Há 25 anos, Lula X Collor e o povo nas ruas

Há 25 anos, Lula X Collor e o povo nas ruas

“O teeeeempo passa….”, como dizia o lendário narrador esportivo Fiori Gigliotti, que era daquele tempo.

Pois é, amigos, está fazendo exatamente 25 anos que fomos às urnas eleger pelo voto direto nosso presidente da República, pela primeira vez desde a ditadura, que durou mais de duas décadas. Foi também a primeira vez que a minha geração pode exercer este direito. Antes disso, a última vez em que isso tinha acontecido foi em 1960, o ano em que meu pai morreu, e elegemos Jânio Quadros, que renunciou oito meses após a posse. O vice João Goulart assumiu o lugar dele e foi derrubado por um golpe cívico-midiático militar, em 1964.

Faz tanto tempo que já tinha até me esquecido desta efeméride. Quem me lembrou foi o colega Vitor Nuzzi, da Rede Brasil Atual, ao me entrevistar sobre o que aconteceu no inesquecível ano de 1989. Dá para passar vários dias contando histórias vividas naquela campanha, que colocaria frente a frente meu amigo Lula e Fernando Collor, o “caçador de marajás”, no segundo turno, disputado palmo a palmo até o final. Collor teve 35 milhões dos votos e Lula ficou com 31 milhões.

Como os leitores não terão tempo nem saco para ler um texto muito longo sobre episódio tão antigo, desisti de fazer uma pesquisa nos meus próprios livros para relembrar aqui apenas fragmentos da minha memória afetiva.

Subi neste trem no final de 1988, ao voltar de uma viagem a trabalho, quando era repórter do finado “Jornal do Brasil”, e resolvi fazer uma visita ao Lula, então deputado constituinte, que estava se recuperando de uma cirurgia no apêndice, no Hospital Sírio-Libanês.

Sem maiores delongas, como é do seu estilo sertanejo, depois de falar rapidamente da cirurgia, foi direto ao assunto:

“Te prepara, Ricardinho (chamavam-me assim quando era jovem). Te prepara porque no ano que vem eu vou ser candidato a presidente da República e você vai ser meu assessor de imprensa”.

Tomei um susto e, a princípio, desdenhei do convite, ou melhor, da intimada.

“Não vai dar, Lula. Eu nunca fui assessor de imprensa, não gosto disso, sou repórter especial do JB, ganho bem, estou satisfeito no jornal, não sou nem filiado ao PT…”, ainda tentei resistir.

“Não enche o saco, pô. Eu também nunca fui candidato a presidente da República”.

De fato, não só ele não tinha sido candidato, como sequer havia votado para presidente, já que temos mais ou menos a mesma idade.

Incentivado por colegas, advertido por outros sobre os riscos para a minha carreira, e com todo o apoio da família, antes do final do ano já estava trabalhando com Lula na campanha, ganhando umas dez vezes menos do que no jornal, mas estava feliz. A direção do JB, graças ao Ricardo Setti, tinha me concedido uma licença não remunerada.

E lá fomos nós rodar o Brasil de ponta a ponta, de cabo a rabo, várias vezes. Quase seis anos após o movimento das Diretas Já, o Brasil parecia palco de uma grande festa democrática, agora com final feliz. Em sua matéria no site da RBA, Nuzzi registra que eram 22 candidatos (hoje temos 11) para 70 milhões de brasileiros aptos a votar, metade do atual eleitorado. Não existia celular, nem internet, nada disso, não tínhamos jatinho nem grana, e até alugar uma casa para instalar o comitê foi uma novela.  Era tudo feito no gogó, na unha e no papel.

Para vocês terem uma ideia do clima na época, no mesmo ano de 1989 em que cairia o Muro de Berlim, por aqui vivíamos ainda os tempos da Guerra Fria. “Conservadores assombravam a população com fantasmas como o comunismo (…) A eleição de 1989, para o conservadorismo, ainda acenava com a ameaça esquerdista “Brizula”, junção dos nomes de (Leonel) Brizola e Lula”, escreveu Vitor Nuzzi.

Fui falar com um empresário amigo meu, dono de vários imóveis, para ver se ele emprestava ou alugava alguma casa para instalarmos o comitê, mas ele negou na hora, alegando que, se o Lula ganhasse a eleição, tomariam a propriedade dele. “Era tudo muito difícil. O que nos animava era a militância. Era tudo muito improvisado. Muitos comícios… Estou cansado até hoje… E também era uma grande festa, que, para mim, pareceu uma continuação da Campanha das Diretas. A gente sabia que estava participando de um momento histórico”, lembrei ao repórter.

Por absoluta falta de aptidão para o novo ofício, brigava muito com o Lula quase todo dia. Logo em minha estreia na função de assessor, interrompi uma gravação de TV porque não tinha gostado de uma palavra usada pelo candidato e pedi para começar tudo de novo. Em Rio Branco, no Acre, durante um Encontro dos Povos da Floresta, onde conheci Marina Silva, interrompi um discurso de Lula para informa-lo do assassinato de um seringueiro. “Nunca mais me faça isso na vida. Você estragou meu discurso, esqueci o que estava falando…”.

A grande diferença que sinto em relação à campanha presidencial de agora, é que, em 1989, para onde a gente fosse, o povo estava nas ruas, fazendo comício no meio do mato ou nas beiras dos rios na Amazônia. Caminhadas, carreatas, comícios-relâmpago ou monumentais showmícios (mais tarde proibidos), muitas bandeiras, buzinas, faixas, adesivos por toda parte, pessoas cantando os jingles de campanha, camisetas dos candidatos, ninguém ficava indiferente, e a gente não parava nem para dormir nem para comer.

Esse último item era o principal motivo das minhas divergências com o candidato. Alegava para Lula que ficar muito tempo sem comer deixa a gente com mau hálito e o Tancredo Neves, de tanto querer ser presidente, descuidou da saúde, e morreu na véspera da posse.

Tinha dia que acordava num lugar que não lembrava qual era e nem o que tinha ido fazer lá. Passei praticamente o ano todo fora de casa. A equipe de imprensa na primeira fase era formada por mim mesmo, depois dobrou, quando chegou o incansável Sergio Canova para me ajudar. O esquema funcionava assim: eu acompanhava o candidato em todas as viagens e ditava pelo orelhão, de onde estivesse, um relato das atividades do dia para o Canova, em São Paulo, que distribuía o material por telex para as principais redações.

Apoiado pela grande mídia, na falta de opção melhor, Collor espalhava o terror pelo país, ameaçando com um “derramamento de sangue”, caso Lula ganhasse a eleição. Cada vez que eu conseguia passar um fim de semana no meu sítio, em Porangaba, voltava mais assustado: os vizinhos estavam com medo de perder suas terras, que seriam divididas com os mais pobres, assim como suas galinhas, cavalos e bicicletas, e o que mais tivessem. A boataria era terrível. Nos centros urbanos, a conversa era que Lula tomaria e dividiria casas e apartamentos “com a baianada”, e até quem tinha “carro próprio” corria riscos.

Foi uma tremenda baixaria até o final. “O Lula nunca deixou responder no mesmo nível. Ele nunca aceitou o vale-tudo”, recordei na conversa com Nuzzi. Para enfrentar a superestrutura de marketing e a frota de jatinhos do adversário, contávamos com um pequeno exército brancaleone, indo todo fim de noite a jantares para “angariar fundos”. “Era um grande mutirão. Tinha muitos voluntários da grande imprensa que nos ajudavam na produção dos programas. E todo mundo dava palpite. Era mais amador, mais coletivo”.

Esta, com certeza, deve ter sido a última campanha romântica da política brasileira, sem cabos eleitorais remunerados, marqueteiros de grife, caminhões de dinheiro, frotas de jatinhos e helicópteros. Foi praticamente uma continuidade da Campanha das Diretas, com os mesmos líderes políticos nos nossos palanques. No segundo turno, só faltou o velho doutor Ulysses, um erro político, que mais tarde Lula admitiria.

Hoje, Collor, impichado em 1992, é um fiel parceiro do PT na base aliada do governo e está praticamente reeleito senador por Alagoas. Lula, duas vezes presidente, é o principal cabo reeleitoral de Dilma Rousseff, com chances de ganhar já no primeiro turno

Por falar nisso, nem comentei as últimas pesquisas do Datafolha e do Ibope divulgadas na noite desta terça-feira, que mostram Dilma abrindo a vantagem, tanto no primeiro como no segundo turnos, mas não tem cabimento, nestes meus tempos de multimídia, repetir aqui por escrito o que comentei ontem com o Heródoto Barbeiro no Jornal da Record News, até porque, não mudou nada de lá para cá.

O vídeo está aqui:

Perdão, leitores, acabei escrevendo demais e, olhem, não passei nem do aperitivo. Para quem se interessar, mais histórias sobre esta campanha presidencial pioneira após a redemocratização podem ser encontradas no meu livro de memórias: Do Golpe ao Planalto _ Uma vida de repórter (Companhia das Letras, 2006). 

Apesar de tudo, como vocês podem constatar neste livro, o Brasil de hoje é outro país _ muito melhor, em todas as áreas, quaisquer que sejam os índices sociais e econômicos consultados. Só permanecem os mesmos o apodrecido sistema político-partidário-eleitoral e os métodos dos donos da mídia familiar e seus porta-vozes.

Dos presidentes civis que tivemos de lá para cá, cada um escreveu seu capítulo nesta história da jovem democracia brasileira, que é de todos nós: Sarney consolidou o regime democrático, Collor abriu os mercados, Itamar e FHC garantiram a estabilidade econômica com o controle da inflação, Lula e Dilma promoveram a inclusão social e deram início a um processo de distribuição de renda. No domingo, já iremos para a nossa sétima eleição direta no pós-64.

Falta muito ainda para vivermos num país civilizado, justo e decente, como nos mostra a atual campanha eleitoral, mas valeu a pena ter vivido estes últimos 25 anos de plena democracia, esta que todos nós estamos ajudando a construir.

Vida que segue.

38 thoughts on “Há 25 anos, Lula X Collor e o povo nas ruas

  1. Lembro-me daquela eleiçao como se fosse ontem! Tinha 5 anos, e perto de nossa casa tinha um comiter do PT, eu de inicio ia brincar no parquinho q tinha la, mas todo a movimentaçao chamou minha atençao. Dai vem meu interesse por politica e historia que tenho ate hj. Tempo voa!

  2. meu impagavel RK, eu sei que tu chutaste este post, e muito às pressas.
    e nem sei se gostaste das mal traçadas!
    Porem foi um dos melhores artigos que tu ja cometeste ate hoje, juro.

  3. Prezado Kotscho: “Caminhadas, carreatas, comícios-relâmpago ou monumentais showmícios (mais tarde proibidos), muitas bandeiras, buzinas, faixas, adesivos por toda parte, pessoas cantando os jingles de campanha, camisetas dos candidatos, ninguém ficava indiferente, e a gente não parava nem para dormir nem para comer.!” Vivi tudo isso também e mais um pouco, com muito bate-boca em boteco por causa de posição política. Hoje o calor humano desse cenário está mais distante. O momento é mais para se fazer agitação pela internet e não raras vezes pelos biombos das redes sociais. Para quem gosta, um prato cheio. Sinais dos tempos. De qualquer modo, como não acredito muito no cramulhão e nem no cabeça de cuia, voto Dilma para Presidente do Brasil, que segundo as últimas pesquisas pode até voltar a ganhar no primeiro turno nessa eleição de 2014.

  4. Caro Ricardo. Belo texto o seu, fiel aos acontecimentos do passado. Mas eu gostaria de fazer algumas observações quanto ao presente. (1.) O PT, tão caluniado naquela época, hoje não se envergonha de lançar mão da mesma estratégia da mentira, do terror e do boato, promovendo uma campanha sórdida, no que diz respeito à candidata Marina Silva. Muito me admira a candidata Dilma, que teve uma história de resistência, se prestar a esse papel indigno, de porta-voz da calúnia, aderindo ao mesmo vale-tudo que Lula e todos nós que o apoiávamos repudiamos, em um dia já bem distante. (2.) O Brasil de hoje é, sim, um país muito melhor do que aquele de 25 anos atrás. É muito melhor, exatamente pelos motivos que você citou e que Marina Silva não cansa de repetir: a contribuição de cada um dos presidentes que tivemos e não apenas pelo legado petista, como Lula e Dilma não se cansam de bradar, confiando na curta memória do povo brasileiro.

  5. Foi o primeiro comício que fui, quando Lula esteve em minha cidade – Gov. Valadares – MG
    nesta ocasião o povo se reunia espontaneamente, como descreveu com suas palavras acima.
    Os colaboradores locais de Lula passavam com seus saquinhos (tipo aqueles de igreja) pedindo donativos para a campanha, eu via as pessoas doando na compreensão do gesto de humildade daquele que estava pedindo, não doei porque não tinha nenhum valor naquele momento, mas lhe forneci o meu voto, como até hoje o forneceria. Uma frase de Lula naquele dia, falado aos presentes, (pode parecer nojento mas compreensível naquela época), Ele disse: “O povo está com tanta fome, que as lombrigas estão comendo umas as outras porque não tem o que comer”. Nunca esqueci estas palavras, mas explicitavam mesmo que grosseiramente a condição do povo naquela época. Que Deus abençoe a Dilma em mais esta jornada que poderá estar por vir.

  6. Recordar é viver…..
    Brasil mudou,só as Organizações Globo não mudaram.
    Fiéis aos seus princípios desde quando assim não se chamavam,lá pelos idos de 1953,quando combatiam ferozmente pelo aborto da Petrobras.
    Coerentes prosseguem com os postulados de seu fundador,”nosso companheiro”,porém sem estilo,elegância e ardilosidade. Sobrou,primitivismo,grosseria e jornalismo rasteiro.
    Contudo ,os inimigos continuam os mesmos: Petrobras e o povo brasileiro .
    Mais uma vez serão derrotados e terão de engolir mais quatro anos de Dilma & PT,depois ,talvez ou certamente, Lula por oito anos…

  7. a exatos 25 anos eu morava na cidade de iguatu e fui ao comicio do lula la no meu ceara,lembro do engajamento da mnha turma na escola pra combater a diretora que pregava o medo nos alunos dizendo q se lula ganhasse os pais perderiao o emprego e quem tivesse uma tv em casa teria ki dividir com o vizinho 1 absurdo ki deu serto pq o lula perdeu muito voto com essas propaganad

  8. Posso viver mil anos e não esqueço aquele último debate na globo,SACANAGEM grande que fizeram com o Lula(quando editaram para passar no jornal nacional)fiquei muito tempo sem sintonizar a emissora de tanta raiva que senti……

  9. TRiste saber que nem o tempo e o caráter do Lula voltam mais, pois hoje se abraça a esse contra quem lutou até o fim e usa dos mesmos métodos sórdidos da mídia conservadora para destruir a Marina.

    1. Conversa fiada !!! Se estivesse com saudade “daquele” PT , o Sr apoiaria os candidatos do PSTU, PSOL, PCO, etc…. Seu blá blá blá anti-Petista não engana ninguem. Passe bem, Sr Luiz.

  10. Texto monumental que seria perfeito se não houvesse o penúltimo parágrafo. Sarney, Collor e FHC governaram para os mesmos de sempre e nada fizeram pelo Brasil e seu povo. De que nos serve a Democracia se não de caminho para a Justiça Social ? Somente Lula ouviu o clamor das ruas. Estamos no limiar de nos tornarmos a 5º economia do mundo, mas nossa distribuição de renda está longe do aceitável e as tão sonhadas reformas mal começaram, pois só o PT governa para o povo, contra tudo e contra todos. Felizmente Dilma será reeleita em outubro, pois se dependêssemos de nossos adversários, o Brasil retrocederia aos períodos mais negros de nossa história. Estou blefando ? Estou delirando ? Passem uma semana com a família em Itu-SP convivendo com o racionamento e falta de agua !!!! Embarquem no Metrô ou CPTM (Cia Pta Trens Metropolitanos) de Alckmin entre 06:00 e 08:30 ou 17:00 e 24:00 horas, dia útil ou não !!! E podem escolher a linha. Façam o teste, Balaieiros, e contem aqui mesmo no Balaio a experiência. Bom fim de tarde a todos.

  11. Pois é Mestre balaieiro, lá se vão 25 anos de uma viagem na qual quem não embarcou, perdeu o trem da história e junto a mais emocionante campanha da vida política brasileira. Como 68, o ano de 89, também não acabou, nunca acabará e jamais se apagará da memória de quem o viveu, pois foi lá que construímos as vitórias de 2002, 2006, 2010, 2014 e as que virão até o fim da desigualdade e da Casa Grande. A campanha do PT começara lá no longínquo 1982 e sem interrupção, entrou no ano de 1989 em estado de graça, com a virada espetacular de Erundina sobre Maluf em 1988, na eleição para prefeito de São Paulo, mas 1989 era o ano, todos petistas sabiam e atiraram-se na campanha de corpo e alma, coração, coragem e extrema dedicação. A catarse se deu no comício de encerramento da campanha no primeiro turno, na Sé, em São Paulo. O povo foi chegando pela manhã, aumentando, aumentando e repetiu o comício de 25 de janeiro de 1984 pelas diretas, não cabia mais ninguém e ninguém arredou o pé até quase “dez da noite” quando o mesmo foi encerrado e o povo não debandava. Aí alguém iniciou a passeata em que a multidão de militantes, com suas bandeiras, subiu a Brigadeiro rumo a avenida Paulista, com as estrelas vermelhas e brancas espetadas no peito e nos rostos a certeza estampada que nos encontraríamos com a “Rede Povo” e o “Lula Lá” no ouvido e na garganta, de novo, no segundo turno. E não deu outra e não é que é nóis aqui outra vez, de novo, o povo.

  12. Senti muito por Lula não ter conseguido vencer as eleições de 89. E uma coisa eu disse para um colega de trabalho na época que realmente aconteceu. Eu disse que Collor ganhou as eleições mas que não terminaria seu mandato. Dito e feito. Depois vieram as eleições de 94, 98 e eu continuei a votar no Lula. E depois só em 2002 é que veio sua consagração. Esperamos 12 anos para enfim comemorarmos a vitória de Lula.Às vezes fico pensando que foi bom Lula não ter ganho as eleições de 89 pois, acredito, não o deixariam governar. Sabe-se lá o que a nossa direita esquizofrênica faria na época para sabotar o governo Lula. E acho que os anos deram a Lula a serenidade necessária para que ele soubesse enfrentar toda a sorte de perseguições das quais ele sempre foi vítima. Por isso acho que foi melhor ele vencer em 2002 do que em 1989. Como diz o provérbio: O tempo é o senhor da razão.

  13. “Do Golpe ao Planalto II – Meus 730 dias no Alvorada”. Este é o livro que falta; o volume II, na sequência do anterior, que é um compêndio obrigatório para quem deseje entender o fio da meada que fez um metalúrgico virar presidente, e não suco de óleo queimado, de uma máquina de moer gente, quer pela repressão política, quer pela repressão salarial, nos idos do final dos tenebrosos anos 70.
    Infelizmente, Kotscho, a estética da campanha do “neo” petismo, lembra-nos uma estética de natureza fascista; quem viu a campanha de Collor de 1989, bem sabe do que estaríamos falando.
    Não vamos falar do PT de 1989 ou 1994, porque não existem mais; lamentavelmente.
    Delfim, sarcasticamente, costuma dizer que o PT foi “institucionalizado”. De que “institucionalização” estaria a falar um esbirro da ditadura, como Brizola se referia aos que participaram do golpe e da ditadura militar.
    O povo não mais está nas ruas; exceto no curto hiato de junho de 2013.
    O povo não se tem mais interessado, quer pela velha, e muito menos por uma nova ou qualquer que seja a política. Isto, sim, dever-nos-ia preocupar, mais do que a eleição ou a reeleição de quem quer que seja.
    Verdade que um quarto de século não é absolutamente muita coisa no bojo de um processo civilizatório; mas que ficamos a desejar, tanto a sociedade civil, quanto todos os partidos, inclusive o PT, disso não há a menor dúvida.
    Podia ser melhor? Sempre poderá.
    O “x” da questão é se não foi pior do que imaginávamos……

  14. Bom, mudando de assunto: gostaria que o jornalista Kotscho explicasse o vídeo sobre o deputado Durval Angelo detalhando o envolvimento e suporte dos Correios na campanha da Dilma para amealhar votos em Minas Gerais. Tenho 3 questoes em relacao ao uso da “máquina governamental” nas eleicoes para presidente: Isso é legal? isso é moral? isso é ético? Por favor, gostaria de ler a sua opiniao. Grato.

    Mauro Minoto

    1. Mauro, ao invés de azucrinar o Mestre, que já tem que administrar os Manés Phinos, vizinhos nos Jardins, onde mantém nosso posto avançado de observação sobre os usos e costumes da hereditária vanguarda da elite do atraso, por que não liga seu desconfiômetro, ao menos uma vez na vida, bote o Tico e o Teco em exercício, junto com o deputado Tiririca, e perceba que esse factoide, até na escala Millenium é cem por cento tiro no pé. Tanto é que pode-se observar que não “pegou” nos meios de desinformação famigliares, pois não se sustenta nem ao menos por um dia, que é o prazo mínimo para valer a pena divulgar-se o factoide com possibilidades de enganar ao menos alguns desavisados como tu. Saiu com defeito de fabricação, Mauro, deu chabú, fraquinho, não se sustenta por ser prontamente desmontável. Acontece que desesperados pela perda precoce das Geraes, conseguiram confundir “conhaque de alcatrão” com “catraca de canhão” e por isso, os únicos que levam-no à sério e adiante é a infantaria de papagaios rolabostas, treinados de forma que após municiados não podem mais serem desligados ou reprogramados. Pense nisso, Mauro, certamente o Tico e Teco adormecidos em ti, agradeceriam.

  15. Toda vez que me lembro daquela musiquinha LULA LÁ, fico emocionada. O que será que aconteceu com aquelas carreatas que arrastavam multidões?

  16. O Netho (1 de outubro de 2014 – 22:59) quer vencer-nos pelo cansaço com sua velha e surrada ladainha sobre o PT romântico do passado e blá blá blá. Na verdade ele tem saudade dos tempos em que o PT era oposição e o demotucanos davam as cartas, deitando e rolando sobre o patrimônio do povo brasileiro. Vá suspirando aí, Nethão, enquanto nós permanecemos de sentinela, em constante vigília para que as conquistas do Povo Brasileiro sejam mantidas e ampliadas, pois o combate as desigualdades é “luta que segue”, ontem, hoje e sempre. Passe bem, Netho e não esqueça os lencinhos de papel, pois domingo os inimigos do Povo Brasileiro sofrerão mais um duro golpe com a reeleição de nossa impecável Presidente. ///// Helena-S.André e Dias, permitam-me aplaudir de pé os belíssimos (“belíssimo” aprendi com o Kotscho) comentários.

  17. “25 anos. 1/4 de século. Nos meus 72 anos, fico a perguntar: onde foi que erramos ? (Nicanor Amaro da Silva Neto – 1 de outubro de 2014 – 19:23)” //// Voce eu não sei, Nicanor. Mas os demotucanos erraram ao acreditar que poderiam governar tirando dos pobres pra distribuir aos ricos, indefinidamente. Abração, Nicanor.

  18. Legal…voltei no tempo. Participei ativamente daquela campanha como militante e me lembro muito bem de tudo, confirmando tudo que foi escrito. Bom saber do livro. Com certeza comprarei.

  19. votei em 89 pela primeira vez para presidente. Havia retornado ao Brasil após cinco anos residindo na Alemanha e estava redescobrindo minha terra com o olhar de certo espanto, ainda meio estrangeiro. Votei em Covas no primeiro turno e no segundo ¨Lulei¨ . O clima era pesado . Ao ser questionado por parentes e conhecidos sobre em quem votaria, respondia causando espanto e até indignação; Afinal como poderia alguem ¨tão instruido ¨ votar em um semi analfabeto que , eleito, iria destruir o país? Desde então , votei sempre em Lula e depois em Dilma. Vou de Dilma novamente, para que o Brasil continue melhorando e torço para que , se eleita , ela consiga de uma vez por todas dar encaminhamento à mãe de todas as reformas das quais o país precisa: a política .

  20. Graaaande Ricardo !!! Acabei de chegar de minhas andanças “catando” votos pra nossa presidenta, graças a Deus esta muito fácil. Pois é meu fi, tú no miolo do furacão e nóis nas beradas, neste que foi um dos mais belos momentos cívicos de nossa república, o outro foi a campanha das diretas. Logo no início tivemos um encontro com LULA aqui na assembléia lefislativa, era gente pra matar a pau, ele usava um paletòzinho preto surrado, aquela barbona, e nóis ali. Me lembro que um veinho, no final do encontro, se levantou pra gritar um VIVA LULA, deu uma tussida e a sua ponte móvel foi cair no colo de uma mocinha.Rimos muito. Aqueles risos era o prenúncio do que iria sorrir o povo brasileiro com a eleição de LULA em 2002. Marquei minhas férias para o mes da eleição para dedicá-la à sua candidatura. Pesoalmente dois fatos me marcaram, foi naquela campanha que firmei namoro com minha atual mulher, e a lembrança que fiquei cinco meses pagando dívidas de empréstimos que fiz para gastar na campanha.Valeu demais. Domingo já vou gastar mais, com todo prazer.

    1. João Livio, não seria o Vannelder? Por falar em marreco, onde foi parar o falador de abobrinhas? A oposição nos mandou outro para ser evangelisado? Kotscho, seu democrático blog vai se tornar uma paróquia onde muitos à deriva vão ser catequisados. O Vannelder, já jogou a toalha e escafedeu-se ou foi finalmente catequisado e morto de vegonha não quiz dar seu bracinho a torcer. Vannelder, podd voltar, não vamos te transformar num judas de malhação, vamos ser condescendente contigo, vamos lhe compreender, afinal, sabemos que isto foi um deslize da sua vida e vale mais voce convertido do que num zumbí caminhando sem rumo. Não demora muito e esse nosso amigo “sparring”, será também domesticado. Nós, temos paciência e com o tempo ele entra nos conformes. Enquanto isto, pegue uma foto da Dilma e ponha na cabeceira da tua cama e todas as noites, olhe para ela e peça perdão pelas suas faltas, vai por mim, ela vai compreender e sabe das fraquesas tucanas, todos nós sabemos. Até a próxima semana caro amigo e ouça o resultado das eleições e não fique zangado a vitória da Dilma já é favas contadas.

  21. ÔÔÔ Mantega !!! Pelamordedeus meu fi, num faz isto cum agente não !!! Agente está aqui, justamente dizendo pro povo que se a Marina ou o Aécio forem eleitos a primeira que vai subir é a gasolina, e tú vem com esta ??? Não é hora de agradar o mercado rapaiz ! É hora de vooooto. Tú sabe o que é voto ??? O mercado não tem voto, e os que possam ter não serão da DILMA, nem que o boi berre e a vaca tussa. Cala a boca rapaiz…pelo menos até domingo as 17:00 horas, depois tú pode falar quaisquer besteiras… ( falando sòzinho )… meu deus do céu…não é fácil ser petralha, não é fácil…eu tinha tudo pra ser um coxinha…tudo.

  22. Carta do jornalista Paulo Nogueira a FHC.

    Caro FHC

    Votei no senhor mais vezes que em qualquer outro candidato.

    A última vez em que fiquei pessoalmente arrasado com a derrota de alguém foi quando o senhor perdeu a prefeitura de São Paulo para Jânio Quadros.

    Deixei de votar no PSDB quando o partido começou a se tornar o que é hoje: uma reedição da UDN de Lacerda, em que ao moralismo demagógico e cínico se soma um conservadorismo petrificado.

    Atribuí este movimento rumo à direita, em certo momento, a Serra. Mas hoje tenho clareza de que o senhor também empurrou o PSDB para o neoudenismo que o vai transformando em quase nada.

    Faz já algum tempo que não espero muita coisa do senhor, dadas suas manifestações públicas.

    Ainda assim, mesmo com expectativas baixas, fiquei surpreso com seu palavreado chulo numa entrevista dada à Veja.

    O senhor é a Veja. A Veja é o senhor. É uma comunhão patética para um sociólogo que entrou para a política com o propósito de renová-la, na redemocratização do país, no final da década de 1970.

    A frase que simboliza seu mergulho nas trevas foi destacada e louvada pela Veja: “É preciso tirar essa gente do poder.”

    Essa gente.

    Fosse outra a época, e os militares estivessem à espera de uma chance para derrubar um governo eleito, o senhor estaria certamente dizendo aquela frase a generais, como Lacerda. E a repetiria, em inglês, a representantes do governo americano.

    Votos, senhor. É com votos que o seu partido poderia tirar “aquela gente” do poder.

    Mas onde estão estes votos? O senhor imaginava que o apoio da plutocracia e da mídia traria votos para o PSDB? Foi o mesmo delírio que teve, no passado, a UDN.

    Como um estudioso, o senhor deveria conhecer isso, para não repetir o mesmo erro. Esta miopia, hoje, me faz duvidar até de sua capacidade como intelectual.

    Como demagogo, o senhor repete que o maior problema do país é a corrupção, para enganar o povo. Partindo de um homem que se reelegeu graças à compra de votos no Congresso, é algo que mistura comédia com tragédia, descaro com mistificação.

    Ora, a real tragédia nacional é a abjeta desigualdade, e contra ela suas realizações, como presidente, são medíocres.

    A idade melhora certas pessoas. Um contemporâneo seu, o Papa, é um dos combativos propagadores da causa da justiça social.

    Quando comparamos a essência das declarações de Francisco e as suas, vemos grandeza épica de um lado e pequenez míope de outro.

    Com tudo isso, não me arrependo dos votos que dei para o senhor. Prefiro pensar que votei num outro homem, com outras ideias e outros propósitos. E não na versão do século 21 de Carlos Lacerda, o Corvo, com o mesmo reacionarismo mas sem a verve da versão original.

    Sinceramente.

    Paulo Nogueira. ( jornalista fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo).

  23. “Não podemos desistir de São Paulo”. Há 25 anos atrás “o Brasil conheceu a mídia conservadora, que inventava seus Frankstains para continuar de bem com o poder, como era na época da ditadura”; e conseguia facilmente fazer a cabeça do povo. Hoje a mídia conservadora continua da mesma forma, porém “a população é muito mais culta, até mesmo aqui em São Paulo onde alunos passam de ano sem aprender, pois aprendeu a pesquisar e não acreditar somente no que a grande mídia conservadora tenta impor”. Por isso podemos nos orgulhar de dizer que “o povo é o grande responsável pelos avanços que o Brasil tem conseguido”, porque embora a mídia continue com o mesmo pensamento tacanho da época da ditadura, o povo está cada dia mais politizado. O brasileiro fez “uma revolução sem armas”. 1989 “cresce a esperança, de um Brasil criança na alegria de se abraçar…” e dalí pra frente “a esperança venceu o medo”, e o povo deixou de ter uma vida de gado marcado e feliz, pelos dogmas da mídia conservadora. Então se mesmo com 40% da semianalfabetos e uma mídia conservadora que detinha 90% da informação em 1989, o povo brasileiro conseguiu ser o senhor do seu destino; “não podemos desistir de São Paulo”, pois mesmo com uma escola que não ensina, a mídia conservadora hoje só detem 25% da audiência; e portanto em algum momento, o povo vai entender o que diz os 75% da informação restantes, e compreender a realidade em que vive.

  24. Bom,,,,, “Alia jacta est” (A sorte está lançada) assim diziam os politicos romanos em latim. Tudo que deveria ser feito em termos de campanha já está consumado e agora dependerá de cada cidadão de como decidirão seu futuro. O país, neste 12 anos de governo PTista, caminhou maravilhosamente, estamos ultrapassando a crise economica fabricada pelo neoliberê em toda a Terra e vamos sair dela garbosamente, com pleno emprego, sem atropelos. Agora, tudo dependerá do discernimento dos eleitores, ou vamos adiante, ou vamos estacionar, na melhor hipótese porque a oposição só tem o caminho dos espinhos para nós optarmos.Tucanos, PPSistas, Demos, PSBistas (quem diria!) taxavam-se socialistas e se macomunaram com o capital, a exploração do homem, pelo homem, a elite, os coxinhas. a burguesia. Mas não adiantará toda esta ginástica ideológica de “maria vai com as outras” porque os planos do Alto já delineou o nosso caminho e não tem volta, chegou a nossa vez e nenhuma força oposta impedirá o nosso avanço. Chegou a hora dos explorados humildes que só estendiam tapetes vermelhos e a onça vai continuar a beber água, doa a quem doer. O bolo, fruto do trabalho, já passou da hora de ser dividido em partes iguais e porisso não há retrocesso, este povo sofrido já experimentou do sabor dele e já não aceita o outro, o bolo da enganação, o bolo trololó que uma bela aparencia externa mas dentro é bolo bolorento. Domingo vamos dizer um não a este bolo azedo, a este bolo que há quase 500 anos nos é obrigam a comer como se fosse sal-amargo. Poderosos, é o fim da linha e prá voces não há a luz do fim do tunel, tudo é escuridão e se quiserem luz, abra mão dos seus privilégios mesquinhos e procurem ser honestos, irmanados, voltados ao bem comum porque só o amor, a compreenção, o perdão constroem.

  25. claramente o Aécio ganhou o debate. Agora, vamos ver se ainda é possível que ele vá para o segundo turno. Com a máquina governamental toda a favor de Dilma fica realmente complicadon ganhar o segundo turno. É um embate muito injusto, mas ela está usando tudo que pode para manter-se no poder. Claro, com a conivência da maioria do povo brasileiro que nao sabe o que está acontecendo nos bastidores…que nao sao tao bastidores assim para alguém com um mínimo de espírito crítico.

  26. O povo aprovou a proposta do Aécio e não a da Marina, ela não tem nada que querer que ele retire da proposição dele a diminuição da maioridade penal (o povo clama por isso faz tempo).
    Quem sabe o que ´passamos mediante tanta violência somo nós: são vítimas jovens, famílias desesperadas chorando seus filhos, filhos chorando seus pais, etc.
    Os políticos andam em carros blindados e com segurança e é por isso que se lixam para a gente.
    Se Aécio retirar essa proposta perderá meu voto e o voto de mais pessoas. Eu não ia votar em ninguém porque cansei de ser enganada, mas resolvi votar nele e vou acompanhar o governo dele de perto, para ver se está cumprindo o que prometeu.
    A única proposta da Marina que presta é a inclusão da sociedade diretamente na política,, isso, sim, ´será muito bom. Quanto a apoiar ou não ao Aécio, ele já não precisa de seu apoio, pois está conquistando cada vez mais votos. A gente está entendendo que vocês querem melar a vitória dele, que fez a proposta que o povo quer.
    Cuidado, Marina, vc vai cair no ostracismo, pois os votos que vc recebeu dessa vez estão diretamente ligados ao incidente que matou Eduardo Campos.
    Vá em frente, Aécio, não se preocupe com as mentiras da Dilma que não sabia de nada, pois sabemos que isso virou moda no PT. Ela está tentando uma inversão nas coisas, mas cá embaixo o povo está percebendo. Ela é mentirosa, cínica e hipócrita. O tempo novo do quel ela fala, é um novo tempo de roubos no país, mentiras em cima de mentiras e comportamento , não de presidente, mas de terrorista financeira.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *