Só os otimistas e os idiotas buzinam quando chove

Só os otimistas e os idiotas buzinam quando chove

É batata: choveu, a cidade simplesmente apaga. Mesmo que seja num sábado, como hoje, em poucos minutos os faróis de trânsito morrem, as ruas ficam alagadas, ninguém mais consegue andar para lado nenhum, nem de carro nem a pé. Melhor é ficar em casa e se recolher à sua insignificância, mas também isso se torna impossível.

Logo começa a sinfonia de buzinas de quem acha que o barulho das suas armas sonoras vai fazer o carro da frente andar e, desta forma, em sequência, todos os demais que estão à sua frente, deixando o caminho livre para chegar ao seu destino. Não sei se são pessoas otimistas demais ou simples idiotas. A bordo de seus carrões transatlânticos cada vez mais potentes, que nos anúncios vencem quaisquer obstáculos, eles acreditam mesmo na propaganda e no poder das buzinas.

O fato é que os idiotas estão perdendo a modéstia e se tornando cada vez mais espaçosos, como costuma reparar o ex-ministro Nelson Jobim, meu companheiro de bar nas manhãs de sábado, que, aliás, desta vez, não apareceu, certamente por causa da chuva.

Sem conseguir sequer ficar em casa para tirar um cochilo, já que não há outra coisa para fazer, você tem a brilhante ideia de comprar ingressos para assistir a uma bela peça de teatro que há tempos está nos seus planos. O problema é que o sistema está fora do ar, não tem hora para voltar, e o transito lá embaixo continua parado, indiferente à sinfonia de buzinas. E a gente não vai morar na roça porque lá não tem cinemas nem teatros…

Tanto faz quem seja o prefeito ou o partido no poder. Tem muitos anos que São Paulo desmancha a cada chuva mais forte. A cidade, simplesmente, apodreceu. Fica intransitável, os serviços em geral saem do ar (não sei por quanto tempo ainda resiste esta minha internet), a luz apaga, o elevador para, e o cidadão que conseguiu chegar em casa fica apenas pensando se são otimistas ou idiotas os que buzinam enquanto os faróis ficam piscando para ninguém, feito mariposas no meio da noite. Que diferença faz?

 

 

 

 

 

11 comentários em “Só os otimistas e os idiotas buzinam quando chove

  1. ”Tanto faz quem seja o prefeito ou o partido no poder. Tem muitos anos que São Paulo desmancha a cada chuva mais forte. A cidade, simplesmente, apodreceu.”
    Verdade pura.
    Mas, explica isso de forma bem desenhada para os militantes Kotscho.

  2. ”Tanto faz quem seja o prefeito ou o partido no poder. Tem muitos anos que São Paulo desmancha a cada chuva mais forte. A cidade, simplesmente, apodreceu.” Verdade pura. Mas, explica isso de forma bem desenhada para os militantes . . . . ////// Velho, todos entendemos perfeitamente que o problema das enchentes demandará esforços conjuntos de Padilha e Haddad no governo e prefeitura de São Paulo, respectivamente, uma vez que em 20 anos Serra e Alckmin nada fizeram pra livrar o paulistano desse martirio, pois tinham outras prioridades, conforme o que nos foi revelado pelas denúncias da multinacional alemã Siemmens.

    Magnifico texto, Kotscho. Pena que o Velho não tenha entendido o que “escreveste”. Paciência !!!!!

  3. E por falar em transito, acabei de postar um comentário sobre o problema da Av. Luis Inacio Anhaia Melo na Vila Prudente e o monotrilho que ainda engatinha a exemplo do metrô e a urbanização das pistas sob as vigas de concreto já concluidas por onde circulará os trens. Por lá quando chove os motoristas nem buzinam porque sabem que de nada adiantará pois o transito em apenas duas pistasinhas não vai andar de modo nenhum, principalmente pela manhã e à tarde noite quando retornam do trabalho. Espero que os motoristas que trafegam por lá tenham bastante paciencia e não buzinem apesar de não haver hospitais por lá o mais próximo está bem longe, Hospital da Vila Alpina, logo após o cemitério e crematório de mesmo nome. Mas para resolver em definitivo o problema seria necessário que o governo estadual fizesse uma forcinha na construção do setor norte do Rodoanel que tirará os caminhões que trafegam por lá em direção à Via Dutra, Airton Senna e no inverso à Via Anchieta e Imigrantes. Como o paulista gosta de sofrer, vamos aguardar

  4. Bem, diante disso tudo, o lado bom foi que a Bandeirantes(rádio e TV) descobriu que a cidade tem prefeito. Chama-se Fernando Haddad. Pois a última vez que a rede Band(ida) falou sobre o prefeito de SPaulo foi na administração Marta Suplicy. Depois disso, tudo o que acontecia aqui era responsabilidade do governo federal. Puxa, até que enfim…

  5. “Mas, explica isso de forma bem desenhada para os militantes Kotscho”
    Prá variar nosso analfabeto funcional (Velho das 18:31) não consegue entender o que lê. Por isso vive insistindo em que se desenhe as coisas…

  6. Caro Kotscho, completo 40 anos de São Paulo em 2013. Mesmo sem contar com cinemas e teatros, pretendo ir pro mato ano que vem. Sampa foi totalmente arrasada nas duas últimas décadas, quem mostra são os infalíveis números, ainda modestos sobre a tragédia:

    Maior economia do país, São Paulo perdeu participação, em 2011, pelo segundo ano consecutivo. Entre 2009 e 2010, já havia tido uma queda de 33,5% para 33,1% no Produto Interno Bruto (PIB). Em 2011, a participação caiu ainda mais, para 32,6%.

    O Distrito Federal (DF) teve um Produto Interno Bruto (PIB) per capita de R$ 63.020 em 2011, Segundo o IBGE, o valor é duas vezes maior que o registrado no segundo colocado no ranking nacional, São Paulo, que foi R$ 32.449.

    O apagão generalizado nos serviços já não me possibilita trabalhar – para uma revista britânica de áudio profissional como tradutor técnico, com cursos online de produção musical – o que demanda banda larga, energia elétrica, telemática e foco nos deadlines britanicamente cobrados.

    Meu filho de 28 anos, músico e formado emDesign pela Senac, já se mandou pra Araçoiaba da Serra em uma chácara com abacaxis e estúdio. Minha namorada não-residente topa ir embora junto, passar a segunda metade de nossas vidas sem as neuroses urbanas de alpinistas sociais.

    Como nós, a cada dia tenho encontrado mais gente rumo à porta de saída, parece que vão ficar aqui só os que se locupletaram nas últimas décadas, uma súcia que ousaria dizer até apartidária, pois o único lado que querem ver é seu próprio ego decadente. Pobre Paulicéia…

  7. Tenho a forte impressão que, tanto os militantes como os governantes desconhecem completamente os acidentes geográficos a topografia e conceitos rudimentares de hidráulica. A água, se retida, sobe mesmo o nível e em São Paulo isso é comum; os leitos dos rios foram ”cercados” e as construções seguiram os níveis antigos que não inundavam quando os rios seguiam o seus trajetos sem restrições. Ou seja Kotscho, diante do ataque do militante, reitero; explique isso para ele e os demais que insistem em criar enchentes TUCANAS e PETISTAS. A chuva não tem coloração partidária. Agora, temos que ficar de olho nas obras caras e inúteis.
    Vejam vocês, aqui do nosso balaio, um exemplo; Na caríssima obra da transposição do São Francisco, segundo informações de vários órgãos, se foram 12 bilhões de reais e, NENHUMA GOTA D’ÁGUA chegou para os habitantes daquela região. O cenário da região que seria beneficiada com as águas do São Francisco continua como há 100 anos.

  8. NADA A VER COM O POST…….É SÓ UM “E-MAIL” POR VIAS TORTAS.

    Prezado Jornalista Ricardo Kotscho,

    Acabo de assistir o pior Roda Viva da minha vida. Foi constrangedor, deprimente. Você fez o possível para colocar inteligência no programa e levantar o nível. Por alguns momentos conseguiu. O Gregori percebeu que a coisa estava desandando e deu umas enroladas para matar o tempo. A Laura foi neutra, tentou ajudar e não comprometeu. O Duda da Veja foi péssimo. A Anna Virginia estragou o programa. O Augusto Nunes colaborou para abaixar o nível. As caricaturas do Caruso, no meu entender, debochavam do entrevistado.
    Lamentável. Perdi meu tempo, vou dormir puto da vida e, para meu azar, tenho que viajar a trabalho e preciso levantar as 5 da manhã. Agora quase meia noite.
    O Rabino Sobel não está bem de saúde. Percebe-se. Não merecia esse constrangimento e desrespeito. Esse homem tem um passado que supera em muito o lamentável deslize que tentaram explorar. Que falta de sensibilidade, que falta de discernimento!
    Sou seu admirador, freqüentador assíduo do teu blog. Só não sou petista como você. Ok. Entendo. Você é bom, mas não é perfeito. Nem eu. Rs. Abraços. Só um desabafo.

  9. Prezado Kotscho: Se a malha urbana tiver com uma drenagem artificial mal dimensionada por galerias e tubulações, sem manutenção e limpeza periódica, é o primeiro passo para os caminhos da poça. As poças d’água, que muitas vezes evoluem para verdadeiros piscinões urbanos, são provenientes dessa falta de controle do espaço urbano e da impermeabilização asfáltica desenfreada e mal feita, como ocorre na cidade de São Paulo.

  10. Heraldo Campos – 26/11/2013 – 09h02
    ”Prezado Kotscho: Se a malha urbana tiver com uma drenagem artificial mal dimensionada por galerias e tubulações, sem manutenção e limpeza periódica,…”
    Ô Heraldo ,mesmo que as galerias estejam limpinhas e a drenagem ljvre, se o escoador estiver com nível alto a água não vai, volta! Não há solução a não ser levantar os imóveis acima do nível dinâmico do escoador. (dinâmico porque muda de acordo com o índice pluviométrico)

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