Barulho infernal: como atazanar a vida dos outros

Barulho infernal: como atazanar a vida dos outros

O grande sonho da vida de um velho amigo meu era sair do aluguel e morar em casa própria. Já depois de ter passado dos 60, e trabalhando em três empregos, conseguiu comprar o apartamento no prédio que ele e sua mulher cobiçavam há tempos, no lugar em que pretendiam passar o resto de seus dias.

O apartamento estava detonado, mas o casal se dedicou de corpo e alma para reformá-lo do jeito que os dois queriam, escolhendo os materiais e caprichando em cada detalhe. Seis meses depois, mudaram-se para o lar doce lar.

Não demorou muito tempo, começou também uma “reforma da fachada” planejada há tempos pelo condomínio. “Vai valorizar muito o imóvel”, garantiram-lhe os integrantes da “comissão de obras” montada especialmente para este fim.

Faz quase três anos, e a obra ainda não terminou. “O estádio do Corinthians vai ficar pronto antes”, ironizam os vizinhos dele, como se as vítimas não fossem elas próprias, entregues indefesas ao barulho, à poeria e a toda sujeira da interminável obra.

Como não acreditei no que ele me contava sobre a sua odisséia a cada vez que o encontrava, convidou-me a passar um dia em seu apartamento. Além da reforma da fachada, havia também uma obra no andar de cima.

Saí de lá quase surdo, com um zumbido no ouvido, sem parar de tossir. Espalhado pelo prédio, havia todo um arsenal de  britadeiras, maquitas, furadeiras, marretas, serras elétricas de todo tipo, um cenário de pós-guerra no Oriente Médio.

Só então entendi porque o amigo andava tão deprimido, cansado, reclamando que não suportava mais aquilo. Era, de fato, desumano, principalmente para alguém como ele, que agora passava a maior parte do tempo trabalhando em casa.

Não conseguia mais dormir direito, mal se alimentava e estava cada vez mais difícil escrever os textos  do seu ofício, que antes fluíam com a maior facilidade. Já tinha passado por vários médicos, psiquiatras e

19 thoughts on “Barulho infernal: como atazanar a vida dos outros

  1. Kotscho, o que seu artigo descreve é a poluição sonora de Sampa, onde a lei estabelece limite em 65 dB para áreas INDUSTRIAIS, e na verdade temos mais de 100 dB em qualquer rua mais ou menos movimentada. Os prédios residenciais no entorno do Sambódromo acusam 110 dB do LADO DE DENTRO dos apartamentos, para ficar em um só exemplo. O resultado é a perda de audição de 1 a 2% ao ano, sem contar hipertensão arterial, problemas renais e até impotência sexual que os ruídos de média e baixa frequência nos impõem. Quem fiscaliza? Quem multa?

  2. Prezado Kotscho
    Infelizmente os problemas relacionados com as “… as caixas de som fazendo trepidar as paredes…” e “… os cachorros abandonados por seus donos uivando sem parar.”, parecem não ser uma exclusividade da capital paulista. Em Ubatuba, por exemplo, não é raro se ver automóveis na faixa de areia da praia com as caixas de som no último volume. na maioria das vezes, pra quem anda na praia, mal dá pra ouvir o barulho do mar. E cachorros soltos acompanhados de seus donos na faixa de areia da praia? Há mais de dois meses, dois deles, acompanhados de seus donos, atropelaram minha mulher. Ela teve fratura na tíbia. São mais dois péssimos costumes de como atazanar a vida dos outros.

  3. Caro Ricardo, festa rave é uma festa onde o diabo não entra para não se sentir inferiorizado. Quanto ao seu amigo, durma-se com um barulho desses (essa é nova, vai pegar). De vez em quando, alguém quebra o silêncio. Dá para quebrar o barulho?

  4. Caro Kotscho
    Não tiro a pena do teu amigo, mas é a idade !!! Tamo “véio”… E aí pra onde a “oreia” abana a zoada é infernal !!!
    Pode ser na cidade, no campo ou até mesmo num convento em semana santa que qualquer mexida de ar o barulho incomoda.
    Vai pro campo pra tu ver (ouvir). Lá também é a mesma coisa. É o cachorro latindo atrás de uma preá, é o coaxar da “sapaida” na lagoa naquele torturante “Foi gol ??? Não foi, Foi gol ??? Não foi, Foi gol ??? Não foi… Quem marcou ??? Foi gol ???”. Pois é… Até sapo tem emprego no ramo do “comentarismo” esportivo !!!
    Sem falar no inferno das galinhas cantando os ovos botados, dos relinchados dos burros, dos coices das bestas ou dos mugidos das vacas.
    Tem uma música de Luiz Gonzaga que diz assim:
    “… Meia-noite, o pinto pinica o galo
    o galo pinica o pinto e o pinto Qui Ri Qui Qui
    Meia- noite, é o bufado do bode,
    o roncado do boi que ninguém pode dormir”
    Mas nada disso, incluindo aí o caso do teu amigo e a danação das cidades “Faz mais zoada que três mulher e um pato”
    Como prova o poema sertanejo do fabuloso Jessier Quirino.
    Ouça aí :

    TAMO “VÉIO” MEU “VÉI” !!!
    E VIDA QUE SEGUE… NAS “ZOREIA” !!!

  5. Boa noite Ricardo.

    Realmente é um problema sério esse. Nunca morei em condomínios. Mas acredito que o mesmo tenha que dar alguma satisfação aos condôminos. Toda obra deve ter um cronograma, ao menos algo parecido. Esses problemas afetam a saúde de tal forma que nem percebemos na hora, só depois!
    Existe uma palavrinha que define bem a questão dessa “atazanação” que se chama “EDUCAÇÃO”! Enquanto não existirem regras rígidas a respeito, ou se existirem, sejam cumpridas, vai continuar assim. Um atazanando o outro pelo simples prazer de fazer isso. Existem países em que jogar uma bituca no chão dá multa, se o cão latir também, enfim, o povo é educado na marra, fazer o que.
    Enquanto isso não é usado aqui, vamos assistindo esse festival de atazanações sem nenhuma restrição punitiva. E se reclamar, ainda corre algum risco…concreto e substancial, ou abstrato, a depender de quem recebeu a crítica e não gostou.
    Vida em sociedade, como disse um velho chefe índio americano, -“é o fim da vida e o início da sobrevivência”…

    Sorte ao teu amigo!

    Robson de Oliveira
    http://ecoblog-blogeco.blogspot.com.br/

  6. Kotscho, não é só um problema seu e do seu amigo. Infelizmente. A cultura do barulho no Brasil, do barulho deliberadamente feito está propserando em nosso pais. São carros com alto falantes possantes, vizinhos que não estão nem ai para o incomodo que causam aos outros chegando tarde e derrubando coisas, ligando som alto até de madrugada, e casas noturnas e restaurantes liberados para existirem em ruas residencias. Em São Paulo, esse desrespeito prosperou. Ruas residencias da Vila Madalena, de Cerqueira Cesar, Vila Olimpia e outros bairros, há anos convivem com os ruídos provocados por essas atividades de lazer. Vamos torcer para que autoridades como o prefeito de SP e a nossa polícia tão mal paga e preparada , um dia façam alguma coisa.

  7. Daí o fulano pensa em ir morar na roça, comprar um sítio pra sair dessa loucura de cidade grande. Doce ilusão, a bandidagem também anda atazanando a vida dos sitiantes, que inconformados com os assaltos,voltam para a cidade. Como diria o Raul”pára esse mundo que eu quero descer”

  8. Realmente São Paulo está um terror e onde eu moro, a menos de 1 km. do Jardim Anália Franco na zona leste antigamente era um paraíso mas hoje é um inferno. Já sou aposentado como o sofrido amigo seu mas a megalópolis está se transformando num megainferno e todos os dias, mesmo sem precisar, acordo antes das sete da manhã porque os carros desviam da Avenida Sapopemba e provoca um treme terra bem em frente a minha casa. Tenho comentado com minha esposa que estamos vendo uma revoada de pessoas que por algum motivo está se mudando, pelo fato de vermos placas de vende-se em muitas casas. Agora eu estou, em Kearney, Nebraska EUA e se voces tiverem curiosidade, podem acessar o google, vá até esta cidade bem no interior americano e vejam onde mora minha filha, onde estou, o endereço é rua 60 th, nº 615 e vejam. Não há uma casa sequer a menos de 1000 metros e a cidade é bem pequena, porém bem espalhada e como minha filha disse hoje; aqui é um paraiso e nem sequer ouço barulho de vizinhos, nem vozes porque até nem existe. Ao fundo da sua casa podemos divisar plantações de milho que foram colhidos e no momento já com o final do inverno, ainda há neve por aqui, estão em início de preparativos para a nova safra como já disse em comentário anterior. Como aqui é interior, sem dúvida não há muito o que fazer e hoje eu fui no Walt-mart que por sinal estava lotado pois não nada além dele para se visitar a não ser algumas lojas a mais de 1 km. É uma área bem vasta e não existe uma viva alma o dia inteiro vagando pela rua, aliás é um carro a cada 2 ou mais horas, quando a gente não cisma em sair para compras. Agora não estou invejando nenhum paulista mas eu posso dizer que cheguei ontem e já estou gostando muito disso aqui. Acidade é tão pequena que até encontramos a professora da minha neta Melissa no Walt-mart e batemos um papo e me apresentei porque dentro de mais uns tres dias minha filha irá operar da visicula biliar e eu e minha esposa iremos tomar conta da casa dela e aguardar a sua recuperação. Eu irei todos os dias levá-la à escola bem próxima, dá para ir à pé mas a levarei de carro e à tarde irei buscá-la e já me fiz ser conhecido. Fico pensando que quando jovem fui metalurgico, operário braçal e nunca jamais ocorrei em minha mente ter que ir um dia aos EUA e ficar numa cidade nem nunca sonhada por mim onde ainda por volta dos anos 60 havia indios e ficar por 30 dias. Como este mundo dá voltas, e acontece coisas inusitadas e eu aqui sentado num sofá tomando um chá e escrevendo sobre os EUA aos meus colegas de blog, dando as impressões de como se vive no autentico interior americano. A cidade grande, se assim podemos dizer, mais próxima daqui é Omaha onde eu desci no aeroporto local nem internacional é mas é muito grande as suas instalações apesar de só ter uma única pista para pouso e decolagens de aviões. Em área deve ser maior que o nosso de Cumbica, engraçado mas é verdade, só há fazendas ou sitios em volta já que aqui não há grandes latifundios mas sim muitos agricultores. Outra coisa que me chamou a atenção é que este povo é muito educado e cortez e nos tratam muito bem e hoje eu já disse muitas vezes nice too meet you to. Bem para mim será um tipo de férias da megalópolis que é São Paulo num interior americano já sem cow-boys nem cavalos mas apenas vendo na estradas bem movimentadas muitos caminhões e automóveis e sem nenhum pedágio para me lembrar daí. Por aqui passa a estrada 80 que liga o leste americano ao oeste, ela corta este país de leste a oeste, é só encher o tanque a sair para aparecer lá em Los Angeles ou São Francisco a oeste. Outra coisa, aqui não há grandes edifícios e a cidade é toda cheia de grandes avenidas de duas pistas, bem o contrário da São Paulo cujas ruas são bem estreitas e lotadas de veículos, que contraste, vivendo e aprendendo.

  9. Caro Divaldo. Para melhorar São Paulo e outras grandes cidades tem que investir no nordeste. Não em bolsa familia e outros artificios que o objetivo é manter aquele povo pobre para aproveitar a mão de obra barata dos jovens nordestinos mas. Em projetos produtivos. Ensinar aquele povo a aproveitar melhor as suas terras. Produzir mais. Levar agua Para que os pequenos produtores possam manter o seu gado vivo durante as secas, enfim manter as suas terras que a maior parte são boas e produtivas, é só aprender a conviver com a seca. Do jeito que está os jovens nordestinos se mandam. Vão engroçar as populações das favelas, e dificultar a vida nas grandes cidades. O bolsa familia ja provou que foi um fracaço. Ha 10 anos de bolsafamilia ja foi gasto mais de R$200 bilhões e o povo continua mais pobres do que quando começaram a receber, porque perderam a vontade de lutar por uma vida melhor. Se esse dinheiro fosse investidos em projetos produtivos daria para construir no minimo 10 tranposição do Rio São Francisco e sobraria dinheiro para investir e reservatorios para armazenar aguas de chuva.

  10. Kotscho porque você não fala de assuntos relativos a outros estados? Você só fala de São Paulo. Sugiro por exemplo, que fale da situação calamitosa de minha cidade, Belo Horizonte, com relação à epidemia de Dengue da que estamos sendo vítimas. Eu mesmo estou com a doença. Virou uma epidemia. Você é acompanhado por leitores de outros estados e cidades. Você também tem responsabilidade para conosco.

  11. Kotscho, é como diz o ditado: “pior que ouvir esse barulho, só ser surdo.” É como ler os textos do Robson, J Leite e Vannelder: pior só ser analfabeto. Acho até que desta vez, por descuido, o Robson esqueceu de culpar a Dilma e o PT pelo barulho que atazana seu amigo. O Tucanão de Oliveira nem faz por mal, pois seu ódio ao (Partido dos) Trabalhadores, bem como sua incapacidade de criticar Alckmin está codificada em seu DNA. // J Leite, de qual estudo voce tirou essa informação estapafúrdia de que os beneficiados pelos programas sociais de Lula e Dilma “perderam a vontade de lutar por uma vida melhor” ? J Leite, em nome de todos os beneficiados pelo programas sociais do PT que nunca desistiram e jamais desistirão de lutar por uma vida melhor, peço-lhe que pense duaz vezes ante de dizer asneiras injuriosas desse quilate. Fale por voce mesmo, pois está claro que voce, sim, já desistiu de lutar por um mundo melhor, pois assim como o Robson e Vannelder levaram até aqui uma existência equivocada e sem sentido. Mas nunca é tarde. Levante o traseiro do sofá, desligue a TV, abra a janela e dê “bom dia” à claridade. Abração, J Leite.

  12. Moro em casa, terreno grande, e não aguentava mais as obras de reforma e ampliação, que duraram menos de um ano. Imagine no ambiente fechado de um prédio de apartamentos, e durante mais tempo. É de enlouquecer. E obrigado por consertar este coiso aqui.

  13. Ricardo Kotscho,muito pior que isso é aquele puxadinho do Morumbi, que balança e alaga,mas insiste em marcar jogos e shows para atazanar toda vizinhança,fica dificial até para sair do Bairro,rapaz…
    Ainda bem que o Morumbi,o puxadinho do São Paulo FC,não terá jogos da Copa,não é?

  14. Aff, santa ignorância, Tony José. Apenas para atacar gratuitamente e totalmente fora de contexto um time adversário, você demonstra incrível desconhecimento da cidade de São Paulo. Não é o Morumbi o puxadinho, e sim as casas e mansões ao redor. Quando o estádio foi construído, não existia praticamente nada em volta. Foram construindo as habitações aos poucos, loteamentos, cada vez mais colados ao estádio, e me parece absurdo agora reclamarem do mesmo, uma vez que sabiam da sua existência ao construírem ou se mudarem. Na verdade o próprio Morumbi promoveu a valorização da área, que se tornou uma localização nobre de São Paulo. Não sei e nem quero saber qual seu time, mas duvido que você se importe tanto assim com os moradores da Pompéia ou de Itaquera. Novamente, ataque de baixo nível. Típico.

  15. Barulho é algo complicado, mas só porque falta Educação, como disseram abaixo. Educaçao também inclui Respeito pelo vizinho, Consideração pelo próximo, e também Profissionalismo no exercício da profissão, tanto por Empresas/Indústrias/Autônomos… quanto por funcionários públicos, incluindo Polícia, Fiscais, Políticos, Juízes. Leis existem aos montes, basta fazê-las ser respeitadas. Essa sim é aparte mais difícil hoje em dia, a menos que a pessoa goste de sofrer em silêncio enquanto no barulho. No site http://www.poluicaosonoranao.org/peticao-contra-poluicao-sonora/ tem até um abaixo-assinado para exigir das autoridades nacionais uma melhoria na execução das leis contra a atual poluição sonora desenfreada. É muito bom ver uma iniciativa pessoal para combater o problema ao invés de não fazer nada ou ficar só reclamando. A petição está só começando mas, como dizem, tudo começa do início. Também foi assim aos poucos que a barulheira começou e hoje estamos onde estamos.

  16. Barulho em Porto Alegre! Nesse dia (27/03) Porto Alegre fazia um protesto contra o abuso no preço das passagens de ônibus!

    Isso vai de encontro com o que vós escreveste:

    “Nem é preciso ser nenhum grande futurólogo ou cientista político para prever o que iria acontecer, depois que o povo saiu às ruas para protestar contra o aumento das tarifas do transporte coletivo, o estopim das manifestações que quase paralisaram São Paulo por duas semanas e se espalharam por todo o país”.

    No dia 02/04 Porto Alegre registrava o seu SEXTO protesto! Natal, que foi a segunda cidade a realizar protestos contra as altas tarifas do transporte público, só foi fazer isso no dia 15 de maio!

    Então, de onde surgiu essa “invencionice” de citar São Paulo como a cidade que começou esses protestos todos?
    O BARULHO começou no dia 21/01 em Porto Alegre! Com 500 pessoas! Essa foi a gênese do que se eclodiu depois por todo o Brasil!

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