Copa dos gols deve ensinar nossos “professores”

Copa dos gols deve ensinar nossos “professores”

É gritante a diferença entre o futebol ofensivo e cheio de gols a que estamos assistindo neste Mundial e o futebolzinho chato, previsível e burocrático apresentado pelos nossos principais clubes na primeira fase do Brasileirão. Parece até que é um outro esporte.

Agora que gostamos tanto de ver a bola correr com rapidez da defesa para o ataque, com chutes de qualquer distância e lugar, sem aquela irritante troca de passes na defesa e no meio de campo a que já estávamos acostumados, vai ser difícil voltar a ver nossos times jogando para fazer um golzinho e ficar o resto da partida na retranca para garantir o resultado.

Este primeiro dia sem jogo desde o início da Copa no Brasil é um bom momento para que os nossos treinadores façam uma reflexão sobre o abismo entre o futebol praticado aqui, que já foi modelo para o mundo, e o que seleções sem a mesma tradição e talento vieram nos mostrar. Deveriam passar a sexta-feira inteira revendo os grandes jogos, que foram muitos, para descobrir como se busca com rapidez e eficiência o principal objetivo de um jogo de futebol, que é fazer gols, a grande alegria de qualquer torcida em qualquer lugar.

Com 136 gols marcados em 48 jogos, a primeira fase do Mundial mostra a média de 2,83 por partida, a maior já registrada desde a Copa do tri, em 1970, no México. Enquanto isso, a primeira fase do Brasileirão teve a média de gols mais baixa desde que passou a ser disputado por pontos corridos, em 2003:  apenas 2,14.

Talvez seja por isso que Felipão, que passou muito mais tempo trabalhando no exterior do que aqui, depois da conquista do tetra, em 2002, e está antenado nas mudanças táticas e técnicas operadas no futebol mundial, tenha chamado apenas quatro jogadores em atividade no país dos 23 convocados para a disputa do hexa.

Não sei de onde surgiu esta mania dos jogadores nativos de chamarem seus técnicos de “professores”. Professores de quê? Técnico é técnico, professor é professor e bola é bola. Não é preciso reinventar a roda nem fazer mídia training e ficar falando difícil para montar um time competitivo que jogue para ganhar e não para não perder, e garantir assim o emprego do treinador. Mano Menezes, por exemplo, esteve dois anos à frente da seleção brasileira, convocou mais de 100 jogadores e nunca conseguiu montar um time.

Ao assumir seu lugar, em poucas semanas Felipão escalou sua seleção, que conquistou a Copa das Confederações e, com mudanças pontuais, está aí até hoje, com grandes chances de conquistar mais uma Copa. Já na reta final do primeiro turno do Brasileirão, os “professores” dos grandes times continuam escalando um time diferente a cada jogo, em busca da “formação ideal”. O problema não está apenas em quem escalar, mas na mentalidade reinante na direção de todos os clubes que pagam fortunas para seus técnicos e se curvam diante de suas velhas idiossincrasias _ “o importante é não tomar gol” _ que cada vez mais afastam o público dos estádios e levam nossos melhores craques para fora do país.

Nem se trata de jogar feio ou bonito, dar ou não espetáculo, mas de ter fome de bola, jogar com garra, prazer e vergonha na cara, como têm demonstrado os jogadores desta Copa, incluindo os da seleção de Felipão. Está na hora dos milionários “professores” devolverem a alegria e a ousadia ao futebol brasileiro, soltando suas feras com um esquema tático bem definido antes de entrar em campo, em lugar de ficar gritando e xingando feito celerados à beira do gramado, durante todo o jogo.

Com a seleção erguendo ou não a taça, esta Copa pode ser um divisor de águas no futebol brasileiro. Um bom recomeço seria mandar nossos técnicos mais jovens fazerem um estágio lá fora, dispostos a aprender, deixando de lado as velhas certezas dos “professores”, que estão levando os clubes à ruína. Faz muitos anos que são sempre os mesmos, revezando-se nos grandes clubes, incapazes de apresentar qualquer novidade a cada temporada.

Se os dirigentes do futebol brasileiro também são sempre os mesmos, fica difícil sair deste círculo de ferro, mas nunca é tarde.

Até a vitória, rapaziada!

 

 

 

15 thoughts on “Copa dos gols deve ensinar nossos “professores”

  1. Acertou na mosca. Tenho falado disso há muito tempo. Não há humildade para reconhecer que estão defasados, esse é o problema, aliado ao pouco caso de nosso dirigentes que estão se lixando para o jogo em si, mas muito atentos aos potenciais atletas para serem vendidos ao exterior. Acho que o estágio seria muito interessante, mas para os novos, com esses ¨profexores¨ não dá. E mais, mudança da forma de treinar, estatística, informática, etc, etc. Parabéns, artigo muito revelador da nossa pobreza futebolística.

  2. Kotscho
    A Dilma e o povo brasileiro estão mostrando o que é fazer a copa das copas. Os do contra. não vai ter copa, imagina na copa, estadão, veja, folha, globo estão caladinhos e escondidinhos.

    1. Timidamente, ainda insistem em tentar amealhar argumentos, puxados por pseudo-jornalistas, demotucanos enrustados, como Juca Kfouri, que sempre tem uma palavrinha desabonadora em relação à organização da Copa. O que eles fizeram foi um crime lesa Pátria. Milhares de turistas deixaram de vir ao Brasil influenciados por matérias mentirosas – rapidamente absorvidas por seus “colegas” do exterior – e hoje, poderíamos estar vendo ainda mais gente curtindo esse grande espetáculo da Terra que é uma Copa do Mundo. Tentaram transforma-la em um eventozinho qualquer (atenção… acredite se quiser… os jogos da Copa estão tendo mais audiência, nos USA, do que as finais da NBA…), abriram espaços midiáticos para criminosos, como os Blac Blocs, apenas para criar uma sensação de caos no Brasil. E agora? Querem mudar de assunto… Como o JN, aquele lixo tóxico, rasgando elogios e tentando culpar a Imprensa do exterior (tão ordinária como a nossa) pela má expectativa em relação à Copa. Mas… sempre haverá otários que continuarão assistindo, lendo e assinando esses veículos cuja finalidade é apenas desinformar para enfiar suas ideias golpistas na cabeça de idiotas. Mané será sempre mané…

  3. Cacilda! O merecido descanso do Mestre balaieiro devolveu-nos padrão FIFA não apenas às coisas da política. Não é que, para surpresa até de Neném Prancha, volta e joga como nunca, vence e merece um nove e meio nesse “imexível” texto do esporte bretão. Aqui entre nós, tricolores e não tricolores do Balaio, o mestre voltou tinindo, né, não, Muricy?

  4. Caro Ricardo, concordo contigo em gênero, número e grau. Há muito que os técnicos brasileiros demonstram uma absoluta incapacidade para montar uma equipe de futebol. Não conseguem definir um esquema tático, não conseguem fazer com que os jogadores façam o básico em futebol, ou seja, o toque de bola, com qualidade e acerto. Há de fato uma discrepância entre o que entregam aos clubes e o que recebem para isso. Deveriam receber um salário compatível com a receita dos times brasileiros e dependendo do resultado final, receberiam um “bicho”, como acontecia com os jogadores.

  5. Meu divórcio com o futebol brasileiro aconteceu durante o ano passado. Estava desempregado e portanto com tempo para acompanhar as semifinais e a final da Champions League, o que tem de melhor no futebol mundial. Depois um amigo meu me convidou para assistir a final do Paulistão, Santos contra nem lembro quem. Foi espetáculo de doer. Depois disso nunca mais perdi meu tempo assistindo um jogo de times brasileiros.
    Querer comparar os jogos da copa com qualquer jogo de times daqui é covardia. Não só os técnicos são totalmente ultrapassados, mas o nível dos jogadores dá dó. Não podemos esquecer que 90% dos jogadores das seleções que vieram para o Brasil atuam na Europa, mesmo em times médios, que são infinitamente superiores aos brasileiros.
    Vitórias em mundiais de clubes ou na Libertadores, como foi o caso nos últimos dois anos (2014 está ainda pior…) criaram ilusões de que o futebol brasileiro estava no mesmo nível ou até superior ao futebol europeu ; longe disso, a despeito do título do Corinthians em 2012.
    Dirigentes incompetentes, técnicos ultrapassados, clubes falidos, jogadores fracos, o cenário é desolador e sem perspectiva de mudança.

    A Copa vai deixar saudades, quando tivermos que voltar a ver os perna-de-pau daqui…

  6. Em se falando de futebol as torcidas e comentaristas dizem: “futebol é bola na rede”. Para que isto aconteça é preciso de atacantes e assistindo a reprise do jogo Espanha x Chile na ESPN vi que o Maracanã estava envolto em camisetas vermelhas chilenas, os tais de camisas 12. Acredito não ser surpresa se estas camisas 12 vermelhas chilenas não forem maioria no sábado e todos sabemos que ela é importante incentivando seus jogadores, mirem-se no exemplo do Beira-Rio em Porto Alegre onde maioria, mais 20 mil eram de argentinos e os poucos brasileiros cantando “Eu,,,sou brasileiiirrooo, com muito orgulhooo….” foram sufocados com uma estridente vaia calando-os. Chamo a atenção de que isto possa se repetir caso nossa torcida seja inferior em número em BH. nos vaiando. Para mim isto representa o poder economico da torcida chilena contra a brasileira em pleno Brasil. Eu vejo no lado economico o fato de por causa dos preços serem altos e fóra do alcance das bolsas da maioria de brasileiros mal remunerados, o afastamento da torcida brasileira dos estádios; quem diria,,,,, em pleno Brasil. Isto espelha o grande, o gritante patamar entre as classes sociais brasileiras. Este décimo segundo jogador pode fazer a grande diferença no próximo sábado contra o time brasileiro, marquem aí nos seus cadernos esta minha observação e o time brasileiro terá que se superar dentro do seu solo, isto é, vencer o adversário e a torcida dos milhares de camisas vermelhas 12 chilenas. E nesta hora os “coxinhas” vão ter que se calar sob o clamor da maioria de camisas vermelhas chilenas e terão que se murcharem-se ao cantarem; Eu….sou brasileiroo..com muito orgulhoo….A falta de poder econômico do brasileiro o afastará do Mineirão e a sua seleção sofrerá com a falta de apoio. A pobresa dos brasileiros e a loucura por causa de,faturamento é a sua grande barreira a ser transposta, talvez seja isto o que a oposição oportunista quer e o “quanto pior, melhor” derrote a seleção brasileira e isto é perfeitamente possível corroborado pelo bom futebol que o time chileno vem praticando.

  7. Não sei se entendi corretamente o post, Kotscho… Se a intenção foi chamar a atenção, apenas, da necessidade de bons espetáculos e que eles só podem acontecer quando se joga ofensivamente, sem medo, tudo bem. Mas querer comparar campeonatos, os nossos com os da Europa, é um pouco complicado. E tentar usar uma Copa do Mundo então, é mais complicado ainda. O tipo de motivação e, especialmente nesta, o esmero com que foi elaborada e organizada, gringos de queixo caído, os mais belos Estádios do mundo, associados ao calor humano dos brasileiros, torna-a uma festa da humanidade, e o que está acontecendo dentro de campo, diferentemente de outras Copas, é o resultado desta simbiose maravilhosa prevista por Gilberto Freyre há um século atrás – um povo multi-racial e multi-cultural que será a melhor expressão do homem. Lula estava certo desde o início… E esses idiotas (loucos para mudar de assunto pois quebraram a cara com a Copa e vão quebrar a cara de novo em outubro) que investiram no caos, deveriam humildemente dizer: “Muito obrigado Presidente Lula e Presidenta Dilma pela Copa maravilhosa que proporcionou a nós brasileiros e ao Mundo”.

  8. Kotscho tu está 100% equivocado, a regra no Brasil é jogar com dois, três e ou quatro volantes de marcação não para não perder o jogo, Mas Sim Para Não Perder O Emprego.

    Vou te dar um exemplo, o Muricí tem o Pato, que com toda certeza está entre os 10 melhores atacantes do Planeta, tem o Osvaldo e o Denilsom que são ótimos para dar um cançasso na zaga e reter a defesa, tem o Luiz Fabiano que é exemplo de raça, oportunismo e faro de gol, Mas jamais pões quatro atacantes, prefere três volantes e um meia (Ganso) que joga como se fosse um liquidificador.
    O Brasil inteiro gostaria de assistir partidas com final de 5X4, 6X5, 3X3 etc…
    Porém o que manda mesmo no futebol brasileiro é o Medo de Perder o Emprego, temos trogloditas na direção de clubes e contratos não superior a um ano, na Europa os contratos passam fácil de cinco anos, tempo suficiente para ver um gurí de 16 chegar preparado ao profissional.
    Bom dia.

  9. Assisti ontem à noite parte do jogo entre o Cruzeiro(5) e o América(3) do México.Quanta diferença dos jogos eletrizantes da copa,se bem que não se deve comparar amistosos com jogos de um campeonato mundial de seleções.Mas tive o mesmo pensamento desse tópico,como será que iremos ver o resto do campeonato brasileiro?Despertarão os jogos um maior interesse,ou não?

    1. Luxemburgo na Fox fala como se tivesse vencido muitas Copas. Não apenas ele, mas também Renê Simões, Mário Sérgio (o melhorzinho) e até o próprio Falcão que o ano passado dirigiu, e foi demitido, do Inter e do Bahia com resultados absolutamente pífios. Mas é compreensível… Não só eles como todos os comentaristas esportivos, são regiamente pagos para tentar nos convencer de que eles enxergam o jogo de uma forma diferente, científica; e que é só fazer o que eles sugerem para o Brasil voltar a encantar o Mundo. O tal do PVC da ESPN é o protótipo do enganador; tem boa memória apenas. Antes do jogo começar ele vai desfiando um monte de possibilidades; claro que uma prevalecerá. Quando sai um gol ou ao final da partida, é batata… “Como eu disse…”, “Como eu previ antes…” e por aí vai. Bando de enganadores… A verdade verdadeira, como bem diz Tostão, é que o acaso (como a bola na trave do chileno no último minuto da prorrogação) é que decide, ou não, a maioria das partidas equilibradas. Mas faz sentido alguém pagar uma fortuna para esses caras dizerem que foi o acaso que decidiu um jogo, ou uma Copa? E não se fala mais nisso…
      PS – Kotscho, vou vaticinar algo que poderá soar como sandice pura… O Brasil passa pela Colombia com facilidade. Vamos conferir…

  10. assim falou Zé de Tustra:
    “O maior orgulho que Deus sente é o de ter criado o povo brasileiro”…e eu digo: apesar de num momento de distração o capeta ter criado a nossa elite. VIIIIIVA LULA O LIBERTADOR !!!

  11. Quando os torcedores chamam o tecnicos brasileiros de BURROS, eles não gostam obviamente e até culpam a imprensa. Mas deixando de lado O FATO DE QUE a classe dos tecnicos brasileiros, é formada por EX JOGADORES MEDIOCRES que nunca foram craques de times grandes do Brasil e muito menos jogaram em times da Europa para assim aprenderem na pratica com os MESTRES DAS TATICAS e sequer tiveram humildade para fazer cursos ou estagios em clubes da Europa; vamos nos ater ao que está acontecendo na copa. POR QUE CONVOCOU O JÔ E NÃO O LUIS FABIANO ou o ROBINHO, se o JÔ NUNCA FOI ARTILHEIRO DE NADA, nunca foi melhor que o Luis Fabiano e o ROBINHO e NÃO ESTÁ MELHOR QUE O LUIS FABIANO E O ROBINHO, pois não fez mais gols que o Luis Fabiano nos ultimos 3 anos e SEQUER É TITULAR NUM TIME GRANDE DA EUROPA COMO O ROBINHO? POR QUE CONVOCAR O WILLIAM se ele NUNCA FOI MELHOR QUE O KAKÁ E QUE O RONALDINHO GAUCHO, E TAMBÉM NUNCA SERÁ. Ou será que alguém acha que o William um dia vai ser escolhido o MELHOR JOGADOR DO MUNDO? Então meu caro Kotscho, “O FELIPÃO SIMPLESMENTE DESPERDIÇOU 2 VAGAS DE JOGADORES, e o Brasil JOGA A COPA com 2 JOGADORES A MENOS, pois o William e o Jô, quando ENTRARAM NOS JOGOS DA COPA, tiveram apresentações DIGNAS de “meninos em formação NO TERRÃO CORINTHIANS de onde eles sairam”. Sem querer menosprezar os meninos do terrão do corinthians, mas é que os meninos do terrão AINDA ESTÃO EM FORMAÇÃO. Também não quero menosprezar outros jogadores, pois certamente, o DIEGO RIBAS (Atletico de Madrid e ex companheiro do Robinho no Santos), que FOI CAMPEÃO ESPANHOL ESTE ANO e SEGUNDO COLOCADO NA CHAMPIONS LEAGUE “SERIA MUITO MELHOR QUE O WILLIAM”; e o Ederson, o Ernani, o Borges, o Cicero, o William e o Alan Kardec; seria MUITO MELHORES QUE O Jô”. E’ essa a realidade dos nossos tecnicos meu caro Kotscho, pois enquanto tecnicos ARGENTINOS MONTAM GRANDES SELEÇÕES elogiadas no mundo inteiro, como o Chile e a Colombia OS NOSSOS DESPREPARADOS E MAL EDUCADOS tecnicos, fazem comercial de TV de incentivo “AO ADMINISTRADOR E AO EMPREENDEDOR”, como se BANANA, CHUCHU E JILÓ; representassem produtos industrializados. De qualquer forma Kotscho, apareceu o tecnico do Chile que se chama: Sampáoli, competente e muito mais barato que os tecnicos brasileiros. Será que É ALGUMA PREMONIÇÃO? Lá no Chile o Jorge Sampáoli “NÃO DEIXA JOGADOR MANDAR”, mesmo sendo “GOLEIRO DE VERDADE como o BRAVO”, com MUITOS TITULOS DE GOLEIRO MENOS VAZADOS e com “INUMERAS PROPOSTAS DE OUTROS TIMES em CONTRATA-LO”, onde PODE ESCOLHER jogar no BARCELONA.

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