Os quatro meses de 1984 que mudaram a cara do Brasil

Os quatro meses de 1984 que mudaram a cara do Brasil

Foram exatos apenas quatro meses: de 25 de janeiro, dia do primeiro grande comício, em São Paulo, a 25 de abril de 1984, em Brasília, quando a emenda das “Diretas Já” foi derrotada no Congresso Nacional.

Depois de 20 anos de regime militar, o povo saiu às ruas para reconquistar o direito de escolher seu presidente da República em eleições diretas. O movimento acabou se transformando na maior manifestação de massas da nossa história e mudou a cara do nosso país, com o povo brasileiro, pela primeira vez, assumindo o papel de protagonista do seu próprio futuro.

Trinta anos atrás, a esta hora, no final da manhã, estava saindo de casa cheio de esperanças para me juntar à multidão que tomou a praça da Sé, apesar da forte chuva que caia na cidade. Mais que um comício com as principais lideranças políticas da oposição, da sociedade civil e da nossa cultura, sob o comando do grande amigo Osmar Santos, o “locutor das Diretas”, a campanha mostrou ali o que aconteceria nas semanas seguintes, tomando as ruas e praças de todo o país: uma grande festa, unindo o povo em um só grito para dar um basta à ditadura.

Como repórter, tive a oportunidade de acompanhar toda a campanha, do começo ao fim e, como todo mundo, fiquei arrasado quando faltaram apenas 22 votos para a aprovação da Emenda Dante de Oliveira, que restituía as eleições diretas, na trágica madrugada de 25 para 26 de abril. Em depoimento ao projeto “Memória Coletiva”, criado pelo jornalista Paulo Markun, em 2011, contei como foi a cobertura das Diretas Já, que também está no meu livro Explode um Novo Brasil _ Diário da Campanha das Diretas, publicado pela Editora Brasiliense (acho que ainda pode ser encontrado na internet).

Abaixo, reproduzo um trecho do depoimento sobre como terminou a noite em Brasília, após a derrota da emenda, que Markun publicou em seu site sob o título “A pior lembrança do cronista das diretas: o choro de Torloni”:

 

A primeira imagem que vem, Markun, não é uma boa lembrança, mas a da derrota, porque às vezes a gente se esquece que a campanha acabou sendo vitoriosa só cinco anos depois, mas naquele ano, no 25 de abril de 1984, no dia da votação da emenda Dante de Oliveira, o sentimento foi de uma enorme frustração, de uma enorme tristeza, e de revolta.

Naquele momento, jornalistas como eu e vários outros _ só a Folha mandou uns dez enviados especiais pra Brasília naquele dia pra acompanhar a votação _ ficaram indignados. A emenda foi derrotada pelos que se ausentaram do plenário, se esconderam em seus gabinetes, e nós vimos esses caras depois da votação (…) saindo meio escondidos  dos gabinetes pra ir embora. E nós xingamos esses caras, nem me lembro quem eram, xingamos e tal, e tivemos que ir para a sucursal escrever as nossas matérias.

Até aconteceu uma coisa curiosa no caso da equipe da Folha porque nos apressaram para enviar o material, mas a votação terminou tarde, de madrugada, e nós combinamos ali que ninguém iria mandar nada enquanto não tivesse o resultado do jogo.

Corremos o risco e deu certo, porque o Estadão, que fechou mais cedo, deu a seguinte manchete: “Faltam votos para a aprovação das diretas”. Eles fecharam no horário, meia-noite e tal, sem o resultado da votação, e nós da Folha saímos tarde pra burro, mas com o resultado, e o jornal rapidamente se esgotou nas bancas _ o que salvou o nosso emprego…

Queriam rodar mais exemplares, só que o pessoal da oficina já tinha ido embora. E a imagem que me ficou é do restaurante Piantella, muito conhecido em Brasília, reduto de jornalistas, de políticos, de todo mundo, dos artistas que participaram ativamente da campanha, alguns chorando.

Eu me lembro nitidamente da Christiane Torloni, que estava inconsolável. O país todo foi às ruas, parecia uma grande festa cívica e tal, e com um desfecho melancólico. mas que, tempos depois, daria nessa jovem democracia que nós vivemos hoje. Ali foi o divisor de águas, um marco na nossa história.

 

 

No prefácio do meu livro, que ele escreveu a mão, Ulisses Guimarães, o “Senhor Diretas”, grande comandante daquela companha, escreveu um breve texto sob o título “O batismo é do povo”. O manuscrito dele, enviado antes da votação no Congresso Nacional, foi a maior homenagem que já recebi na vida. Por isso, peço licença aos leitores para transcreve-lo aqui num dia que me trás à lembrança bons momentos e velhos amigos.

 

Poesia é encontrar uma árvore esquecida à beira de uma estrada e glorificá-la”.

O jornalista de raça é um mágico. Transfigura o anônimo em notável, celebra o desapercebido, enquadra o texto no contexto. Enquanto nós nos limitamos a olhar, ele vê as coisas, pessoas, a paisagem. Vê e conta.

Ricardo Kotscho é jornalista raçudo. O jornalismo está no seu sangue e no seu destino.

Andei com ele por praças e ruas deste infindável país. Entupidas de gente, de berros e de gestos de revolta e de esperança. Quando lia suas reportagens na Folha de S. Paulo ficava surpreendido e encantado.

Como é que o Ricardo viu aquele jovem frenético, registrou a originalidade daquele dístico, enxergou aquela mulher chorando, ouviu daquele velho as histórias de outros comícios e outros personagens?

Ele não se absorve nas estrelas do acontecimento. Sua pena é também alto-falante da multidão, assegura-lhe o papel de personagem no grande e terrível drama social brasileiro.

Osmar Santos é o locutor das diretas. Fafá de Belém é a cantora das diretas. Ricardo Kotscho é o cronista das diretas. O batismo é do povo. Leia este livro. Assim verificará que, mais uma vez, o povo tem razão.

Brasília, 18 de abril de 1984

Deputado Ulisses Guimarães

Bom fim de semana a todos e que São Paulo tenha uma bela festa no seu aniversário de 460 anos. Viva São Paulo!

 

 

 

 

 

 

 

21 thoughts on “Os quatro meses de 1984 que mudaram a cara do Brasil

  1. A rede globo só apareceu no fim quando não tinha mais jeito. Como sempre a favor da ditadura. Combateu como pode as “diretas já”. A globo sempre fazendo feio.

  2. Caro Kotscho
    Belíssimas e justas palavras do poeta que eu não conhecia no velho Ulisses Guimarães. ME EMOCIONARAM !!! Obrigado por publica-las.
    Mas como emoção puxa mais emoção peço a tua licença para também contar as minhas lembranças daquele grandioso momento histórico vivido no Brasil.
    Naqueles tempos PENSAR politica era correr risco de prisão, tortura e de morte !!! Hoje não, qualquer um pensa da forma que quiser e pode inclusive escrever as besteiras que quiser torturando somente a paciência e a inteligência de quem os lê. DEFENDER HOJE A DITADURA MILITAR E ASSASSINA QUE OCORREU NO BRASIL É PASSAR ATESTADO DE ESTUPIDEZ COMPULSIVA !!! É miséria cerebral. É relincho de “acabrestados” direitistas delirantes. Carecem de clínicas especializadas em tratamentos para dementes ou desajustados ao tempo e ao espaço.
    Na época da Campanha pelas Diretas, embora nascido e criado aqui, eu não morava em São Paulo. Morava em Porto Alegre-RS para onde fui trabalhar em 1982 no então recém criado Polo Petroquímico de Triunfo. Eu trabalhava em horários de revezamento de turnos. Os grandes comícios por Diretas-Já percorriam o Brasil e aconteciam dois ou tres semanalmente nas capitais e nas maiores cidades do país. Não havia internet, nem twitter, facebook ou qualquer outra rede social para convocar gente como se faz hoje em dia. ERA NA RAÇA E NO GOGÓ !!! A imprensa era criminosamente omissa e CONTRA as Diretas na sua maioria, fazendo-se justiça APENAS AO JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO que divulgava a agenda do que acontecia no país naqueles dias históricos talvez pelo fato de que TU, o “Cronista das Diretas,” trabalhasse lá.
    As convocações para os atos e comícios eram feitas de boca em boca ou por panfletagens nas ruas nos dias marcados para cada um deles. No comício de Porto Alegre realizado no Parque Marinha do Brasil ao lado do Beira-Rio eu não pude ir devido que entraria no trabalho às 23:00 h e de Porto Alegre até Triunfo a viagem era de 1 hora e meia pela Rodovia Tabaí-Canoas daí que só pude contribuir com a minha presença e cumprir com a minha parte durante toda a tarde distribuindo panfletos e convocando a população na Rua dos Andradas ( Rua da Praia como é mais conhecida ) no centro de Porto Alegre para que TODOS fossem ao comício. Nem carros de som existiam !!!
    Estava lá cumprindo essa minha tarefa cívica com vários outros companheiros quando de mim se aproximou um rapaz já com aparentemente seus 40 anos de idade. De cabelos encaracolados, jeans surrado, poncho e botas ele me pediu parte dos meus panfletos para ajudar a distribuir. Imbuído e concentrado no que fazia nem me dei conta de reconhecer de quem se tratava, para mim era apenas mais um dos que doavam parte do seu tempo para tão nobre tarefa e exercício pleno de cidadania. Percebi que muitos transeuntes o cercavam e o abraçavam mas mesmo assim ainda não havia percebido a razão. Só quando chegamos na esquina da Borges de Medeiros é que finalmente me disseram quem era o meu parceiro de panfletagens.
    – Enio !!! Tu caminhastes o tempo todo do lado desse cara e nem te tocou de quem ele é ???
    Como eu poderia ser assim tão distraído e idiota ao mesmo tempo ??? Bem… eu estava mesmo era focado em conversar e incentivar as pessoas para o comício e talvez seja essa a minha única possibilidade de perdão. É claro que eu já conhecia o sujeito por fotos e pela TV,
    ERA O TAIGUARA !!!
    Naquela tarde memorável que antecedeu o comício pelas Diretas-Já em Porto Alegre, a VIDA me deu a oportunidade de VER uma das cenas mais singelas, tocantes e emocionantes de tudo o que vivi justamente naquele movimento do povo que exigia a volta da democracia no Brasil. O Taiguara havia regressado ao nosso país depois de um longo período de exílio provocado pelo ódio dos militares assassinos daqueles anos de chumbo. Soube depois por ele próprio de que estivera fora do Brasil por dois períodos, num primeiro percorrendo toda a America Latina, da Patagônia ao Caribe fazendo shows, e no segundo estivera na Europa estudando musica e trabalhando, mas do que ele contou e que mais me marcou foi que também morou na Etiópia e o melhor de tudo…me contou que se alistara no exercito popular da Tanzânia para lutar pela liberdade daquele pequeno país do leste africano.
    SE ALISTOU VOLUNTARIAMENTE COMO SOLDADO !!!
    A cena marcante que vi naquele dia e que me emociona até hoje foi do Taiguara subindo em um pequeno caixote de madeira na esquina mais movimentada de Porto Alegre para cantar à capela duas canções acompanhado apenas pelo silêncio “ensurdecedor” da multidão que se formou ali
    A primeira canção era a de sua autoria “Que as Crianças Cantem Livres” cujo final da letra é :

    …. E que as crianças cantem livres sobre os muros
    E ensinem sonho ao que não pode amar sem dor
    E que o passado abra os presentes pro futuro
    Que não dormiu e preparou o amanhecer… o amanhecer… o amanhecer…

    A outra canção foi o Hino à República que ele cantou inteirinho e que diz assim:
    …Do Ipiranga é preciso que o brado
    Seja um grito soberbo de fé
    O Brasil já surgiu libertado
    Sobre as púrpuras régias de pé
    Eia, pois, brasileiros, avante
    Verdes louros colhamos louçãos
    Seja o nosso país triunfante,
    Livre terra de livres irmãos !!!
    Liberdade !!! Liberdade !!!
    Abre as asas sobre nós
    Das lutas na tempestade
    Dá que ouçamos tua voz !!!…

    Só de lembrar isso tudo me arrepio na alma, fico comovido e choro aqui feito uma criança banhando de lágrimas o teclado do meu lnotebook
    Não consigo escrever mais nada

    Quando nos faltavam palavras, buscávamos os poetas….
    Era assim que marchávamos

    1. Caro Enio,
      que belas lembranças, que belo comentário.
      É sempre muito bom encontrar com você por aqui. Tenho sentido a tua falta.
      Apareça sempre que puder.
      Forte abraço,
      Ricardo Kotscho

  3. Tocante, Enio, muito lindo o seu comentário. Eu, que sou sua fã desde os tempos do Balaio no portal IG, só posso te dizer que fiquei muito comovida pelo seu belo comentário. Foi desses comentários que realmente tocam na alma.

  4. Enio, a alegria que “sentiste” na companhia de Taiguara é a nossa em tê-lo no Balaio. Sempre é tempo de agradecermos as contribuições, sua e de Kotscho, a nossa democracia e homenagearmos Taiguara, continuando sua (dele) luta. “Eu desisto. Não existe essa manhã que eu perseguia/Um lugar que me dê tréguas ou me sorria/Uma gente que não viva só pra si/Só encontro gente amarga mergulhada no passado/Procurando repartir seu mundo errado/Nessa vida sem amor que eu aprendi (Universo no teu corpo – Taiguara)”. Monumental !!!!! /// Em tempo: fiz questão de nada comentar sobre a figura deprimente do post anterior, pois dá nojo o escarnio desse “coisa”.

  5. Como olvidar aqueles momentos gloriosos ! A Rede Globo e sua cobertura heroica no comício das diretas,Roberto Marinho no palanque de braços dados com Sobral Pinto,disputando o microfone de Osmar Santos ou de outro a quem pudesse o microfone segurar. O aniversário de São Paulo atrapalhando aquele singular momento cívico e a Vênus Platinada,sem camisa,empenhando-se em difundir ao povo brasileiro a vontade sufocada de vinte e um anos.
    Como poderia cair no esquecimento aquelas inesquecíveis palavras de ordem do grande barão da mídia tupiniquim,reboando pelo Anhangabaú afora ” Vocês querem democracia ou bacalhau ?”.
    A resposta ,em Brasilia, não se fez esperar.

  6. É isso aí, foi realmente uma linda festa cívica, como nunca dantes vista e estivemos todos, os que sonham o Brasil que merecemos, lá, no Pacaembu, na Sé e no Anhangabaú, o derradeiro, mas restou aos que acompanhavam sabendo, o desenrolar do movimento, o gosto amargo de saber-se por antecipação que perderíamos à votação no congresso em função do conchavo que rolava entre o PMDB e a parte do PDS contrária a Maluf, para que a eleição permanecesse indireta e unidos vencessem com segurança, com Tancredo. O que não estaria garantido se a eleição fosse direta, sabendo-se da força demonstrada por PT/Lula e Brizola no movimento das diretas (quem não viveu o movimento ou esqueceu, basta pesquisar a movimentação política de recuo nas Diretas, principalmente nas duas ultimas semanas, quando tentou-se inclusive cancelar o comício do Anhangabaú, mantido graças a pressão do PT e dos movimentos sociais).
    Portanto surpresa e decepção pelo resultado da votação, mesmo, só tiveram os otimistas de sempre, os inocentes sem cabeça de pensar e os desavisados sem olhos de ver, que sonhavam pelo milagre que realisticamente nunca viria.
    Foi isso aí, mestre, uma linda festa cívica, faltou apenas lembrar que Tancredo e turma conchavaram subterraneamente contra as Diretas ao garantirem-se nas Indiretas. Os fatos estão aí para serem conferidos e atestados.

  7. Elio Gaspari terá que responder criminalmente por tudo que de trágico vier a ocorrer no Brasil com a retomada dos protestos, pois foi esse maldito esclerosado que incitou a turba a voltar às ruas.

  8. Meus parabens Ênio, formidável seu comentário pois me lembrei da faixa do meus 20 anos e me emcionei. Do Taiguara, falar algo é redundancia, alem de ser lucido politicamente um grande musico e poeta, pena que este moço não está mais entre nós. Das suas musicas eu curtia Teu sonho não acabou e que tem uma frase ” só feche teu livro quem aprendeu” então nossos livros terão que ficar abertos porque aprendemos muito mas graças ao tucanos temos muito que aprender.

  9. Ricardo,você é bom nas letras mas fraco nas contas:de 25 de janeiro a 25 de
    abril são exatos 3(tres) meses e não 4(quatro),como poderá conferir.Logo,a
    mudança foi mais rápida ainda:25.01 a 25.02,um mes;25.02 a 25.03,dois me-
    ses;25.03 a 25.04,tres meses.É só constatar…

  10. Eu estava lá. Assustado e ao mesmo tempo encantado com a possibilidade de estar participando da realização de um sonho. Procurava distinguir Ulisses no meio daquele torvelinho de gente. Ouvi-lo era-me quase impossível. O encantamento era a Sé sendo transformada na própria apoteose pelo povo que clamava mudanças e o movimento “Diretas-Já” era a própria síntese do desejo eleitoral. Meu deputado federal, por Bauru, estava naquele palanque que entraria para a história politica brasileira. Como esteve também em Brasília votando pelas “Diretas Já”, num contraponto fantástico com outro deputado também por Bauru que votava com a ditadura. Perdemos no dia 25 de abril de 1984. Perdemos muitas batalhas desde então. Porém, as vitorias advindas, com Ulisses presidindo a Câmara Federal, outorgou-nos a Constituição vigente, que só bons frutos tem nos oferecido. Nossa ainda precoce democracia, vivencia e nos proporciona participar no respeito àqueles que ainda não acordaram para sonhar o sonho que continuamos perseguindo. Sim, o sonho não acabou e a luta continua.

  11. O troll tucano que pensa estar marcando posição no Balaio é tão bandeiroso que sempre fica “mudo” quando o post do Kotscho se refere às lutas democráticas do Brasil. O negócio dele é só vir aqui e postar aquela cantilena moralista quando o assunto é Lula ou governo Dilma. Como um autêntico coxinha, é previsível e enfadonho …

  12. Kotscho,
    Depois de um testemunho como esse do Ulysses, você está absolvido dos seus erros, dos minúsculos aos crassos.
    E se vê, como nenhum outro, que o “velho, nunca velhaco”, manejava as palavras como poucos; porque fez do bilhete manuscrito um registro memorável.

  13. Em 1984, com nossas mãos em calos pergutavamos: amanhã? Sim, amanhã. Depois de amanhã, tudo será diferente se não fores, amanhã. Ou melhor, tudo será igual. Se não fores, amanhã, claro. Porque como dizia Gramsci, “o que acontece, não acontece tanto porque alguns querem que aconteça mas porque a massa dos homens abdica da sua vontade. Deixa fazer, deixa enrolar os nós que, depois, só a espada pode desfazer, deixa promulgar leis que depois só a revolta fará anular, deixa subir ao poder homens que, depois, só uma sublevação poderá derrubar”. O povo conduzirá o socialismo e a igualdade libertária ao lugar de destaque onde deverão estar.

  14. Kostcho, SOU DE UM TEMPO MAIS RECENTE, o tempo dos “CARAS PINTADAS”, porém também NÃO SOU DO TEMPO DOS CARAS TAPADAS; mas me lembro vagamente do que foi o movimento das diretas Já. Lembro do Lula, do Brizola, do Mario Covas, do Franco Montoro, do Suplicy, do Serra, do Tancredo Neves e do Ulisses Guimarães; e também do FHC que VEIO DEPOIS, dividindo O MESMO PALANQUE, e discursando contra a DITADURA, e contra os que a APOIAVA, como o ACM, o Jorge Bonhausen, Paulo Maluf e o Lindolfo Collor. E’ muito boa a lembrança desse movimento historico, porque muito se diz que INFELIZMENTE nós brasileiros temos memoria curta. Talvez isso seja dito, SÓ EM RELAÇÃO AO BRASIL, porque “A FALTA DE MEMÓRIA DE NÓS BRASILEIROS, TEM SIDO OTIMA PARA OS POLITICOS”. A primeira eleição direta, OU MELHOR DIZENDO, PÓS-DITADURA, ja que o povo não votou para presidente, e sim somente os deputados e senadores,onde tinha como candidatos, o Maluf do PDS (ex ARENA) contra o Tancredo Neves do PMDB tendo como vice o Sarney do PFL (ex.ARENA). Na eleição seguinte, FOI A COMEMORAÇÃO DA DEMOCRACIA, onde “EM RÍTMO DE FESTA” até o Silvio Santos, entrou na fase final da disputa, no lugar GENTILMENTE CEDIDO pelo PASTOR CORREIA no PMB, com a simpatica musiquinha,”É O 26, COM O SILVIO SANTOS CHEGOU A NOSSA VEZ” (o vice eu não sei se era o GUGU porque o Lombardi também não falava nada); cujo o vencedor foi o Fernando Collor do PJ que virou PRN, tendo como vice o Itamar Franco, com o apoiou da midia encabeçado pelo: Roberto Marinho da Globo, João Saad da Band, Victor Civita da Abril e Otavio Frias do Uol e da Folha. Nas voltas que a politica dá, o PT do Lula e o PMDB do Tancredo Neves, continuam até hoje com mais de 30 anos e se mantem crescendo; enquanto que o PFL do Sarney virou DEMO e o PDS do Maluf, que virou PPB e agora é PP e o PSDB do FHC, vêem diminuindo a cada eleição. O PMB do pastor Correa e do Silvio Santos FOI EXTINTO, e o PRN do Collor virou PTC do Ciro Moura, e protagonizou mais um feito eletivo, que foi eleger o Clodovil como deputado Federal com recorde de votos. Moral da historia é que, com o PSDB que abraçou o APOIO DO DEMO em todas as suas eleições, e a cada dia fica mais dificil, não continuar se apoiando nele, ja que HISTORICOS ALIADOS, como o PV, o PPS e o PR, estão se distanciando dele; e até o episódio da ultima eleição municipal, onde até o PT se aliou ao PP do Maluf; A GENTE PERCEBE QUE está dificil se criar uma identidade de DIREITA E ESQUERDA NO BRASIL.

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