Açude cheio, terra molhada e pasto verde: a vida voltando

Açude cheio, terra molhada e pasto verde: a vida voltando

Em tempo (atualizado às 9h30 de sábado, 20.12):

Como previsto no final deste texto, veio mais chuva, e muita, a noite toda.

Acordei com o barulho do açude transbordando. Formou-se uma bela cachoeira e surgiu um rio cortando o pasto, que não existia ontem na paisagem.

Muares e bovinos estão até sorrindo novamente, como poderia cantar o Roberto Carlos…

As águas de março do Tom chegaram em dezembro, antes do Natal, como um presente dos céus.

Viva a vida!

***

PORANGABA (SP) _ Ao chegar, no final da tarde desta sexta-feira, aqui no Sítio Ferino, batizado assim pelo antigo proprietário, o Zeferino Vaz, só encontrei coisa boa de se ver e quero contar logo a voces.

O açude construído por minha família, que nunca tinha visto o nível d´água baixar tanto, já está cheio até a tampa, escoando pelo vertedouro. Terra molhada, pasto verde, gado sadio _ a chuva, enfim, voltou.

Em mais de três décadas de Porangaba, pequeno e antigo município do interior paulista, às margens do rio Bonito, aquele da obra clássica de Antonio Candido, ainda não havia enfrentado uma seca brava como essa.

Teve vizinho que chegou a comprar carro tanque para dar de beber ao gado.  Até um mes atrás, lagos, rios, corregos, tanques, açudes, tudo estava secando, definhando.

Agora dá para ver e sentir a vida voltando ao seu lugar, por todos os cantos, até aonde a vista alcança. É impressionante como a natureza e os bichos se recuperam rapidamente. Por que com a gente não poderia também acontecer rápido assim?

Verdade que algumas árvores secaram de vez e morreram, mas logo viraram lenha, pau de  cerca, banquinho na varanda. Sítio é bom por isso: na roça, nada se perde. Dá para aproveitar tudo sempre, até a bosta do gado que ajudou a ressuscitar minha horta e o pomar.

E vem mais chuva pela frente, basta olha para o céu, mas as nuvens negras já não assustam; ao contrário, só animam todo mundo a arar a terra, mesmo que a melhor época para o plantio já tenha passado.

Às vezes, é preciso sair de São Paulo, até para respirar um pouco, sem medo, e descobrir que o ar limpo e as notícias boas também existem, embora a televisão ligada na sala, e as revistas e os jornais esquecidos sobre a mesa do jantar, só falem de desgraças.

Porangaba está cheia de lojinhas novas e o velho açougue do Valdir agora virou um minisupermercado.  Não encontrei ainda, juro pra vocês, pessoas reclamando da vida, que segue.

Se algum leitor também tiver alguma noticia boa para contar, não se acanhe: mande para o Balaio.

Bom final de semana a todos.

6 thoughts on “Açude cheio, terra molhada e pasto verde: a vida voltando

  1. Que legal! Moro em uma cidade pequenina aqui no interior de Minas Gerais. E o que mais amo em minha pequenina cidade é a paz, a calmaria, a ausência de irritação no trânsito! Ah, que paz! E para as pessoas de cidade grande que estão estressadas com compras de finais de ano e com o trânsito caótico e com raiva de alguém deixo esta mensagem de Max Lucado: “O ódio é o cão raivoso que ataca o próprio dono. A vingança é o fogo devastador que consome o incendiário. O rancor é a armadilha que captura o caçador. E a misericórdia é a escolha capaz de libertar todos eles.” (In: Na Jornada com Cristo. Max Lucado. Editora Mundo Cristão, 2011, p.89)

  2. Eu dei uma passada aqui pelo “Balaio” e li a matéria que traz boas notícias e que conclama os leitores a postarem boas notícias. /// Eu tenho duas boas notícias. Uma é a aprovação, em primeiro turno, do PL1804 (Câmara Distrital ) que, entre outras providências, extingue o cruel uso de carroças pelas vias públicas do DF. /// Só quem milita na proteção de equinos e muares sabe o que isso significa, em termos de excelentíssima, ótima e tão esperada boa notícia. //// A segunda é que eu consegui montar mais uma força tarefa para o plantio de mais 24 pés de pau-brasil (‘Caesalpinia Echinata’, Lam.) aqui em Brasília, antes do final do ano. /// Temos as mudas, temos o adubo, temos o transporte, temos as ferramentas, temos os locais e temos gente ( incluindo aí crianças e seus respectivos pais ) . Permita-me escrever que já perdi as contas de quantos já plantei dessa espécie ao longo desta minha querida e amada vida. /// Uma vez em Brasília, repare os pés de pau-brasil plantados na Esplanada dos Ministérios, em frente ao Ministério de Minas e Energia. /// Foram plantados em 1982 por este que lhes escreve. /// Ensejo o merecido descanso ao nosso redator-chefe. Valeu !

  3. Eu não consigo convencer-me do “ano ruim” que passamos. Vivendo numa cidade de 70 mil habitantes só vejo as coisas “bombando”. Quem aqui não está muito satisfeito é o pessoal do tradicional comércio. Motivo: até os pobres estão comprando via internet. Que coisa!

  4. E’ a dança da chuva! Uhhhhhh…. “”Acende, Puxa passa. indio tucano quer fazer fumaça. Agora querem proibir mas na eleição queriam liberar. Maresia, sente a Maresia””. -Sente a maresia não, sente a Maresias! -Bem vindo, a São Paulo: a “”capital mundial do Surf””. Nem tumulo do samba, nem tumulo do surf: “Se o sinhô não tá lembrado dá licença de contar….saudosa maloca, maloca querida, dindonde nós passemo dias melhor de nossas vida. ” -Brow, dá uma morcegada no proximo trem e cai pra dentro. “””Vai,vai,vai, vai Pascalim, calingundum, adeus cantareira adeus. Nunca mais ouvirei o apto teu, acabaram com a tua tradição,. e o engenheiro ainda diz que é pro futuro da nação””. -Mas o importante é que o Gabriel Medina é campeão mundial de Surf. “Garota eu vou pra california, viver a vida sobre as ondas…”. Parabéns Medina. “””Esse é ou não é um bom motivo pra dizer que o ano de 2014 teve coisa boa hein Kotscho”””?

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