Temer já repete FHC, Lula e Dilma, e tem outro jeito?

Temer já repete FHC, Lula e Dilma, e tem outro jeito?

 

Atualizado às 9 horas de segunda-feira, 2 de maio: 

Na ausência de fatos novos que justifiquem a publicação de novo post, recomendo a leitura da matéria “Crise política revela abismo entre eleitos e eleitores”, do meu colega Diego Junqueira, que está neste momento na manchete do R7. É a melhor análise das causas do impasse político que vivemos neste momento no País. “Ninguém se enxerga representado no Congresso Nacional”, disse ao repórter o presidente do Data Popular, Renato Meirelles, resumindo o pensamento de vários cientistas políticos ouvidos na matéria. Nada tenho a acrescentar.

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Nos últimos dias, às voltas com a montagem do provável ministério do seu ainda virtual governo, Michel Temer vem repetindo uma frase que ouvi muito do ex-presidente Lula, antes e logo após a posse: “Nós não podemos errar”. Pois ele vem fazendo tudo exatamente igual aos três últimos presidentes, FHC, Lula e Dilma, costurando um loteamento da Esplanada dos Ministérios entre mais de trinta partidos, e a conta nunca fecha para agradar a todos os que se uniram ao PMDB no impeachment de Dilma Rousseff.

E tem outro jeito? Se o sistema político, o Congresso Nacional e os partidos são os mesmos, como poderia fazer diferente neste chamado “presidencialismo de coalizão” em que o último critério a ser atendido, na maioria dos casos, é a competência e a representatividade dos indicados?

Uma das raras exceções até agora é a indicação de Henrique Meirelles para o Ministério da Fazenda. A aprovação do nome do ex-presidente mundial do BankBoston, atualmente dirigindo o Banco Original, é quase uma unanimidade no mercado financeiro e no setor produtivo, tanto aqui dentro como lá fora, e ele não pode ser atacado nem pela futura oposição, já que comandou o Banco Central nos oito anos do governo Lula e foi o principal mentor da política econômica de um período de crescimento, com controle da inflação, aumento da renda e baixos índices de desemprego.

Não foi por outro motivo que, em encontro na sexta-feira, Temer anunciou a Meirelles que ele será o “fiador e a figura central da economia” em seu governo. Econômico até nas palavras, o provável futuro ministro resumiu assim seu desafio: “Restaurar a confiança na solvência futura do Estado brasileiro. Existe hoje já uma consciência nacional de que é preciso se restaurar o equilíbrio macroeconômico para que o Brasil volte a crescer”.

Fora isso, pelos nomes já anunciados, a grande maioria deles de ex-ministros dos governos Lula e Dilma, pertencentes aos mesmos partidos da antiga “base aliada”, o quadro é desalentador para quem esperava novidades no ministério e um governo de mudanças.

As últimas informações dão conta de que Roberto Freire, do PPS, antiga linha auxiliar do PSDB, irá para o Ministério da Cultura. Mais do que isso: os principais ministérios da área social foram reservados para o DEM, de José Agripino Maia e Ronaldo Caiado (Educação), e o PP, de Paulo Maluf (Saúde). Além disso, serão contemplados, claro, o Solidariedade, de Paulinho da Força (Ministério do Desenvolvimento Agrário), o PR, de Valdemar Costa Neto, o PSD, de Gilberto Kassab, e por aí vai.

O que temos de diferente do que foi o parto da montagem dos ministérios de FHC, Lula e Dilma? Para entender como funciona esse “presidencialismo de coalizão” para “garantir a governabilidade”, recomendo, principalmente a Michel Temer, a leitura do livro Diários da Presidência (Companhia das Letras), lançado recentemente pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em que passa a maior parte do tempo se queixando dos aliados, do Congresso e da imprensa. Transcrevo pequenos trechos (a partir da página 379):

“Assinalo mais o lado político, às vezes o humano, e mais ainda o pessoal dos relacionamentos entre ministros, entre os parlamentares, as grandes crises, mas não tenho registrado o imenso esforço de organização do Estado que estamos fazendo. Getúlio, meu Deus do Céu, fez a mesma coisa em 1930, e com uma consciência muito lúcida de que era preciso mudar os modos de conduzir a política no Brasil (…).

“O que sempre atrapalha, no processo político, são as questões pessoais, as vaidades, às vezes as ambições, e os mais próximos são os que mais nos machucam e atrapalham, porque a gente não tem o mesmo distanciamento para poder fazer o que deve ser feito (…) Temos que colocar alguns requisitos que impeçam a ausência absoluta do poder federal, o que não trará uma ação efetiva, fiscalizadora em nível estadual, e sim o conluio da politicalha contra o interesse da população e contra o interesse geral. Outro dia falei em politique politicienne, no Brasil a expressão é politicalha. Aqui é uma politicalha tremenda, que continua muito forte.

” (…) A politicalha também serve para a permanente conspurcação da vida republicana, para a permanente ameaça de estarmos deslizando para o terreno sombrio da dúvida de saber se o interesse público está em jogo ou não. Esse governo realmente procura evitar a politicalha, daí a reação tão forte do Congresso. A imprensa é viciada na politicalha também, digamos assim, se nutre, na medida em que ela gera fatos às vezes apresentados com malícia. (…)Enfim, esta proximidade entre a imprensa e a vida política acaba ajudando a politicalha”.

Se alguém quiser exemplos do que FHC quer dizer com a expressão “politicalha”, e não tiver tempo para ler este livrão, basta rever as cenas emblemáticas da votação do impeachment no último dia 17 de abril.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

25 thoughts on “Temer já repete FHC, Lula e Dilma, e tem outro jeito?

  1. O golpe ja esta consumado, mas em 2018 vamos eleger o Lula para colocar as coisas em seu devido lugar, e estes golpistas todos vai pedir recontagem dos votos novamente e tentar outro golpe

    1. Verdade Aparecido. Só falta combinar com o Sérgio Moro e a Lava Jato. Aproveito para neste 1o de maio prestar minha solidariedade aos quase 11 milhões de desempregados, vítimas desse escárnio chamado governo do PT.

    2. Vannelder, você deveria ser mais “honesto” em seu comentário eivado de preconceito ideológico e, não esquecer que de 2003 a 2014 os brasileiros conviveram com o que se pode denominar de pleno emprego. Entretanto, para você e seus pares esse feito nada vale diante do último ano e meio de dificuldades geradas por uma gravíssima crise econômica que não se espraiou só pelo Brasil e sim, pelo mundo todo, a partir de 2008, tendo se revelado renitente, superando, inclusive, a famosa crise de 1929.

  2. E pensar que o Temer tem nesta crise a oportunidade de tornar seu nome conhecido como um RENOVADOR EM BUSCA DO DESENVOLVIMENTO PERDIDO!.Portanto,tem que ser um excelente comunicador e esta sempre disposto a esclarecer a toda á população sobre as medidas a serem tomadas.Nos mínimos detalhes.

  3. Ricardo. o mesmo do pior, ou, o pior do mesmo, pois a escumalha do comgresso agora se acha sócia, para não dizer dona, do Temer.Este golpe, foi um fiasco coxinha, tem tudo pra dar errado.Em menos de 60 dias o que se vai houvir é : VOOOOOLTA DILMA.”Quando os idiotas se manifestam, toda a nação padece” ( hebreus 30:30 ).

    1. É verdade everaldo,concordo com vc,só um idiota como tu pedirá voooolta Dilma.Entenda querido,o PT acabou.O verdadeiro medo da petralhada é que o Temer faça um bom governo,tal como Itamar fez no pós Collor,e isso que a maioria dos brasileiros torce,e não os cupinchas petistas.

    2. Kotscho, vc ganha adicional de insalubridade por lidar c/ esses doidinhos que acha que o povo, empobrecido por esse governo horroroso, vai gritar “volta Dilma”? É por isso que o PT está acabando: sobraram um punhado de maluquetes falando uns c/ os outros.

  4. O Temer, seu ídolo, é um bufão. Aquele sujeito “protagonista” da ópera bufa ou seja: o sujeito que costuma contar vantagem, vangloriar-se, agir tal qual um fanfarrão!

  5. Incrível como tentam desqualificar o Temer. Ali não tem nenhum santo mas, do jeito que estão falando a impressão que passa é que o Temer foi quem fez todas as cagadas fiscais, o Temer que administrava as palhaçadas econômicas, o Temer que nutria um profundo desprezo pelo Congresso, o Temer que destratava subordinados, o Temer que se comportava de maneira arrogante e por aí vai. Ridículo o comportamento da Dilma, seu mentor e seus asseclas tentando demonizar o Temer como se ele fosse o responsável pelo afastamento iminente dessa incompetente prepotente. O Temer está herdando um tremendo abacaxi. Um país com a economia em frangalhos, desemprego crescente, uma população totalmente descrente da classe política que se encontra inteiramente chafurdada num lodo de corrupção. O Temer só tenta cumprir seu papel da melhor forma. Quem está tirando a Dilma da cadeira é o Congresso. Já vai tarde. Isso se ela não se acorrentar na mesa como já se comenta na internet. Seria um grand finale para esse governo ridículo.

  6. realmente, qualquer, mas qualquer coisa é melhor que o projeto petista de aniquilamento da democracia, liberdade individual e economia.

  7. Kotscho,
    Cocordo contigo. Qual seria a solução? Você poderia escrever sobre isso?
    Se o problema é o sistema (fato que concordo), como mudá-lo se a mudança depende de quem se alimenta dele?
    Obrigado!

    1. Caro Edson,
      o problema é este mesmo que você aponta: a reforma política depende dos políticos e, se do jeito que está é bom para eles, não vão quer mudar nada nunca, como já escrevi mil vezes aqui e comentei no JRN. A solução, confesso, não tenho.
      Abraços,
      Ricardo Kotscho

      1. A solução será de longo prazo. E há de começar pela cassação do registro do PT como partido político, visto que, no exercício do poder, transformou-se numa organização criminosa.

  8. E o Anhangabaú não tremeu… Foram apenas alguns fanáticos, os poucos que restam, pois até fanáticos estão despertando, e um outro tanto de remunerados, estes estão sempre despertos. Está faltando coragem para colocarem uma camisa de foça na Maria Louca do planalto? Golpe, golpe, golpe… Cercada apenas por interesseiros que buscam foro especial para fugir da polícia. Que decadência!

  9. Kotsho, sei que não existem soluções mágicas e “para cada problema difícil existe sempre uma solução fácil e sempre errada”, como diz o ditado. Mas penso que o voto distrital seria um bom começo.

  10. Só de saber que essa mulher vai ser “chutata” é um presente a nós brasileiros. Arrogante, prepotente, falsa, mentirosa…só me resta dizer tchau querida !!!, já vai tarde.
    O mais importante agora é recuperar a economia destroçada por essa irresponsável, buscar empregos a esses milhões de brasileiros, trazer novamente esperança naqueles que por aqui aportaram bilhões de dólares……….o momento agora é de nos abraçarmos ao governo Temer, passarmos por essa tormenta para depois falarmos em “nova” política.
    Tchau Querida !!!!…..tenho pena do que seus netos, na história, ouviram do povo sobre você.

  11. A denúncia de cabeças coroadas do PSDB a Moro e ao STF, podem promover alteração nesse já instável quadro. Cunha,prossegue incólume, apesar de ser autor intelectual e executivo dessa estratégia de se por como presidente da república ,eventual e ocasional. Se conseguir, estribado na impunidade, o país, ruma para uma república teocrática.

  12. Temer daria um nó cego no PT se encaixar Meireles na Fazenda, que era o ministro dos sonhos de Lula para tirar Dilma do atoleiro no segundo mandato. A presidente preferiu um mané de terceiro escalão, que quebrara o RJ quando passou por lá como secretário de fazenda (o que ninguém diz).

  13. Supondo o afastamento ou saída da Presidenta Dilma, a oposição vai guerrear entre si, vai ser um inferno que por mais que se ”divida” o poder, jamais contentará todos os lobos que se babam pelo mesmo desejo de ”ter”, em virtude do ódio que se plantou e indubitavelmente se colherá o resultado, abrindo todas as porteiras novamente para uma ditadura. (antes mesmo de terem o poder, já pregam a mordaça tornando crime quem fale mal de políticos). Nada que começa errado termina bem.

    1. Bem, estás medindo com a régua do petismo! Lembre-se, o novo governo não é para agradar o petismo, ao contrário, quanto mais for criticado pelos que defendem o o modus petistas de governar, mais acerto ele terá!

  14. Vamos elevar um pouco o nível de discussao aqui: algum petista consegue tecnicamente contra-argumentar a racionalidade exposta por Júlio Marcelo (procurador do MPC)? Grato.

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