Onda de violência contra mulheres vira epidemia

Onda de violência contra mulheres vira epidemia

Caros leitores,

por uma especial deferência do Heródoto Barbeiro, que saiu de férias do “Jornal da Record News”, também estarei de folga até o próximo dia 13 de junho na televisão. Vou aproveitar para viajar com a família e dar uma descansada do blog porque os últimos tempos não têm sido fáceis. Família e saúde também são importantes. Meu destino é João Pessoa, na Paraíba, bela cidade com muito sol e um povo dos mais amáveis, onde já fui várias vezes para trabalhar, mas nunca para passear.  Só voltarei ao blog antes disso se algum fato importante me obrigar. Até a volta.

Abraços,

Ricardo Kotscho

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Os últimos números divulgados em São Paulo e em todo o país mostram que os casos de violência contra mulheres estão se transformando em verdadeira epidemia, sem que as autoridades de segurança encontrem formas de enfrentar a emergência do problema a não ser discutir prováveis causas e medidas paliativas como a distribuição de cartilhas e o mapeamento de criminosos.

Embora na semana passada o governador paulista Geraldo Alckmin tenha anunciado no “Jornal da Record News” uma diminuição dos índices de violência, ficamos sabendo nesta terça-feira que 37 mulheres foram estupradas por dia _ por dia, repito! _ em São Paulo no primeiro quadrimestre de 2013 _ um aumento de 20,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o estupro foi o crime que mais aumentou nos últimos anos em São Paulo.

Para se ter uma ideia da brutalidade que isso significa, é como se um ônibus lotado de mulheres fossem estupradas a cada dia no maior e mais rico Estado do País. No Rio de Janeiro, o número de estupros cresceu ainda mais: 24% no ano passado, chegando a 1.972 casos na cidade.

Entre 2001 e 2010, segundo levantamento do Instituto Avante Brasil, publicado hoje no site “Carta Maior”, 40 mil mulheres foram assassinadas no Brasil. De acordo com estudo do Banco Mundial citado pela publicação, mulheres de 15 a 44 anos correm mais risco de sofrer estupro e violência doméstica do que câncer, acidentes de trabalho, guerra e malária.

Apenas na cidade de são Paulo foram registrados 1.113 casos de estupro este ano. E o que fazemos para enfrentar esta escalada da violência contra as mulheres? O Conselho Estadual da Condição Feminina, ligado à Casa Civil do governador Geraldo Alckmin, anuncia que será feito um levantamento no banco de dados da Secretaria de Segurança Pública nas próximas semanas “para identificar um perfil destes estupradores”, segundo o jornal “Folha de S. Paulo”.

Além disso, será distribuída uma cartilha para orientar mulheres sobre como agir para evitar estupradores. Posso imaginar mulheres voltando para casa da escola ou do trabalho por ruas escuras, desertas e desp0liciadas pedindo licença ao estuprador para consultar o que a cartilha recomenda.

O problema é muito mais grave do que sugere a reação das autoridades, que atribuem o aumento dos índices a uma mudança na lei que passou a considerar estupros crimes que antes eram registrados como atentados violentos ao pudor, mas o mais grave é que 90% das mulheres violentadas não buscam auxílio médico imediato para evitar a gravidez indesejada.

“O dado sinaliza que o trauma faz com que a primeira reação das mulheres ainda seja a reclusão. Só depois, quando percebem a gravidez, é que elas passam a tomar atitudes e enfrentam o problema”, diz a psicóloga e mestre em Saúde Pública Daniela Pedroso.

Em 61% dos casos estudados por Daniela Pedroso, o autor era desconhecido da vítima, mas a delegada Celi Paulino Carlota, da 1ª Delegacia da Mulher, constata exatamente o contrário: “Em 90% dos casos que temos aqui o autor conhecia a vítima. Era pai, padrasto, avô ou até amigo em algum site da internet”.

A crescente violência contra a mulher no Brasil chamou a atenção da imprensa mundial, como se pode ver em reportagem publicada hoje pelo “New York Times” e reproduzida aqui no R7 (leia aqui), depois que estupradores violentaram uma estudante norte-americana de 21 anos na mesma van em que haviam cometido o mesmo crime contra uma menina brasileira de 14 anos, uma semana antes.

O governador carioca Sergio Cabral não se mostra muito preocupado com o problema, segundo o relato do NYT, ao afirmar que o Rio “está vivendo um momento vigoroso com grandes eventos e investimentos”. Parece que no Brasil cidadãos e seus governantes vivem em mundos e realidades diferentes.

 

 

 

 

 

 

15 thoughts on “Onda de violência contra mulheres vira epidemia

  1. Essas estatísticas devem diferenciar os crimes, de violência sexual contra mulheres, de acordo com a última legislação que agora considera estupro vários crimes deste tipo. Também deve diferenciar quantos são os crimes por aumento nas denúncias influenciado por campanhas. Ou quantos delegados passaram a interpretar a lei desta forma. Não acredito que a sociedade esteja retrocedendo nesta escala da selvageria.

  2. Não é só estupro que aumentou. Aumentou e muito todos os tipos de crimes. A violência já saiu fora do controle das autoridades brasileira. Está na hora de criar coragem e fazer lei mais dura contra a criminalidade. Os políticos não tem coragem de tomar medidas que desagrade o pessoal dos direitos humanos e a ONU, então deveriam jogar a responsabilidade para o povão decidir que tipo de penalidade quer para os criminosos, fazer um plebiscito. Já vi mulheres fazer movimento para a provar lei do aborto. O aborto é uma pena de morte. Já foi provado cientificamente que o feto luta desesperadamente para se livrar do ferro assassino que faz o aborto mas. Eu nunca vi um movimento de mulheres pedindo pena de morte ou castração para estupradores. Na minha opinião a lei deveria dar escolha ao estuprador, castração e continuar vivo e livre de prisão ou pena de morte. Um estuprador na prisão custa em torno de R$10.000,00 por mês enquanto que um trabalhador sua a camisa para receber R$678,00 por mês.

  3. Esta horrivel historia de morte e violencia precisamos acabar com ela. Uma revoluçao na segurança de sp, e para isso uma aposentadoria dos tucanos ajudava.
    Mas para o babaca do correspondente do NYTimes, a gente lembra que nós, no brasil, ainda não estamos matando de suicidio 20 veteranos por dia
    nem desabrigando dezenas de familias por semana via despejo de hipotecas. E muito menos matando crianças no pakistão, somalia, yemen
    etc com drones e alqaedas contratados.

  4. Não segredo q somos um país machista. Já fui seguida diversas vezes, e felizmente consegui escapar. Mas qtos dias as palavras ofensivas e gratuitas arruinaram meu dia, pq não se pode retrucar frases de baixo calão proferidas por homens acostumados a falarem baixaria às mulheres e ai de vc de responder, querer ser respeitada, é capaz de apanhar. Ou tratemos com mais seriedade a questão ou continuaremos ser assombrados pelo tema.

  5. O problema é a falta de princípios que envolve a sociedade brasileira, sobretudo pela disseminação de valores distorcidos sobre o papel da mulher. É necessário uma campanha de conscientização, sobretudo ao público mais jovem, sobre valores morais que tenham como base o respeito e a fraternidade. Antigamente nas escolas havia uma disciplina chamada educação moral e cívica. Hoje foi erradicada do currículo escolar. Em tempos de tecnologia alucinante o fácil alcance que os jovens tem a conteúdos pornográficos em tvs, celulares e na internet (uma terra de ninguém) acaba promovendo o sexo como algo animal, o que reflete na sua conduta. Adicione-se isso às drogas e o álcool e o estrago já está feito. Um segundo aspecto é a leniência da justiça para com bandidos. Muitos estupradores são presos e pouco tempo depois soltos para novamente praticarem este ato hediondo. Senão houver uma mobilização nacional contra a violência contra a mulher para mudar tudo de cima pra baixo, só nos resta a ajuda divina.

  6. Enquanto nossas Leis, favorecem, ou melhor, induzirem ao crime, estaremos todos sujeitos a estupros, assaltos, balas perdidas etc…Seria necessário e com muita urgência, uma mudança no Código Penal Brasileiro. Hoje em dia, nossa Lei está arcaico demais.

  7. Kotscho. A cultura machista é a pior forma de opressão e a mais depravada de todas elas.Tornam todas as Mulheres de qualquer idade indefesas em todos os sentidos e por sua vez agiganta os agressores, todos eles com desvios comportamentais, dentre eles o homossexualismo enrustido. A nossa Mãe Natureza para se defender de todas as agressões realizada pelos homens incluindo esta “ideologia doentia” chamado “machismo” se defende provocando os desvios comportamentais acima citados procurando se manter equilibrada até os fins dos tempos. É muito simples acabar com esta “doença cultural”, bastando apenas dar o “golpe mortal certeiro” que vai erradicar definitivamente este mal de existência milenares. Está ao alcance de todos nós

  8. A estória de que a violência diminuiu é a mesma da carochinha, contada por políticos em propaganda…é um faz de conta, assim como é a exibição de comboios com muitas viaturas e policiais para que a imprensa mostre na telinha que está trabalhando…polícia deveria surpreender, não mostrar o caminho que está fazendo para que marginais evitem passar onde as operações ocorrem. O policial vai para o serviço e volta com o uniforme condicionado em valises e sacolas, pois, nem eles mesmos têm segurança, tampouco seus familiares onde residem. Ficar selecionando violência contra mulheres, não é o caminho, pois homens, velhos e crianças também são vítimas da mesma violência. Pior, a sociedade está aceitando esse estado de coisas, encarando como normalidade, assim como aceita também o conselho covarde de que ”morra mas não reaja”, o que praticamente, extingue o artigo 25 do C.P. que versa sobre o estado de legítima defesa e o C.P.P. que tratam desse direito. Os ”entendidos e políticos” não debatem o direito do cidadão de se defender de agressão injusta, ao contrário, defendem o infrator como se direito fosse o de atacar, agredir, até matar uma pessoa de bem. Quantas foram as vezes que o delinquente alegou (até diante das entrevistas) que atirou na vítima, porque esta fez um gesto de possível reação, como se isso fosse uma atenuante ou motivo para excludente de criminalidade! Onde estamos? Quando nossos legisladores vão entrar em órbita e ajustarem as leis que realmente mudem esse modus vivendi? Senhores juristas, já passamos do tolerável, que tal mostrarem que existem, antes que o caos se estabeleça, se já não estiver estaelecido?

  9. Será que ninguém se sente envergonhado ao ver uma foto dessas postada num jornal conhecidíssimo como esse, expondo que aqui temos de ter um vagão só para mulheres, porque a sociedade não tem cultura suficiente para se comportar? É no mínimo humilhante, não acham?

  10. Mudando um pouco do foco sobre o tema abordado- Depois de ouvir notícia a respeito da liberdade concedida aos responsáveis pela tragédia na Boite Kiss -Sentí-me impelido a fazer um modesto comentário a respeito.A decisão naturalmente jurídica dos desembargadores,mediante apreciação de dispositivos jurídicos expedidos pelo advogado de defesa – Concedendo liberdade aos delituosos -Podemos dizer;É UMA TRAGÉDIA,SOBRE OUTRA ,IGUAL OU AINDA MAIOR!(falta de punição com base legal).De certa forma:LOUVA O CRIME E ESTIMULA Á SUA PRÁTICA.

  11. Identificar as causas… muito bem.
    Todavia, o estupro, e o aumento dos casos, é um item dentro da violência geral, o nosso problema maior.
    E a cada dia me convenço mais, que está faltando muita polícia.
    E os governos, por outro lado, mantendo a hipocrisia, na cara dura, de que não se trata de aumento de efetivo policial, a diminição da violência e aumento da segurança.

  12. Vergonhoso. A foto que ilustra o post diz TUDO sobre o assunto e dá exata dimensão da epidemia. Retrocesso total. Ainda bem que há muito tempo não utilizo serviço publico de transporte e evito o máximo me expor. Lamento que nem todas possam agir assim. Sabendo ainda que não é garantia de incolumidade física. Nessas horas as mulheres devem incentivar que os homens assumam sua orientação homossexual. Deixarão pelo menos de ser alvo da violência sexual.

  13. Estamos com saudades dos seus textos! Esperamos que suas férias estejam ótimas e que vc volte cheio de novidades.
    (Estou especialmente curiosa sobre os bastidores de como o governo tem lidado com a questão indígena, sobre as repercussões da queda de popularidade do governo federal e sobre as repercussões das manifestações no rio e em sp quanto ao aumento da passagem na véspera da copa das confederações. mas com certeza vc escolherá pautas ótimas para abordar)

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