O PAPEL DA COMUNICAÇÃO NO JUDICIÁRIO CONTEMPORÂNEO

O PAPEL DA COMUNICAÇÃO NO JUDICIÁRIO CONTEMPORÂNEO

 

IX CONGRESSO BRASILEIRO DOS ASSESSORES DE COMUNICAÇÃO DA JUSTIÇA (CONBRASCOM)

 

TRIBUNAL DE JUSTIÇA/SÃO PAULO/10.10.2013

 

 

PROPOSTA CENTRAL: JUSTIÇA ABERTA

 

Bom dia,

Quero antes de mais nada agradecer o honroso convite que recebi para fazer esta palestra de abertura do 9º Conbrascom.

 

Como não sei falar de improviso, apesar de ter trabalhado durante muitos anos com o ex-presidente Lula, peço licença para ler um breve texto de introdução que preparei sobre o tema central deste congresso.

 

Em seguida, vou me colocar à disposição de vocês para juntos discutirmos os caminhos possíveis, já que Comunicação e Justiça não são ciências exatas e, por isso, exigem de nós uma permanente busca de novas respostas para velhos desafios.

 

Com o advento da internet, vivemos neste momento a maior revolução nas comunicações humanas desde a invenção da imprensa por aquele velhinho alemão, o Gutemberg, faz mais de 500 anos.

 

Precisamos todos nos adaptarmos a esta nova realidade para não sermos atropelados pelos fatos.

 

Foi tudo muito rápido e estamos apenas no início de um processo que ninguém sabe onde vai parar.

 

Em 2003, apenas uma década atrás, quando fui trabalhar como Secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República, no primeiro governo Lula, a internet ainda estava ainda engatinhando.

 

A Secretaria de Imprensa não tinha ainda sido informatizada. A comunicação do Palácio do Planalto era feita no papel, no gogó do presidente Lula e em conversas pessoais minhas com os setoristas dos principais veículos.

 

A imprensa era a principal intermediária na comunicação entre o governo e a sociedade.

 

Isso acabou. Hoje, somos todos emissores e receptores de informações _ ao mesmo tempo, fontes e produtores de notícias e opiniões, sem a necessidade de intermediários.

 

Costumo dizer que estamos entrando agora na segunda etapa da grande revolução cibernética, a revolução do conteúdo _ já que a primeira foi a introdução das novas tecnologias, hoje praticamente universalizadas.

 

As plataformas são as mesmas para todos, mas são apenas instrumentos, meios para divulgar o nosso trabalho.

 

O grande desafio agora é saber qual conteúdo colocar nestas plataformas e de que forma melhor utilizá-las para levar de forma mais rápida, transparente e útil as informações a que toda a sociedade _ e não só os meios de comunicação _ tem direito.

 

Até porque, é cada vez menor o número de pessoas que leem jornais e maior o das que têm acesso à internet.

 

Governos, instituições, entidades, empresas, igrejas, restaurantes ou clubes de futebol agora podem estabelecer uma comunicação direta com suas respectivas clientelas, sem precisar da velha mídia.

 

Para isso, é preciso investir em veículos próprios, praticar um jornalismo de serviço nas diferentes plataformas eletrônicas, a exemplo da TV Justiça, uma comunicação voltada permanentemente para o cidadão.

 

Não se trata de tirar o emprego nem dos jornalistas setoristas nem dos assessores de imprensa, mas de mudar a relação entre eles em benefício de toda a sociedade.

 

O objetivo é facilitar o acesso à Justiça, explicar como a Justiça funciona, quais os serviços que presta, a quem recorrer para esclarecer dúvidas, fazer a comunicação funcionar sempre em duas vias, para evitar a perda de tempo com a ida a cartórios, gabinetes e tribunais.

 

Para sairmos do campo do achismo e dos palpites, o primeiro passo para implantar o que chamo de “JUSTIÇA ABERTA” é ouvir a quem servimos, ou seja, a sociedade.

 

O que pensam de nós? O que querem de nós?

 

Para responder a estas questões proponho que o Judiciário, em seus vários níveis, promova pesquisas quantitativas e qualitativas que possam balizar as novas ações de comunicação que os novos tempos exigem.

 

A pesquisa quantitativa serviria para mostrar qual é a imagem que a sociedade tem hoje do Poder Judiciário: aspectos positivos e negativos, grau de credibilidade, ou seja, um diagnóstico do quadro atual.

 

A pesquisa qualitativa, ouvindo grupos divididos por regiões, classes sociais, gênero e faixas etárias, teria por meta saber o que pode melhorar o funcionamento da Justiça, o que falta ser feito para que todos tenham o mesmo atendimento, que novos instrumentos de comunicação poderiam ser úteis para facilitar a vida de quem precisa recorrer à Justiça.

 

A partir destas bússolas indicadas pelas pesquisas, seria estabelecido o cardápio da “JUSTIÇA ABERTA”. O passo seguinte é divulgar da forma mais ampla possível, por todos os meios, que soluções foram encontradas para inverter o processo e abrir a Justiça para o cidadão, em vez de obriga-lo a correr atrás dela.

 

Imagino no futuro uma Justiça mais fora dos gabinetes, mais próxima dos cidadãos, indo a escolas, igrejas e sindicatos para discutir seu trabalho. Da mesma forma, o pessoal das assessorias de comunicação deveria também circular mais pela sociedade, não se limitar a atender os setoristas, e participar das discussões sobre planejamento estratégico, levando e trazendo informações. É sempre melhor prevenir do que apagar incêndios.

 

Sem a pretensão de ensinar o Pai Nosso ao vigário, faço estas sugestões baseado na minha experiência dos dois lados do balcão: foram dois anos cuidando das relações do governo com a imprensa no Palácio do Planalto e quase 50 trabalhando nas principais redações do país.

 

Mudou tudo nesse meio tempo. Sabemos que é preciso aposentar os velhos manuais, as verdades absolutas de antigamente, mas ainda estamos tateando para saber o que colocar no lugar deles.

 

Pesquisas podem nos ajudar a evitar erros e a abrir novos espaços para atender sua excelência, o contribuinte, o usuário da Justiça e os seus operadores. Esta é a proposta que gostaria de fazer a vocês.

 

Aprendi isso na Folha de S. Paulo, nos tempos do velho Octavio Frias de Oliveira, um visionário de pé no chão: precisamos ter a humildade de ouvir os outros e não imaginar que estamos sempre certos nos caminhos que escolhemos.

 

E é isso que eu gostaria de fazer agora: abrir o debate para ouvir vocês.

 

Muito obrigado.

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