Governo novo não entra e governo velho não sai

Governo novo não entra e governo velho não sai

Tempos esquizofrênicos, estes que estamos vivendo, na transição entre o primeiro e o segundo mandatos de Dilma Rousseff. São duas realidades paralelas e opostas. Ao mesmo tempo em que Dilma anuncia, finalmente, nesta quinta-feira, sua nova equipe econômica, antecipada pelo Jornal da Record News na semana passada, com a missão prioritária de cortar gastos para acertar as contas públicas, do outro lado da praça dos Três Poderes arma-se um novo “trem da alegria” para aumentar os salários das excelências em geral, o que vai causar um aumento de pelo menos R$ 1 bilhão nas despesas, apenas com o Judiciário e o Ministério Público.

Enquanto o novo governo não entra e o governo velho não sai, nossos representantes no Congresso Nacional, com o apoio de todos os partidos, estão cuidando de garantir o deles, quaisquer que sejam as medidas amargas que venham a ser anunciadas no pacote do arrocho, que será inevitável.

O pretexto para a farra da festa do caqui que está sendo armada é o aumento dos salários dos ministros do Supremo Tribunal Federal e do procurador-geral da República, que passarão de R$ 29,4 mil para R$ 35,9 mil por mês, um módico reajuste de 22%, já aprovado ontem na Comissão de Finanças da Câmara.

Como este é o teto para o funcionalismo público em geral e serve de base para os demais poderes, as excelências já estão negociando também os aumentos do Executivo e do Legislativo, a começar pela presidente Dilma Rousseff, os ministros de Estado e os 594 deputados federais e senadores. A posse dos novos ministros e a definição da política econômica ainda vão ter que esperar um pouco, mas os parlamentares querem aprovar tudo o mais rápido possível para poderem entrar em 2015 já com seus contracheques mais gordos.

Entre as propostas em discussão, a mais provável de ser aprovada é a que equipara os salários da turma toda aos dos ministros do STF, o que representaria um aumento de 34% em relação ao último reajuste, concedido em 2012, que foi de 15%. Quem mais teve aumentos tão generosos nos últimos dois anos?

Com o popular efeito cascata que acompanha estes aumentos do andar de cima das excelências, pode-se imaginar quanto isto vai nos custar quando entrarem na conta os reajustes proporcionais que serão dados nas Câmaras Municipais e Assembleias Legislativas, tanto para os nobres parlamentares como para seus fiéis assessores.

De que adianta colocar um “Joaquim Mãos de Tesoura” no Ministério da Fazenda, se as torneiras do Tesouro Nacional continuarem jorrando para agradar aliados e garantir a dita governabilidade, que nos custa um preço cada vez maior a cada votação no Congresso Nacional, como estamos vendo ainda agora na discussão do projeto da manobra fiscal para o governo poder descumprir a meta do índice prometido para pagar os juros da dívida pública? Por mais ortodoxo e austero que possa ser, Joaquim Levy não é mágico.

Não resolve nada trocar os nomes dos ministros se as práticas continuarem as mesmas que nos levaram ao descontrole das contas públicas. Por mais ginástica que faça para agradar a gregos e troianos na montagem da nova equipe, acendendo uma vela a Deus e outra ao diabo, Dilma vai ter que definir desde já as regras do jogo, respondendo a uma questão bem simples: o que pode e o que não pode ser feito para que o governo não gaste mais do que arrecada? A base aliada e os apoiadores do governo na sociedade vão concordar?

Caso contrário, este novo ministério, tal como vem sendo anunciado, entregando-se o agronegócio para uma líder da UDR e a reforma agrária para um representante do MST, será foco de uma crise política permanente, alimentando assim a urubuzada da mídia, que ficou feliz da vida como pinto no lixo com a indicação de Joaquim Levy para a Fazenda, mas está só na espreita para voltar a atacar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

16 thoughts on “Governo novo não entra e governo velho não sai

  1. …taí outra ação que cabe aos eleitores da oposição, cobrarem dos seus deputados recusarem estes aumentos pois vivem combatendo os gastos públicos…né mesmo ???Acontece Ricardo, é que estes vagabundos não querem nada com o Brasil, a grita e o desespero para retomarem o poder é apenas para meterem a mão nas chaves dos cofres da federação, só os cofres de São Paulo não são suficientes para eles que são marginais escolados.A Imprestável Elite Paulista e seus asseclas, não sabem fazer outra coisa a não ser roubar.ASndei 3000 km no Mato Grosso não gastei um centavo com pedágios, se tivesse sido em São Paulo teria que vender o carro no final do trajeto.Alguém duvida que os pedágios paulistas vão para os bolsos de sua elite através de empresas de fachadas ???E a Sabesp privatizada que distribui dividendos e depois quer dinheiro da federação para roubarem no paraleleo ???As privatizações tucanas são artifício para encherem os bolsos de seus apaniguados com dinheiro público.como a escassez leva ao aumento do preço, logologo a aguá de São Paulo vai estar mais cara do que gasolina.É bom a população ir se preparando para uma rebelião cívica de não pagar os seus consumos de água. Duvido que cortem o fornecimento se 30% das pessoas deixarem de pagar…du vi dê ó dó.

  2. Não vou dizer que seja muito o que eles querem ganhar. Só acho que o salario mínimo tem que ser vinculado ao salario deles. Pelo menos 10% do salario deles. em torno de R$ 3.379,00. Acho a maior covardia dos políticos e economistas que aumentam os seus salários até em 200% quando eles julgam que está defasado e quando um repórter pergunta “porque não aumenta o salario mínimo na mesma proporção?” eles respondem. se aumentar o salario mínimo o país quebra. O que quebra o país é a roubalheira. O salario do trabalhador que realmente trabalha é gastado aqui no Brasil e vai movimentar a economia. criando milhões de empregos.

  3. O Congresso e o Poder Judiciário, lerdos em produtividade e caros em despesas, são as instituições que mais prejudicam o Brasil. A mídia como um todo e povo precisam protestar contra essas condutas exageradas em proveito próprio .

  4. “Governo novo,maracutaias novas”,eu que tô longe da terra das bananeiras,graças a Deus moro na Austrália(Isso é que é país pra se viver)torço pro PT roubar até a batida do padre,brasileirada tem que sofrer gostoso,trabalhem bastante pra pagar os juros das minhas LTN’s(Letras do tesouro nacional) 11,25% ao ano e 2015 vai pra 13% ao ano,enquanto isso eu vou curtir Melbourne,pq aqui eu saio sem medo de ser assaltado na rua,só não deixem o Brasil quebrar se não eu perco o investimento que me mantem na terra dos cangurus,kkkk.

    1. Ah!Sr.Jeferson luz,fiquei muito triste com a sua mensagem,*NÃO* votei no governo atual,aliás não votei em político nenhum,pois não estava no país na ocasião das eleições.
      “Mas em momento algum” torço para que o governo atual dê errado,não faço parte do *bloco quanto pior melhor*,pois se fizer isso estarei dando um tiro no meu própio pé .
      “Só Deus e eu sabemos o quanto *eu torço* para que o Brasil dê certo,independente das letrinhas de plantão que encontram – se no poder.
      Como o Senhor citou:não deixem o Brasil quebrar senão eu perco o investimento que me mantem na terra dos cangurus.
      Portanto o Senhor não pode nos desejar tanto mal,caso contrário *o Senhor também vai sofrer as consequências…o Senhor vai voltar a comer *bananas*,isto é se o Senhor conseguir compra -las.
      Ah! outra coisa:eu também já morei por um tempo *na terra dos cangurus* e…sinceramente a *terra dos cangurus não é esse oásis que o Senhor se refere,a terra dos cangurus *TAMBÉM* tem as suas mazelas .
      Menos,menos Sr.Jeferson luz.

    2. Edna,2 – 27/11/14 – 22:38-Rala bastante aí no brazuca pra pagar meus juros em dia hein,viver em Sydney é maravilhoso mais é caro ainda mais no meu bairro aqui que é Dee Why,todos países tem defeitos mais mazelas como o Brasil do PT poucos,12 anos desse partido e o Brasil morre mais gente assassinada do que na guerra da Síria,alías vc vai morrer e o brasil vai estar a bilhões de anos luz da Austrália,tome muito cuidado quando sair na rua aí,vc vai precisar!

    3. “Sr.jeferson luz,*ralar bastante…é o que eu mais faço:e o Senhor?”
      Por acaso o Senhor acha que o nosso país estaria diferente se *outras letrinhas estivessem no poder*?
      Eu…particularmente *não acho*,mas mesmo assim eu não consigo torcer contra o meu país,por mais *de pernas para o ar que ele esteja*,e tenha certeza que *eu* também reconheço.
      Desejo muito,mas muito mesmo que o Senhor continue feliz na *terra dos cangurus*,e que eu quando retorno ao meu país,*também seja feliz*,aliás que todos os meus semelhantes sejam também felizes independente de nacionalidade.
      “Um forte abraço,mas é um abraço verdadeiro…não é um abraço de canguru e muito menos de tamanduá.”

  5. Uma coisa esta saltando aos olhos nessa questão da Operação Lava Jato. Conforme li no site http://www.pragmatismopolítico.com.br, a Suiça esta prestes a descobrir que a justiça brasileira tem lado, pois chama a atenção a diferença de tratamento no caso da Alstom e da Petrobrás. Há um ano atrás a justiça suiça cansada de esperar pela colaboração do MP do Brasil para dar prosseguimento ao caso das propinas que envolvia a Alstom e servidores públicos e políticos ligados ao PSDB, decidiu arquivar parte do processo contra a mencionada empresa francesa justamente porque não obteve cooperação da justiça brasileira para concluí-lo. Agora a situação se inverteu. No caso do Petrolão o MP está mandando dois procuradores para a Suiça para descobrir a origem dos depósitos na conta de Paulo Roberto Costa. No entanto, chama a atenção a diferença de tratamento dos dois casos pela justiça do Brasil. Quando o alvo era o PSDB, a Suiça solicitou providências à justiça brasileira mas esta engavetou o caso. Agora como no caso do Petrolão o alvo é o PT, o MP cumpre o seu papel, faz a coisa certa e pede colaboração internacional. Conclusão: dois pesos e duas medidas.

  6. Eu vivo dizendo isso aos meus amigos quando conversamos sobre política. Muitas vezes concentramos nossos esforços e olhares críticos apenas para o chefe do poder executivo, no entanto, temos problemas gravíssimos e incuráveis da forma como é o modelo, no legislativo e no judiciário.

    Que moral tem um judiciário que trabalha pouco, que dá o direito a férias de no mínimo 30 dias durante o ano e ainda tem uma folga de recesso de fim de ano, para julgar dissídio de categoria? O Supremo no processo do mensalão e muitos outros criticou em várias e várias seções os gastos do país, a corrupção, no entanto, não hesita em aumentar os próprios salários com um valor infinitamente maior que a inflação do período.

    O congresso então, nem se fala. Temos um bando de picaretas, de vagabundos e que não estão nem aí para o que acontece do lado de fora do congresso.

  7. Se votou ,tem que confiar. A torcida para que dê errado é numerosa;os chamados cultores do vira-latismo com graves tendências à capacho. Portanto,pé em Deus e fé na tábua !

  8. O maior problema é causado pelo judiciário que arbitra em benefício próprio e tem na mão o legislativo que aprova tudo que beneficia ministros do STF causando efeito dominó. Insensatez de mortais que se acham deuses; essa é a corrente que deve ser urgentemente cortada. Pra que auxilio moradia para os magistrados? O que ganham não é suficiente para pagar aluguel ou prestação da casa própria da Caixa? Que se inscrevam no “Minha Casa Minha Vida”. O trabalhador que banca mordomias dessa gente ganha salários mínimos, paga aluguel e vive feliz. Mas é o fato de querer se beneficiar de privilégios, de prestígios, de ser diferente e melhor: essa é a fissura dessa elite que ambiciona vida de luxo às custas de quem trabalha. Se acabassem com mordomias daria pra fechar o caixa. P.S. O cruzeiro ganhou o brasileirão, o Atlético/MG ganhou a Copa do Brasil, Dilma ganhou a eleição… só o Aécim não ganhou nada de nada.

  9. Observando-se com uma lupa Freudiana, vê-se que Madame Presidenta (Presidenta é um horror) tem todos os sinais de quem nasceu para ser ditadora. Fica perdidinha diante das liberdades da
    democracia. O nobre jornalista encontrou a palavra: ESQUIZOFRÊNICA.

  10. “”O pequeno ditador”” está criando discípulos. Alguns parlamentares da oposição, estão dando um lição de incivilidade, “querendo tomar o poder à força”: botando o dedo na cara do presidente da sessão e, pasmem, “até tomando documento das mãos do presidente da sessão””. O congresso precisa “agir rapido”, e abrir processos de quebra de decoro parlamentar, de maneira a “inibir estas ações ditadorias”, para não virar bagunça de vez o congresso. “”””O pequeno ditador””””, e os seus seguidores têm que aprender de uma vez por todas que, “não ha mais lugar para a ditadura no Brasil”. E’ compreensivo que o “”pequeno ditador””, não acredite que, “mesmo com a grande midia, usando quase todo o seu noticiário”, para falar da operação lava-jato, a presidente Dilma, “se mantenha tranquila”, e o país viva um mar de calmaria sem nenhuma manifestação da população, demonstrando “confiança na presidente Dilma”. Uma confiança, até “muito maior do que a que teve na eleição”, pois se na eleição A Dilma ganhou com uma diferença de 1% dos votos, ao não ter “nenhuma manifestação no Brasil” nesse momento, mostra que essa credibilidade do povo para com a presidente, “subiu”. -Ignorância, “é acreditar que o povo não se informou antes de votar na Dilma”.

  11. Mestre, enquanto no Brasil quem está fora não entra e quem está dentro não sai, o pistom do Balaio, sem surdina, precisa botar as coisas no lugar. Onde já se viu o Papa Francisco “não dar Ibope” por aqui? Apenas um mísero Francisco comparecendo para atestar o excelente texto e escancarar que nós, comentaristas no Balaio, estamos viciados no samba de uma nota só, ou seria tangotrot? E note-se que no dito texto oferta-se mistura fina política, daquelas vaticanas nitroglicerina pura.

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