Memória: Globo e Collor contra Lula, tudo a ver

Memória: Globo e Collor contra Lula, tudo a ver


(Imagem: Reprodução)

O problema de ficar velho nesta profissão de jornalista é que a gente viu, ouviu e viveu as coisas de perto, testemunha ocular e auricular.

Sempre que ressurge no noticiário uma história de 20, 30, 40 anos atrás, pedem-me para escrever sobre o evento. Estudantes frequentemente me procuram para contar como aconteceram variados episódios da vida brasileira no último meio século.

De vez em quando, a memória falha, mas tem certas passagens que testemunhei e nunca vou esquecer. Uma delas, certamente, foi o que aconteceu no debate decisivo entre Collor e Lula no segundo turno das eleições presidenciais de 1989.

Eu era assessor de imprensa do então candidato Lula e participava das reuniões com as emissoras e representantes dos adversários para definir o formato dos debates na televisão junto com algum dirigente do PT ou outro membro da campanha.

Na última reunião para o segundo debate, na TV Bandeirantes, em São Paulo, fui sozinho no meu carro para a emissora porque morava lá perto. Cheguei cedo e me surpreendi quando vi Cláudio Humberto, o assessor de imprensa de Collor, entrando na sala junto com Alberico Souza Cruz, da TV Globo, promovido a diretor de jornalismo após a campanha..

Até brinquei com eles _ “estou f….” _, mas me garantiram que tudo não passara de uma coincidência. Os dois pegaram por acaso o mesmo vôo no Rio para São Paulo.

Por acaso também, certamente, os dois tinham as mesmas propostas para o debate e eu me senti meio isolado na discussão.

Lembrei-me na manhã desta terça-feira de novembro de 2011 do que aconteceu naquela tarde do final de 1989 ao ler na “Folha” o título da página A11: “Ex-executivo da Globo mentiu sobre debate, diz Collor”.

A polêmica surgiu após uma entrevista concedida no sábado à Globo News por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, manda-chuva da Globo na época, que agora está lançando seu livro de memórias.

Nesta entrevista, Boni contou como a principal rede de televisão do país ajudou o candidato Fernando Collor de Mello na preparação para o debate decisivo.

“Nós fomos procurados pela assessoria do Collor”, revelou Boni, ao contar que recebeu ordens de Miguel Pires Gonçalves, então superintendente da Globo, para que “desse alguns palpites” na preparação do candidato do PRN.

Boni contou mais: “Conseguimos tirar a gravata do Collor, botar um pouco de suor com uma glicerinazinha, e colocamos as pastas todas que estavam ali, com supostas denúncias contra o Lula, mas que estavam vazias ou com papéis em branco”.

Principal executivo da Rede Globo na época, Boni afirmou na entrevista que “todo aquele material foi produzido, na parte formal”, cabendo a Collor “o conteúdo”.

Collor, ao seu estilo deixa que eu chuto, negou tudo: “Nunca pedi a ninguém para falar com o Boni, meu contato era direto com o doutor Roberto (Roberto Marinho, dono da emissora). Nunca tirei a gravata nos debates. Mentira. Suor: nem natural nem aspergido pelo Boni. Glicerina: mais uma viajada na maionese. Pastas vazias: ao contrário, cheias de papéis, números da economia, que sequer utilizei. Em resumo, o Boni despirocou”.

O que de fato aconteceu do outro lado da disputa presidencial, só os dois podem dizer. Da minha parte, só sei que Collor sofreu uma derrota acachapante, como se diz no futebol, no primeiro debate, na TV Manchete, no Rio, e resolveu partir para o tudo ou nada no segundo.

Furioso, demitiu quase toda sua equipe de campanha naquela mesma noite ao voltar para o hotel. Chamou seu irmão Leopoldo Collor de Mello, ex-executivo da Rede Globo, para comandar a mudança, contratou novos marqueteiros, gastou o que tinha e o que não tinha, dinheiro não era problema.

Levou os últimos dias da campanha para a sarjeta e assim surgiu garboso e desafiante no palco do segundo debate. Estava de gravata e carregava um monte de pastas.

Também escrevi um livro de memórias para me ajudar nestas horas (“Do Golpe ao Planalto _ Uma vida de Repórter”, Companhia das Letras, 2006) e foi de lá que tirei o texto transcrito abaixo sobre o que vi acontecer naquela noite:

 

Chovia forte em São Bernanrdo do Campo, e estava em cima da hora para irmos à TV Bandeirantes, no Morumbi. Lula já se encontrava no carro com Marisa quando Marcos, o filho mais velho, veio avisar que ligaram de Brasília informando que Collor levaria algumas pastas amarelas para o debate, com novas acusações contra ele no campo pessoal. No estúdio, Lula seguiu para o seu púlpito, sem sequer olhar para o oponente.

Mas, em vez de partir para o ataque, quando Boris Casoy lhe fez a primeira pergunta _ sobre a queda do Muro de Berlim, poucas semanas antes _, ele entrou direto na resposta. Com as mangas compridas do paletó escuro cobrindo-lhe até a metade das mãos, dispersivo, Lula em nada lembrava o candidato combativo da campanha.

Quando o debate terminou, eu o aguardava no corredor que liga os estúdios à sala reservada aos candidatos. Ele me deu um tapa nas costas e balançou a cabeça: “Perdemos a eleição. Eu me sinto como um lutador sonado”.

Já de madrugada, fomos jantar em sua casa, mas a comida ficou esfriando na mesa. Nas 48 horas seguintes, Lula ainda seria obrigado a enfrentar toda espécie de boatos difundidos pela imprensa marrom e no boca a boca. Caso vencesse a eleição, diziam, fecharia os templos não católicos, tomaria casas, barracos, carros, televisões, bicicletas e até galinhas de quem tivesse duas para dividir com os mais pobres.

(…) Sábio Frei Chico, o irmão mais velho de Lula que o levou para o sindicalismo. Homem de boa paz e comunista, ele foi buscar lá nas origens da família as explicações para a implosão do candidato no final da campanha, especialmente no último debate: “Lá em Pernambuco, quando alguém ofende a família, o sertanejo só tem dois tipos de reação: ou mata o desafeto ou fica magoado. Lula ficou magoado…”.

Deu para perceber isso na edição do debate que foi ao ar no telejornal Hoje, da TV Globo, na hora do almoço do dia seguinte. Lula não estava bem, perdeu. Mas o que se viu à noite, no Jornal Nacional, da mesma emissora, foi o resumo de outro debate. Editaram só os melhores momentos de Collor e os piores de Lula. O resultado do jogo, que tinha sido 2 X 1 na edição do Hoje, transformou-se magicamente em 10 X 0. Empolgados, os seguidores de Collor, quietinhos até então, saíram às ruas com bandeiras para comemorar.

 

A história pode ser reescrita de várias formas, mas os fatos não podem ser reinventados.

 

 

 

50 thoughts on “Memória: Globo e Collor contra Lula, tudo a ver

  1. Mesmo eu não entendendo nada de politica naquele ano de 1989, lembro-me muito bem quando o candidato da globo disse ao Lula, Lula voce vai confiscar a poupança se ganhar!!!
    Deu o que deu, a equipe economica de Collor, o caçador de marajás, teve a ídéia de perguntar ao Lula e acabou usando a sua própria pergunta quando eleito, como plano de governo confiscando a poupança, (quem usa cuida).
    Tá aí a midia da Globo, muitos poupadores morreram naquela época, éra a pena de morte não declarada, crime não declarado.

    Lembro também de uma pergunta inteligente feito pelo Lula.
    Se voce Collor ganhar, vai tirar dinheiro da onde, pra fazer tudo que está prometendo.
    Com a resposta de Collor, Lula respondeu com muita inteligencia que me marcou desde aquela época, não Collor, ninguém da nada pra nínguem sem tirar de alguém, isso é pura verdade e realidade que vivemos na pele com Collor e FHC, o resto a gente já sabe, esquema PC Farias.
    E assim esses artificios da grande midia eliteira do PIG estão sendo desmascarado.

  2. Pois é né???
    E quem diria q no final o interesse em comum prevalecesse, q os dois (Lula e Collor) se unissem politicamente… E a globo achando q eles eram diferentes… quanta inocência, gente!

  3. É lamentável, eu sempre disse uma coisa com a minha probre ingnorância de conhecimento de que quem tira e bota presidente
    da república se chama rede globo de televisão. Sinto amargamente não ter mais que assistir nada mais na televisão principalmente jornais porque algumas emissoras como a bendeiranes estão sendo tendenciosas.

  4. E foi assim que a “imprensa podre” elegeu o seu candidato.
    As pessoas foram totalmente manipuladas a eleger Collor, nunca irei me esquecer da revista “veja” definindo “Collor” como caçador de marajas, a mesma revista “veja” que apoia os candidatos de direita atualmente.

  5. O Lula até então,vendeu a imagem de um “revolucionário”.A elite tinha receio,mas no fundo,sabia que ele não levaria sua “ideologia”a cabo.Itamar e FHC,”pavimentaram” o caminho para Lula.Que assessorado por Duda Mendonça,amenizou o discurso.No poder,saiu de cena aquele “Tchê” tupiniquim.Oito anos de clichês,ditos populares e frases de efeito,jogaram uma cortina de fumaça,sobre um governo que desceu a ladeira do REal.Hoje Lula aparece na CARAS,a política ganha mais um cacique,e o povo volta a sonhar com um novo “messias”.

  6. Desculpe, Ricardo, mas no texto sober o debate parece que ficou faltando algo.
    Você diz: “Mas, em vez de partir para o ataque, quando Boris Casoy lhe fez a primeira pergunta _ sobre a queda do Muro de Berlim, poucas semanas antes _, ele entrou direto na resposta. Com as mangas compridas do paletó escuro cobrindo-lhe até a metade das mãos, dispersivo, Lula em nada lembrava o candidato combativo da campanha.”
    Você não acha que faltou explicar por que ele assumiu esse comportamento? Seria apenas porque Collor estaria com “pastas amarelas” prontas oara os ataques pessoais? Ou porque ele chegou a fazer os ataques – caso Míriam Cordeiro, por exemplo?
    Desculpe outra vez, mas, para mim, parece que ficou incompleto.

  7. Lula sentava o pau em Color, Maluf e dizia que Sarney era o maior ladrão da República e, hoje, promovido por Lula a cidadão incomum. A governabilidade justifica tudo, até promover os 300 picaretas a homens de bem. Dize – me com quem tu andas e eu direi quem tu és.

  8. Caro kotscho, este seu post é tão sensacional, tão magistral quanto ao que li há pouco lá no C.A. do PHA sobre o Serra e a Chevron; “A Chevron do Serra quer mais”. Como comentei lá, estes dois post’s bem que poderiam fazer parte dos compêndios de História do Brasil para que a moçada leiam e aprendem o que foi e é feito contra os nossos presidentes Lula e Dilma e contra a pátria, os entreguistas que tivemos e os que temos ainda hoje. O fato das eleições presidenciais em que foi feita uma tramóia sem precedentes em 1986 contra um candidato que nunca ousou falar do problemas pessoais dos concorrentes, que usou de honestidade e limpeza na concorrencia aos eleitores. Lá no PHA temos um fato relevante que em 1929 época da grande crise, tivemos que queimar nos portos centenas de toneladas de café sob o pretexto de não haver compradores e a Russia oferecendo uma troca por petróleo que os americanos trataram de boicotar. Justamente nós que até então não sabíamos que tinhamos o pré-sal e o ouro negro era tão necessário para nós.

  9. “Ele me deu um tapa nas costas e balançou a cabeça: “Perdemos a eleição. Eu me sinto como um lutador sonado”.”

    Lula como sempre, ainda no corredor, acertou em cheio no diagnóstico, que parece Kotscho ainda não ter entendido, por que tendo tudo para pulverizar Collor, que não cansou de levantar bolas para ele naquela noite, não o fêz.
    Vamos lá, Kotscho, relembre para nós os passos de Lula, devidamente assessorado, desde a noite anterior (a que horas Lula foi dormir e quando acordou?), seguida de absurda viagem para Brasília, às primeiras horas da manhã, no dia do debate, para beijar a mão do núncio, o retorno em cima da hora e otras cositás mas, que levaram-no ao palco do debate completamente extenuado, desconcentrado, enfim, sonado, como o próprio cirúrgicamente definiria.
    O zumbizismo de Lula naquele debate é cientificamente explicado pela condição física e mental em frangalhos, graças a assessoria.
    O resto são contos daquele verão que se aproximava de um Brasil que nunca mais seria o mesmo.
    Saudades.

    PS: Mesmo com tudo isso, a mídia só conseguiu os últimos pontos necessários para derrotá-lo, com a edição do JN.
    Foi lindo, mas terminou nojento, o ano de 1989.

    1. Caro leitor Dias,
      todos os passos do candidato Lula, desde os dias anteriores aos posteriores ao debate, o senhor encontrará no livro de memórias (Do Golpe ao Planalto) citado no texto, que está à venda nas livrarias ou na Companhia das Letras.
      Não é assunto que caiba num post.
      Abraços,
      Ricardo Kotscho

  10. E tem gente que ainda fica endeusando a imprensa. A imprensa fede. Em cada pequeno ato, em cada escolha de uma manchete que distorce completamente o significado original da reportagem interna. Na escolha dos alvos de suas reportagens… A imprensa fede. Mas alguns a consideram uma Deusa, intocável, irretocável… Oras, a imprensa nada mais é que um partido político, da pior espécie. Uma invenção como o rolo de fita crepe assassino, sacado pelo Molina, a pedido de Ali Kamel, mostra bem, de onde vem o fedor. Alguns poucos, por causa da idade já pederam o olfato, não sentem nada. Mas a imprensa fede…

  11. Ricardo,

    Aguas passadas não movem os moinhos. Mas, um povo que não tem memória esta fadado a repetir os erros do passado.
    Qual maxima está correta?
    Lula, e sua equipe, a época eram muito ingenuous pois cairam em uma campanha embuidos de um sentimento guevariano acreditando que o povo iria aceitar a imagem proletaria do Lula, o seu jeito desleixado de ser como um guerrilheiro pronto a acabar com a patifaria no pais.
    Todos sabemos que em campanha, as jogadas de marketing são constantes. SDejam elas as jogadas de marketingo nos comicios de varzea ou a frente das cameras das TVs. Isso é praxe.
    Lula e sua equipe, amargaram o preço da imaturidade mas, aprenderam ou então um sabio chegou e soprou no ouvido de alguem que Lula tinha que se tornar um mauricinho.
    Mudaram seu visual. barba aparada, cabelo penteado, terno bem cortado. Deram aula de portugues, oratoria, gramatica. Aumentaram seu vocabulário. Deram tom de nobre a sua postura, o proibiram de falar palavras de ordem, manteno apenas o COMPANHEIROS, pasra não perder a ternura, como falava TCHE GUEVARA.
    Perdeu aquela grande abertura que dava aos jornalistas e outros de sutilmente o chamarem de comunista. Sutilmente tambem ressucitaram a velha e ridicula maxima de que comunista come criancinha o que assustava o povo, mesmo aqueles mais paupérrimos que tinham no terreiro tres galinhas e um galo conseguidas ao longo de anos de trabalho.
    Mudou o padrão, ganhou a eleição.
    O povo brasileiro reclama mas acena bandeirinhas, joga papel picado e o escambau quando um presidente da republica visita seu bairro ou cidade.
    Pode ter sido mentira do Collor. Pode ter sido verdade ditas pelo Boni.
    Não importa mais. Cabe mantermos acesa a chama da lição que este e outros episódios nos lega e que você, em sua crônioca, colocou muito bem.
    Em fim, realmente, a verdade pode ser dita de variasd formas. Depende de quem escreve e de quem lê, os dois acreditarem naquilo.

  12. Esse foi, sem dúvidas, o maior ataque a democracia perpretado por uma emissora de televisão de que se tem notícias. Pior até do que o AI-5. Isso porque o AI-5 ao menos não se escondia por detrás de um falso manto de liberdade. Era um bicho feio, mas mostrava sua cara. Não carregava a maior e mais poderosa arma do diabo: a mentira disfarçada de verdade.

    Collor foi errou sim, mas enquanto candidato, procurou meios pra se eleger, ainda que não democráticos, mas ele não foi a figura mais nefasta nesse episódio todo. A Rede Globo sim, enquanto instituição,enquanto concessão pública carrega essa mancha que jamais será apagada- é o verdadeiro mal e o exemplo claro da força de grupos supostamente democráticos para solapar,veja só, a democracia.

    Infelizmente é uma árvore que bons frutos não pode dar, dadas suas raízes. A Globo foi criada a partir de um golpe à democracia e assim seguiu sua trajetória através dos tempos. O “bolinhagate”,fato recente, está aí pra mostrar que ela nada mudou.

  13. isso me revolta até hoje como pode uma tv querer mandar em um pais. a globo é um mal ao povo brasileiro. e atrapalhou o crescimento do brasil e sempre apoio politicos corruptos, e favoreceu muitos outros candidatos que viraram governadores, deputados, senadores, e esses que foram favorecidos pela globo tambem a favoreceu com muito dinheiro publico e terrenos dados para a globo, empréstimos que a globo não pagou até hoje o monopolio do futebol que só atrapalha o desenvolvimento do futebol brasileiro, hoje o futebol brasileiro erá para ser igual o campeonatos europeus com o mundo assistindo a globo apoia as roubalheiras do ricardo teixeira e é reciproco favorecendo a globo fora ricardo teixeira e fora monopolio do futebol e abertura da medição de audiencia para nielsen para a medição de audiencia ser justa.

  14. Em 1989 eu era apenas uma garotinha de 6 anos. E se isso for um problema, parem de ler meu comentário por aqui. Entretanto, ainda no começo da adolescência, tive o prazer de ler o livro “Notícias do Planalto” (de Mario Sergio Conti), o qual me abriu os olhos para a política nacional. Foi com grande indignação que li aquelas páginas e comecei a me aprofundar um pouco mais no assunto. O povo brasileiro deveria, assim como eu fiz, ESTUDAR política, e não apenas ficar balançando a cabeça como fantoches e repetindo aquelas máximas “político é tudo igual”, “político nenhum presta”. Isso não é verdade. Há políticos bons e há políticos maus. A questão fundamental são os eleitores, porque enquanto se deixarem ser influenciados pela imprensa, infelizmente, nós só teremos acesso aos maus políticos. É de interesse de muitos que o povo não goste e não entenda de política. Abram os olhos! Porque esse mesmo Fernando Collor que foi eleito com um “empurrãozão” da Globo, hoje continua na política graças ao desinteresse de uma população que prefere se deixar alienar com os BBBs da vida a querer melhorar o seu país! Parabéns pelo post.

  15. Kotscho, esse episódio vergonhoso da nossa história deveria causar náuseas a todoas as pessoas de bem desse país. A que ponto chega a torpeza humana !!!!! E nosso eterno Presidente, pelo bem do nosso Brasil, ainda encontra forças e estômago pra conviver com energúmenos desta espécie. Esse aí, se honrasse as calças que veste, deveria beijar os pés de Lula implorando seu perdão, simbolizando, na verdade, um pedido de perdão ao povo brasileiro. Mas seria esperar demais de tão deprimente figura.
    Como diz o velho ditado: “De onde menos se espera é que não sai nada mesmo.” Ótima quarta-feira a todos.

  16. O impressionante foi a subida de collor, que no início daquele ano amargava apenas 7%, mas todo dia a globo lhe dava manchete transformando-o em “o caçador de marajás”. Ao lado deste bordão nas manchetes, execravam os agentes públicos que ganhavam bem mais que o povo, como até hoje; mas que se transformaram no inimigo público número 1 do povo brasileiro.
    A globo também alimentou sua discutível boniteza para ganhar o voto das mulheres, uma lástima.
    Hoje, penso isto não ser mais possível, uma vez que temos a internet para desqualificar toda e qualquer tentativa de manipulação.
    O que nunca entendi é porque depois a globo fez campanha para seu impeachment.
    Seria a mania de grandeza de collor, ao querer ser mais realista que o rei?

  17. O que Boni assume ter feito naquele debate de Lula X Collor, não foi apenas manipulação. Foi crime. Ele finalmente revelou – com essa boca que um dia a terra há de comer – o jeito Globo (e de quase todo o resto da mídia) de fazer denúncias contra partidos inimigos. Todas “comprovadas” em folha de papel em branco. Isso é um acinte ao telespectador bem informado.
    Mudando um pouquito de assunto, como a mídia nativa tem sido boazinha com os partidos amigos! Cadê a repercussão dos malfeitos de João Faustino/Serra/Kassab X Consórcio Controlar?
    Ontem no jornal da RecordNews, como sempre acontece, Heródoto Barbeiro, apertou o canto dos olhos, em seguida os esbugalhou, e bradou “Novas denúncias contra o ministro Carlos Lupi”. Esperei somente as manchetes do telejornal, e nadica de nada sobre o Consórcio Controlar. Isso já está ficando uma caso antijornalístico, haja vista que as mídias repetem o caso Lupi, por 200, 300, 400 vezes, e nada falam sobre a roubalheira nova do momento. Eu moro em uma cidade baiana de 400 mil habitantes, a única em que José Serra ganhou de Dilma, com boa diferença, em 2010. E é justamente por esas bandas por onde passo, que escuto comentários, do tipo, esse caso Lupi já está enchendo o s…., a paciência. Só que esses serristas não sabem que o caso Lupi esconde ainda mais o caso Controlar.

  18. Quase todos os comentários abaixo estão em pleno acordo com o que penso. Quando mais sou obrigada a ler essa imprensa nojenta (obrigada para tentar me defender dela), mais fico enojada. Os jornalistas citam com as bocas cheias: segundo a Folha de S. Paulo,
    segundo o Globo, ou li na revista Veja, deu no Estadão….Falam tudo como se acreditassem se tratar de verdades inquestionáveis. Acho vergonhoso, irritante. Esse Boni deveria ser chamado pelo Congreso, para se explicar.

  19. Simplesmente maravilhoso, acabei de rever o filme. Sinto-me aliviada pois presenciei parte desta historia e o sofrimento de muitos por tanta mentira veiculada. Justica seja feita. Deus tarda, mas nao falha. Ricardo ,mais uma vez obrigada por nos relembrar com a riqueza dos detalhes.

  20. Mais algumas informações. Quando Collor levou um “pau” no primeiro debate, entrou em parafuso e chamou seu irmão Leopoldo que, recomendou a contratação, “a toque de caixa”, de Chico Santa Rita para assumir a campanha. Permita-me te dizer que o grande medo do Collor, um pouco antes do 2º turno, não era o Lula e sim o Leonel Brisolla pois achava que esse último era muito mais adversário do que o Lula. Collor e sua equipe tinham certeza que o povo brasileiro não votaria no Lula mas Brisolla com sua experiência e eloquência poderia levar a eleição. No 2º turno o Collor chegou até a citar a história da filha menina que o Lula teve fora do casamento. Segundo minhas informações, Lula proibiu sua equipe de usar em público um famoso caso policial de uma garotinha assassinada em Brasilia. Voce sabe do que eu estou escrevendo. O resto da história todo mundo conhece. Hoje o Collor e a maioria dos que o apoiaram (Sarney por exemplo) fazem parte da base do governo do Legislativo. Que ironia não Kotscho???

  21. O que penso é que as empresas de comunicação, na realidade, não estão no mercado para informar, mas sim para obter lucros, por isso, não me surpreendeu em nada toda esta m…

  22. Jonas Baleia, ataca novamente. Tanto bla bla bla, para apenas finalizar como sempre: “Hoje o Collor e a maioria dos que o apoiaram (Sarney por exemplo) fazem parte da base do governo do Legislativo”. Maldito troll…

  23. …estão pagando cara por estes crimes de lesa informações, pois LULA os aniquilou perante a opinião pública. Hoje padecem no limbo da indiferença, pois poucos, apenas os eternos idiotas, ainda lhes dão créditos.
    Parabéns pela postagem Ricardo, um dos melhores ultimamente.

  24. O que o Eu gostaria de saber realmente, o porque da Rede Globo depois de passados 22 anos, fazer exatamente a mesma coisa que fez na campanha do Collor, Alkmim, Serra.
    Qual será o derradeiro e verdadeiro motivo.

  25. Regina 18h28 disse : “O que nunca entendi é porque depois a globo fez campanha para seu impeachment.”
    Seria a mania de grandeza de collor, ao querer ser mais realista que o rei ? ///// Regina, leia meu comentário de 26/11 – 23h37 no Post “Negromonte e Kassab, crias do Malufismo”. Acho que voce acertou na mosca. Ótima quarta-feira

  26. Responsável disso tudo somos nós, povo brasileiro, onde a maioria não pensa e nos deixamos ser tomados por opiniões de terceiros no caso alguns jornalistas de má fé ou polítocos, se continuar assim seremos sempre manipulados !

  27. Pardalzinho adora meus posts. Informe-se sobre a história que rolou nos bastidores, na época. E tem mais. Naquela época o PSDB ainda não existia (quase todos estavam dentro do PMDB) e houve um racha com uma parte deles apoiando o Lula (aqueles que formaram o PSDB) e outra parte (os mesmos que ainda hoje são PMDB a base do governo) apoiando o Collor. Interessante como os políticos trocam de lado e mudam de postura a todo momento. O que importa é assumir o poder e nele permanecer, custe o que custar.

  28. …Véim…como sou seu admirador, faço-lhe a seguinte advertência: voce pode ser processado e preso como cumplice destes defensores da marginalidade, que ficam aqui aos gritos em defesa desta imprensa que se confessa marginal conforme o vídeo do comentário do Jorge aí em baixo.
    Se eu fosse voce, eu os deletava todos, pois, se eles defendem bandidos teem tudo pra sê-lo.

  29. Duas coisas a nossa querida presidenta não pode se esquecer momento algum: 1º- Que o PIG é o maior inimigo do Brasil. 2º que LULA é LULA, repíto, LULA É LULA, viu minha presidenta ???

  30. Assisti ao video que o Jorge mendes likou, e pude concluir dentro dessa entrevista, e o que me assusta são os homens de paletó, só gente escolada e diplomada do marketing negativo e tendencioso, isso é uma vergonha.
    Cadê o Boriz Casoy, pra comentar.

  31. Prezado Jonas, não precisava, pois sou tstemunha ocular da história, mas procurei me informar e descobri que sim, o PSDB ja existia na época das eleições de 89: “Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) é um partido político brasileiro. Foi fundado em 25 de junho de 1988 por importantes figuras do cenário político brasileiro, como o ex-presidente (à época senador) Fernando Henrique Cardoso. Seu símbolo é um tucano nas cores azul e amarelo, e por esta razão, seus membros são chamados de “tucanos””
    Inclusive o grande Mário Covas concorreu contra Collor e Lula pelo PSDB. O ponto meu caro é que fazer parte da coalisão que governa é algo que nenhum Partido pode prescindir. A alternativa a isso chama-se Ditadura. E nós não queremos isso, certo? Abraços.

  32. Renato – 30/11/2011 – 05h24
    ”Cadê a Regina Duarte????
    A MEDROSA ainda não foi localizada !!!
    Ah! A Plim-plim deu asilo !!!”
    Viu só Kotscho?
    Por mais que queiramos, não é possível não ser repetitivo, pois ao que parece, há quem, ou não viu nada, não sabe de nada ou estava noutro Planeta à época dos fatos.
    A época, a fala da Regina Duarte representava o temor de toda a sociedade diante do programa radical original do PT, o qual prometia uma completa estatização do sistema bancário e uma radical reforma agrária que acabaria definitivamente com o latifúndio. Ou seja, pregava-se uma ”ruptura total com tudo isso que está aí”, no linguajar do ultrarrevolucionário Zé Dirceu e dos petistas do alto escalão. O medo se implantou diante da possibilidade de uma nova Cuba Continental na América Latina.
    Mas, o medo foi, aos poucos, dando lugar à perplexidade diante do compromisso assinado pelo candidato Lula em junho de 2002, onde ele garantia ao povo, ao mercado financeiro e aos credores que, se eleito cumpriria todos os contratos assinados e, o mais importante, o candidato Lula falou o que o mercado financeiro queria ouvir: ”Não faremos nenhuma doidura heterodoxa na economia”. E não fez mesmo.
    Entendeu Renato?
    Não foi a Regina Duarte quem mudou nada, e muito menos ainda a TV Globo. Quem mudou, da água para o vinho foi o PT no governo.

  33. Vi na TV recentemente, um partido dizer que o PT está há oito anos no poder e não faz nada. Isso me da nojo, não se mostra um projeto de como fazer algo ou novas idéias, só fazem fofocas, uma politiquinha sem norte. Os fofoqueiros esquecem que poderiam ter feito coisa melhor em sua época. Color chamou um jornalista de idoso e garantiu que era ele quem iria ”governar” São Paulo perante ao púlico na TV. Um comportamento gosseiro para quem era tão pretencioso. Aqui não vilão! Aqui é São Paulo!

  34. Na verdade, e esta é a verdade, se o tal PIG existisse com tanto poder que lhes inferem seus criadores, o PT não sairia jamais do poder. Nunca, nenhum segmento da elite empresarial foi tão beneficiada pelo sistema capitalista como no atual governo. E isso é bom. Muito bom mesmo! O que se faz, e isso também é muito bom, é frear o ímpeto autoritário dos radicais que ainda rondam o governo em cargos de menor importância, mas sempre com suas ideias delirantes e malfazejas, como a obsessão pelA censura à imprensa livre. O que a elite dominante sonha é com o anestesiamento —por qualquer via— dos chamados revolucionários formados por multidões de passeateiros que, em questão de horas podem obstacularizar qualquer governo que não lhes sejam simpáticos.
    Os ditos movimentos sociais estão envolvidos com suas ONGs milionárias e já não protestam como antes. Essa semana, em Natal, a presidente Dilma assinou contrato da privatização de alguns Aeroportos e, ao que se saiba, nenhum estatizante barbudinho apareceu por lá para atropelar a festança dos grandes grupos empresariais que assumirão o controle dos Aeroportos. É isso que interessa aos verdadeiros capitalistas.

  35. Ricardo, li e reli o q o velhinho escreveu no seu Blog, eu também tenho saudades daquele tempo, em q o povo saia as ruas faziam greve eu disse povo, e nos eramos chamados de baderneiros, arruaceiros, e mais alguns adjetivos q são impublicaveis.
    Paou-se o tempo agora eu sei q aquilo q nos faziamos era muito bom, e bota bom nisso, por incrivel q pareça ate a classe dominante no Brasil e outros países q são os mais adiantados do mundo, é isso q a classe “dominante” estão aderindo. passeatas, greves, sera q eles descobriram o q o povo fazia era bom e eles ñ sabiam, ou estão imitando os paises do primeiro mundo.
    eu digo isso porq eu fui numa dessas passeatas da Paulista, mas era muito diferente, tinha cheiro de perfume frances, todos bem vestidos, vi q ñ era meu lugar, pois naquela epoca tudo cheirava graxa, suor, as pessoas vinham a pé das periferias, ou de onibus lotados, elas ñ estacionavam seus carrões, as faixas deles eram bem feitas fabricadas, as nossas eram de papelão, com varias palavras de ordem conforme suas origens,
    Ha como eu tenho saudds,
    E a coisa era boa mesmo q ate exportamos, hoje na Europa nos estão imitando, e veja bem até nos EUA. eu acho q nos estavamos certos.

  36. Todos tinham medo do Lula ganhar, achavam q ele acabaria com os corruptos, com as maracutais, enfim com tudo aquilo q nós conhecemos muito bem, e q já até faz parte da nossa cultura… Daí num passe de mágica “o cara” ganha… e tcham tcham tcham tcham… nada… tudo continua exatamente como antes, era só blá blá blá… Ufaa! que alívio, deixem eles lá, pois não cheiram e nem fedem!
    Eu confesso q num primeiro momento pensei q fosse ser diferente, mas jogaram água na minha fervura!

  37. Foi a campanha polica mais bonita que ja vi. Trabalhei muito naquela campanha. E gastei dinheiro tambem. Naquele tempo a propaganda do PT era toda vendida. Comprei centenas de estrelinhas, camisas, bandeiras e outros simbolos do PT para doar aos amigos. No final da campanha o material acabou. A procura era grande e não tinhamos nada para ofertar. Se o Lula tivece ganhado a eleição em 89 a historia do Brasil seria outra. Se o Lula tivece ganhado ele governaria sim. O eleitor estava preparado para garantir a permanencia do governo. O povo estava organizado. Qualquer movimento contrario sairia milhões de militantes as ruas para garntir a permanencia do governo.

  38. E por que o Lula ficou tão abatido quando soube das supostas pastas cheias de denuncias do Collor ?
    Afinal quem não deve , não teme.
    Mas na verdade, a Globo jamais deixaria o Lula ganhar aquela eleição. Fraudaria até os votos, se fosse preciso, como fez com a eleição para governador de 82 no Rio, onde ajudou a roubar votos para o Moreira Franco, no famoso caso Pro-consult.
    Eu disse aquele Lula de 1989. Já o PT e o Lula de hoje ( a voz é a mesma, mas a ideologia, quanta diferença !), é a legitima “esquerda” que a direita gosta, como diria o inesquecível e indispensável Leonel Brizola.

  39. Para mim do último debate entre Collor e Lula ficou uma frase que este disse no final, por sinal, profética: “Mas todos vão ver que o nosso famoso caçador de marajás não passa de um catador de maracujá”. Dito e feito. Proféticamente, Lula acertou em cheio no que ia dar o Governo Collor.

  40. As famosas cartadas finais em disputas eleitorais, vem com um emaranhado de armadilhas para a grande massa populacional, o que traz consequentemente à escolha de maus representantes.

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