Minha descoberta da meditação: por que não tentar?

Minha descoberta da meditação: por que não tentar?

“Esqueça suas ideias preconcebidas sobre meditação. Esqueça a embalagem esotérica. A meditação vale muito a pena _ mesmo se você tiver vergonha de admitir que está praticando” (Dan Harris).

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Trata-se de algo tão pessoal e intransferível que fiquei em dúvida se deveria tratar aqui desta descoberta. Sei que corro o risco de incompreensão e ficar parecendo um novo “zen” tocando flauta na praça das perdidas ilusões, mas acho que devo compartilhar com vocês a minha recente experiência com a atividade da meditação, após superar os preconceitos que ainda cercam esta prática secular.

Por uma feliz série de coincidências, resolvi ouvir as recomendações feitas por várias pessoas próximas e queridas, até pelo meu médico geriatra, um praticante e estudioso da meditação. Por que não tentar?, pensei comigo, já que mal não vai fazer.

Caiu nas minhas mãos e terminei de ler por estes dias o livro 10% Mais Feliz _ Como aprendi a silenciar a mente, reduzi o estresse e encontrei o caminho para a felicidade _ Uma história real, de Dan Harris, lançado no Brasil pela Editora Sextante. O autor também é jornalista, repórter e apresentador da rede de televisão americana ABC News, um agnóstico tão cético quanto eu, que nunca tinha se interessado pelo assunto, antes de ser escalado para fazer matérias nesta área.

“Se, no dia em que cheguei a Nova York para começar minha carreira em telejornalismo, você dissesse que eu acabaria usando a meditação para neutralizar o poder da voz dentro da minha cabeça, eu teria rido na sua cara. Até pouco tempo, meditação para mim era coisa de mestres indianos de barbas longas e hippies que não gostam de tomar banho (…) Depois de aprender a meditar, a prática vai criar espaço em sua cabeça para que, quando estiver furioso ou irritado, você tenha menos propensão a morder a isca e perder as estribeiras”, escreveu ele na apresentação do livro.

Foi o que aconteceu comigo apenas alguns dias depois de me dar a primeira chance, e foi bem mais simples do que eu pensava. Não existe uma receita pronta e acabada para meditar, nem era o objetivo de Harris fazer proselitismo para entregar um prato feito aos leitores como tantos autores de livros de autoajuda.

Correspondente de guerra escalado para a cobertura de conflitos pelo mundo afora, do Afeganistão ao Congo, passando por Palestina, Israel,Iraque, Haiti e Camboja, entre outros países, Dan Harris era um profissional extremamente competitivo, que só pensava em subir na carreira, quando acabou descambando para as drogas e teve um ataque de pânico ao vivo durante a apresentação de um telejornal da ABC em rede nacional. Salvou-o uma decisão da chefia da emissora que mudou sua pauta, para preservá-lo, e assim ele trocou as guerras por temas, digamos, mais espirituais.

O resto desta fascinante história, contada com muita franqueza, compaixão e desapego, vocês podem encontrar neste pequeno livro de 218 páginas: é um thriller da vida real com final feliz.

Vou dar apenas um breve testemunho sobre o que aconteceu comigo, sem querer ensinar nada a ninguém. Fui lendo o livro aos poucos, à noite, antes de fazer minha meditação, já deitado na cama, para dormir em seguida.

Bastam 15 a 20 minutos por dia. O mais importante que aprendi foi a prestar atenção na respiração e tentar não pensar em nada ou só imaginar coisas boas para esvaziar a cabeça do maior mal que me afligia: a pré-ocupação, ou seja, o hábito de me preocupar com o que fiz ou deixei de fazer, e os compromissos do dia seguinte, sempre achando que nada vai dar certo. Se os pensamentos ruins voltam, não tem problema, é só retomar o ponto inicial.

Algumas pessoas usam repetir um mantra, uma palavrinha qualquer, para dar ritmo ao ato de deixar entrar e sair o ar dos pulmões. Outras fazem uma oração final. Eu costumo ter uma breve conversa com meu pai do céu para agradecer pelo dia que passou e pedir proteção e saúde para a família, mas nada é obrigatório, não tem regra. Às vezes, durmo no meio da conversa. E tenho dormido muito bem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

21 thoughts on “Minha descoberta da meditação: por que não tentar?

  1. Oi, Ricardo, que bom que você escreveu sobre meditação como havia prometido há algumas semanas. apesar de não ter mais preconceito com essa prática salutar, achei que o nome do livro parecia coisa de auto-ajuda. mas, lendo a história do Dan Harris, dá pra ver que ele não é nenhum panaca, muito pelo contrário. o Heródoto, que é budista, faz meditação??? você tem um ótimo colega na Record com quem trocar figurinhas sobre o assunto. ficou faltando uma coisa. você havia dito que estava lendo o livro sobre meditação porque seria tema de um encontro do seu grupo de oração. peço que, quando tiver esse encontro, escreva um post sobre esse tipo de grupo, pode ajudar muita gente. beijos. Vanda.

  2. Muito bem, Kotscho, a meditação e práticas similares não são tão difundidas porque são particulares, como você disse, mas também porque as pessoas receiam parecer “estranhas” em seu ambiente de trabalho. É um preconceito real, embora bobo, pois creio que essas disciplinas são interessantes até em termos econômicos, para as empresas e para o país. Coisas como o chi kung chinês, a yoga indiana e a própria meditação geram uma melhoria psicológica e física indiscutível na maioria dos casos, o que fala por si.

  3. Muito legal, Kotscho, faço isso a muito tempo, todos os dias, No começo foi difícil ficar concentrado, mas passado um tempo exercitando a respiração, agente se desliga rapidamente…..esse post veio a calhar pelos momentos que estamos passando…..pelo menos tenho em mente…TUDO PASSA

  4. Mestre balaieiro, em tempo de crise, segundo a mídia, a mais terrível desde que os Dinossauros trocaram Pindorama por Jurassic Park, na Universal em Orlando, considero obrigação divulgar, “de grátis”, metodologia automática, portanto menos exigente, descoberta por acidente, como é de praxe em onze de cada dez descobertas, sem que no caso de agitado insone, necessite gastar suas escassas platas com livros, vídeos e mandrakarias outras, que ensinam a pensar ‘não pensar’, para dormir ou acalmar-se. Basta assistir no horário desejado, qualquer dos programas de entrevistas políticas e econômicas disponíveis gravados na Globonews ou ler até dez comentários de coxinhas replicantes no Balaio, e ao sentir a cabeça vazia e olhos não percebendo mais a tela, desligar o aparelho utilizado e ir deitar-se. É tiro e queda, cabeça no travesseiro e em menos de 15 segundos estará em sono profundo. PS: Método não recomendado aos que dormem acordados. Vídeos com participação de marco antonio villa, o tempo de ocorrência do efeito reduz-se à metade.

    1. eu uso outro método…ou coloco a musiquinha da mandioca da Dilma ou qualquer discurso do Lula como som de background…é tiro e queda, em 5 minutos já tô roncando…

    2. mandrakarias ( rsrsrs ) á parte, cardeal Dias..este método é infalível…kkk…o efeito contrário é o cara os levar a sério, o Ricardo entrou nesta e já tá praticando meditação transcedental como forma de terapia.

    3. Melhor que o esvaziamento da mente é a satisfação do sofrimento alheio, sofrimento dessa gente que se auto denomina progressista e se acha o supra sumo da inteligência,que vomitou no passado recente fómulas mirabolantes de soluções e críticas irresponsáveis a procedimentos muito bem calculados e elaborados.Chegou a vez desses sangrarem e a satisfação de vivenciar a arrogância chafurdando não tem preço. Num bota culpa na crise não,é incompetência mesmo.

    4. Muito mais que meditações e precisamos de fortes orações e muita sorte para suportar o que vem por aí, pois o dólar já bateu nos 4 e 25 nas casas de câmbio. Dias, ô Dias ,acorda Dias Acorda e medite muito… O Rio Grande do Sul já está pagando a herança do Tarso e o funcionalismo recebe o mês em 6 parcelas ,por enquanto, pois parece que o PT esvaziou o butim e o Brasil terá que ”privatizar” os pampas.

  5. Conhece o classico : O Poder do pensamento positivo, do autor Norman Vicent Peale; que os pais costumavam fazer os filhos ler, tal como faziam beber Oleo de figado de bacalhau, aquele do homem com um peixe nas costas? – Pois é, é bem legal! Mas meditar é uma coisa que o brasileiro não faz. Certamente se os brasileiros, principalmente os paulistas, fizessem uma regressão não na mente, porque a mente falha as vezes, mas uma regressão na historia, com a ajuda de fatos documentados nos principais veiculos de midia do Brasil; aí certamente “”constatariam que: Quando o governo Itamar ha 22 anos atras, com a ajuda de pessoas importantes da sociedade, fez o Plano Real?URV, o Brasil conseguiu estabilizar a economia; mas porém quando o presidente Itamar passou o governo para o FHC do PSDB, que nunca tinha administrado sequer a dispensa da casa dele, o Brasil voltou a estaca zero, porque o FHC do PSDB Destruiu o plano real e a economia brasileira; e quando o Lula do PT assumiu o governo que o FHC do PSDB deixou quebrado com uma inflação de 12%, uma taxa de juros 42% e uma desemprego de 17%; ele Recuperou o plano Real e a economia brasileira, trazendo a inflação para 6,5%, a taxa de juros para 14% e o desemprego para 8%; que permanecem até hoje no governo Dilma do PT. E aí provavelmente ficaria mais dificil para “fecharem os olhos para os fatos” e continuarem a acreditar “no ouvi dizer” ou “no que a fingida midia, quer transmitir”. A realidade pra quem abrir a mente, e tirar do coração o preconceito ao nordestino Lula, é que: O Itamar criou o Plano Real e estabilizou a economia; o FHC do PSDB Destruiu a economia Brasileira e o Lula do PT recuperou as finanças do Brasil. “””-Os brasileiros precisam Meditar mais, e precisam ler mais”””, para saberem o que está nos seus Subconsciente e o que está no seu inconsciente, a espera de serem reativados tal qual um HD. -Só espero que nessa onda de “Biografias Trash”, não aparece alguém, desses que fazem de tudo para aparecerem nas colunas sociais; para assim escrever a biografia do Fernando Henrique Cardoso; porque aí seria demais, ver essa mesma meia duzia que embarca nessa viagem do Aecio Neves, apoiada pelo inconsequente Padrão Globo de jornalismo, de que o Brasil vive uma crise sem controle; gastando dinheiro com um livro que se propõe a contar a historia do FHC; afinal nem todo escritor tem inclinação para a lúdico.

  6. Uma coisa parece certa. O método recomendado pelo Kotscho deve ter sido seguido de prontidão pela Dilma. Pois ela acaba de convidar o Cunha para uma “DR”. Depois do acordo com o Renan, um papinho “zen” com o Cunha, na presença do Jantot. Em uma semana são arquivadas as acusações contra o dito cujo, e a Dilma passa a ter um dos mais novos aliados, o Super Zen, Eduardo Cunha, e aqui pipocarão comentários da turminha vermelha comemorando que a Dilma “dominou o Cunha”!

  7. Eu, particularmente, gosto muito da meditação transcendental do indiano Maharishi, que ficou conhecido mundialmente como o “guru dos Beathes” na década de 70. Na década de 80 aprendi a técnica, mas atualmente não a pratico, porém acho que é uma técnica muito válida em todos os sentidos, principalmente na questão da saúde e no combate ao stress que parece ser o “mal do século”. Coincidentemente, no portal UOL saiu uma notícia hoje, que na escola municipal “Lupercio Belarmino da Silva” de Florianópolis (SC), os alunos aprenderam a meditar e a pratica está fazendo tanto sucesso que a Prefeitura está estudando a possibilidade de ampliar a pratica da meditação para outros estabelecimentos da rede. Acho muito bom, sr. Kotscho, que tenhas despertado o seu lado Zen. Apoio sua descoberta e que ela só lhe traga benefícios.

  8. Notei que os “mortadelas” do Balaio quase nao postaram aqui nestes dias…seria o rombo do orcamento? ou seria a técnica do Kotscho de meditacao….pegaram no sono durante a meditacao e nao acordaram mais…

  9. Kotscho, se você reler seu artigo vai observar duas coisas aparentemente conflitantes. Primeiro, você se declara agnóstico. Ao final, confessa que reza para Papai do Céu. É engraçado a gente se ver rezando quando não acredita naquilo que é objeto da oração. Também sou assim. No meu caso acho que decorre da lavagem cerebral a que fui submetido nos meus 12 primeiros anos de vida. No seu, só você sabe.

    1. Caro Jordelino,
      foi falha minha ao não me expressar direito no texto porque juntei duas coisas diferentes na mesma frase. Agnóstico é o autor do livro, não eu. Como ele, sou cético, o que é outra coisa. Relendo o texto, não ficou clara esta distinção.
      Abraços,
      Ricardo Kotscho

  10. Ricardo, que bom vc ter chegado lá e agora recomendar que mais gente venha a fazer o que faz… Até aqui, embora haja tentado N vezes, nunca consegui. Mas agora, estimulada por vc r pelo Dan Harris, vou tentar com mais dedicação e afinco. Bjo saudoso, Marilda Varejão

    1. Cara Iara,
      só pelo teu comentário, já valeu a pena escrever este texto, que a maioria não entendeu ou não leu e não gostou, porque não fala de política.
      Não custa nada tentar, só pode fazer bem pra vocês. E vou torcer pra que teu neto goste.
      Meditar me ajuda até a moderar comentários imbecis.
      Boa sorte, abraços
      Ricardo Kotscho

  11. Caro Kotscho, adorei ler esse texto seu. O meu marido, que foi judoca, me ensinou a trabalhar a respiração para suavizar as dores de cabeça que tenho com uma frequência atordoante. Ele fala para respirar e inspirar concentrando-me na saída e entrada do ar. É incrível como ajuda. Nunca quis praticar Yoga, mas já li muito sobre meditação… e como a Iara escreveu, eu também fiquei motivada para ler um pouco mais sobre o assunto. Já que vc que é uma cabeça pensante, e pré-ocupada, diz que está gostando, nós ficamos influenciados… Essa pré-ocupação é até natural para quem tem compromisso e seriedade com o seu trabalho. Gostei quando vc escreveu: “Se os pensamentos ruins voltam, não tem problema, é só retomar o ponto inicial.” Os pensamentos negativos perseguem o nosso silêncio, é só tentarmos ficar mais calmos, que algo, na forma de pensamento ( sempre negativo ), vem para nos aflingir…”Se os pensamentos ruins voltam, não tem problema, é só retomar o ponto inicial.” Quem sabe está aí o segredinho! E por que não tentar, não é mesmo? Abraços e Obrigada.

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