Clubes têm que cortar a grana das uniformizadas

Clubes têm que cortar a grana das uniformizadas

Toda vez que acontece uma tragédia nos estádios, é a mesma coisa: promessas de providências severas são anunciadas para coibir a violência patrocinada pelas torcidas uniformizadas.

E quem financia estas torcidas? São os próprios clubes, como sabemos, que bancam ingressos e passagens, reservam espaços nos estádios e mimam, em troca de apoio político nas eleições, os chamados “bandos de loucos”, que proliferam por toda parte no país.

Aconteceu com o Corinthians e a sua “Gaviões da Fiel” em Oruro, na Bolívia, mas poderia ter acontecido em qualquer outro lugar com a torcida uniformizada de qualquer outro grande clube brasileiro.

Ao matar o menino Kevin Beltrán com um sinalizador, levando esta arma para o estádio, a maior torcida uniformizada corintiana provocou, além da tragédia humana, enormes prejuízos financeiros ao clube, e tirou do time o seu maior trunfo: a própria torcida.

O regulamento da Comenbol prevê, acertadamente, que os clubes são responsáveis pelos atos de seus torcedores.

Será que os cartolas que financiam estas torcidas de vândalos profissionais ainda não perceberam que cortar a grana das uniformizadas é o caminho mais curto para evitar a violência dentro e fora dos estádios, e os prejuízos humanos e financeiros dela decorrentes?

Quem pagou a viagem dos 12 torcedores da “Gaviões” presos após a morte do menino? Do que vivem estes abnegados para acompanhar seu time pelo interior da Bolívia em dias de semana?

Acabar com a promiscuidade existente entre os dirigentes dos clubes e os dirigentes dos “bandos de loucos” é o grande desafio do nosso futebol para que a gente volte a sentir o gosto de ir ao estádio com os amigos torcer pelo nosso time, sem medo de não voltar para casa.

No tempo em que ainda não existiam as torcidas uniformizadas e não havia espaços separados para cada clube nas arquibancadas, eu ia muito aos estádios com meu pai, nos anos 1950.

Lembro-me sempre da final do campeonato paulista de 1957, no Pacaembu, em que meu glorioso tricolor ganhou do Corinthians por 3 a 1, jogando com Poy, De Sordi e Mauro; Dino, Vitor e Riberto; Maurinho, Amaury, Gino, Zizinho e Canhoteiro.

Torcedores dos dois times se misturavam nas numeradas e nas arquibancadas, até que começou a voar garrafa de cerveja para todo lado e se abriu um clarão à minha frente.

Meu pai se meteu na briga e sumiu no meio do rolo daquela que ficou conhecida como “a tarde das garrafadas”

A partir deste dia, foi proibida a venda de cerveja em vasilhames de vidro dentro dos nossos estádios. E este problema, pelo menos, foi resolvido.

Agora, é até mais simples: basta fechar a torneira de dinheiro que abastece os torcedores profissionais para trazer de volta aos estádios os não-remunerados. Os clubes gastariam menos e ganhariam mais, tenho certeza.

Estudo da Stochos Sports & Entertainament, publicado aqui no R7 nesta quarta-feira, que entrevistou quase 50 mil torcedores, mostra que 83,9% deles atribuíram às organizadas a culpa pela violência nos estádios.

O dado mais importante: 60% deles responderam que voltariam a acompanhar seus times caso as uniformizadas sejam banidas do nosso futebol.

Diante destes números, o que falta para cair a ficha dos cartolas? Precisa morrer mais gente?

 

 

 

 

 

 

 

14 thoughts on “Clubes têm que cortar a grana das uniformizadas

  1. Não é o bastante as tragédias com os mesmo ou elementos semelhantes.Fica a impressão de que tudo faz parte do jogo.Da propaganda, do apêlo público.Em querer chamar a atenção para os objetos do interesse das “ELITES”.Nem que para isso,vidas sejam sacrificadas.!.

  2. Caríssimo Kotscho, vamos mais fundo nesta análise, por favor. Não são só os cartolas não. Tem muito mais gente que alimenta essa fogueira antropofágica. A Rede Globo, por exemplo. Corto os meus dedões e jogo pra cachorrada, se ela não está por trás dessa armação vergonhosa de se tentar incriminar um menino brasileiro como autor da morte do menino boliviano. Lembra-se do episódio “bolinha de papel”? As coincidências são muitas… Essa Rede nefasta está por trás das piores coisas que acontecem no Brasil, apropriou-se do nosso futebol, da nossa cultura, nomeia gente medíocre para a ABL e faz qualquer coisa para faturar um pouco mais. Nas mãos dela, o futebol está acabando… virou um mero business como outro qualquer.

  3. A meu ver, esse moleque (sic) que assumiu o disparo do foguete, é um laranja. Como é “dimenó” não vai acontecer nada, quando muito uma temporada de um mes na Fundação Casa, depois volta aos braços da Gaviões como heroi. A saida dele após o depoimento, foi transmitida ao vivo, ele de cabeça baixa, usando boné e mostrando o dedo “pai-de-todos” numa clara demonstração de “tô-nem-aí”. Esse gesto só foi visto na transmissão ao vivo, nos noticiários foi cortado.

  4. As uniformizadas que nasceram dentro dos mais legítimos sentimentos dos torcedores, com o passar dos anos se transformaram em entidades que abrigam meliantes, ladrões, estelionatários, bandidos que se dedicam a derrubar dirigentes, técnicos, jogadores, e também são utilizadas por conselheiros de clubes que querem tumultuar ambientes com o propósito de promoverem mudanças de dirigentes e comissões técnicas. Além disso são subsidiadas pelos clubes que chegam até a teme-las o que transforma esses subsídios em verdadeiras extorsões. Além dos clubes cortar suas regalias seria muito importante que houvesse uma postura enérgica do Ministério Público e dos políticos que também as paparicam principalmente em épocas eleitorais. Ou seja a ação tem que partir dos clubes e do Poder Público se não para elimina-las mas ao menos neutraliza-las. Chega de torcedores profissionais. A morte do garoto boliviano é resultado do descaso dos clubes e das autoridades brasileiras com relação as organizadas e principalmente da incompetência da polícia boliviana que permitiu a entrada do artefato que matou o garoto.

  5. Cana, cadeia, para torcedores e para cartolas que cometem crimes… É simples… Não há segredo, investigam-se, julgam-se e punam os culpados. Mas a realidade é bem outra… os magistrados têm 75 dias de férias e folgas no ano… somem a hora de entrada e de saída, pois magistrado não bate ponto, feriados prolongados, licenças médicas, etc… processos se avolumam com a desumana indiferença dos beneficiados e os criminosos continuam impunes e a maioria da população trabalhando para bancar milhares de pessoas praticamente inativas sugando o erário…

  6. O assunto é muito mais sério do que parece. Beluzzo, um cidadão acima de qualquer suspeita, respeitado economista, foi inteiramente cooptado pela Mancha Verde e ele, intelectualmente tão superior, parecia um carneirinho do lado do tal do Paulo Cerdam, um brutamontes que manda e desmanda nas categorias de base do clube sendo temido até pela Camorra. Tomaram conta dos clubes e não existe ninguém que os peite… É caso de polícia.

  7. Caro Ricardo, o Corinthians colocou Oruro no mapa do mundo, cidade onde nasceu o cantor e compositor Raúl Shaw Moreno, que chegou a integrar o Trio Los Panchos. Raúl fez sucesso em todo o mundo com o belíssmo bolero Cuando Tu Me Quieras. Como sou metido a crítico musical, ouso afirmar que esse bolero é o mais bonito de todos os tempos. Letra e música são ótimas, e Raúl, que se radicou na Argentina, dá uma show de interpretação. Boleraço! Quem ainda não ouviu pode escutar no You Tube. O Balaio também é cultura. Quanto à tragédia de Oruro, convém lembrar que a Bolívia deverá dar exemplo ao Brasil. Esse menino de Guarulhos pode estar protegendo os 12 torcedores presos em Oruro. O depoimento do garoto tem jeito de farsa. Será que a Justiça do país do camarada Evo Morales vai se sensibilizar(com o depoimento)e aceitar essa empulhação?

  8. Concordo: gênero, número e grau. E até “degrau”.
    Mesmo sabendo que a imbricadíssima relação entre torcedores profissionais e dirigentes a(r)madores é materializável através de uma “escada”, há que imaginá-la imprestável.

  9. Concordo com tudo o que você falou Kotsho. Aqui em Minas já aconteceu de torcedores do Atlético de Minas Gerais matarem um torcedor do Cruzeiro, na saída de uma luta de MMA, não foi nem em um jogo entre os dois times. Como também aconteceu o caso de dois torcedores do Cruzeiro em uma moto, matarem um atleticano em plena luz do dia e à porta de sua casa. Esta selvageria entre torcidas se espalha por todo o país. E concordo com o pardalzinho, a Globo está metida neste caso indecente entre a Torcida Gaviões e a apresentação do menor como o praticante do delito. Não adianta tentar acabar com as organizadas, o que tem que se fazer é os clubes realmente fecharem as torneiras financeiras para elas. E a única maneira de obrigá-los a fazerem isto e criar uma regulamentação federal para o funcionamento destas torcidas, criar uma taxa de imposto pesada para quem quiser financiá-las, imposto que no caso dos clubes, já seria descontada em suas rendas nos borderôs dos jogos. Algo em torno de 50% da renda dos jogos dos clubes e 20% do rendimento das pessoas jurídicas e físicas que as financiassem. Isto acabava logo logo com elas.

  10. Caro Ricardo,

    concordo plenamente com voce, cortar o financiamento das uniformizadas seria o caminho mais pratico para em muito minimizar esse problema.
    Tambem estava no Pacaembu, nesse dia em que o Sao Paulo ganhou do Corinthians e se tornou campeao paulista, porem torcendo para times diferentes. O jogo terminou e o grande Gilmar saiu correndo atras do Maurinho que conseguiu chegar as escadas do vestiario antes que o grande goleiro o pegasse, dando origem ao bafafá mencionado na sua matéria. Bons tempos!!!

  11. Caro Ricardo
    Cortar a grana das uniformizadas vai apenas fazer com que eles tenham que batalhar outros modos de financiarem sua sobrevivência. O que é necessário é, proibir a entrada no estádio com bebidas, drogas, armas, fogos de artifício e sinalizadores. Uma revista bem feita, inclusive com alguns torcedores sendo sorteados para serem revistados mais minuciosamente. O estádio, arquibancadas e banheiros também tem que ser vasculhados minutos antes da abertura dos portões. E tem que ter cadeia mesmo para quem colocar, tiver a intenção ou apenas colocar, os outros torcedores em risco. Tem que ter bafômetro na entrada para pegar os bebados. E tem que ter seguranca infiltrado nas torcidas para quando surgir um foco de problema, a polícia ser avisada. Precações e cadeia resolveriam os maiores problemas.

  12. Caro Kotscho:
    Sou santista de nascimento e coração.
    Meu pai me levava a Vila mais famosa do mundo e aplaudia igualmente, junto com muitos outros, a entrada em campo de ambos os times.
    Perguntei por que aplaudia os adversários e respondeu-me:
    Pela sua coragem de vir a Vila. Se eles não vierem vamos jogar com quem?
    Outros tempos, outra educação, outros modos.
    Só sei que, enquanto existirem os fanáticos das organizadas, não volto mais aos estádios. Não tenho prazer em maltratar, vaiar ou hostilizar adversários.
    Mas eu sou um homem da primeira metade do século passado…

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