Zezé e Luciano: belo momento da TV brasileira

Zezé e Luciano: belo momento da TV brasileira

 

Em tempo, aviso aos leitores:

quem não for capaz de escrever comentários sem falar de política, mesmo quando o post trata de música, reduzindo tudo ao Fla-Flu que ninguém aguenta mais, não perca seu tempo. Serão todos sumariamente deletados. Tudo tem um limite, ou deveria ter, inclusive a estupidez humana.

***

Vamos virar o disco e falar de coisa boa, chega de desgraça. Ao voltar do trabalho, na noite de terça-feira, abri uma cerveja e liguei a TV para ver o especial de fim de ano de Zezé di Camargo e Luciano apresentado pela Record. Sem sair do Brasil, fiz uma bela viagem de 105 minutos por um outro país, onde ainda moram pessoas de bem com a vida, que choram de alegria, cantam e dançam juntas.

O programa começou de mansinho, com breves depoimentos da dupla e de seus pais, Francisco e Helena, duas figuraças, trazendo recordações da família quando eles ainda moravam na roça de Capela do Rio do Peixe, distrito de Pirinópolis, no interior de Goiás.

No palco colorido, eles atacam logo de “É o amor”, o primeiro grande sucesso de Zezé e Luciano. Desde o primeiro momento, o que diferenciou este de outros musicais é que a platéia era também protagonista do espetáculo, dividindo as cenas com os cantores.

Zezé se revela um bom contador de causos engraçados, imitando o típico linguajar arrastado dos caipiras e dando um tom de leveza, simplicidade e brasilidade a esta superprodução hi-tec com gosto de vídeo caseiro de antigamente.

Luz, som, cenário, gravações externas, tudo casa com as canções e as falas, nada é gratuito. Foi um belíssimo momento da TV brasileira, a provar que o mais difícil é fazer o simples bem feito, sob a direção do competente Homero Sales.

Com o apoio de uma banda formada por músicos da mais alta qualidade, os sucessos dos 25 anos de estrada vão desfilando sem pressa, um não querendo aparecer mais do que o outro, embora Zezé seja o irmão mais velho e um grande compositor. Se você fecha os olhos, nem percebe quem é primeira ou segunda voz, a principal característica das duplas sertanejas. Parece que está ouvindo uma voz só.

“Lembrar o passado é sofrer duas vezes”, conta o velho Francisco, pai de dez filhos com Helena, a quem ainda faz declarações de amor. Os dois lembram das sofrências na velha casa do sítio, que ela foi anotando a mão num caderno, mais tarde transformado em livro.  Primeiro, veio o filme, Os dois filhos de Francisco, dirigido por Breno Silveira, um dos grandes campeões de bilheteria na chamada retomada do cinema brasileiro; depois, o livro, Simplesmente Helena, lançado pela Editora Planeta.

A saga de Zezé e Luciano, do trabalho na roça para os palcos do mundo, é uma história tão forte e rica que se conta sozinha pelos seus protagonistas e suas canções. É a história de um sonho brasileiro que deu certo, misturando a vida real, os dramas, as alegrias e as paixões do ser brasileiro. Com emoção e sem frescura, eles mostram como dá para ser feliz, sem ser bobo, e dá para ser grande, sem deixar de ser menino.

Entremeando participações especiais de outros artistas, como os irmãos Caetano e Maria Betânia, com os depoimentos de fãs contando como conseguiram conhecer os irmãos cantores correndo atrás deles pelo Brasil afora, o roteiro fluiu num ritmo gostoso de papo na varanda, ao som de boa música sertaneja. É um programa para guardar e ver de vez em quando.

No meio de tanta baixaria e desgraceira dos últimos dias, fez bem para a alma e o coração ver este musical-reportagem sobre um pedaço do Brasil bonito, que ainda existe. Durante todo o programa, minha mulher e as duas filhas, já jovens senhoras, ficaram trocando mensagens no tal de uatezape (é assim que escreve?), e eu lembrando das noites amenas no nosso sítio de Porangaba ouvindo discos sertanejos numa velha vitrola.

Dois detalhes, que não posso esquecer, me deixaram ainda mais feliz.  O roteiro do especial da Record foi assinado pela minha filha mais velha, a jornalista Mariana Kotscho, que também fez as entrevistas. O livro Simplesmente Helena foi escrito pela caçula, a cineasta Carolina Kotscho, uma das roteiristas de Os dois filhos de Francisco. Ficou tudo em família…

Valeu meninos, valeu meninas.

Vida que segue.

36 thoughts on “Zezé e Luciano: belo momento da TV brasileira

  1. Zezé di Camargo & Luciano são figuras de proa da música brasileira. Talentos extraordinários e pessoas honradas. Tudo que atingiram na vida foi embasado em muito trabalho, muito talento e sacrifícios. Hoje Zezé tem problemas vocais pois quando mais jovem não teve aconselhamento para procurar escolas de canto que pudessem orienta-lo sobre as técnicas de utilização das cordas vocais com o menor dano possível. Ele já não consegue atingir as notas que atingia mas tem compensado essa perda com muita experiência, modificando alguns arranjos de suas músicas de forma a que não seja necessário atingir notas muito altas. Artistas da melhor qualidade conseguiram construir uma carreira muito sólida e como homens dignos que são também construíram suas famílias de maneira impecável. Grandes amigos de quem muito me orgulho.

  2. Muito legal seu post, hora de mudar o disco mesmo…Embora eu não aprecie a música sertaneja, gosto muito da história deles. Parabéns pelo sucesso da família, uma delícia sentir esse merecido orgulho, não?

  3. Não assisti, to com dor no coração por isso, tinha certeza de que seria um excelente programa, mas gripada e garganta incomodando fui dormir. Será se a Record disponibilizará pra que possamos assistir?: Espero que sim.

    1. Conceição, você pode assistir na internet acessando: http://www.youtube.com/watch?v=9R7GYs-AJfU, eu estou assistindo a varios filmes e seriados, inclusive a filmes antigos, leio todo dia as noticias e blog do Kotscho e assisto ao record news (Haroldo Barbeiro), e depois vou refrescar a cabeça com bons filmes em vez de politica porque nada muda, inclusive so comentei hoje o post…..? um abraço.

  4. Mestre, para prolongar esse belo momento, “Zezé e Luciano”, proporcionado pela TV Record, nada como ir ao escurinho do cinema para ver o documentário, “Chico – Artista Brasileiro”, de Miguel Faria Jr (São Paulo: Frei Caneca e Pompéia), e continuar encantado com as coisas do Brasil, que as vezes esquecemos, ou querem que esqueçamos, que existem, como o gênio Pelé.

    1. Dias,
      também adorei o filme sobre o Chico, de quem fui colega de ginásio, que vi na semana passada.
      Me deu saudades do Brasil, ainda mais depois de ler tantos comentários sem noção enviados para este blog.
      O fato deste filme estar sendo exibido em tão poucos cinemas é mais uma prova da indigência mental que assola nosso país.
      Abraços,
      Ricardo Kotscho

    1. Kotscho, vai ter no nosso panorama nacional uma programção de vários sons da dupla Zezé e Luciano: Você Vai Ver, Evidências, As Coisas Mudam, Chega, Até mais Vê.

  5. Batalhadores, “TALENTOSOS”, merecedores de cada pedacinho do sucesso que conquistaram. E por terem uma historia tão bonita, não podem agora se darem o direito de ignorar as pessoas que ainda vivem nas condições precárias que eles viveram. O Zezé Di Camargo, que nunca se interessou por politica, não pode de uma hora pra outra “simplesmente resolver falar de politica, sem se preparar, pra isso”; e assim ignorar os avanços socio-economico do Brasil nos ultimos 12 anos, e principalmente o “empenho do governo federal em combater a corrupção doa a quem doer”; para que finalmente tenhamos um país mais justo, com menos pessoas sem escrúpulos que roubam o dinheiro publico. -E’ importantissimo quando artistas dão suas opiniões também sobre a politica, pois TODOS os grandes movimentos politicos contaram com artistas, que serviram para atrair as pessoas para assim se atentarem as reivindicações; porém os artistas têm que ter RESPONSABILIDADE na hora de fazer isso. E’ inadmissivel que atletas e artistas, saidos da miséria, onde muito de seus familiares ainda comungam dessa miséria, apareçam lado a lado com politicos coniventes com a corrupção e beneficiarios dela, como se fossem amigos de infancia. Boa sorte ao Zezé di Camargo, e que ele tenha mais CONSCIENCIA na hora de expressar suas opiniões referentes a politica do Brasil.

  6. RK, a ascensão desta dupla de irmãos, filhos de Francisco, me leva à lembrança de um menino nascido lá no interior de Pernambuco e que chegou ao palácio do Planalto; me lembra também da luta de muitos jovens que chegaram à universidade nestes últimos treze anos, filhos de pais pobres, ajudados pelas políticas públicas do governo!
    Bacana!

  7. Uma grande história de brasileiros que lutam por teus sonhos. Brasileiros que não desistem mesmo diante dos obstáculos. Brasileiros que fazem bem ao Brasil! Muitos até conseguem ter lampejos de sucesso, mas poucos podem dizer que fazem sucesso há mais de 25 anos! Vida longa para dupla… Parabéns a família Kotscho por endossarem tão ótima dupla!

  8. Bom post.
    A restrição aos comentários de natureza política, penso eu, não é bem vinda. Acho forçada.
    Até porque, como diz Aristóteles, quando já não há mais política, resta só a economia.

    1. Valdecir,
      não tenho nenhuma restrição a comentários de natureza política.
      Escrevo sobre isso todo dia, mas acho um desrespeito quando publico um texto sobre outro tema, como hoje, e alguns leitores nem se dão ao trabalho de ler para mandar os mesmos comentários de sempre.
      Uma das regras para o bom funcionamento do blog é que os comentários sejam relativos ao post. Caso contrário, é melhor cada um criar seu próprio blog.
      Ricardo Kotscho

    2. ótimo, obrigado.
      Parabéns pelo texto. Tentei acessar o video do especial, mas não consegui. Sou meio analfabeto em internet.
      Mesmo sem ter visto o programa, baseado nos comentários e em seu texto, parabéns à sua filha pelo trabalho. vou tentar ver depois.

  9. …é isto Ricardo, há um Brasil de BRASILEIROS sob esta neblina com a qual estão tentando encobrir a nossa pátria. Aqueles que ainda não se libertaram de suas escravidões e que tentam implantar o Halloween na alma do nosso povo, sofrerão outra derrota tembém neste quesito.

  10. Caro Kotscho, se tirar férias, saia para o interior do país e descubra a felicidade da grande maioria, a vida anda muito boa nas cidades menores do país… Pelo menos é o caso aqui de Santa Catarina. No verão venha para nossas praias, no inverno se der sorte pode até ver neve.
    Abraços!!!!

  11. Kotscho bom dia!

    Olha, antes de mais nada, parabéns pela acertada decisão de não publicar comentários de cunho político neste post. Paciência tem limite. Eu gosto demais de videogame por exemplo. E, quando vou ler os comentários de uma matéria de games, lá estão os tontos falando de “coxinha” contra “PTralhas”…infelizmente o que tem de imbecil que precisa vomitar bobagens na internet não está escrito (obs,: não sou nem PT nem PSDB nem PMDB)…mas, sobre o especial, eu comecei a assistir mas não consegui ver tudo porque acabei dormindo, infelizmente…mas é uma dupla que admiro. Infelizmente o Zezé me parece não conseguir mais cantar como antes, ele tem um grave problema nas cordas vocais pelo que li…mas, mesmo assim, acho lindo o esforço que ele faz para poder cantar. Ele como pessoa parece ser meio insuportável, mas é um profissional admirável.

    Grande abraço.

  12. Música?

    “Olho aberto, ouvido atento, e a cabeça no lugar [Cala a boca, moço, Cala a boca, moço]; Do canto da boca escorre metade do meu cantar [Cala a boca, moço, Cala a boca, moço]; Eis o lixo do meu canto que é permitido escutar [Cala a boca moço]: Fala! … … Olha o vazio nas almas, olha um violeiro de alma vazia … … ”

    “Calabouço”, bela música do mariliense (paulista, portanto, Ricardo, como você) João Luft, mais conhecido como “Sérgio Ricardo”. Irmão do Dib Luft, um dos maiores – há quem o considere o maior – dos fotógrafos de cinema brasileiros.

    Sérgio Ricardo, ou simplesmente João, é um músico. Como são os irmãos Zezé e Luciano.

    Dib Luft é um artesão do cinema. Como – por aproximação – serão suas filhas Mariana e Carolina, esta, possivelmente mais do que aquela.

    Não vi o programa por uma singela razão: não gosto de música sertaneja. O que não quer dizer que isso seja verdade para todos, é claro. A vida dos famosos irmãos, assim como a vida de todos, a sua e a minha também, Ricardo, mereceriam filmes. Se bons ou se maus, se maiores ou menores, isso já é questão de outra natureza.

    Sua “proibição” de encampar comentários sobre política e politicagens – e mais ainda, ofensas e grosserias – neste espaço destinado à beleza, que você e muitos outros, decerto, enxergaram no muito provavelmente belo programa sobre a dupla e o Brasil que a cerca, sua “proibição, retomo, é compreensível, e é talvez – tenho dúvidas – respeitável. Afinal, quem lê os absurdos que pululam inapelavelmente pelas redes e faces e blogues e sítios, são – é, no seu caso – os moderadores.

    Ainda assim, e com todo o respeito que você merece, Ricardo, faço, por meio deste comentário, meu pequeno protesto. Afinal, se um blog também é integrado pelas vozes escritas dos comentaristas, faria realmente sentido exibir um artigo ou “post” fosse sobre o que fosse, versasse sobre o que versasse, sem que os tradicionais comentaristas – incluo-me no rol – dele pudessem se expressar com a liberdade que se espera de alguém que a defende, como você?

    Estamos em uma época de Fla-Flu? Trata-se de uma avaliação respeitável, várias vezes defendida por você. Eu, e não só eu, discordo. A não ser que Fla e Flu, “in casu”, possa ser traduzido por “Capital e Trabalho” (sem relação de ordem com o Fla e o Flu). Pois é disso que se trata, no fundo. E sempre. Ou quase isso.

    Ademais, prezado Ricardo, não custa lembrar que os próprios artistas retratados no belo programa envolveram-se em campanhas políticas, há não muito tempo atrás, e salvo melhor juízo, em apoio a correntes opostas entre si.

    Enfim, como você mesmo diz, “vida que segue”.

    Espero, tenho esperança, Ricardo, que você abra uma exceção para este texto, escrito com carinho e honestidade, publicando-o por aqui. Ou se preferir não fazê-lo, por entender não condizente com os termos impostos por ti, rogo-lhe ponderação para – quem sabe? sugestão … – colocar a matéria “censura” (pus aspas, Ricardo!) em pauta, em inserção futura.

    Cuidado que estamos em momento no qual o “Calabouço” do grande Sérgio João Ricardo Luft, mariliense, paulista e brasileiro, infelizmente, pode voltar à pauta. E olha que o que não falta são Velhos Novos e Novos Velhos na tocaia surda da censura prontos para o bote.

    Coragem e humildade, homem! Reveja – ainda que parcialmente! – sua “ordem”.

    Até porque de “ordens” e de “ordem” estamos todos cheios!

    Saudações, honestas. Seu leitor. Bissexto, mas leitor. Obrigado!

    1. Gostei muito do teu comentário, caro Jorge Moraes, ponderado e bem argumentado.
      Pode ter certeza que aqui não vai ter censura, mas de vez em quando preciso colocar um pouco de ordem na casa onde moro e trabalho, em respeito a todos os leitores.
      Escrever para mim é um prazer, moderar nem tanto. Não é fácil, podes crer…
      Apareça sempre, grato pela participação
      Ricardo Kotscho

  13. Brilhante programa, assinado por uma grande e talentosa jornalista, que traz no DNA a competência e a sensibilidade de captar e escrever os fatos como assim a notícia deve ser.

    1. Valeu, Arleyde,
      muito grato pela tua mensagem. Parabéns a todos os que participaram da produção deste programa especial do Zezé e Luciano.
      Abraços,
      Ricardo Kotscho

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *