O drama de ficar sem trabalho por trás dos números

O drama de ficar sem trabalho por trás dos números

São poucas as coisas que efetivamente sabemos sobre os efeitos que produz um ajuste fiscal. A primeira é que eles sempre afetam o nível do PIB e distribuem os custos de forma desigual entre os trabalhadores, os empresários do setor real e os intermediários financeiros (Antonio Delfim Netto, na Folha).

 

Ainda bem que nunca passei por isso, graças a Deus. Nos meus 51 anos de carreira como jornalista, nunca fui demitido nem fiquei um dia sem trabalho. Sou um caso cada vez mais raro, eu sei.

Os números negativos divulgados pelo IBGE nesta terça-feira sobre aumento de desemprego e queda na renda dos trabalhadores no primeiro trimestre escondem dramas pessoais e familiares dolorosos que vão muito além das dificuldades financeiras momentâneas. Este é o lado mais desumano e injusto dos efeitos causados pela crise econômica.

Ficar sem trabalho mexe com a autoestima, altera a rotina das famílias, leva-as a refazer ou cancelar planos, a adaptar-se rapidamente a uma nova e cruel realidade que não tem prazo para acabar.

É uma bola de neve que começa nas casas e vai atingindo o comércio da vizinhança, os prestadores de serviços, os fornecedores das indústrias, as lotéricas, o vendedor de milho cozido, até chegar à próxima projeção do PIB.

Não tem outro jeito: quem fica sem salário no fim do mês precisa rapidamente decidir quais despesas podem ser cortadas e buscar outras fontes alternativas de renda, pois este é o único caminho possível nesta hora.

Enfrentar os custos desiguais de um ajuste fiscal, como ensina o professor Delfim, torna-se um desafio para 1,5 milhão de brasileiros sem trabalho, que poderiam lotar 20 Maracanãs, um número que vem crescendo de um mês para outro este ano.

Cabe ao governo federal, claro, utilizar todos os instrumentos para cortar as próprias despesas, melhorar as receitas e redirecionar os investimentos, contemplando setores capazes de gerar empregos a curto prazo e em larga escala.

Por exemplo: destinar mais financiamentos do BNDES a pequenas e médias empresas, e não só para grandes grupos econômicos. No macro e no micro, é preciso mudar prioridades _ nos governos, nas empresas e nas famílias, ter a coragem de abrir mão de alguns confortos e certezas, mudar os hábitos dos tempos de fartura.

Embora ainda não tenha acontecido comigo, a experiência de muitos amigos e parentes que já passaram por isso nos mostra que ficar sem trabalho e renda de um dia para outro passa por dois momentos distintos.

O primeiro, após o choque, mobiliza a solidariedade da família e dos amigos para ajudar quem ficou nesta situação, mas isso sempre tem um limite para quem vive só do seu trabalho e não tem outras rendas, como é o caso da maioria dos brasileiros assalariados.

Caso esta situação se prolongue _ e nada indica no atual cenário da economia brasileira melhora a curto prazo _ a questão deixa de ser só financeira e abala a autoconfiança do cidadão desempregado, que pode se achar culpado pelas dificuldades que enfrenta e fica com vergonha de pedir ajuda.

Este é o momento mais difícil. O desempregado precisa estar aberto a mudar de cargo ou função, aceitar ganhar menos e trabalhar mais, o que nunca é fácil para ninguém. A melhor forma de entender o que está acontecendo por trás dos números da economia é se colocar no lugar do outro, mas só a compaixão não resolve.

***

A fome tem nome

Em maio de 1984, no final do governo de José Sarney, quando vivíamos dificuldades análogas às atuais, os editores da Folha me pediram para fazer uma reportagem sobre desemprego que não se limitasse a teses e estatísticas mas mostrasse o dia-a-dia de uma família em que o marido e a mulher estavam desempregados. Reproduzo abaixo um trecho da matéria publicada no meu livro A Prática da Reportagem (Editora Ática, 1985):

 

A família Lima mora na favela Cinco de Julho, em São Mateus, a meia hora de carro do centro de São Paulo. É aqui, nesta casa de dois cômodos, escura mesmo de dia, sem água há meses por falta de pagamento, sem gás para o fogão por falta de dinheiro, que terminam todas as histórias de recessão, desindexação, carta de intenções com o FMI, reaquecimento da economia, balanço de pagamentos, recorde de exportações, inflação, nível de emprego, e tudo o mais que a família Lima pode não entender direito, mas sofre na carne.

Há quatro meses, a família Lima passa fome, literalmente. A mulher, Ana Maria Rocha de Lima, 34 anos, está desempregada desde outubro do ano passado. Em dezembro, chegaria a vez do seu marido, José Luis Souza Lima, 38 anos, paulista de Cravinhos, laminador de fibras de vidro.

“Se trabalhando já estava difícil, imagina agora”, diz Ana Maria.

Como é ter fome, o que você sente quando quer comer e não tem nada em casa?, pergunto à filha deles. Envergonhada como o pai, Claudilene, de 8 anos, fala baixinho:

“Eu fico quieta. Quando dá fome, eu sinto tontura…”.

A mãe ouve e começa a chorar, o pai vira o rosto e fica olhando para o vazio. “Pior é a Claudinéia… Quando chega uma certa hora e ela vê que ninguém vai para o fogão, não vê panela, senta ali naquela cadeira e chora, e chora. Tem vez que vou pedir ajuda pros vizinhos. Sempre tem aquele que tem um pouco mais e reparte. Um dia ou outro já dá pra fazer isso, mas todo dia não dá, porque eu sei que todo mundo tá com a vida dura também”.

Qual seria o grande sonho dessa família, o que eles fariam com o dinheiro, se amanhã, por uma bondade do destino e dos tutores da Nação, José Luis e Ana Maria arrumassem um emprego? A pequena Claudilene responde antes dos pais:

“A gente comprava bastante comida, né mãe?…”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

42 thoughts on “O drama de ficar sem trabalho por trás dos números

  1. Grande, Mestre. À elite do atraso e seus coxinhas aspirantes, no centro da meta, aos solidários, no centro do coração do Brasil, as trevas hereditárias, para onde navegamos desde que assumimos em 2003 para eliminarmos “o horror, o horror” da Casa Grande e conseguimos por doze longos anos, apesar da crise econômica mundial e tratando-se da história do Brasil, a inédita paz com o praticamente pleno emprego e prato na mesa de todos os brasileiros, sonho de uma vida, de tantos. Só os herméticos à solidariedade humana, a justiça e a igualdade do bem estar comum, rumo as metas, não compreendem que o ser humano não vive de números, de sorte, mérito ou competência produtiva, com isso apenas sobrevivem, a maioria, enquanto não desaparecem ou infelicitam-se. O ser humano vive de sonhos, paz, encontros, felicidade e utilidade. Sem utilidade não há ser humano, pois não há sonhos, não há encontros, não há felicidade e portanto não haverá paz para todos.

    1. Concordo com o Espósito…Toda vez que leio um comentário do Dias, do gesiel e do relinchante, vem logo na lembrança os músicos do Titanic… que tocavam. tocavam…

    2. Refletir sobre o que significa a inserção do Brasil em uma economia global, suas premissas, responsabilidades e consequências, seria interessante a todos que defendem. sem nada questionar. o governo Dilma. O avanço conquistado no campo social pelo modelo Lula/PT é inegável, mas o caminho adotado para chegar à tão almejada justiça social que todos queremos, mas da qual estamos muito longe, é questionável. Volto a sugerir aqui a leitura do artigo “É pau, é pedra, é o fim de um caminho”, do sociólogo César Benjamin, na última edição da revista Piauí.

    3. Pois é, Dias, nossa elite é por demais egoísta para aceitar que os da senzala desfrutem de privilégios que, até antes de 2003, só ela desfrutava. Não suportam dividir o mesmo espaço com o pobre. Acham que pobre só deve ser lembrado nas campanhas do agasalho e na época do Natal. Como é deplorável o egoísmo dessa gente.

    4. O mais trágico na ignorância literal explícita, de quem segue Kurtz, sem sabê-lo, não é viver nas trevas, mas sim, não percebê-la. As vezes, dá uma preguiça.

  2. Para quem se interessar, a revista Piauí deste mês traz interessantes artigos sobre a situação econômica e política do Brasil nos dias de hoje, que nos levaram, inclusive, à situação de ajuste fiscal e suas consequências, entre elas o desemprego e a redução de renda das famílias. Destaco “É pau, é pedra, é o fim de um caminho”, em que o sociólogo César Benjamin fala sobre o fim de um ciclo de “experimentação econômica” (definição dele).

  3. Nada resume melhor seu artigo, do que a fala do Ministro dos Transportes, Antonio Carlos Rodrigues, ao falar hoje 29/04, no Senado. “várias obras no país vão parar” e que ele “não pode esconder o que está acontecendo no ministério”.
    “Eu nunca esperava chegar no início de maio sem saber quais recursos teríamos”, disse.
    “Vou receber várias reclamações do senhores de “parou a obra tal” e vai parar sim. Assusta receber um telefonema dizendo “ou você paga hoje ou eu paro a obra” e eu não tenho [dinheiro para pagar]”, afirmou.
    “Os telefonemas que eu recebo e as visitas, nesse período de quatro meses, são só de reclamações por falta de dinheiro e de estabilidade porque não sabemos o que vamos ter pela frente”, completou.
    Creio que dispensa informar quantos pais de famílias ficarão sem empregos por isso.
    A maior culpada vai falar a nação? Explicar os motivos que fez chegar a esse ponto, mostrar o caminho? Não! Falaria, com certeza se tivesses eleições em seguida, mas como já enganou os idiotas, vai “dá de ombros”, como citou uma de suas paquitas!
    “O pior de tudo não é ouvir a comemoração dos criminosos, pois eles sempre comemoram, seja após um assalto a um banco ou após delapidar uma Petrobrás, o pior mesmo é perceber, que até mesmo governantes facínoras recebem aplausos”.
    Isso talvez se explica (o que muitos de nós não entendemos e nunca iremos entender), que governantes como Hitler, Saddan Hussein, Fidel Castro, Hugo Chaves, Maduro e outros, tiveram e ainda terão muito apoio popular. Não amigos, não é apenas uma “Síndrome de Estocolmo”, é o esdruxolismo, misturado com a hipocrisia, com fortíssima dose de idiotice com imbecilidade. É só isso!

  4. Pois é Sr;Kotscho o sr. viu de perto a crise dos anos 80 ,a qual foi produzida e gestada no útero infame da demagogia pós ditadura. O Brasil amargou quase duas décadas de recessão e hiperinflação que foi debelada a um custo social de proporções dantescas com o plano real. No primeiro ano da ”democratização” os demagogos inventaram uma política de reajuste salarial que era algo muito próximo da doidura; o gatilho automático, que repunha a inflação automaticamente aos salários. E o no que deu? Nossa memória é curta demais! Pobre ministro Funaro ,criou a hiperinflação e o desemprego. E olha Sr;Kotscho que ,à época não tinha ”’LAY OFF”, programas de demissões voluntárias e outras benesses dos dias atuais. Mas, infelizmente, as contas de todas orgias chegam. Hoje a Brastemp/Consul está anunciando a demissão de 3500 pessoas ,sem Layoff e sem prêmios adicionais.
    Oremos, pois. É que nos resta. Muta fé nestas horas.

  5. RK, não sei o porque do espanto.

    Já era previsível isto, inflação alta, PIB em baixa, governo com déficit fiscal, resultado? Desemprego. Infelizmente irá piorar antes de melhorar.

  6. Os numeros do desemprego no Brasil, “””São numeros muito melhores, muito mais baixos do que numeros de países de primeiro mundo”””. Emprego tem, o que falta “””é trabalhador qualificado”””. Que culpa tem a Dilma do PT, se, principalmente aqui em São Paulo, as pessoas preferem ir protestar contra ela, que está combatendo a corrupção; e contra o PT, que recuperou a economia do Brasil que o FHC que nunca tinha administrado nada, destruiu; ao invés de irem fazer cursos para se qualificar e ocupar uma destas tantas vagas disponiveis no Brasil? Que culpa tem a Dilma, se as pessoas formadas pelas escolas publicas do estado de São Paulo governado pelo Alckmin do PSDB, não sabem sequer preencher um curriculum quanto mais, terem condições para ocupar as inumeras vagas de trabalho disponiveis? -Não, não é justo ficar transferindo mais essa responsabilidade para a Dilma. A culpa pela falta de emprego, “”está na falta de qualidade das escolas brasileiras”” que os governadores oferecem, e na falta de percepção de algumas pessoas, que não cobram de quem é devido,e acabam ingenuamente sendo massa de manobra para engrossar as passeatas de quem ganha muito para faze-las. -Não dá pra dizer que o Brasil está em crise, quando “”o principal patrocinador do jornal Nacional, anuncia que está disponibilizando credito de 500 milhões, até para pessoas que estão com o nome sujo””; bem como não dá pra dizer a mesma coisa, quando o indice de desemprego no Brasil é de 6% enquanto a europa tem um idice medio de 11%; e empresas como uma montadora que saiu do Brasil ha mais de 40 anos, retorna ao Brasil montando uma fabrica que promete gera 7 milhões de empregos. O PT e a Dilma, estão fazendo as suas partes, com programas como o Bolsa familia, que “ajudou a diminuir a evasão escolar”. O que falta, é os governos estaduais oferencerem um ensino de qualidade, capaz de ajudar as pessoas a ocuparem as vagas que a industria não consegue preencher. Quem foi demitido nas empresas “”terceirizadas””, por conta da crise por que passa a Petrobras e todas as petroliferas do mundo, será absorvidos por outras empresas, porque são funcionarios qualificados, e futuramente poderão voltar a exercer suas funções especificas, quando as industrias de Petroleo e a Petrobras voltarem a se recuperar dessa crise que atinge todas as industrias de petroleo do mundo.

    1. Sério Geisel? acredita nisso tudo? A Dilma e o pt não só roubaram nosso dinheiro, nosso patrimônio, mas parece que também nossa auto estima. Até que a presidente precisou entregar o governo a um banqueiro e ao PMDB, talvez para fugir a sua responsabilidade e poder jogar a culpa nos outros, na tal “conjuntura internacional”. Não cola mais essa mentira tosca, e esses comentários partidários sem nenhuma analise verdadeira só deixam claro o desespero da militância. Caiam na real que fica mais fácil encontrar um novo caminho .

    2. É isso aí, Gesiel! Aqui mesmo na região do ABC há várias ofertas de emprego mas o que não é gente qualificada para preencher essas vagas. Uma sobrinha de uma conhecida minha trabalha no setor de recursos humanos de uma empresa, e ela mesmo diz que é triste ver como tem gente que nem sabe escrever direito, nem sabem preencher uma ficha de dados pessoais sem apresentar erros grotescos de português. São gerações de jovens que saem todos os anos das escolas públicas de SP com diploma na mão, mas todos analfabetos. A culpa disso tudo é essa tal progressão continuada adotada por governos do PSDB que acham que gastar com alunos que repetem de ano é uma despesa inútil, que precisa ser cortada. Gozado que estamos vendo greves de professores ocorrendo nos estados de SP, PR e GO. Todos esses estados são governados pelo PSDB. Esse partido realmente não valorizam a educação pública. Hoje mesmo, no PR, tivemos cenas grotescas, de uma verdadeira guerra contra os professores promovida pela polícia truculenta do governador Beto Richa onde mais de 200 professores e servidores públicos sairam feridos. Esses servidores estavam lá para defender seus direitos, pois Beto Richa queria que os deputados estaduais aprovassem um verdadeiro confisco no Fundo Previdenciário desses servidores públicos. É assim que esse partido PSDB trata os trabalhadores, na base da porrada, gás lacrimogênio e balas de borracha. Em SP estamos vendo o governador Alckmin esnobar a greve dos professores que nada mais querem do que o cumprimento da meta 17 do Plano Nacional de Educação (PNE), que é uma lei votada no Congresso e sancionada pela Presidente da República. Definitivamente, esse partido é que faz mal ao país.

  7. É graças ao Moro, milhares de trabalhadores ficaram sem seus empregos..Esse louco não vai parar enquanto não quebrar o Brasil de vez..

    1. Desempego graças ao Moro? Graças a corrupção que enriqueceu os corruptos que de vários partidos que estão no poder, isso sim. Culpar o Juiz Moro pelo desemprego é coisa de convertido alienado. A culpa pelo desemprego nas empreiteiras é do PT, PMDB e PP, que coligados se apropriaram da Petrobras.

    2. Srª. Elizabete Gomes[29/04/15] 14:01. Desculpe minha ignorância, porém não consegui entender sua convicção de ser “graças ao Moro” estar o Brasil na situação em que se encontra momentaneamente. Desculpe-me novamente, porém só posso imaginar que a senhora, ou não sabe ler e interpretar o que lê, ou então mentiram para a senhora que o culpado de tudo isso é o Moro. Procure saber a verdade. Por exemplo: até ontem [28/04/2014] a senadora Marta Suplicy era petista, e hoje, 29/04/2015, ela não é mais. A senadora foi uma das militantes que tornaram o PT um Partido Político como jamais existiu no Brasil. Hoje ela está saindo do PT por ter vergonha na cara e não compactuar com a roubalheira que o PT patrocinou nos últimos anos, exaurindo a Petrobrás para dizer o mínimo. Hoje a senadora Marta Suplicy está martelando o último prego que faltava para fechar o caixão funerário do PT. Hoje a senadora se sente envergonhada ao ver diversos petistas que com ela ajudaram a fundar o PT, todos eles cumprindo penas em cadeias ou usando tornozeleiras eletrônicas em liberdade vigiadas. Sugiro-lhe Srª Elizabete se informar melhor, antes de escrever bobagens como a de agora. Um sincero e fraternal abraço.

    3. Tem razão, Elizabete! juiz moro com essa sua insana cruzada contra o PT quis provocar uma quebradeira das empreiteiras brasileiras. Essas empreiteiras tiveram que demitir milhares de seus empregados. Sobre isso saiu um post na revista Carta Capital com o título: “Lava Jato: começa a quebradeira”. Existe um outro lado também que o blogueiro Miguel do Rosário comentou em um post sob o título “Wikileaks desmascara mentiras sobre Pasadena” que devemos considerar sobre a quebradeira das empreiteiras brasileiras. Miguel do Rosário comenta em seu post que navegando no novo site da Wikileaks se deparou com um bilhete diplomático, vazado pela organização, que em setembro de 2006, houve uma reunião entre empresários brasileiros, o embaixador norte-americano no Brasil, sr. Clifford Sobel, e o sr. Demian Fiocca, então presidente do BNDES. Nessa reunião se discutiu o aprimoramento das relações comerciais entre EUA e Brasil através de acordos mais amigáveis em torno de tarifas e regras de importação. A compra, pela Petrobrás, da Refinaria Pasadena, entrou como um dos principais exemplos usados pelos participantes, para melhorar essas relações. Outro exemplo era a construção do Aeroporto de Miami pela Odebrechet. Então quando surgiu esse escândalo em torno da compra da refinaria Pasadena o governo não falou o óbvio: que essa compra vinha sendo usada visando abrir negociações favoráveis aos interesses estratégicos do Brasil junto ao mercado americano. Agora a campanha para destruir as empreiteiras brasileiras, como identificamos na maneira como se tem conduzido a operação Lava Jato, tem como pano de fundo a expansão das mesmas inclusive no mercado americano. As empreiteiras norte-americanas bem como os políticos que elas financiam não devem ter ficado nada contentes ao ver uma empreiteira brasileira construindo o aeroporto de Miami. Devemos, portanto, fazer a seguinte pergunta: a quem interessa quebrar as construtoras brasileiras, que vem se expandindo mundo afora? E aí, juiz moro, quais são os interesses que tu proteges?

  8. a situação econômica do Brasil poderia ser, pelo menos, suavizada se em vez de se cobrar apenas medidas do executivo, a mídia e seus colunistas pegassem pesado em despesas excessivas de áreas referenciais ao funcionamento da nação. Caso,por exemplo do Poder Legislativo e do Poder Judiciário. Em ambos, há desperdício do dinheiro através de verbas de gabinete, despesas com manutenção de carros , de transporte, de residência. Isso tanto no senado, no STF como em uma câmara de vereadores que apareceu no programa Fantástico neste domingo. Trabalhando um ou dois dias por semana, cada vereador ganha 20 mil por mês e tem uma série de despesas pagadas pela Câmara. Com a gasolina (4 mil por mês, em um caso), com nota fiscal do posto deum vereador ou de um parente. A soma dos desperdícios faria sobrar dinheiro para o custeio de agentes e servidores da segurança, da educação e da saúde. Mas não vejo nenhuma manifestação na mídia e entre os políticos e partidos.

    1. Concordo. Além das despesas excessivas com as áreas citadas no post de AS, a mídia deveria cobrar o enxugamento da máquina do Estado, com redução de ministérios e seus quadros, notórios cabides de emprego e de barganha política.

  9. Falando em desemprego, façam uma visita a Sertãozinho Int. de SP, e vejam a capacidade de destruição dos nossos desgovernantes. O Sr. Lula e seu poste Dilma destruíram o setor sucroalcooleiro. Pago uma tapioca com cartão corporativo se a Presidente Emérita tiver coragem de dar uma passeio no coreto da praça da cidade.

  10. …é patética a alegria dos coxinhas, saibam eles que, embora gostassem, não veremos mais situações tão tristes como aquelas que víamos na década de 90, quando nas filas para concursos para lixeiros, o que se encontravam eram pessoas com diplomas de cursos superiores. Esta crise no momento será superada, assim que as famílias pagarem as prestações dos bens que sempre desejavam ter e só puderam adquirir nos últimos dez anos. É o cíclo do mercado de consumo baseado no crédito.Voces serão outra vez derrotados, des-moro-lizados.

  11. A situação abordada hoje pelo Balaio reflete o que se pode chamar de colheita tardia mas inevitável do oba oba petista ao longo de mais de doze anos de governos incompetentes e corruptos. É o estouro da rolha comprimida, das pedaladas contabeis e de outras tantas lambanças praticadas com o fim unico de manutencao no poder, a qualquer preco. POBRE BRASIL!!

  12. também tem os velhos que não largam o osso. o problema do trabalho vai além da oferta, que até tem. passa pelo Q.I., pela “aparência”, pelos testes do sofá… vc tem sorte de ter entrado na ditadura e não ter perdido até hoje, realmente. engraçado que o empregador do SIMPLES não acha funcionário, conheço muito dono de lojinha que não consegue ficar com funcionário por mais de 6 meses (seguro desemprego). para quem é formado que está difícil, muito pelo que citei acima (QI e velhos que não largam o osso). A USP tem 160% do orçamento comprometido com profs. tem velhos aposentados que ganham 60mil por mês. O judiciário paga um roubo para juízes e promotores que nunca comparecem… tem muita coisa para mudar que não tem nada a ver com a crise econômica. Os economistas gostam de palpitar errado, eles tem muito viés. Como aluna de economia eu vejo bem como é isso, os professores, mesmo, confessam, manipulam estudos, senão a academia não dá credibilidade. Uns falam em acabar com a CLT, e os do direito meu deus mudar a CLT. Não tem país que aguente tanta contradição.

  13. além disso, o sr. cita o sr. Delfim, grande culpado pelo desastre econômico deste país. Afora isso, falta falar que ano passado teve um grande “boom” de contratações pela Copa, e a diminuição em comparação era esperada. Quanto as obras, com tanta empresa sendo investigada e recursos sustados pela justiça (que tarda E falha) é esperado esse pandemônio. Porque, que m… faz o TCU, a CGU, MPF e outros tantos que deveriam fiscalizar e embargar desde o início? Nem horário precisam cumprir.

  14. Decididamente o problema de gestão da economia que o PT em particular e a esquerda no geral têm é crônico.Basta ler os comentários do Dias,everaldo e gesiel,é um problema estrutural,os militantes,que estão na base da pirâmide não enxergam um palmo à frente do nariz.Esse pessoal deveria fechar o bico,pois suas posições equivocadas( prá ser bonzinho) contaminam outras contribuições que a esquerda poderia apresentar.Alguém disse ¨ Pelé calado é um poeta.¨ Liga pro Romário everaldo.

  15. O governo hoje se preocupa muito com os jovens de primeiro emprego, que eu acho justo, mais esquece da queles que já passaram dos 45 anos, que as vezes é quem sustentam esses jovens mesmo eles trabalhando, estou desenpregado a um ano, as empresas acham que já estou velho.

  16. Este texto parece que conta minha historia, retirante do vale do Jequitinhonha em 1989 cheguei ha SP, sofri as durezas de de morar em favelas e barraco de maderite nos fundos de construções. Tudo isso com 18 aninho de idade, minha grande esperança era ver Lula presidente, meu primeiro voto foi nesta vontade de ver melhorias no Brasil. Um dia o Lula chegou la e minha vida mudou consegui me formar em administração de empresa graças a seu governo, fui servidor publico de segundo escalão em uma prefeitura ganhando razoavelmente bem para um ex-servente de pedreiro, hoje com casa própria comprada a vista, 2 carros, plano de saúde e uma pequena empresa no setor de beleza. De repente vejo o mundo desabar em meus ombros eu e minha família fomos atingindo por um furacão, primeiro o setor de cosméticos foi taxado em mais 20% as vendas despencaram, e ainda temos um complicador que cosméticos se paga ICMS e IVA antes de vender o produto por valor estimado. Vejo tudo que construir ir por água a baixo e o desespero batendo minha porta, tive que cortar tudo até plano de saúde da familial, minha vida andou para trás uns 5 anos em 3 meses. E pior não tem linha de credito para pequeno o BNDES não financia o pequeno empresario oque nos pedem como garantia não precisaria de empréstimos de tivesse tudo isso.È muito revoltante, e pior de tudo isso eu fui um defensor vorais da Dilma e hoje sou sua vitima.Desculpa o desabafo.

  17. Kotscho, belissima postagem. Sempre leio esse seu seu texto de 1985 e ele sempre me dá uma enorme vontade de chorar. É um texto lindo, a melhor parte é quando vc pergunta sobre os sonhos da família. Pobres e famintos sonham também! Eu tenho acompanhado seu pessimismo e esse post de 85, a despeito da amargura que me dá, também me assegura do quanto esse país melhorou. Essa fome acabou! Ou quase acabou. Graças ao operário presidente, isso é passado. Novos desafios, mas esse ficou para trás. O Brasil está triste, corrupto, mas o que nos uniu há muito tempo tem que continuar a nos motivar. Abraços!

    1. Infelizmente não acabou não querido,segundo o IBGE tem 7 milhões(7.000.000 entendeu?)que passam fome no Brasil ainda.Mas mesmo assim viva o Lula e o PT que inventaram o plano real e acabaram com a megainflação!SQN!

  18. Ferréz, o rapper da periferia foi pauta do El País. Autor da literatura combativa, não deixa de merecer o epíteto de Azambuja da “perifa”. Uma das respostas do resistente do Capão Redondo mostra o olhar da favela sobre o desemprego que resulta do acordo entre os cavaleiros do apocalipse da Rainha Dilma (rainha é o nome carinhoso pelo qual João Santana referia-se à presidenta, segundo as más línguas): Levy, Cunha e Renan. A seguir duas perguntas e respostas entre aspas.
    “P.Todo mundo está falando da chegada de uma crise econômica nesse momento. Como você, que além de escritor também é empresário, sente isso? A crise chegou na favela?
    R. Pra gente nunca foi fácil. Enquanto está todo mundo falando que está bem, pra gente sempre foi pior. Mas de dezembro do ano passado pra cá piorou muito. Hoje mesmo eu estava dando uma entrevista aqui e a menina que trabalha aqui [na padaria] disse “fala aí na entrevista, que com esse salário que eu recebo, eu não to conseguindo nem comer”. E é verdade. Tá foda”.P. Tem muita gente sendo demitida? R. Muita gente. Eu mesmo demiti, tive que enxugar. Toda conversa que você tem aqui é de gente desesperada dizendo “porra, não estava assim”. De cinco, seis meses pra cá, o negócio deu uma piorada”.
    Levy jura de pés juntos que a repressão fiscal é para promover o crescimento. O crescimento exuberante vê-se, sim, nos super-lucros do primeiro trimestre bilionário apurados, por exemplo, pelo Bradesco, na Era Levyana.

  19. Bom, o maior problema do Brasil é essa luta irracional entre esquerda e direita. Cada lado tentando provar que a sua “ideologia” é a melhor. Um conflito de interesse terrível que deixa a populacao que vive à margem da sociedade em uma posicao terrível. A “Maria” provavelmente nao sabe o que é direita e esquerda, pelo menos em termos ideológicos….mas ela sabe o que é fome. Ela sabe o que é ver um filho passando fome…Essa siatuacao e´a coisa mais bestial que um ser humano pode passar….nao conseguir prover o básico para a sua cria.

    Somos responsáveis sim…todos, pois vivemos em uma sociedade interligada. Entretanto, enquanto ficarmos com essa briguinha infantil para provar que Che ou Fidel ou o “Império” tenham razao, os menos favorecidos continuarao a viver nas condicoes mais humilhantes.

    É tao difícil analisar os 2 lados e retirar o melhor de cada lado? Discutam como Homens e nao criancas. Analisem as suas diferencas, mas lutem pra mudar esse inferno que se tornou o país…nao é questao de defender ou atacar esse ou aquele político, e sim ser pro-ativo…talvez seja fácil pra mim falar, pois moro fora do país e minha posicao é muito estável e confortável…entretanto, eu nao estou no olho do furacao, e talvez a minha visao seja a menos enviesada possível..entretanto, vcs é que decidem….”trabalhar de forma conjunta pra tirar o Brasil do caos, ou continuar se digladiando e definhando aos poucos, até que caiam como 2 bêbados abracados….direita e esquerda no mesmo lugar…o chao…..

  20. A fraqueza do governo é tamanha, que o Eduardo Cunha , a seu modo e interesses, faz a câmara trabalhar, o Renan chama Dilma de criança e virou protetor dos trabalhadores. Cruz credo! Dilma vai passar o 1º de Maio escondida em baixo da cama. O governo acabou e já foi terceirizado, como vai ser apeado é questão de tempo.

  21. Ontem a Brastemp meteu 3000 pais de familia na rua,será que alguém dessa turma se arrependeu do voto?Aposto que sim,triste demais.

  22. “Ricardo,o Senhor Delfim Neto não era frequentador dos gabinetes tanto do Senhor Lula e da Senhora Dilma,principalmente até o ano passado?
    Sinceramente não sei se *ele* ainda é consultado pelo *palácio do planalto*.
    Leio as vezes no seu blog,algumas pessoas *esbravejando* contra o Senhor Delfim Neto.
    E fico sem entender…mas enfim.

  23. Prezado Sr. Ricardo Kotscho
    Parabenizo-o por toda sua obra. Quanto a leitura acima, devo dizer: me sinto envergonhada e triste por saber que alguns ainda consideram que mudanças não foram realizadas. Que Deus nos ajude. Forte abraço e meu agradecimento.

  24. Vem do Ferrêz, escritor da periferia, uma espécie de Abujamra do Capão Redondo, uma avaliação do desemprego, em entrevista ao El Pais. Muito pouco conhecido, mas com enorme penetração na favela, transcreve-se uma parte da entrevista do autor de “Manual Prático do Ódio” e de “Os riscos também morrem”, a seguir, entre aspas: “”
    P. Todo mundo está falando da chegada de uma crise econômica nesse momento. Como você, que além de escritor também é empresário, sente isso? A crise chegou na favela?
    R. Pra gente nunca foi fácil. Enquanto está todo mundo falando que está bem, pra gente sempre foi pior. Mas de dezembro do ano passado pra cá piorou muito. Hoje mesmo eu estava dando uma entrevista aqui e a menina que trabalha aqui [na padaria] disse “fala aí na entrevista, que com esse salário que eu recebo, eu não to conseguindo nem comer”. E é verdade. Tá foda.
    P. Tem muita gente sendo demitida?
    R. Muita gente. Eu mesmo demiti, tive que enxugar. Toda conversa que você tem aqui é de gente desesperada dizendo “porra, não estava assim”. De cinco, seis meses pra cá, o negócio deu uma piorada””.

  25. Há razões e razões para o desemprego, bem como diferentes conceitos, respectivamente, para caracterizá-los: aberto, por desalento, vegetativo, voluntário. Há também muita gente trabalhando, simplesmente ocupada, que não entra nas estatísticas. Sem falar nos invisíveis, essa gente morando na rua que vem aumentando em proporções que não mais podem ser ignoradas. Há economistas brilhantes que consideram ocupação, até mesmo a ocupação em atividades ilícitas, criminosas, delinquentes: lavagem de dinheiro, crime organizado, tráfico de drogas, a exemplo de Youssef, e os operadores da Cracolância, que não contam para o nível de emprego, mas são computados na população “economicamente ativa” ou “economicamente ocupada”. Mas há um outro tipo de desempregado, que apenas existe no Brasil, como subproduto do consultor das Arábias e ex-ministro da fazenda especializado em quebrar sigilos, sobretudo fiscais e bancários. O símbolo desse novo tipo de desempregado, sem mais dúvidas, é Francenildo. O caseiro que processou a CEF por ter a sua vida íntima exposta, em razão de uma ação criminosa do ministro da fazenda Antonio Palocci, que se viu, curiosamente, inocentado por completo pelo STF, no melhor estilo tucano (aliás, nada mais parecido com a estirpe tucana do que o ex-prefeito de Ribeirão Preto). A CEF, na tentativa de se defender da indenização ao Caseiro, em março passado no Tribunal Regional Federal da 5ª Região, obviamente recorreu com a alegação de que, como instituição financeira, tão-somente fizera a “transferência de sigilo” ao ministro da fazenda Antonio Palocci. Sabe-se que para obter informações sobre a conta bancária de Francenildo, o consultor das Arábias recorreu à Receita Federal, cujo secretário da Receita à época era, pasme-se, o atual secretário da Receita do ministro tucano da fazenda (das medidas “levianas ou levíticas”, na expressão de Mino Carta). Como se vê, o ministro Palocci, mais tucano do que alguns ministros tucanos como Bresser Pereira, segundo a CEF foi quem quebrou os sigilos bancário e fiscal, com ajuda da Receita. Segundo tese da defesa da própria CEF (para negar indenização judicial ao Caseiro), Palocci requereu os dados do Caseiro (que lhe foram “transferidos”). A responsabilidade, portanto, segundo a CEF, pela quebra decorreria do “vazamento” para a mídia, e que isto não teria sido obra do banco. De quem, então teria sido? No intuito de negar suas libações nos lençois de linho egípcio 120 nas mansões do Lago Sul ciceroneadas por Lady Mary Corner, o ex-ministro construiu a tese de que o caseiro havia sido subornado. O roteiro da chanchada ficou conhecido. O final nos tribunais ainda não. O caseiro Francinildo inaugurou outro tipo de drama de ficar sem trabalho por trás dos números. Sob os augúrios de Palocci, o mais tucano dos petistas, hoje consultor das Arábias para negócios da China, o Brasil também dispõe de um novo tipo de desemprego: o desemprego “sigiloso”. O que se espera é que o STF não reforme a decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região. A fábula de que o petucano Palocci nada teve a ver com a quebra do sigilo fiscal e bancário do Caseiro não deveria quebrar no lombo do caseiro, como quebrou até agora, juntamente com seus sigilos.

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