Quando beber, dirigir e matar não dá cadeia

Quando beber, dirigir e matar não dá cadeia

“Eu quero ela presa”, diz pai de Vitor Gurman.

Quem clama por justiça é Jairo Gurman, pai do jovem de 24 anos assassinado numa calçada da Vila Madalena pela Land Rover de Gabriella Guerrero, exatamente um ano atrás.

A motorista responsável pela tragédia estava alcoolizada e dirigia em velocidade acima do permitido, segundo a polícia. Deveria estar presa para não matar mais ninguém. Como de costume, porém, Gabriella continua livre, leve e solta, sem nenhum perigo de ir para a cadeia.

“O sentimento é de indignação, revolta, dor e até de vergonha. Não dá para se conformar que, um ano depois, nada aconteceu”, desabafou Jairo Gurman em entrevista a Giba Bergamim Jr., da “Folha”, publicada na edição desta segunda-feira.

A impunidade virou lei. Ou o caro leitor do Balaio conhece um só motorista que tenha sido preso por matar alguém no trânsito ao dirigir depois de beber?

Até hoje, o Ministério Público não emitiu sequer um parecer e não se acha na obrigação de dar qualquer satisfação à sociedade. Enquanto a Justiça segue seus velhos e lerdos rituais, sem punir ninguém, pessoas continuam morrendo atropeladas todos os dias em São Paulo.

Ficam discutindo eternamente se crime de trânsito deve ser denunciado como homicídio doloso, que prevê pena de prisão, ou culposo (sem intenção de matar), que recomenda penas alternativas.

Claro que ninguém sai do bar, por mais que tenha bebido, com a intenção de matar um pedestre na calçada. Mas este será sempre um risco previsível, uma consequência muitas vezes inevitável. É como alguém brincar com um revólver carregado e depois pedir desculpas: “Ah, doutor, foi azar, matei o cara sem querer…”

Na semana passada, por exemplo, não aconteceu uma coisa nem outra com o jovem Thor, filho do megaempresário Eike Batista, que a bordo do seu carrão atropelou e matou recentemente um ciclista em rodovia do Rio de Janeiro. Ao contrário: a Justiça mandou devolver a sua carteira de motorista, antes mesmo do julgamento do caso.

Para se ter uma ideia do drama vivido pelas famílias das vítimas do trânsito, recomendo ver na internet o depoimento dado pela psicóloga Gradyz Ajzemberg, mãe de Vitor, ao programa Papo de Mãe, apresentado por Mariana Kotscho e Roberta Manreza, na TV Brasil, no último domingo (www.papodemae.com.br).

Só para lembrar o caso de Vitor Gurman aos senhores juízes e promotores, familiares e amigos do jovem assassinado organizam um ato para o próximo sábado, na mesma rua Natingui, onde ele morreu, no dia 28 de julho de 2011.

Jairo Gurman, que até hoje toma remédios para “segurar a dor”, quer apenas que se faça justiça:

— O que a família quer é a Gabriella presa. Ela merece a pena em função de ter assassinado meu filho. É o justo, porque ela matou. Houve um assassinato. Ele foi atropelado de costas, andando na calçada. Foi morto covardemente. Se não houver punição, será uma tragédia.

De fato, à tragédia da morte costuma-se seguir, infelizmente, a tragédia da impunidade. Até quando?

Até o dia em que alguém for para a cadeia e as pessoas deixarem de dirigir seus carrões depois de beber, não por medo da Lei Seca, mas pela certeza de que serão presos se matarem alguém.

 

 

 

 

 

 

 

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29 thoughts on “Quando beber, dirigir e matar não dá cadeia

  1. Infelizmente a justiça no Brasil só existe para que pertence ao grupo dos 3 ps. Nossos legisladores e juristas ainda carregam o ranço da nossa colonização que previlegiava a elite. Só existe uma solução e, infelizmente, ela jamais será pacífica.

  2. Via de regra o Código Penal é benevolente com o infrator, se um adolescente entrar em sua casa, estuprar e matar sua mulher ou sua filha, ao completar 18 anos estará livre como um pássaro.

  3. As vezes chego a pensar que se o motorista pode tudo e não acontece nada (inclusive o bêbado), é porque o veículo é que vale mais que a vida humana. Só pode ser isso.
    Aí então, o motorista está protegido, inclusive pela lei, porque é o elemento material do veículo que está dando tutela total ao seu condutor.
    Ou então, na visão pós-modernista, a vítima é o fracassado; o vitorioso é o veículo e seu condutor.
    É como pensar que a vítima, se encontrava no local na hora errada, senão dizer que até provocou a sua própria morte.
    O automóvel e seu condutor (que se tornam um ser somente), se encontram na categoria dos seres bem sucedidos na vida.
    A vítima, morta, fracassada, se torna um ser excluído; parece não ter valor nenhum.
    Fica parecendo que o automóvel/condutor, continua como um “cidadão”, um ser de sucesso, e se mantém incluído para manutenção dos seus privilégios. Ora, o morto não é mais cidadão! E absurdamente, preferível proteger o bêbado vivo… claro! Ele continua sendo cidadão!

  4. Até quando?

    Até quando tragédias como essas acontecerem com pessoas próximas aos poderosos do Judiciário Brasileiro, que é LERDO, SELETIVO, PRECONCEITUOSO e, por tudo isto, INJUSTO.

  5. Nessa justa indignação pela impunidade no caso da morte do jovem Gurman, muitos esquecem outras culpas. Uma, talvez a maior, do proprietário do carro que, alcoolizado, sentou-se no banco do carona sem cinto de segurança (como manda a lei) e acabou por cair sobre a motorista que conduzia seu carro. Outra culpa, a da motorista que permitiu seu companheiro ficar sentado ao lado sem cinto de segurança. E deu no que deu, acrescentando mais perigo ao fato dela estar acima da velocidade permitida naquela estreita rua. É preciso também verificar o histórico da motorista e do proprietário.

  6. Bom dia Ricardo!
    Bom dia amigos balaieiros!

    Não vou ser hipócrita e condenar aqueles que bebem e dirigem, até porque, eu acho, que muito pouca gente, muito pouca mesmo, pode criticar sem que nunca tivesse na vida dirigido embriagado, mesmo que um pouquinho só.

    Já disse aqui também, sobre o fato de não serem apenas os ricos de land rover, mercedes, ferraris, ou porches que matam. Nas periferias a mortandade também acontece com seus monzas, chevetes, etc.

    Mas concordo inteiramente que deve existir algum tipo de punição para que não fiquemos novamente apreciando a IMPUNIDADE que tanto vigora em nosso país.

    Acontece que, se começarmos à punir os pobres, consequentemente os ricos terão que arcar com o mesmo problema, então, fica assim explicada essa discussão eterna que você mencionou.

    Existem pessoas que bebem e dirigem sem problemas, outras já se exaltam e fazem loucuras. Entre um e outro, basta que a lei funcione para que o segundo tipo se contenha em seus ímpetos evitando maiores tragédias como estas.

    No trânsito, não é só o álcool que mata, mas o sono, medicamentos, desatenção, nervosismo exagerado, etc.

    E já passou da hora também de termos veículos menores e menos potentes. Afinal, para que ter um carro que anda até 300 km/h???
    Que arranca de zero à 100 em 5, 10 , segundos???
    Nossos limites urbanos não passam de 80 (expressas) e os rodoviários de 120!

    Querem brincar de correr? Joguem vídeo game!

    Abraços!

    Robson de Oliveira

    http://ecoblog-blogeco.blogspot.com.br/

  7. Olá!!! Acessem http://www.naofoiacidente.org.br e assinem!!!!
    Vai fazer um ano que Vitor Gurman morreu.
    Ontem, a mãe dele, Gladys Ajzenberg, falou no Papo de Mãe.
    Quantas famílias ainda passarão por este mesmo drama???? Precisamos de leis sim, de fiscalização sim, e de mudar NOSSA ATITUDE no trânsito também!!! Beber e dirigir é PROIBIDO. Ninguém quer morrer no trânsito – e ninguém deveria querer matar.
    vejam também no FB “viva vitao” e “não espere perder um amigo para mudar sua atitude no trânsito”
    bjs Mariana Kotscho

  8. Pois é Kotscho.
    Quando um advogado, na defesa de seu cliente, ‘’arranja’’ uma atenuante ou uma desculpa prevista em lei , nós ficamos revoltados. Ocorre que não nos damos ao trabalho de verificar o que diz a lei. Achamos que isso é ‘’COISA DE DOUTORES’’ Olha só o que reza o código penal quando se trata de embriaguês.
    Art. 28 – Não excluem a imputabilidade penal:
    I – a emoção ou a paixão;
    Embriaguez
    II – a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos análogos.
    Olha só o que diz o §1º:

    § 1º – É ISENTO DE PENA O AGENTE QUE, POR EMBRIAGUÊS COMPLETA, PROVINIENTE DE CASO FORTUÍTO OU FORÇA MAIOR, ERA, AO TEMPO DA AÇÃO OU DA OMISSÃO, INTEIRAMENTE INCAPAZ DE ENTENDER O CARÁTER ILÍCITO DO FATO OU DE DETERMINAR-SE DE ACORDO COM ESSE ENTENDIMENTO.
    § 2º – A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, por embriaguez, proveniente de caso fortuito ou força maior, não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
    Imaginem vocês, isso, nas mãos de um defensor.

  9. Conheço pessoalmente. O caso de meu pai que faleceu por obra e arte de um “festeiro” que foi condenado e cumpriu pena, até onde sei, graças a visão do justo e legalista juíz Dr.Fábio Koff; isto nos idos de 1974. Foram epocas dificeis. Uma viúva,37 anos,dois filhos 14/17 anos e a vida prá tocar.Talvez, muito provável, não fosse o juíz Koff e o “festeiro” tivesse posses o resultado seria outro. Fica o registro para corroborar com os fatos … cadeia, só para pobres.

  10. No Brasil, por suprema hipocrisia, nunca exigem punição pro agressor quando a vítima pertence as camadas mais pobres de nossa população. Todos querem punição pro atropelador do filho de atriz da Globo e pro assassino da filha de sua autora de novelas. Todos são a favor que se erga monumentos dispendiosos e inúteis pra vítimas de acidentes aéreos. Todos querem aumentar a pena pra sequestro de milionários, tornando-o crime hediondo. Mas estão todos “lixando-se” para as crianças indefesas e inocentes que morrem soterradas todos os anos nos desabamentos de barracos em morros e encostas ou em incêndios nas favelas de nossas capitais. Em protesto e em solidariedade a essas crianças, vou amanhã mesmo pixar o monumento e a praça erigidos nas proximidades do Aeroporto de Congonhas em homenagem ás vítimas do acidente com o avião da TAM, exigindo o mesmo direito pra nossas crianças pobres. Tô errado ?

  11. Como é de conhecimento geral,lei nenhuma funciona no Brasil,lei seca,Maria da Pênha,lei de cotas,Ficha Suja,para resumir até a Constituição Federal é desrespeitada pelos nossos politicos brindados,a mesma reza que todos são iguais perante a lei(até se provar que é pobre claro) não,no país da impunidade a lei é para poucos previlegiados.

  12. concordo,se matar não dá cadeia, agora se não pagar a pensão vai para xilindró rapidinho. Um absurdo!

    acho que deveria ser leis estaduais, cada estado fazer sua lei de segurança. O governo federal não deveria se envolver nada. Deixe que a lei estadual se faça presente. Boa idéia

  13. Ola
    sofro a mesma dor e indignaçao. Meu filho foi assassinado por motorista irresponsavel que nao obedeceu preferencial em que meu filho Felipe trafegava de moto. Nada foi imputado ao motorista do carro. A impunidade nesses casos, eh sepultar o ente querido pela segunda vez.

  14. O fato de ficar impune esse tipo de crime ,entre tantos no Brasil,só incentiva mais esse criminosos,que com a cara cheia de cachaça,atropelam,matam,estupram e nada acontece…Imagino como ficam essas familias com a dor da perda e a indignação…Nossos politicos estao mais preocupados com as obras da copa,rendendo milhões e enchendo cuecas e meias de dinheiro,gostaria de perguntar a um agente da lei “E se fosse o Thor filho do Eike que tivesse sido morto”?????O assasino iria apodrecer na cadeia,então esta na hora de mudar algumas leis,as do pobre ja funcionam…

  15. Vejam bem, não estou aconselhando ninguém. Cada um sabe de si, mas se é comigo ou alguém da minha família e a Justiça não age, agiremos à nossa maneira. É um pacto entre nós. Esperamos a poeira baixar e pegamos o sujeito(a).

  16. Apenas como adendo e complemento, Caro Kotscho… Um amigo comentou, e existe um forte paralelo com o que acontece por aqui, esta chacina promovida pelo falso “Coringa” nos Estados Unidos, matando 12 e ferindo dezenas dentro de uma sala de cinema. Se fosse árabe seria imediatamente rotulado como Terrorista; se fosse negro como drogado; mas como é branco, imediatamente virou doente mental. E assim caminha a mediocridade…

  17. Quanta besteira. Como sempre as matérias desse site são totalmente sensacionalistas. Ficar criticando os juizes, promotores e advogados é piegas e correiqueira a quem não quer ver a verdade. A lei é assim. Se alguém está inconformado, ao invés de ficar criticando quem não pode mudar, critique o congresso a faça com que a lei de trânsito seja alterada. isso sim seria um comentário mais inteligente. O problema não está nos juizes e promotores, eles somente aplicam as leis. Os congressistas é que devem ser responsabilizados. Por favor, senhor colunista, ensine a população o caminho correto e não fique aí fazendo essas amteriazinha sensacionalistas.

  18. Prezado Luis Dantas Motta das 17h01. Neste elogiável pacto feito entre seus parentes fiquei curioso sobre o que aconteceria se um dos membros do citado pacto matasse acidentalmente alguém por estar dirigindo embriagado e não fosse punido pela Justiça. O que vocês fariam? Esperariam a poeira baixar e pegariam o sujeito ou, por ser da Família, compreensivelmente o protegeriam? Obrigado.

  19. Lei ora lei. procurei e não achei a resposta.
    Onde está a lei que diz: Se voce matar, estrupar etc. não vai para a cadeia, fica livre até…

  20. OS HOMENS DA LEI SÓ VÃO ACORDAR … quando o filho de um ministro, ou governador.. ou de um juiz for atropelado na calçada e morrer. Filhos de pessoas comuns não comovem nossa Justiça (aliás, justiça com letra minúscula, bem miudinha)

  21. Mais um, isso mesmo é mais um pedindo justiça. Infelizmente não temos leis dura contra assassinos de 4 rodas, quando nossos magistrados resolverem punir estes assassinos com competência ai sim as coisas poderiam mudar, só que eles estão proferindo sem intenção de matar. Não entendo o que é então intenção de matar…
    ACORDA BRASIL!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  22. Caro Edson 23/07/2012 17:39;
    Até concordo com você quando diz que temos que criticar os membros do congresso que fazem as leis, mas tratar os membros do poder do judiciário como “santos”, é um absurdo.
    Os juízes costumam dar péssimos exemplos todos os dias. Trabalham apenas para a chamada “classe A”, é só lembrar de outro famoso assassinato ocorrido no trânsito, do deputado Carli Filho lá no Paraná, entre outros casos.
    Portanto tratar juízes, desembargadores e demais membros do judiciário como “santos”, é um total absurdo.
    A você e aos demais balaieros é só procurar no Google sobre sentenças judiciais absurdas e todos iram ver como a justiça no brasil funciona.

  23. Infelizmente, o que falta é caráter e vontade política para que os operadores do direito interpretem e apliquem a lei. Não se trata de mudar ou fazer mais leis, mas de aplicá-las isonomicamente. Por que pretos, pobres e periféricos frequentam as cadeias por qualquer desvio??

  24. “Nessa *história de MEMBROS DO CONGRESSO e do JUDICIÁRIO,não existem anjos*,todos são culpados por essa impunidade toda que sempre aconteceu,acontece e vai continuar acontecendo”.
    Mudar as *LEIS* para quê?
    Se *TODOS* eles mudarem as leis, eles estarão dando um tiro nos própios pés.
    Já imaginaram se *eles* fizessem leis mais justas e dignas:o que seria dos Deputados *CARLIS da vida*?
    “ELES” devem sempre pensar:*EU* poderei ser o Carli Filho,amanhã…

  25. Caro Kotscho:
    Em verdade, para quem conhece um pouco de Direito, tentar enquadrar esse tipo de delito como doloso é um malabarismo jurídico. Juízes, promotores, advogados, não criam a norma, mas sim a opera. Cabe ao legislativo produzir um tipo penal que se adeque perfeitamente a essa realidade, evitando-se a insegurança jurídica (um juiz acha que foi doloso, outro acha que foi culposo e todos tem sua razão). O grande problema ai é que as vítimas de hoje foram os culpados de ontem. Só reclama que foi vítima ou, não tendo sido, vale-se de toda hipocrisia do mundo para gritar contra os assassinos de quatro rodas. A grande maioria, por certo, já dirigiu alcoolizado. Basta ver as “blitz” no Rio de Janeiro, onde toda espécie de celebridade é flagrada dirigindo sob efeito do álcool (jogadores e técnicos de futebol, atores, cantores e até um certo senador e ex-governador de Estado. A hipocrisia impera. Me lembra muito o povo da classe média alta fazendo protesto pela paz, quando um dos seus morre por conta da violência do tráfico e, à noite, na “balada” entopem o nariz de pó, vão para as “bocas” comprar o maldito entorpecente, sustentando o poder do traficante.
    Diante de tudo isso, salve-se quem puder.
    Abraço

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