Quando o futebol se torna um risco de morte

Quando o futebol se torna um risco de morte

Sou do tempo em que o futebol, nosso time ganhando ou perdendo, era sempre uma festa. Só senti medo no estádio uma vez, quando fui com meu falecido pai ver a final entre o São Paulo e o Corinthians na decisão do campeonato paulista de 1957. O time dos “pó de arroz”, como chamavam o meu São Paulo, ganhou de 3 a 1, sem choro nem vela, mas a imagem que me ficou foi a da briga generalizada entre as torcidas naquela que ficou conhecida como a “tarde das garrafadas”. A partir daí proibiram entrar com garrafas nos estádios.

No meio da confusão, perdi-me do meu pai e só fui reencontrá-lo depois do jogo, bastante machucado. No dia da inauguração do Morumbi, em 1960, ele tinha morrido pouco tempo antes, e eu fui lá representá-lo. O futebol, quer dizer o nosso time, era a grande ligação que eu tinha com o velho, nossa maior cumplicidade.

Estou me lembrando deste tempo antigo agora, ao ler a história de um jovem torcedor do Santos, Marcio Barreto de Toledo, pai de um menino de seis meses, que saiu de casa no domingo para ver o jogo contra o São Paulo, e não voltou mais: foi barbaramente assassinado por torcedores do “pó de arroz” num ponto de ônibus, só porque estava com a camisa do seu time.

O que aconteceu com a gente nesse meio tempo? Tem razão o Jânio de Freitas quando constata na sua coluna de hoje na Folha, sob o título “Brasil embrutecido”:

“Estamos no Brasil em um agravamento de brutalidade que não cabe mais nos largos limites do classificável como violencia urbana. E não basta dizer que nada é feito contra tal processo. O que se passa, de fato, é que nem sequer o notamos”.

O pior é isso: a nossa indiferença diante dos dramas humanos que se repetem, até no futebol e no carnaval, como vimos no caso do celerado que avançou com seu carro nos foliões dos blocos que tomaram a Vila Madalena neste final de semana.  Com a política voando no piloto automático, sem sair do lugar e sem nos dar esperanças de mudanças, deveríamos nos preocupar mais com estas pequenas grandes tragédias do cotidiano em que vidas estão em jogo.

8 thoughts on “Quando o futebol se torna um risco de morte

  1. Pois é mestre, conhece algum país onde a mídia se auto declara líder da oposição? Conhece algum país onde há séculos sua elite cultua a desigualdade e pratica a intolerância e a justiça seletiva? Conhece algum país onde a escola transitou de “misturada pública” para “apartada pública-particular”? Conhece algum país onde vicejam diariamente centenas de programas irradiados e televisionados cuspindo violência como prestação de serviço ao público? Conhece algum país onde a justiça assenta-se sobre os quatro pilares dos pês (pobre, puta, preto e petista)? Conhece algum país onde sua juventude é estimulada a sonhar com BBB ou manequim e modelo? Conhece algum país onde elege-se o presidente sempre em minoria, obrigando-o a compor para ter sustentabilidade para governar? Conhece algum país onde os partidos fazem política sem arrecadarem para as despesas e depois o povo fica surpreso que exista caixa dois para tanto? Conhece algum país onde a justiça se pronuncia politicamente, cotidianamente? Conhece algum país onde se queimam índios, mendigos, menores abandonados, prostitutas e outros necessitados de rua, por intolerância e também diversão? Conhece algum país onde grande parte da população não tem assistência médica por serem pobres e quando o governo busca “mais médicos” para eles, os médicos e suas associações, que não os tratam, tentam impedir a todo custo? Conhece algum país que sediou a Copa e/ou as Olímpiadas e a mídia fez campanha intensa contra para não darem certo, por ser líder da oposição? Conhece algum país onde cinco famílias detém o monopólio da informação e juntam-se em um instituto, para melhor combater o governo, a qualquer preço? Conhece algum país onde o sucesso do país, de partes do mesmo, ou de indivíduos seus representantes, são combatidos, pois a síndrome do vira-lata se faz presente, principalmente na vanguarda do atraso, a elite? Conhece algum país que mantém em pleno século XXI a Casa Grande e a Senzala, intocadas e atuantes? Conhece algum país onde a elite não oferece um mísero centavo a qualquer instituição, pelo contrário busca o governo para não correr riscos em seus empreendimentos? Conhece algum país onde a polícia foi militarizada para conter cidadãos e assim permanece? Conhece algum país que tenha um sistema bancário que nada deve aos do primeiro mundo e um sistema prisional digno da idade média? Conhece algum país do mundo que tenha mais Shoppings Centers e Condomínios residenciais de luxo e ao mesmo tempo, mais favelas, palafitas, população de ruas e cortiços? Conhece algum país onde exista uma elite tão mesquinha, conservadora, intolerante e incompetente como a nossa? Com certeza conhece alguns países que apresentam uma ou outra dessas características, mas todas certamente nenhum que não seja o Brasil. Chega de ensaboar o bagre, reformas política e do judiciário, mais saúde, educação e auto estima e democratização dos meios de comunicação, antes que tardia. A Vida Quer é Coragem, ensinou-nos a Presidenta Dilma, portanto é chegada a hora do PT sair da letargia e vida que segue, como ensina o mestre-em-chefe do Balaio, rumo a um futuro melhor.

  2. Desculpe a mudança brusca de assunto, Kotscho mas acho relevante embora fica aqui manifesta a minha indignação por esta bandidagem que domina já há algum tempo o ambiente futebolístico do Brasil. A cpnivência entre dirigentes, a própria PM e as autoridades constituídas levaram a este estado de coisas onde uma vida humana não vale nada. Lamentável… Iso posto, quero manifestar minha surpresa pelo belo lucro colhido pela Petrobrás… como foi possível? Os profetas do Apocalipse do Balaio (que andam sumido… devem ter ido cantar em outra freguesia…) garantiam que a Petrobrás estava quebrada, falida, no buraco e que não tê-la privatizado na época de FHC foi um grande equívoco. E agora? Como fica? Os idiotas demotucanos vão colocar a culpa em quem?

    http://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/2014/02/lucro-da-petrobras-alcanca-r-236-bilhoes-em-2013.html

  3. Há décadas a violência é uma rotina de Sísifo e as autoridades se servindo de seguranças pagos por nós contribuintes. Não há qualquer perspectiva e nem espectativa com essas pessoas que se mantém no Estado brasileiro. P.S. Gilmar Mendes vai decidir pedido de Demostecles Torres amigão de farsa do grampo SEM AUDIO. GILMAR MENDES APRONTA À VONTADE E SUPLICY E (TODOS SENADORES SE CALAM) ENVIA CARTINHA E EVITA EMPEACHMENT… Por que os senadores nao tomam providencias contra desmandos de ministros do STF?

  4. Kostcho, ENQUANTO OS DIRIGENTES DOS CLUBES, não forem indiciados, ja que DÃO INGRESSOS para esses baderneiros de torcidas uniformizadas, isso vai continuar acontecendo. Virou moda TUDO QUE ACONTECE AGORA, dizerem: “”IMAGINE NA COPA?”” Ora na copa isso provavelmente não vai acontecer porque a maioria dos torcedores de torcidas uniformizadas NÃO VÃO ESTAR NA COPA, porque NÃO GANHARÃO INGRESSOS DOS DIRIGENTES dos clubes. Começa mais uma eleição, e certamente algum politico promotor, vai PROMETER dar um jeito nestas torcidas uniformizadas, mas certamente será promessa novamente, porque até hoje nunca fez nada. Kotscho a violencia do futebol não é muito diferente da violencia do dia a dia, e para resolver GRANDE PARTE DISSO basta apenas no futebol, que OS DIRIGENTES DO FUTEBOL não deem ingressos para as torcidas uniformizadas; bem como para resolver BOA PARTE DA VIOLENCIA EM SÃO PAULO, basta apenas transferir o Marcola do PCC para um presidio federal.

  5. Prezado Kotscho~.
    Abomino futebol e jamais em minha vida entrei num estádio para ver uma partida. Não vejo, não torço (torcer só ao contrário) e não ouço sequer comentários.
    Mas achei interessante um,a marchinha (no ritmo de cachaça não é água não) e resolvi lhe apresentar:
    ”Você pensa que a taça é nossa/ a taça não é nossa não/ a taça é das empreiteiras e não sobra nada para o povão.
    Que tal Kotscho?

  6. “Enquanto esses *JOVENS*,não é assim que *ELES* são chamados,não forem punidos pra valer,forem somente ouvidos mal e porcamente nas Delegacias e dispensados:VAI CONTINUAR TENDO RISCO DE MORTE *PRÀ MAIS DE METRO*.rsrsrsrsrs….”

  7. Num país em que mesmo se alguns dos celerados que cometeram esse monstruoso ato fossem presos, julgados e condenados provávelmente não passassem nem 10 anos trancafiados tal a brandura das penas e dos meios legais existentes para atenuá-las ainda mais, vc queria o que Ricardo Kotscho?

  8. Prezado Kotscho, há um ano você fez uma matéria revoltado com o técnico Nei Franco do São Paulo porque ele teve a ousadia de colocar o Ganso no banco de reservas. Você dizia, na ocasião, que aquele técnico teria que ser demitido, pois como poderia deixar no banco um jogador que custou mais de 20 milhões de reais. Lembro que o São Paulo era o líder do campeonato paulista e tinha em seu elenco o hoje destaque do Corinthians, Jadson no meio campo. Agora o Murici coloca o Ganso na reserva de um jogador improvisado e não vejo nenhuma revolta de sua parte. Como explicar?

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