Nós e o tempo: breve reflexão sobre a velhice

Nós e o tempo: breve reflexão sobre a velhice

Quando a velhice chegar

Eu não se se terei

Tanto amor pra te dar

(“Os Velhinhos”, música de José Messias, que foi gravada por Roberto Carlos no começo dos anos 70).

Em tempo (atualizado às 9h30 de domingo, 26.7):

o domingo amanheceu ensolarado, o frio deu uma trégua, hoje é Dia dos Avós e tem festa de aniversário do grande cidadão Audálio Dantas (idade indefinida), no 38 Social Clube, na Lapa, com música ao vivo e churrasquinho. Viva a vida!

Nada como um dia após o outro.

***

Sabadão de inverno, bem frio e chuvoso. Dia bom para ficar em casa e ler um livro. O primeiro que vi na estante foi um que ganhei no ano passado do bom amigo Eros Grau, o ex-ministro do STF, uma grande figura, que encontro vez ou outra no bar da esquina.

Dei sorte. O livro dele “Paris _ quartier Saint-Germain-des-Prés” é um passeio afetivo de quem ama e conhece bem a cidade e sua vila mais charmosa, onde tem passado boa parte do ano. Já li quase cem páginas, mas resolvi dar uma parada para escrever este texto.

Não tem nada a ver com o livro nem com o autor, mas venho pensando neste tema da velhice já faz algum tempo. “Você não é velho”, retrucam parentes e amigos quando toco no assunto. Eles não entendem que a mesma idade cronológica não é igual para todo mundo. Tem gente com 80 anos que parece estar com 70 _ e vice-versa.

A sensação do tempo passado vem vindo de mansinho, aos poucos, sem aviso prévio. Não marca dia. Vai se insinuando pelas frestas da alma e dos joelhos, cada dia mais um pouco. A família brinca comigo sobre esta mania de falar que estou ficando velho desde quando era moço.

Só que agora não é mais brincadeira. Aos 67 anos, mais de meio século trabalhando como jornalista, depois de dar várias voltas por todos os Estados brasileiros e por meio mundo, passar por umas 15 cirurgias e por quase todas as grandes redações brasileiras, sinto-me como um maratonista, feliz pelo percurso vencido, quando olho para trás, mas cada vez mais cansado, sem saber quanto falta para chegar.

Cansado de fazer, ouvir e falar as mesmas coisas; de dar murros em ponta de faca; de nadar contra a maré; de sonhar sonhos impossíveis; de acreditar em quem não merece; de jogar tanto tempo fora com coisas que não valem a pena.

Pois chega a hora em que dá mesmo uma certa “lebensmüde”, expressão alemã que não tem tradução em português, e significa mais ou menos cansaço da vida ou bateria fraca. O problema não é só físico, mas mental. A gente sabe que precisa fazer caminhadas, nadar, correr, cuidar do corpo, do espírito e da cabeça, mas cadê força de vontade para fazer o que o geriatra manda?

No último aniversário, ganhei até uma bicicleta ergométrica que fica aqui no escritório só me olhando, pedindo para ser usada. Fica sempre para amanhã, enquanto passo o tempo todo lendo ou escrevendo, gastando a cabeça e o que me resta de neurônios. Para quê?

Se algum leitor está passando pelo mesmo problema e tem a receita para enfrenta-lo, envie, por favor, aqui para o Balaio.

Apesar de tudo, vida que segue.

Bom final de semana.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

49 thoughts on “Nós e o tempo: breve reflexão sobre a velhice

  1. Kotscho, perfeito o teu comentário. Veio a calhar nesses tempos de se maquiar a velhice. Não digo só no aspecto físico (cirurgia plástica), mas no psicológico. Essa história de dizer “a melhor idade”. Nos aeroporto, quando chamam os “passageiros da melhor idade”, tenho vontade de dizer um palavrão. E há várias velhices, não se pode encarar todas da mesma maneira. Um lavrador, um gari, atendente de saúde ou um PM que trabalha desde os 20 anos,aos 55 está mais desgatasdo fisica e emocionalmente que um juiz, um jornalista ou outro profssional de letras ou gabinetes. Mesmo assim, no Brasil, só há dois tipos de aposentadoria: umas especiais (legislativo, judiciário, universidades publicas, etc) que costumam ser cheiaas e generosas, e a do povo (INSS), perturbada pelo maldito fator previdenciário criado pelo sociólogo FHC, pelo PSDB e mantido pelos governos do PT com leniência do Legislativo e da mídia. Uma injustiça que, perto dos 73 anos, me deixa mais pobre, diminui o meu poder aquisitivo. Por isso, já encaro fazer a minha “balada de Narayama”, aquele filme japonês sobre um costume dos filhos levar os pais idosos para morrer de frio no alto da montanha, costume esse endossado pelos velhos. Não vou para Campos de Jordão, mas…vou encontrar meu Narayama. Abraços

    1. Alfredo Sterheim – 15:21, vamos propor o seguinte: o PMDB devolve pra Dilma a CPMF, criação dos tucanos, e Dilma extingue o Fator Previdenciário, outra roubalheira dos tucanos. Quem concorda ? Acho que o Alfredo não concorda !!! Mas voltando ao pedido do Kotscho, quem sabe devêssemos perguntar o que pensa a respeito o Celso Junqueira, autor deste belo comentário em post anterior ( 23/07/15 – 19:47). “Sr. Enio, eu tenho quase os mesmos planos que o senhor. Sei que não realizarei nenhum deles, mas… se o senhor conseguir, saiba que ficarei muito feliz.” Taí, Kotscho !! Se formos capazes de nos alegrar com a felicidade alheia, seremos tambem capazes de desdenhar de nossas próprias dificuldades e desafios. Mas isso é pra mais tarde, pois somos ainda jovens e praticar esportes, ainda que leves como simples caminhadas, fazem um bem “danado” ao corpo e principalmente a mente, alma e espírito. Captou, Kotscho ? Aconselho ignorar a ergométrica e adotar caminhadas ao ar livre numa área verde como a USP. Voce terá o inconveniente de topar toda manhã com o mala sem alça do Balaio, que te dará um enorme apoio e promete não incomodá-lo com pedidos de autórgrafo, selfies, dinheiro emprestado, etc…(vai, isso sim, emprestar-lhe o “O Século dos Cirurgiões”), se voce prometer não censurar-lhe os comentários que não firam as regras do Balaio. Abração, Kotscho.

    2. Victor Hugo, você errou no palpite. Concordo com a devolução do CPMF e com a extinção do fator prevodenciário. Como disse a Luciana Genro na campanha eleitoral, é uma das maiores maldades cometidas por um governo contra os velhinhos. E como disse a Angela aqui, o benefício vai sumindo sumindo… justamente na hora mais necessária. Eu,jornalista e cineasta prestes a completar 73 anos . 5 ou 6 cirúrgias (estou perdendo do Kotscho) trabalho e gosto de trabalhar. Mas já não tenho o mesmo fôlego e nem as mesmas oportunidades. E me irrita, me revolta ver essa leniência com as aposentadorias diferenciadas. Como a do sociólogo FHC na USP (uns 22 mil), de membros do judiciário, etc, enquanto o povo da 3ª idade faz das tripas coração para sobreviver com boa qualidade. Eu ja cortei acupuntura, ingressos de cinema e teatros, não compro roupa há mais de 3 anos, Comprar esteira? Então, tá… Paro por aqui. Nessa polarização PT-PSDB, o povo idoso saiu perdendo. O governo Dilma não encarou como deveria essa questão. E a oposição tucana não está nem ai, só quer revolta, alterar o resultado eleitoral. TRiste

  2. Caro jornalista. Na verdade é necessário ter a consciência da velhice. No final do ano farei sessenta. No entanto o tempo veio rápido demais. Caminhando para a sexta cirurgia, pressão arterial sob controle por medicamentos não posso reclamar da vida. Da linha da extrema pobreza consegui chegar a universidade e concluir o mestrado e trabalhar um pouco. Mas a vida não é como imaginamos possuindo revezes impossibilitando prosseguir no que sonhava e procurei realizar devido a um câncer na laringe. Isso explica os imprevistos da vida em quem não bebia nem fumava, gastando a voz em salas de aula e conferências minha paixão. No entanto algo maior determina nosso caminhar. Confesso haver dificuldades quanto a situação, mas procuro através da leitura e escrita a suavidade desse tempo, ouvindo os papos dos filhos que procuram acalentar uma vez que optei ser pai no momento de melhoria social e econômica pessoal. Mas consciente caminho para a reta final acredito ter cumprido um pouco da missão a mim determinada só nascer que não pedimos. Pedimos para não morrer, mas é o ciclo da vida. Guardando ainda sonhos e projetos a serem realizados tornando importante o sentido da vida.

  3. Boa noite Ricardo, boa noite amigos balaieiros.

    Bem meu caro, as vezes todos nos sentimos assim mesmo. Principalmente em dias como esses, frios e chuvosos, enfim, ideais para uma boa filosofada.
    Mas o que me encanta na vida, é justamente a eternidade dela. O fim, ao menos o que o bom Zé tem me ensinado, é, na verdade, apenas um novo começo. Já imaginou quanto desperdício se simplesmente desaparecêssemos do universo? Quando melhoramos o mundo meu amigo, não é somente para nossos filhos, netos ou os outros filhos e netos, é para nós mesmos também.
    Ou aqui, ou em outras moradas, sempre estaremos, de alguma forma, caminhando rumo à tão sonhada “verdade que não nos salvará, mas sim, nos explicará enfim, tudo o que verdadeiramente somos afinal”. Quando vejo isso em cada gota que cai da chuva tamborilando no piso ou na grama. Quando vejo isso num corpo material que o tempo devora, mas jamais irá devorar o que realmente somos. No universo das esferas infinito e completamente aberto à novos conhecimentos, à novas existências, e, por que não? A novos sentimentos aos quais ainda nem somos capazes de sequer imaginar…!
    Abrçs

    Robson de Oliveira

  4. Ricardo, se você quiser posso apresentar à sua a minha bicicleta ergométrica. Elas podem bater papo nos longos períodos de inatividade!

    1. Caro ex-gordo Carlinhos,
      aproveita e vem junto com a tua bicicleta.
      Assim, enquanto elas conversam, a gente bota nosso papo em dia…
      Abração,
      Ricardo Kotscho

  5. Creio, meu caro jornalista, que a única coisa que nos mantém “jovens” é o trabalho. Assim como você, já passei dos 60, também por 7 ou 8 cirurgias e, por vontade e necessidade continuo trabalhando bastante o que me motiva cada dia mais pra enfrentar essa “velhice” que não se cansa de nos lembrar diariamente que está presente em nosso corpo mas não em nosso espírito. Num dia como hoje, frio e chuvoso, ideal pra ficar em casa vendo um bom filme também senti-me um tanto desmotivado. Cada período que fico no Brasil não vejo muitos motivos para otimismo em relação ao futuro. Os anos e os governos se sucedem e não se consegue construir um projeto consistente de País, a nível político e econômico. Isso desanima muito a quem trabalha e paga seus impostos (absurdamente altos se considerados os benefícios recebidos). Independente desses processos desmotivadores a todos principalmente a quem chegou a terceira idade, temos que continuar buscando motivação em nosso trabalho e em nossa família que são os únicos bens”reais” que possuímos.

  6. Gosto muito de seus textos, Kotscho! Sempre me identifico com o que eles relatam, salvo raras exceções, geralmente nas análises políticas, das quais às vezes discordo inicialmente para dias depois dar o braço a torcer e reconhecer que você estava certo, talvez porque não tenha a sua vivência como jornalista. Essa tal melhor idade, como disseram outros comentaristas, é uma falácia e me irrita também. A velhice chega para todos. Para mim ela se antecipou bastante. Ainda em atividade como professora, ganhei uma artrite reumatóide aos quarenta e um, hipertensão aos quarenta e cinco e ao logo dos anos fui acumulando efeitos colaterais da artrite e outros pequenos problemas da “velhice”, embora venha lutando contra ela com todos os recursos de que disponho. Não sou exatamente ociosa, pois faço todo o serviço de casa e ainda faço caminhadas ocasionalmente. Estou aposentada, sobrevivendo com um plano de saúde pra lá de simples e uma aposentadoria do governo estadual ( que o Sr. Richa parece que vai conseguir piorar). E muitas vezes me ponho a pensar exatamente como você fez neste artigo. Mas não dizem que o brasileiro é um forte? É sim. Aqui estamos nós vivendo e sobrevivendo. Como você bem diz: vida que segue. Abraços.

  7. [Talvez o pior da velhice seja o não saber-se rejuvenescer!]

    PARECE QUE EU ESTAVA ADIVINHANDO!

    em sab, 25/07/2015 – 15:19, eu escevi um comentário, no qual destaco o excerto:
    [… A cena do crime [impune] que interessa ao esgoto da fasciterrorista ‘veja’:
    no final de semana, a capa IMUNDA sendo vista nas gôndolas dos supermercados pelos clientes na fila do caixa;]
    Parece que eu estava adivinhando!
    Por volta das 18h00 de hoje, estava na fila do caixa de supermercado!
    O relato contado, parece mentira!
    Mas, é a pura verdade!
    Um senhor se aproxima da fila!
    Um aposentado que se vangloria de estar sempre viajando ao exterior!
    E o filho “profissionalmente bem-sucedido”, segundo ele, também!
    E desanca:
    “Fulano de tal, você viu a cara do ‘bicho’ na capa da ‘veja’?”
    “Seu menino”, o sangue do matuto espumou de raiva e de indignação!
    E esbravejei:
    – O advogado do empreiteiro da OAS já desmentiu mais esse factoide da ‘veja’!
    Meu senhor, nem a ‘Folha de São Paulo’, nem o ‘Estadão’ e, pasme, nem o jornal ‘O Globo’ repercutiram esse factoide criminoso!
    De novo, o aposentado raivoso!
    “Lógico que a ‘veja’ não iria inventar uma coisa dessas!”
    – Senhor, o pior que inventou!
    E essa prática delinquente é algo trivial para esse panfleto golpista!
    E, repito, o advogado já desmoralizou a matéria da ‘veja’ dos fascistas Civita!
    “Como desmoralizou?
    A delação ainda vai ocorrer!”
    – Meu senhor, a editora Abril está fechando as portas! Ninguém mais acredita neste folhetim golpista!
    Nesse momento, um boçal da fila gritou:
    “Me dê, aí, um exemplar! Hoje, eu vou levar a ‘veja’!”
    Retruquei:
    – isso é uma revista criminosa, o esgoto do jornalismo! Melhor, [o esgoto] do pseudo-jornalismo…
    Nesse momento, fui chamado para passar as compras!

    RESCALDO: a inaceitável e abominável falta de comunicação do governo… A incapacidade de ‘o [tíbio] PT da Governança’ travar o lídimo, pedagógico, civilizatório e democrático debate…
    Tudo isso e muito mais, nos impinge a passar por situações constrangedoras a exemplo desta…
    Tendo que discutir, publicamente, com seres ‘midiotizados’ – e de essência reacionária, preconceituosa, retrógrada… Fariseus hipócritas…

    Messias Franca de Macedo – hoje, escrevendo diretamente de Salvador-Ba
    República de ‘Nois’ Bananas

  8. boa noite, 67 anos a vida esta começando, vc já conversou com seu geriatra sobre reposição hormonal, pode ser o caso, vc fala de exercicios fisicos, se vc nunca fez ou fez pouco começar é muito dificil, mas não impossivel, contrate um personal se for o caso, mas a minha dica principal é essa, VC É A PESSOA MAIS IMPORTANTE DO MUNDO PARA VC MESMO, quando vc for se levantar da cama de manhã, faça a coisa que te da mais prazer, alegria, crie a sua própria FELICIDADE todos os dias, pois nós só somos responsáveis por nós mesmos. um abraço e boa sorte, vida que segue.

  9. Lá vai uma do agreste: “essas marcas no meu rosto, não são marcas de desgosto”. Isso, só isso, já vale a pena, embora haja tanto desgosto nessa vida. Grau foi meu professor de direito econômico. Lá se vão mais de quarenta anos. Com Bandeira de Mello formava a dupla de ouro da GV. Bons tempos. O professor despojado, contudo, deixou-me um gosto amargo de fel no canto da boca, quando desempatou a votação do STF e convalidou a Lei da Anistia.

  10. Mais provável as bicicletas ERGOMÉTRICAS do Kotscho e do Brickman sairem correndo sozinhas pelas ciclovias do Haddad que esses dois animarem-se a praticar esportes. E durma com um barulho desses !!!!! /// Johnny (18:39), meu fíi, estou estarrecido em saber sua idade, pois pelo teor das sandices que voce escreve no Balaio, podia jurar que voce não passava de um adolescente semi alfabetizado, como bem demonstra sua frase: “Os anos e os governos se sucedem e não se consegue construir um projeto consistente de País, a nível político e econômico”. E o que atrapalha a concretização desse projeto, tolo, se os governos se sucedem e blá blá blá blá…. ? A resposta sempre esteve aqui no Balaio, mas como voce e o Alfredo Sterheim não conseguem enxergar, peço licensa ao Kotscho pra recomendar-lhes que leiam os monumentais posts “A imprensa contra todos nós” publicado em 29/06/2015 e “O Capitalismo é imoral” (que reproduzo a seguir) publicado em 08/07/2015 por Milly Lacombe em seu blog: “Vivemos em um mundo no qual 7 bilhões de pessoas dependem do petróleo. Há petróleo em quase tudo que usamos – plásticos, resinas, nylon, algodão, poliéster, jeans, joias, carros, aviões, cosméticos, protetores solares etc etc etc – e comemos, porque ele é também usado nos mais variados adubos. É realmente muito difícil olhar em volta e ver algo que não dependa do petróleo para existir e ser consumida.

    Vamos deixar de lado o fato de o petróleo ser um bem escasso, extraído através de um estupro à natureza, e tentar entender a parte econômica da situação.

    Apenas como ilustração, e antes de entrarmos na economia do troço, cientistas do mundo todo dizem que se não paramos de extrair petróleo imediatamente e deixarmos tudo o que resta de reservas fósseis no solo alcançaremos em pouquíssimo tempo aquele ponto de “não há mais retorno”, e a possibilidade de vida decente sobre a Terra se esgotará em duas ou três gerações. Sabendo disso o que fazem as corporações que extraem petróleo? Furam ainda mais rapidamente.

    Mas vamos a outras imoralidades.

    Uma dúzia de corporações – se tanto – controlam o petróleo no mundo: extração, distribuição, cotação.

    Essas corporações são administradas por um corpo diretor de, no máximo, 20 homens (brancos, se posso chutar). São eles que decidem o destino de um bem escasso do qual 7 bilhões de pessoas dependem.

    Numa conta burra, somos reféns da vontade de 200 homens brancos que estão onde estão porque, acima de qualquer coisa, sabem gerar lucro para eles mesmos e os acionistas de suas empresas – e às custas de nossa dependência.

    Em que situação se encontram 7 bilhões de pessoas hoje? Algumas estão muito bem.

    Existem, segundo a Forbes, 1.826 bilionários no mundo (eram 322 no ano 2000). Sessenta e sete desses bilionários são os felizes proprietários de metade da riqueza do mundo.

    Vou escrever outra vez para que não achem que foi um erro de digitação: 67 bilionários têm a mesma riqueza de 3.5 bilhões de seres humanos.

    A previsão é que, se nada mudar, em 2100 nosso planeta abrigue 11 trilionários. Onze.

    Vamos para o outro extremo.

    Um bilhão de pessoas vive com menos de dois dólares por dia. Em 2050 seremos 10 bilhões de almas nesse planeta, sabe-se lá quantos de nós na mais completa miséria já que, por essa época, 11 pessoas concentrarão em suas mãos mais da metade da riqueza do mundo.

    O que nos trouxe até aqui? Um sistema econômico feito da promíscua parceria entre governos e corporações, que não se importa em explorar a natureza e seres-humanos em nome do lucro máximo e a curto prazo.

    Hoje, o “deus-mercado” tudo pode. Compra-se desde uma cela melhor em algumas prisões (por U$ 82 por noite em Santa Ana, Califórnia), o direito de imigrar para os Estados Unidos (por U$ 500 mil), o direito de atirar em um rinoceronte negro (por U$ 150 mil) e o número do celular de um médico (por U$ 1500 por ano).

    “Mercados se desconectaram da moral e precisamos reconectá-los”, escreveu o professor de filosofia Michael Sandel. E foi, aliás, de seu livro – “What Money Can’t Buy” (O Que o Dinheiro Não Pode Comprar) – que tirei todos esses exemplos.

    É hora de entendermos a extensão da imoralidade do sistema que nos embala.

    Não se trata de pregar o comunismo ou o socialismo porque não sabemos o que pode substituir o capitalismo, mas de perceber que o que temos hoje está esgotando a possibilidade de uma vida minimamente decente sobre a Terra.

    Se nada mudar, acabaremos nos extinguindo; o que, na história do mundo, é apenas natural porque espécies nascem e morrem. O grande problema, acho, não é acabar com a vida humana – essa tão rica e cheia de possibilidades – mas acabar com a Terra. Somos, afinal, menos importante do que esse planeta tão exuberante. Existimos há 40 mil anos, e a Terra está onde está há 4 bilhões.

    É hora de enxergar que o capitalismo é uma imoralidade. Um pouco de humildade para aceitar esse fato e buscar uma alternativa nos faria prevalecer, e, de quebra, deixar que o único planeta que, até onde sabemos, foi capaz de gerar vida continue a existir.” /// Johnny, sei que perdi meu tempo com voce, que alegará que é tudo culpa do PT que explora as entranhas do Pré-Sal e blá blá blá…..Mas outros Balaieiros aproveitarão esse monumental texto (e tambem o outro sobre nossa imprensa) da/o mais genial bloqueira/o da atualidade, na minha humilde opinião. Abração a todos.

    1. Vitor Hugo, seu comentário foi mesmo uma aula. Gostei de ler. Li sua relação de livros que indicou para o Kotscho e também para todos nós. Nossa, não li nem 10% do que vc já leu. O último livro que estou tentando ler e não terminei ainda é o Dois Irmãos de Milton Hatoum e olha que ele é pequeno. Como já disse aqui sou uma ex-bancária aposentada do Banco do Brasil e também uma ex-profissional liberal do ramo da saúde, portanto minhas leituras são mais voltadas para esse setor, mas acho que vou tentar ler um dos livros que vc indicou.

  11. Caro Kotscho Decidi que vou viver até morrer fumando, bebendo e comendo de um tudo !!! Quando eu frequentava o Bar Contramão ali na beira da Av. Braz Leme que tem um canteiro central cheio de pistas para caminhadas, todo dia passava por mim um “veínho” todo “saúde é o que interessa” e me criticava pelo meu sedentarismo de sede além da conta. Ele dizia que eu deveria seguir o exemplo dele que nunca bebeu, nunca fumou e tinha alimentação regrada desde a sua juventude. Passava por mim só para me provocar metido naquele tênis Nike dele, vestido da sua camiseta regata branca para exibir melhor a musculatura, sempre de short apertado para exibir sei lá o que e partia para a sua caminhada noturna (me contaram que fazia o mesmo de manhã bem cedo, mas eu nunca na vida estava acordado para comprovar). Todo dia era o mesmo sermão com ele saltitante irritando os meus ouvidos: “- Como pode um cara inteligente como você, beber desse jeito e todo dia quando deveria, ATÉ POR SER CADEIRANTE, qualificar teus maus hábitos para preservar pra valer a tua saúde ??? Não sabe que seguindo assim vai morrer precocemente??? Não tem amor pelos teus ???” (até pra recitar a mesma diária ladainha, o “véio” tinha um linguajar elegante tanto quanto enojante)
    Certo dia tava eu ali cumprindo o meu ritual de balcão quando veio a notícia: “- Enio, Enio !!! sabe aquele teu “amigo” veínho que te enche o saco todo dia ??? Pois então, acabou de ser atropelado lá no canteiro central da avenida quando fazia seus exercícios !!! O corpo tá lá amassado no chão feito uma bolacha !!! Um carro saiu da pista e pegou ele em cheio !!! Morreu na hora !!!”
    O que dizer caro Kotscho ??? Se a gente tem hora pra nascer tem também que ter hora pra morrer. O “véio” nunca bebeu, nunca fumou, nunca comeu (com aquela empáfia eu acredito que nunca) e morreu quando chegou a sua hora. Fez o que no meio ??? O bom da VIDA é o MEIO meu bom amigo. E se o joelho doer toma mais uma pra rebater !!!

    1. É o que eu sempre digo: todos nós quando nascemos já temos carimbado o nosso “prazo de validade”. Quando chega nossa “data de vencimento” é tchau e um abraço.

  12. Sossega aí, Ricardão. O melhor está por vir Não é possível que depois de tanta luta iremos morrer na praia do velho continuísmo da mesmice. A última chave do molho é a que abre a porta. A saideira está chegando, como nunca antes visto na história deste país. ” Vamos que vamos, para onde ? ” Vamos que vamos à Democracia Direta com Meritocracia Eleitoral, para tonar o nosso Brasilzão o país mais avançado do Planeta Terra. Não deixaremos por menos. ” A vida é uma festa na qual a gente entre sem ser convidado e sai antes que ela termina”. No caso vamos tornar a festa da vida para às futuras gerações muito melhor do que a que herdamos dos nossos país, avós …, até porque se as nossas gerações, que já viram de tudo neste país, até vaca voar como disse Ulysses, não fizermos isso mercê de Deus ninguém fará. FHC-PSDEMB-AGREGADOS, PELA OPOSIÇÃO, e LULA-PTMDB-AGREGADOS, PELA SITUAÇÃO, E CIA, DEVEM CONVERSAR SIM, porém com a Mega-Solução, e como partes do problemão estabelecido por ele$ no seio da nação, jogando irmão contra irmão, até porque uma conversa apenas entre FHC e LULA de nada adiantaria em termos de Solução, posto que tratar-se-ia de uma conversa do nada com o coisa nenhuma em termos de Projeto Novo e Alternativo de Política e de Nação, valendo lembrar que são exatamente ele$ o nó górdio da questão da qual mais de 70% da população quer se libertar, à medida em que a sociedade quer caminhar para frente, mas os me$mo$ obrigam-na a permanecer estacionada no velho lugar comum que convém apenas aos me$mo$, não obstante o adiantado da hora e o estado de putrefação do modello podre, metida numa guerra tribal primitiva por poder, dinheiro, bocas, vantagens e privilégios, protagonizada pela situação, pela oposição e pelo golpismo-ditatorial, todo$ com prazo de validade vencido há muito tempo, e dos quais somos todos vítimas e reféns há 125 anos ? O cristal de fato partiu, para todo$. Vai dar tudo certo, faremos a melhor travessia já feita pela humanidade.

    1. Meu caro Loriaga, vejo seus comentários, sempre falando de uma tal “mega solução”, rompimento com o sistema, um monte de siglas, e tal… Que “mega solução” é essa?

  13. Caro Ricardo Kotscho, hoje cedo em visita à casa de minha mãe abri o armário e vi um sapato velho meu. Olhei para os pés e vi que meu par de sapato novo estava mais velho que o meus sapatos velhos. Fiquei com isso na cachola. E agora ao ler seu texto, veio essa questão de novo à minha mente. Não sei porque, mas fui até o armário e troquei os sapatos. E agora te digo para continuar sonhando e escrevendo seus sonhos, suas opiniões e seus humanismos porque tem muita ”’vida que segue”’ pela frente. abraço!

  14. Querido Kotscho, tenho pra mim que esse cansaço não se deve tanto pelo tempo passado, mas sim pelo tempo presente. Com tanta gente perdida e descontrolada, plantando, colhendo e espalhando ódio, com tantos politicamente corretos ao extremo recriminando tudo que há de mais humano e outras babaquices desse tempo estranho fica difícil manter o vigor. Desesperança também contagia, infelizmente, mas pior mesmo é a falta de disposição em sair disso. Não desista, querido Kotscho, mais do que nunca o Brasil precisa de gente equilibrada, apaixonada, com fé na vida para quebrar isso e você sempre foi fonte inesgotável desse tipo de poesia. Eu que o diga! Sempre recorri aos meus ídolos, como você, para voltar a acreditar, e nesse momento difícil que estou passando e que parece não ter fim, vocês são a fonte que não deixam minha inspiração secar de vez. Vocês têm o dom de enxergar beleza onde ela parece mais improvável e isso nunca foi tão urgente. Respire fundo e continue sendo nosso contraponto. Beijo.

    1. Obrigado, querida Aliz, pelas tuas generosas e animadoras palavras.
      Estava sentindo tua falta aqui e vou fazer o possível pra não te decepcionar.
      Concordo que o problema é o tempo presente, mas o passado começa a pesar, não tem jeito.
      Temos que olhar pra frente, não desistir nunca, eu sei, que amanhã será outro dia, como diz a canção.
      Beijo,
      Ricardo Kotscho

  15. Tudo o que é humano me interessa e quero novos projetos
    Estimulado pela reflexão sobre a velhice de Ricardo Kotscho
    Bosco Rolemberg
    Longe de mim indicar receitas.
    Vale contar a experiência de cada um .
    Tudo o que é humano me interessa e quero projetos pra mais 30 anos .
    Aos 68 anos, sou aprendiz de sax alto .
    Mas passo a maior parte do tempo nas redes sociais compartilhando o que existe de justo e avançado em qualquer parte do mundo.
    Do passado eu aproveito as experiências positivas, os acertos, as conquistas , as qualidades destacadas em quase sete décadas.
    Não vejo a hora de comemorar logo os setenta.
    Aplaudimos e vibramos com cada passo adiante da criança todo dia, é da natureza.
    Por que não aceitar a limitação que se nos apresenta com a idade todo dia? É da natureza.
    Chega uma hora que precisa fazer ajustes, adequações nos métodos e tarefas, porque a energia e disposição não são as mesmas de cinquenta anos atrás.
    Dediquei toda a minha juventude e maturidade a luta social pela liberdade, soberania e justiça social. Valeu .
    Respondemos com coragem e sacrifício as exigências do nosso tempo.Valeu.

    Usufruimos agora a sensação maravilhosa da tarefa cumprida.
    Intranquilo hoje com a ameaça de retrocesso no país, depois de tantos avanços .
    Dentro das novas condições , compartilho o esforço para barrar os golpistas.
    Estarei ao lado das barricadas do povo, buscando ser fiel as minhas origens, formação , experiência e conhecimentos.
    Não tendo mais dedicação e prioridade exclusiva , nem tempo integral.
    Com a vantagem da sabedoria do tempo, para uma justa avaliação do papel dos líderes e da correlação de forças.
    Atento a tudo de novo que acontece pra não envelhecer.
    Fazendo coisas que me dão satisfação.
    Definindo a minha participação no projeto coletivo.
    Dedicando mais tempo a família pra juntos continuarmos a caminhada.
    Costumo brincar com o medo da morte, fechando as comportas , não dando brechas pra este pensamento.
    Por que me preocupar ?
    Não quero saber quanto tempo eu terei pela frente.
    Brindando a vida todo dia, correndo atrás do por do sol e acreditando no amanhecer.

    1. Caro Bosco Rolemberg,
      aprendi muito com o que você escreveu e espero que os demais leitores também aproveitem estes belos pensamentos de vida.
      Vou tentar seguir tuas lições, aqui no blog assim como na vida.
      Grato pela participação. Apareça sempre.
      Abraços,
      Ricardo Kotscho

  16. Invencível Audálio! Ao lado de Dom Paulo Evaristo Arns foi o mais impávido, diante da Igreja da Consolação, desassombrado e destemido presidente do sindicato dos jornalistas de São Paulo. E numa época em que se corria o risco quase certo de morrer por isso.
    Vida Longa, Audálio!!!!

  17. Caríssimo Ricardo. Qual o que? Você com 67 e eu com 60. Sinto-me tão jovial que nunca esqueço dos meus 24 para 25 anos. Não faço plano para a velhice, vivo os dias de forma saudável e sem pensar no futuro. Isso revigora-me e torna-me jovial. Apesar das dores na lombar, postural essas dores, trabalho, invisto na minha familia, ouço reclamos da companheira e combato os maledicentes do governo, participo de grupos sociais, remeto suas crônicas, tomo meu wisky, dou uns couros numa moto, pego uma novinhas e por ai vai.
    Acho que o negócio da jovialidade é acionar o feromônio (rsrsrsrs) no resto quero viver até os 90 num,a boa. E suas crônicas são PILULAS REVIGORANTES……….grande abraço;…

  18. isso mesmo ,o tempo e uma sucessao de fatos em relaçao ao terceiro planeta em relaçao ao sol, quem perder o sentido dele sao chamados de loucos, ,,, e eu estou caminhando neste sentido, mas tenho que largar isso,,,,a coragem ja nao e mais a mesma,estou a cada dia com mais dsanimo,,nao frequento academia, nao faço caminhadas,,,,e moro enfrente umaavenida onde todos caminham o dia inteiro,,,sera que e a idade que chegou ou e desanimo meu,,,hoje tenho dinheiro, nao trabalho,sou dono do meu nariz e o unico esforço que faço e ir ao banco sacar dinheiro e ver se meus credores imobiliarios fizeram o deposito,,,,o que adianta isso se o desanimo esta romando conta de mim,,se eu continuar assim posso ate adoeçer,,,prometo que vou levantar a cabeça e voltar a fazer tudo que fazia antes,,pois estou apenas com 58 anos,,,conto esta historia para muitos verem que ter carroes ,dinheiro, apartamentos fechados a beira mar, nao adianta nada se o cansaço tomar conta de voces,,,isto esta acontecendo comigo,,,,,,,,façam exercicios ,,assim todos estarao dispostos a cada dia,,,,

  19. Estou passando pela mesma situação que você,tenho 68 anos mas cheguei a seguinte conclusão: Buscamos dinheiro, fama,reconhecimento mas não buscamos a felicidade e onde vamos encontrá-la? No amor ao próximo, deixemos de pensar em nós mesmos, tiremos o espírito de egoísmo que reina entre nós, arregacemos as mangas e vamos fazer uma análise do que deixamos de fazer e vamos cooperar para fazer o bem sem olhar a quem. Muita saúde e paz!
    O resto a gente segue atrás.

    1. Ótima a tua receita, Valdira.
      Minha mulher tinha me falado mais ou menos as mesmas coisas quando leu meu texto ontem. Te agradeço.
      Abraços,
      Ricardo Kotscho

  20. Aos 62 anos, também sinto o mesmo. Tentei buscar explicações, porque até uns meses atrás me achava o mais otimista dos mortais. Acho que tem muito a ver com o clima de caos que existe (foi criado?) atualmente no país, além da mudança dos costumes (começo de século?). Temos obrigação de reagir e mudar as coisas, hoje mais do que nunca. Você, com sua inteligência e liderança, tem o dever de ser uma dessas vozes.

  21. Helena (10:49), leio, por prazer, os grandes Classicos da Literatura Universal, obras monumentais, verdadeiros presentes para a humanidade. Atualmente nossas livrarias estão entulhadas de lixo, infelizmente. Abração.

  22. Caro Ricardo
    Sinto-me como você e….penso leio e escrevo.
    Acho a velhice sem graça e chata.
    E gostaria de ter um botão que eu apertasse escrito :chega!
    Um abraço

  23. Kotscho…Achados do Tempo…autor:Rodrigo Penna. …..”Envelhecer tem sido um achado. O medo de envelhecer,dizem,é de lascar, mas envelhecer, convenhamos, não é só a única saída,é a melhor delas.Pra fugir de tanta babaquice, pra entender o que é o desapego, pra curtir, de fato, a vida, envelhecer ensina.Sentimentos ganham medida. Ansiosos ganham refresco, filhos perdoam os pais e pais perdoam os filhos, de grave basta nossa memória.A pressa juvenil perde aquele tom estridente….Tudo faz mais sentido ou finalmente deixa de fazê-lo.Dor e euforia se acomodam em seus lugares. E, muitas vezes, nos deixam em paz.Outras não .A vida refina o paladar e você descobre o sabor da água.O sabor do tempo.O valor de cada momento.Envelhecer tem sido um achado, realmente. Eu acho menos,procuro menos,espero menos,respiro mais e melhor e quando suspiro hoje guardo esse momento só pra mim.A idade é o trilho, envelhecer é a viagem.E o amor…..Eta trem b~ao! E o coração, finalmente, ganha nossa atenção.Ternura será nosso castigo. Coragem, o nosso espólio.Vou amar o silêncio,aceitar o esquecimento, dormir depois do almoço, andar devagarinho,mas não sei o que farei com a partida daqueles que amo.Pois a única certeza que tenho na vida, além da morte, é esta: Um amigo é o mais perto que chegaremos de Deus”….

    1. Minha cara Denise,
      belos ensinamentos do Rodrigo Penna.
      Lembrei-me de uma entrevista da Tônia Carreiro quando fez 80 anos. A repórter queria saber, em resumo, como é ficar velho, quais os problemas trazidos pela idade. Seguiu-se o diálogo:
      Tônia _ Não é muito bom, tem os achaques da saúde, mas a opção é pior.
      Repórter _ E qual é a opção?
      Tônia _ A opção é morrer, minha filha…
      Pois é, só fica velho quem está vivo.
      Grato pela participação, um beijo
      Ricardo Kotscho

  24. Mestre, amigo da onça esse Eros, onde já se viu, repetir o amigo Ciro, de Francisco e te dar esse presente de grego ao invés do “Triangulo no Ponto”. Afinal, o “Triângulo” ao menos é mais animadinho, mais para cima que, “Paris _ quartier Saint-Germain-des-Prés”, essa melancolia acordeônica, de velho cumprindo rotina de elefante em Ville de France. Não cai nessa de exercícios físicos, metafísicos e trabalhistas, receitados por “jovens sessentões”, acredite que Brickmann não está brincando, portanto, fuja dos que vivem fugindo a, aprender tocar saxofone, andar de moto, pegar umas novinhas, etc., etc., etc., e mude de calçada se ver pela frente, colecionadores de doenças e operações cirúrgicas, os que receitam autoajuda de almanaque e tem esperança que os filhos entreguem o que jamais poderão ou quererão entregar ou a certeza que Deus está esperando-o no outro lado com passaporte para o paraíso, em Miami. Enfrente a marvada de frente, realismo puro, cantando, …”Chega de saudade / A realidade é que sem ela não há paz / Não há beleza / É só tristeza e a melancolia / Que não sai de mim, não sai de mim, não sai / Mas se ela voltar, se ela voltar / Que coisa linda, que coisa louca / Pois há menos peixinhos a nadar no mar / Do que os beijinhos que eu darei / Na sua boca…”, por isso acho que essa tua melancolia ligeira é puro Nelson Rodrigues com Sobrenatural de Almeida, pois bastava Eros ter lhe presenteado com o Triângulo no Ponto e estaria bem mais aceso que melancólico, bem de encontro ao conselho exceção que alguém lhe fez para que “respire fundo e continue sendo nosso contraponto”. Além de não deixar dona Mara preocupada, esse bando de mercadantes conselheiros, caso registrada a animação, tal qual a melancolia, ao invés de solidariedade por semelhanças, achariam-no meio esquisitão, ou seja, mesmo sabendo que “a gente leva da vida, a vida que a gente leva”, não sabem nada da vida. E quem sabe, né?

  25. “Pois chega a hora em que dá mesmo uma certa “lebensmüde”, expressão alemã que não tem tradução em português, e significa mais ou menos cansaço da vida ou bateria fraca. O problema não é só físico, mas mental. ”

    Minha humilde opiniao: vc nao está cansado da vida….vc está decepcionado com o rumo tomado por seus amigos e simpatizantes do PT. O cansaco vem da desilusao…Tiveram uma oportunidade de ouro de fazer a mudanca e “melaram” tudo…vc me parece ter lutado honestamente por uma nobre causa por décadas e está vendo to o trabalho ser arruinado por pessoas despreparadas e corruptas. Por isso, o foco deve ser na causa e nao no Homem. Minha “bandeira” é fazer o bem, ser ético e honesto, dentro do meu micro-cosmo…respondo apenas por mim e meus atos…vida duríssima, pois nao há conchavos e acertos….mas muito compensadora…

  26. Prezado Kotscho: Você não está sozinho nessa. Muita gente que conheço e eu mesmo também estou “Cansado de fazer, ouvir e falar as mesmas coisas; de dar murros em ponta de faca; de nadar contra a maré; de sonhar sonhos impossíveis; de acreditar em quem não merece; de jogar tanto tempo fora com coisas que não valem a pena.” E “a receita” pra sair dessa rotina chata, porque aqueles sonhos que tínhamos quando a idade era a metade ou um terço dessa de hoje, ou já vivemos ou ficaram lá pra trás e agora talvez não façam mais sentido. Mudar o trajeto de casa pro trabalho (e vice versa), procurar novos botecos pra tentar rolar outros assuntos e passar o dia num banco de praça e se, possível, de frente pro mar, sem fazer absolutamente nada, a não observar os movimentos que se apresentam, podem dar um refresco pra alma. Agora uma coisa pra mim é certa: o cara ou cientista que falou que essa é a melhor idade deve ser mesmo um xarope.

  27. “…que é a velhice? Teu ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança.” Carlos Drummond de Andrade. O problema não é o envelhecer. O problema é quando a pessoa envelhece e acha que não tem mais nada a aprender com a vida ou que não tem que mudar certas atitudes porque já viveu muito. Ainda sou jovem, mas aprendi que ter bom ânimo ajuda a manter a esperança viva e sonhar ajuda a viver mais. Quando observamos a imensidão do céu notamos a importância de se manter viva a esperança seja qual for a fase da vida. E seja qual for a fase cronológica da vida que estamos vivendo ter bom ânimo nos ajuda a enxergar todas as situações de maneira otimista. Quem dera se na bagagem da vida todos nós carregássemos bom ânimo, amor, esperança, bondade e perdão, assim poderíamos ter a graça de conviver como irmãos, de nos importar uns com os outros e o egoísmo não separaria os seres humanos e nem causaria guerras.

  28. Achei esse trecho de musica, que você colocou, um tanto quanto erótico (rs). Lembra daquele samba campeão da união da ilha do governador: “”Como será o amanhã, responda quem puder… O que irá me acontecer? O Meu destino será como DEUS QUISER!””. Então meu caro Kotscho, somente Deus sabe a hora e quanto tempo de vida ainda teremos. Certamente você ja viu “muitos mais novos do que você morrendo, e muitos, muito mais novos do que você também partido”. Faça exercicios sim, mas dentro do seu limite. Faça-os de forma gradual. Mas, o mais importante é “ter atenção com a alimentação: Evite frituras, modere o sal e o açucar”; e o mais importantissimo “é manter o bom humor”. Dar murros em ponta de facas, é ruim. Porém pior seria se a ponta de faca lhe intimidasse. Você está fazendo a sua hora e não esperando acontecer. -Um carman ghia, as musicas do Roberto Carlos e as ideias de Marx; jamais serão velhos. São classicos! E…. “”””””Vida que segue, meu prezado Kotscho”””””” ( Quem cultivar a semente do amor, segue em frente e não se apavora, e se na vida encontrar dissabor vai saber esperar a sua hora. E’ dia de sol, mas o tempo pode fechar, a chuva só vem quando tem que molhar. Erga essa cabeça, mete o pé, vai na fé e mande a tristeza embora. Basta acreditar que um novo dia vai raiar, e a sua hora vai chegar. -Grupo revelação).

  29. Oi, Ricardo

    também estou com 67 anos e, há alguns anos, venho sentindo algumas coisinhas da idade. além do problema de memória, o que me abalou mesmo nessa área física foi a artrose que surgiu há cerca de um ano no joelho direito, péssimo para uma andarilha como eu.
    mas a gente vai levando. o pior mesmo é a perda da esperança para uma pessoa que, lá na faculdade, nos anos 70, achava que o país estaria com o básico resolvido quando eu chegasse aos 40 anos. sem chance, né???
    êta texto dark. logo mais, depois que eu rever a “Blue Jasmine”, do Woody Allen, o astral melhora.
    beijos e saudade. Vanda.

    1. cara vanda,
      que bom que você apareceu por aqui.
      somos contemporâneos de sonhos, conquistas e frustrações. E vamos que vamos levando.
      Eu agora vou fazer o que posso: um bom peixe para o jantar.
      Grato pela participação e volte sempre.
      beijo,
      ricardo kotscho

  30. Amigo Kotscho:
    Segue aí um texto da escritora Raquel de Queiroz para reflexão de seus leitores de todas as idades, que é um verdadeiro poema exortando a Vida plena em todas as suas etapas.
    Um forte abraço
    Vitor Buaiz
    A arte de ser Avô

    Netos são como heranças: você os ganha sem merecer, sem ter feito nada para isso, de repente lhes caem do céu. É como dizem os ingleses, num ato de Deus. Sem as penas do amor, sem os compromissos do matrimônio, sem as dores da maternidade. E não se trata de um filho apenas suposto, como adotado. O neto é realmente o sangue do seu sangue, filho de filho, mais filho do que o filho mesmo… Quarenta anos, quarenta e cinco… Você sente obscuramente, no seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem as suas alegrias, as suas compreensões, todos dizem isso, embora você ainda não tenha descoberto, mas acredita.
    Todavia , também obscuramente, também sentida nos seus ossos, às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade. Não de amores, nem de paixões: a doçura da idade não lhe exige essas efervescências. A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de criança no seu pescoço, choro de criança. O tumulto da presença infantil ao seu redor. Meu Deus, para onde foram as suas crianças. Naqueles adultos cheios de problemas que hoje são seus filhos, que tem sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento à prestação, você não encontra de modo nenhum as suas crianças perdidas. São homens e mulheres – não mais aqueles que você recorda.
    E então, um belo dia, sem que fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino. Completamente grátis – nisso é que esta a maravilha. Sem dores, sem choro, aquela criancinha da sua raça, da qual você morria de saudades, símbolo da mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino seu, que lhe é “devolvido”. E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito de o amar com extravagância, ao contrário, causaria escândalo e decepção, se você não o acolhe imediatamente com todo aquele amor recalcado que há anos se acumulava no seu coração.
    Sim, tenho a certeza de que a vida nos da netos, para nos compensar de todas as mutilações trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis. Aliás, desconfio muito de que netos são melhores que namorados, pois que as violências da mocidade produzem mais lagrimas do que enlevos.
    (Rachel de Queiroz)

    1. Grande Vitor Buaiz,
      muito grato pela tua valiosa participação neste Balaio.
      Para quem não lembra, Buaiz foi governador do Espírito Santo, médico dos bons, um cidadão de respeito.
      Estamos bem de comentaristas…
      E este texto da Rachel de Queiroz é um raio de luz em meio a dias escuros.
      Abração,
      Ricardo Kotscho

  31. Caro Kotscho, o meu texto ficou longo, mas, por favor, não precisa publicar, gostaria apenas de dar uma força para você e escrever o que eu penso sobre o seu texto.

    Caro Kotscho, fiquei muito pensativa sobre o que você esceveu! Eu tive como vizinha uma senhora que morreu com 104 anos. Lúcida. Pessoa comum, que adorava torrar o seu próprio café e cuidava da sua pequena horta no quintal da casa. Teve 10 filhos. O corpo envelheceu. A mente ficou intacta. Me reconhecia sempre que eu chegava na casa dela. É difícil envelhecer! É sim, mas é a realidade da vida! É a natureza sempre em ação. Você acabou de chegar de férias! Era pra você ter recarregado as baterias para continuar a sua missão: escrever. Caro Kotscho, é natural você se sentir desanimado. Você tem uma história de vida. Mesmo quando você admite que faltava coragem, você foi à luta! Recordar é viver. Permita-me „te apresentar a você“: Já nasceu jornalista. Com 16 anos iniciou sua carreira no jornal do colégio. Trabalhou e destacou-se nos principais veículos da imprensa. Cobriu o desabamento em Caraguatatuba revelando a dramática narrativa das vítimas. Levava para as redações e bastidores a realidade da vida, retratando-a através de informações “in locu”. Por ter cumprido o seu papel de jornalista investigativo durante o regime militar, e publicado a verdade sobre os fatos da época, foi perseguido e partiu para trabalhar na Alemanha. Domina o alemão desde criança, por isso conhece bem o significado da palavra „lebensmüde”. Cobriu o movimento das Diretas-Já. Acreditou no Lula e mais uma vez colocou a sua paixão em favor da notícia. E o que dizer do Prêmio Esso de Jornalismo, Herzog entre outros? Todos conquistados pelos livros que, mais uma vez, revelaram o prazer (e a dor) de realizar a sua paixão, o corpo-a-corpo com a notícia. E o que dizer do Troféu Especial de Imprensa da ONU!? É filho, marido, pai, avô. Família é importante para conhecermos a nós mesmos. Amigo. Pense nos seus verdadeiros amigos. Colunista. Escreve artigos cujas palavras saem do coração! Toca fundo aqueles que se deliciam com as suas investidas e incomoda, profundamente, aqueles que discordam das suas colocações. Esses pensam que são os donos da verdade. Hoje em dia, invertidamente, o repórter é a notícia. Com a sua história de vida, caro Kotscho, resgatei a idéia de que o verdadeiro repórter (ia) vai atrás dos fatos! Imagino que o jornalismo não é mais assim. Precisamos que você continue a compartilhar conosco as suas experiências. Viva a internet, mesmo com o seu lado obscuro. Compreensivelmente você está cansado, aborrecido, mas não esgotado e nem vencido. Você ainda tem muito o que colaborar! Você é como o bambu que vai e vem com a força da ventania, balança, enverga mas não quebra. Precisamos de você que acredita, que luta, que se cansa, que fica desanimado, “lustlos”, mas que respira fundo e se levanta a cada amanhecer e uma vez mais. Abraços e Obrigada.

    1. Cara Magnólia,
      quem tem que agradecer sou eu, pelas tuas amáveis palavras e lembranças, pois é isso mesmo: a cada amanhecer é preciso reencontrar ânimo pra pegar no batente e encarar a realidade.
      Cansaço vem e volta, cada dia é diferente do outro, mas ninguém pode fugir ao seu destino. O meu é escrever sobre o que está acontecendo, mesmo que eu não goste, e continuar acreditando que amanhã há de ser outro dia, como dizia o poeta.
      Muito grato pela tua participação. Volte sempre.
      Forte abraço,
      Ricardo Kotscho

  32. Creio que o poema seguinte (cujo título não me lembro), de autoria do padre Antônio Tomás (príncipe dos poetas cearenses) relata, em versos, o que você diz em prosa:

    Quando estamos no verdor dos anos,
    Da vida pela estrada florescente,
    As esperanças vão conosco à frente,
    Vão ficando atrás os desenganos.

    Rindo, cantando, céleres, ufanos,
    Vamos marchando despreocupadamente.
    Mas eis que chega a velhice de repente,
    Matando ilusões, desfazendo enganos.

    Então nós enxergamos claramente
    O quanto a existência é rápida e fugaz.
    E vemos que sucede exatamente

    O contrário dos tempos de rapaz:
    Os desenganos vão conosco à frente;
    As esperanças vão ficando atrás.

    P.S.1: A rua paralela à Rua Turiaçu, bem ao lado do estádio do Palmeiras, tem o nome desse poeta.

    1. Que belíssimo poema!, caro Judas Tadeu de Campos. Não conhecia padre Antonio Tomás.
      Muito grato pela tua participação.
      Abraços,
      Ricardo Kotscho

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