Como pode um protesto de 40 parar a cidade?

Como pode um protesto de 40 parar a cidade?

NELSON ANTOINE/FRAMEPHOTO/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO
Manifestantes fecham a entrada do terminal Bandeira, na região central de SP

Segunda-feira, 11 de janeiro de 2016. Para muitos, hoje é o primeiro dia útil do ano, hora de voltar ao batente, depois da folga de final de ano. E o que há de novo? Pelo que vejo, ao ler os jornais e abrir o computador, nada de bom. O que há de novo não é bom e o que encontramos de bom não é novo (ver abaixo um antigo poema de Carlos Drummond de Andrade).

Em São Paulo, enormes congestionamentos se formaram em vários pontos da cidade, juntando os carros de quem voltava de viagem com os que foram cercados pelos manifestantes que protestavam contra o aumento das tarifas de ônibus.

Sabem quantos eram os responsáveis por este transtorno que já vem se tornando rotina? Cerca de 40 fecharam logo cedo os terminais de ônibus de Pinheiros e depois bloquearam o cruzamento das avenidas Rebouças e Faria Lima, um dos mais movimentados da cidade. Outros 20 gatos pingados foram suficientes para impedir a entrada dos ônibus no terminal Bandeira, formando uma longa fila de coletivos que fechou a avenida Nove de Julho.

Tão previsíveis quanto o Carnaval, estes protestos sempre acompanham o aumento das tarifas de transporte coletivo, infernizando a vida de todo mundo que precisa trabalhar para pagar as contas no final do mês. Com que direito?  Que culpa temos nós se a inflação leva ao reajuste periódico de preços, taxas e tarifas?

Qualquer um hoje em dia pode juntar meia dúzia de revoltados para bloquear ruas e avenidas, depredar bancos e veículos, por qualquer motivo ou sem razão nenhuma, e sair quebrando o que encontra pela frente, como aconteceu, mais uma vez, na semana passada, em São Paulo? A polícia chegou a prender 17 vândalos, mas todos foram soltos logo em seguida. Até quando? Qual é o limite da liberdade de manifestação e expressão que todos defendemos numa sociedade democrática? Não há mais regras, leis, respeito pelos outros, o direito de ir e vir?

Preparem-se: para esta terça-feira já está marcada mais uma manifestação contra o aumento das tarifas, às 17 horas, na avenida Paulista, o cartão postal da maior cidade do país, que ultimamente tem ficado mais fechada do que aberta, tantos são os protestos e as restrições para a circulação de veículos.

Este é apenas mais um sinal do estado de anomia social em que vivemos, com a absoluta falta de lideranças tanto nos partidos como na sociedade civil, como já constatei aqui no longínquo ano passado. Ninguém respeita mais ninguém, é a lei da selva imperando, o salve-se quem puder, como se o mundo fosse acabar amanhã.

Ainda bem que encontrei no meu computador esta mensagem do amigo Chico Leite que reproduz o poema “O Tempo”, do eterno Carlos Drummond de Andrade, para nos lembrar que, apesar de tudo, não podemos perder a esperança.

“Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança,

fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.

Aí entra o milagre da renovação

e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para diante tudo vai ser diferente.

Para você, desejo o sonho realizado,

o amor esperado, a esperança renovada.

Para você, desejo todas as cores desta vida, todas as alegrias que puder sorrir, todas as músicas que puder emocionar.

Para você, neste novo ano,

desejo que os amigos sejam mais cúmplices, que sua família seja mais unida, que sua vida seja mais bem vivida.

Gostaria de lhe desejar tantas coisas…

Mas nada seria suficiente…

Então desejo apenas que você tenha muitos desejos, desejos grandes.

E que eles possam mover você a cada minuto ao rumo da sua felicidade”.

Vida que segue.

13 thoughts on “Como pode um protesto de 40 parar a cidade?

  1. Bem-vindo, caro Ricardo Kotscho… O poema que trata da genialidade sobre quem teve a ideia de “fatiar” o tempo é de fato oportuno. Por mais que saibamos que na segunda-feira seguinte ao revellon de todo ano, a vida e seu entorno continuará seu fluxo, é de fato necessário este pit-stop, pois ninguém é de ferro.
    Votos de um ano cheio de desafios e superações para você e sua família. Com paz familiar e saúde, pois o resto é com a luta e o suor!
    Quanto à essas manifestações, estão virando palhaçada faz é tempo. Como a polícia é sempre criticada por alguns, por descer o cacete nesses vândalos, seja lá de qualquer cor/raça/credo, a população precisa partir pra cima, não se intimidar. Ficar parado na via porquê alguns estão “protestando” não dar. É perguntar contra a quem estão se manifestando e indicar o endereço, da prefeitura, da governadoria, do judiciário, da empresa de energia, da delegacia, etc. Se não saírem por bem, que aguentem as consequências.Isso não é desobediência civil, é exigir seus direitos. Até me considero um cidadão pacato, mas fico revoltado quando vejo 04 gatos pingados interrompendo nossos trânsito já caótico. Não vejo esses vândalos travestidos de manifestantes fazendo manifestações contra a causa desses aumentos, que é simplesmente inflação, oriundo principalmente pelo aumento dos combustíveis e energia. Para mim não importa, se a polícia é do Estado de Minas, governado pelo PT ou de São Paulo pelo PSDB, se vandalizar, a polícia tem mesmo que descer o cacete nesses vagabundos, sejam eles de elite branca, se comunista, se revoltados, se pobre, se preto, se branco ou amarelo! Isso não tem nada a ver com manifestação, que em toda democracia é permitido, mas a partir do momento, que dentre eles têm os que são escolhidos para fazer baderna, com único e exclusivo objetivo de atrair a violência policial e a mídia (que adora mostrar PM batendo em vagabundo, e chamá-los de “manifestantes”, ou se for mesmo da pesada, ganha outro nome “ativista”). Uma coisa é certa, principalmente em São Paulo, que tem ocorrido com mais frequência por razões políticas (veja o caso do MST, da APEOESP, dos “alunos” que protestaram contra a “reorganização das escolas”, e esse entulho chamado MPL, que quer que se tire dinheiro da saúde, da educação, da segurança, e claro, do pouco que se investe em transporte, para simplesmente terem “passes livres”. Uma coisa é certa, quanto mais a polícia bate em vagabundo mais o Alkimin/PSDB, tem mais apoio da população!

  2. Bom retorno Sr.Kotscho.

    Quase sempre comento aqui para discordar, desta vez concordo e compartilho de sua visão.

    Infelizmente estes protestos viraram uma indústria e a cidade terra de ninguém. O MPL é risível, uma mistura de vagabundos como playboyzinhos maconheiros que não tem o que fazer.

    Mas é vida que segue, continuamos em nossa labuta, enfrentando todos os obstáculos para honestamente ganhar o nosso suado pão, embora até isto esteja cada vez mais difícil.

    Abraços a todos os leitores e um ótimo 2016 a todos.

  3. Ricardo, esses movimentos que pipocam pela cidade ganham “status” de democráticos,mas na verdade, são contra a Democracia, uma minoria revoltada, que morde a fronha, em sua maioria, mas que é temida pelo Governador de plantão, que não sabe tomar uma medida mais enérgica contra esses bandos de arruaceiros…. Faz muito tempo, o Geraldinho vem tomando medidas que demonstram sua fraqueza no combate ao crime…..

  4. Prezado Ricardo, conheço a sua história de trabalho, que alias belíssima, e concordo com você, como podem 40 interferir na vida de mais de 10 milhões? Mas seu texto é hipócrita por não reconhecer que este modo de operação foi criado e aperfeiçoado pelo PT e os partidos de esquerda que gravitam em torno dele, aliado a histórica incompetência do Geraldinho em controlar a sua força policial.

  5. Um protesto pode parar boa parte de uma das maiores cidades do planeta porque não temos autoridade policial capaz de administrar e cercear essas manifestações que tolhem o direito de ir e vir. Independente dos protestos serem ou não justos, não é justo uma minoria colocar impunemente cadeiras no meio de uma avenida (foi o que os estudantes fizeram) ou , com arrogância, escolher caminhos a revelia da polícia de transito (ou só polícia) e impedir carros em ônibus de trafegarem normalmente. Esses black blocks e os que apoiam são insensíveis aos estragos que causam fisica e emocionalmente no cidadão comum, no poco, nos já estressados motoristas de ônibus. E me causa espanto jornalistas e políticos apenas protestarem contra a mal paga PM de SP, dividida entre ser firme ou tolerante.Está ficando impossível agendar compromissos (e cumprí-los) em São Paulo. Está mais do que na hora do prefeito exigir do governador, medidas que façam SP voltar a ser nomral. Pelo menos por mais tempo. Na avenida Paulista, isso parece ser uma missão impossível.

  6. Como pode meia dúzia de procuradores federais, uma dezena de policiais federais e um juiz de primeira instância parar a sétima economia do mundo? Essa, sim, é a pergunta que deve ser feita.

  7. RK, volto à lenga-lenga do ano passado, a mídia do PIG vai explodir o país, vazamentos, insuflamentos e sabotagens continuam contra o governo!
    Não há equilíbrio nas informações, só terrorismo para enfraquecer o governo!
    Como são escorpiões, os pignianos sabem o que estão fazendo, mas como é da natureza deles, caminham para o suicídio!
    O cidadão brasileiro, claro, está perdido!

  8. Democracia é manifestação: é o que se pode fazer enquanto Eduardo Cunha encharcado de denúncias e provas continua solto, viajando e esbanjando mordomias às custas do contribuinte. Alckmin congelou o salário dele. ele precisa desse salário? Tem tudo pago pelo contribuinte.

  9. Talvez fosse bom apresentar os números que fundamentam a crítica às recorrentes manifestações. Além dos 40 manifestantes, dados sobre os aumentos, se são justos, se realmente refletem somente a inflação, se têm a ver com o modelo do transporte, se há transparência nas planilhas das companhias etc.
    Obviamente, são dúvidas que nós leitores temos. E, certamente, levantar estes dados não é o objetivo do blog. Afinal, trata-se de um blog. Mas eu gostaria de poder saber mais sobre isso.

  10. São coxinhas que se disfarçam de extrema esquerda e na verdade são uns facistões.

    Isso, sem falar nos que são meramente agentes provocadores estimulados por esse governo Alckimin;

    Engraçado o capcha fornecido para meu comentário: “deveis bombas”. Que coisa, não?

  11. Como pode dezenas de policiais militares brutalizados e um governador católico fervoroso reprimir violenta e covardemente algumas centenas de manifestantes, com armamento de guerra?

  12. A PM do Alckimin já está fazendo o trabalho de quebrar os “gatos pintados” para você se deslocar feliz.
    Vocês moram numa cidade que foi feita pra carros e concreto e quando as pessoas se manifestam, para tudo. Mas, o problema é do protesto, não da estrutura urbana caótica.

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