pela polícia no final de semana, teve que voltar mais cedo para Brasília e amanheceu na segunda-feira com o ministro do Planejamento, Romero Jucá, um dos seus homens de confiança, flagrado numa gravação em que fala de “estancar a sangria” provocada pela Operação Lava Jato (ver post anterior).

À tarde, em sua primeira visita ao Senado para entregar pessoalmente as medidas do ajuste fiscal anunciado na semana passada, ainda sem saber o que fazer com Jucá, Temer foi cercado por um batalhão de jornalistas, perguntando sobre o destino do ministro, e por manifestantes, que protestavam aos gritos de “golpista”. Chegou e saiu rapidamente cercado por seguranças em meio a um grande tumulto nos corredores do Congresso.

Após rápida conversa com Renan Calheiros no gabinete do presidente do Senado, ao lado de Romero Jucá, com quem passou algum tempo cochichando, o presidente interino foi surpreendido pelo pedido de licença anunciado pelo ministro do Planejamento assim que retornou ao Palácio do Planalto. Jucá disse que se afastaria do governo “até que o Ministério Público se manifeste sobre a divulgação da gravação” da sua conversa com Sérgio Machado, ex-senador e ex-presidente da Transpetro.

Ministros próximos ao presidente se apressaram em adiantar que Jucá não volta mais ao governo, que o afastamento será definitivo. Temer chegou a sondar Eliseu Padilha e Moreira Franco, também do chamado núcleo duro do Planalto, para assumir o lugar do ministro do Planejamento, mas eles não aceitaram. Até o momento em que escrevo, no final da tarde, o presidente interino ainda não havia falado com a imprensa nem anunciado o substituto.

Depois de idas, vindas e recuos na formação do ministério e no anúncio de planos de governo, já no começo da segunda semana após a posse a administração Michel Temer agrava o quadro de instabilidade política no País, e o mercado financeiro, ao invés de reagir, como era esperado pelos analistas, mostrou nova queda.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

6 thoughts on “Em apenas 11 dias, a primeira crise

  1. E os artistas caíram como “patos’.
    O Interino, orquestrou a extinção do Minc, como primeiro ato.
    Daí, os artistas, vieram com tudo.
    Para ficar na boa com os artistas, em ato seguinte, o Interino ressuscitou o Minc.
    Com isso, os artistas se sentiram vitoriosos; e de boa com o Interino.
    E com essa “vitória”, os artistas dão uma maneirada …em relação ao Golpe.

  2. Hoje a tarde no portal UOL foi noticiado que os “manifestantes” que gritavam “golpista” ao Temer lá no Congresso eram os senadores e deputados do PT com seu respectivo pessoal de gabinete. Não duvido. Quanto a primeira crise meu caro Kotscho, não sei se a classificação é correta. O atual governo vive eternamente em crise, seja com a presidente afastada ou com o interino. Mas, sem sombra de dúvidas quem nos trouxe a esse estado de crise permanente foi esse projeto de poder que apela pra qualquer expediente pra tentar esticar ao máximo sua permanência no poder além, é claro, do Lula que apoiou uma incompetente obcecada e arrogante para a presidência da república. Se o Meirelles e sua equipe fizerem alguns milagres de curto prazo e a economia responder, a crise ameniza pois se, pelo menos, o desemprego e a inflação pararem de crescer já será um grande alívio. Mais emoções a vista. Qual será a próxima novidade da Lava Jato???

  3. Que situação. Por isso, discordei de um post que sustentou que após a tomada do poder por Temer era hora do país virar a página, e tocar a vida adiante. Com um bando desses, ninguém vira a página.

  4. Enquanto isso, o país continua à deriva, sem nada no horizonte. E como o Kotscho sempre enfatizou: não há nenhuma liderança para nos tirar dessa situação, já que todos estão no radar da Lava Jato como alvos em potencial. Só resta uma pergunta: como será o dia de amanhã?

  5. Essa não é a primeira crise, é a parte da crise que tiraram uma incompetente para colocar um golpista com algumas outras características inomináveis, tal como seus novos e verdadeiros pares. Essa crise só acabará daqui uns 20 anos quando essa geração de traidores morrerem, e só assim se não deixarem legado de filhotes mais nefastos ainda. Não me refiro só aos políticos, muito pelo contrário, por último estes – eis que sempre foram a escória da moralidade mesmo.

  6. O TSE no momento é o maior responsável pelo prosseguimento da crise política e econômica, que resvala para uma crise institucional, dado o envolvimento, em conversas gravadas, sem exceção, de menção dos ministros do STF em conciliábulos. A única resposta do STF aceitável acaba sendo endurecer o jogo. Mas a questão central é a legitimidade que Temer não dispõe, embora a solução técnica seja constitucional, sim. Não há a menor possibilidade de que o impedimento presidencial seja desfeito; portanto Dilma, como ela mesmo disse, já é carta fora do baralho. Contudo, a primeira crise, na verdade não é a primeira, mas mais uma dentre as muitas que envolvem o “Governo Dilma/Temer”; porque é disto que se trata. Não se dissocia o que foi misturado desde o início. Assim sendo, a decisão que responderia aos valores supostamente republicanos e à indispensável legitimidade política para conferir exequibilidade à governança, necessariamente passa pela cassação da chapa Dilma/Temer e a consequente convocação de novas eleições. Cabe ao TSE cumprir o seu papel, até agora decorativo na crise originária da Operação Lava Jato. Afinal, não existiria Lava Jato sem financiamento criminoso das eleições presidenciais. O resto é remendar um colcha fura com retalhos rotos.

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