São nossas vidas passando numa agenda de papel

São nossas vidas passando numa agenda de papel

Caros internautas,

em apenas dois dias, mais de 100 leitores já me escreveram pedindo para serem meus amigos no Facebook. Agradeço a todos pelo interesse, mas não tenho nem como responder ao convite porque meu Face (já virei íntimo…) ainda está em fase de montagem pelos editores do R7.

Peço um pouco de paciência a todos porque ainda vai levar alguns dias para esta nova plataforma do Balaio do Kotscho entrar no ar.  Sei que qualquer criança hoje em dia sabe mexer com estas coisas, mas eu ainda estou aprendendo para ver como isso funciona, e qual a melhor forma de me comunicar com os leitores. 

Como informei ontem no “Em tempo”, vamos ter também um e-mail exclusivo para que os leitores possam mandar suas colaborações em textos, vídeos e fotos, e o pessoal do portal está caprichando numa reforma gráfica para facilitar a nossa comunicação. 

O objetivo das mudanças é permitir maior interação do blog com os leitores e comentaristas. 

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Não sei se vocês já repararam, mas desde o início do ano estou procurando variar mais os assuntos para dar maior espaço aos fatos da vida real dos brasileiros, em lugar de me ater só aos temas políticos, que na verdade se tornaram policiais, e foram ficando repetitivos, chatos mesmo. Penso que ganharemos todos se falarmos mais do Brasil do que de Brasília e, para isso, conto com a ajuda de vocês.

Neste final de semana, por exemplo, dediquei parte do meu tempo a atualizar minha agenda de telefones.  Sim, eu ainda uso agenda de papel, um caderno espiral grande montado pela minha mulher quando ainda não existia celular, nem nada dessas traquitanas eletrônicas que vieram bem depois para facilitar a nossa comunicação.

Sou meio bronco e tenho dificuldades para me adaptar às novidades, resisti muito a entrar neste louco mundo das redes sociais (meu celular ainda é analógico, não tem estes recursos todos dos aparelhos digitais), mas agora vou ter até Facebook, quem diria.

Ao atualizar a agenda de papel, que era de 2013, e já estava toda rabiscada de anotações a mão, acabei fazendo uma viagem pelo tempo.Fomos percebendo quanta mudança aconteceu nas nossas relações pessoais e profissionais. Ao nominar amigos que já se foram e dos que perdemos pelo caminho, Mara e eu ficamos horas discutindo quem fica e quem sai na nova agenda, tentando muitas vezes lembrar de quem se trata.

Fomos falando de cada um, dos velhos colegas de colégio aos que foram entrando nas nossas mudanças de emprego e de trabalho ao longo destes anos. Ainda bem que a maioria sobreviveu para não perdermos nossas referências afetivas. E muitos nomes novos entraram, mantendo a agenda bem gorda.

Só não mudaram os dois últimos nomes e telefones na página do “Z”, eles que sempre andaram juntos em todas as listas: o Ziraldo e o Zuenir Ventura, dois amigos queridos, ambos já octogenários, com quem convivemos em diferentes fases de nossas vidas, trazendo-nos boas lembranças. Temos nos visto pouco ultimamente, mas espero que eles continuem para sempre na nossa agenda. Sei que quando precisar falar com eles, é só ligar.

Por que não agora?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

4 thoughts on “São nossas vidas passando numa agenda de papel

  1. Pois é RK, coincidentemente, aqui em casa, quem cuida da agenda telefônica, de papel, é claro, também é minha mulher e, por outra coincidência ainda, esta semana ela também passou o conteúdo da velha para a nova.
    Percebo que você é mais corajoso do que eu, pois me recusei a ajudá-la. Fiquei constrangido, por me imaginar descartando os números telefônicos de dois irmãos que já se foram, os de alguns amigos e parentes, além os de outras pessoas que passaram rapidamente pelas nossas vidas, foram úteis ou agradáveis, deixaram boas lembranças, mas nunca mais vimos e nem tivemos notícia? Quando minha esposa chegou com a nova agenda em casa, estranhei o tamanho: muito menor do que a antiga, no entanto, depois de terminado o trabalho, folheando o bloco de papel, vi que sobrara muito espaço em todas as letras do alfabeto. Em silêncio, constatei que as mulheres têm uma sabedoria nata, instintiva e que a solidão dos idosos se reflete também em suas agendas telefônicas, de papel, é claro.

  2. Kotscho, você é um personagem notório, que tem espaço na mídia e, portanto, seus velhos amigos podem encontra-lo facilmente. Nós que não temos esse espaço, usamos as redes sociais para reencontrar esses velhos amigos. Abri minha página pessoal no facebook há 5 anos atrás. De lá pra cá já encontrei pessoas queridíssimas que tinham ficado apenas nas minhas lembranças de colégio. Amigos, ex namoradas de mais de 40 anos atrás, pessoas que marcaram minha existência que consegui reencontrar graças a essas redes sociais. Sabendo usa-las com responsabilidade, ponderação e equilíbrio são maravilhosas e nos prestam grandes serviços. Se usadas irresponsavelmente só nos trarão aborrecimentos e dores de cabeça. Nós (eu, você, e outros sexagenários do Balaio) nos divertimos muito com as redes sociais porque sabemos os limites das liberdades que usufruímos. Abs e boa sorte no Facebook.

  3. Como ensinam, mestre Pituca e Fernando Brant, “amigo é coisa para se guardar debaixo de sete chaves, dentro do coração (…) mesmo que o tempo e a distância digam “não” (…) o que importa é ouvir a voz que vem do coração…”. Não apenas comungo o dito, como acredito o coração inelástico no quesito, conforme a vida ao proporcionar-me amigo(a)s “para se guardar do lado esquerdo”, que quase cabem nos dedos de uma só mão, infelizmente metade já partidos prematuramente. Agora, Mestre, prepare-se, pois amigo de Feicibuiqui é como Paris, uma festa, minha companheira, que há seis anos contava com quatro ou cinco amigo(a)s de guardar-se no peito, mesmo com as oscilações diárias, hoje beira meio milhar de amigo(a)s nas redes, um luxo! Eu, que nunca interessei em saber nem mesmo onde estão os ossos de Dana de Tefé, permaneço apenas com o meu curtido sexteto, metade disponível à lembrança, mais o renovar saudável e continuo de amigo(a)s de momento e dos pontas firmes de mesma jornada de luta, pela vida. Repito, prepare-se Mestre balaieiro para adentrar o mundo da amizade virtual, regada à base de água de nuvem digital, que desmancha-se e renova-se, como a internet, no ar.

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