De volta, meu velho Tricolor, no embalo da torcida

De volta, meu velho Tricolor, no embalo da torcida

LEANDRO MARTINS/ESTADÃO CONTEÚDO

A festa começou antes do jogo, com 53.241 são-paulinos cantando, pulando e gritando o tempo todo: “O campeão voltou!”. E só terminou bem depois da magnífica goleada por 4 a 0 que meu Tricolor sapecou no Toluca, do México, na noite de quinta-feira, no Morumbi lotado, praticamente garantindo a sua classificação para as quartas de final da Libertadores. Foi o recorde de público no futebol brasileiro na temporada deste ano.

Que milagre aconteceu? O mesmo São Paulo que apresentava um futebol indigente para arquibancadas vazias, e foi eliminado por 4 a 1 pelo Audax nas quartas de final do Campeonato Paulista, de repente, de um dia para outro, voltou a jogar bola de time grande, correndo os 90 minutos, sempre em busca do gol, disputando cada lance como se fosse um prato de comida no deserto. Paulo Henrique Ganso corria como um menino, marcando e armando os ataques como o nosso grande maestro.

Os burocráticos e vaiados jogadores de outro dia e o contestado técnico argentino Edgardo Bauza são os mesmos, mas o time é completamente outro, fazendo lembrar as velhas conquistas que levaram o São Paulo a três títulos mundiais. É o caso de se perguntar o que veio antes: a empolgação da torcida, que fez o time lembrar da história do clube, ou se foi o time que trouxe a torcida de volta ao Morumbi com a vitória contra o River Plate, faz duas semanas, diante de mais de 51 mil torcedores, o recorde de público anterior?

Seja como for, o time e a torcida só ganharam quando jogaram juntos, unindo o gramado às arquibancadas. É sabido que são-paulino só vai a estádio quando o time está bem e que o time só joga bem, no embalo da torcida, quando o estádio está lotado. Se a diretoria não atrapalhar, poderemos ter novas e muitas alegrias este ano.

Nem me lembrava qual foi a última vez que gritei “goooooool!”, já tarde da noite, ao lado da mulher, na cozinha da minha casa, onde costumo assistir aos jogos numa pequena televisão. Os vizinhos até devem ter se assustado. A toda hora me ligava a Bebel, neta de dez anos, são-paulina fanática, que não desiste nunca, para comemorarmos juntos mais um gol, feliz da vida porque a mãe a deixou ir dormir mais tarde nesta noite, como se já pressentisse que desta vez teríamos uma grande alegria.

Confesso que já tinha perdido as esperanças de que as coisas pudessem melhorar e nem tinha mais vontade de ver os jogos do São Paulo para não sofrer. O futebol nos ensina isso: de uma hora para outra, do nada, sem que a gente espere, podemos ser surpreendidos por uma bela surpresa, uma virada radical no jogo da vida que renova nosso ânimo.

Vida que segue.

6 thoughts on “De volta, meu velho Tricolor, no embalo da torcida

  1. Eita Kotscho, tá feliz, e não é pra menos, parece que o argentino Bauza esta acertando o São Paulo, isso é ruim para nós santistas, já estávamos sonhando com o Michel Bastos na vila sagrada, ou até o retorno do Ganzo, pelo andar da carruagem só sonho rsrsrsrs.

  2. Nosso desacreditado tricolor está reaparecendo jogando bem. Se continuarmos assim, teremos uma chance de sermos campeões. Vamos aguardar, ver o que o mais querido terá para nos apresentar.

  3. Com todo o respeito, o maior time de futebol de todos os tempos perfilava onze craques assim alinhados: Gilmar, Olavo e Mauro; Dalmo, Zito e Calvet; Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Jamais verás um time como esse; feito de branco e ébano. O outro alvinegro da estrela solitária completava a Era Dourada do futebol brasileiros mágico: Garrincha, Didi, Quarentinha, Amarildo e Zagalo. Quem viu Santos x Botafogo sabe que nunca o futebol atingiu o seu ápice espetacular quanto o tempo durante o qual os minutos eram feitos de magia orquestrada por Zito e Didi, um de cada lado, pelo meio, e Garrincha e Pelé, na frente. Mas, sem dúvida, o tricolor deve levar a Libertadores, porque ninguém merece tanto sofrimento quanto o esquadrão do Morumbi vem amargando até agora. Ganso tem sido o craque mais injustiçado do futebol brasileiro nos últimos tempos, desde quando o Santos abortou sua venda para o futebol europeu.

    1. Netho,
      Nai ha o que discutir, o melhor time da historia, sou saopaulino mas nao ha como negar, esse foi um time magico.
      Sao Paulo teve grandes time mas nenhum como esse.

      Abraco!

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