Médica denuncia hospital em São Sebastião

Médica denuncia hospital em São Sebastião

Caros leitores,

no dia em que o Balaio completa seu primeiro mês no ar aqui no portal R7, agradeço ao pessoal da Agência África a renovação do contrato de patrocínio da Vale, até o final do ano.

Nesta manhã de quinta-feira, dia 23, viajo daqui a pouco para a Serra da Moeda, em Minas Gerais, onde vou encontrar os outros grupos de oração para o nosso retiro ecumênico anual de reflexão e meditação. Volto no domingo.

Bom feriadão a todos.

Abraços,

Ricardo Kotscho

***

Gosto muito da internet, entre outros motivos, por causa disso: até a família ajuda.

Recebi,  agora há pouco, e pelejei para copiar e colar aqui no blog, com a ajuda da minha mulher, Mara, um texto enviado pelo meu irmão, Ronaldo Kotscho, o popular Alemão, da ESPN, também velho jornalista.

Ele me mandou e pediu para publicar aqui no Balaio um corajoso desabafo da médica  Janete Martinez Peres (CRM 56515), do Hospital das Clínicas de São Sebastião, cidade histórica do litoral norte de São Paulo, onde ele mora atualmente.

Na semana em que o governo paulista descobriu que tem 50 médicos do serviço público ganhando sem trabalhar, incluindo o ex-Secretário de Esporte, Lazer e Juventude, o neurocirurgião Jorge Pagura, e mandou fazer uma investigação, com prazo de 60 dias, para descobrir o que está acontecendo nos nossos hospitais, reproduzo abaixo, sem nenhum comentário, por desnecessário, o testemunho da médica Janete Peres, publicado no jornal “Imprensa Livre”.

Desabafo

“Há 22 anos, tomei uma grande decisão. Deixei São Paulo e vim morar no Litoral Norte. Estudei muito e fiz residência em saúde geral comunitária, pois sabia que viria para uma região que necessitava de profissional médico com vivências em todas as áreas básicas, embora ginecologia e obstetrícia fosse a minha melhor formação.

Acertei na decisão. Aqui conheci meu marido _  estamos juntos há 18 anos _, fiz minha casa, ganhei uma filha linda, tenho grandes amigos e conquistei meu espaço profissional.

Nestes 22 anos, muitas coisas mudaram para melhor: o acesso ao litoral, nossas estradas, a travessia da balsa, praias urbanizadas, novas escolas, entretenimento, shows, eventos gastronômicos e culturais _  ainda temos muitos problemas, mas, sem dúvida, viver aqui é bom.

Sinto, porém, que a beleza do mar, toda a natureza exuberante que nos cerca e o preparo constante para a “temporada”, tem nos tornado apáticos, indiferentes e paralisados diante de um grande problema.

Posso afirmar, sem medo de ser injusta, que São Sebastião encontra hoje, no seu único hospital, um “desserviço” à população, pois ali está sua única saída numa emergência ou num procedimento médico qualquer. Reajam, cidadãos de São Sebastião!

Não é possível que uma cidade maravilhosa como esta, com um dos maiores orçamentos do maior e mais rico Estado da nação, que recebe turistas de todos os níveis, tenha como única estrutura hospitalar o Hospital de Clínicas de São Sebastião.

Trata-se de um prédio construído há mais ou  menos 80 anos, com acomodações arcaicas, onde as enfermarias mais parecem um deposito humano (grandes salões com várias camas e um único banheiro), contrariando todas as normas técnicas sanitárias e de privacidade do paciente e seus familiares.

Nestes 22 anos que aqui estou, e há 18 anos trabalhando neste hospital, vejo a cada dia sua decadência, sua degeneração e seu atraso a passos largos.

A UTI, que foi o grande e último avanço, hoje está sucateada, trabalhando sempre em sua capacidade máxima. Apesar do esforço de seus profissionais, que, vez ou outra, perdem seu mentor, o médico que a montou, por ser uma pessoa polêmica, está demitido por fofocas e maledicências, nunca levando em consideração a perda da qualidade do serviço.

Saiu a Solus, saiu a Acqua, deixando um rastro de calote. O PSF não recebe salário (abril ainda não foi pago), a Solus não entrega nossa declaração de rendimentos, atrasa o faturamento do hospital, não se credenciou nos convênios, atrasou os repasses aos médicos. Não investiu em nada no hospital (fui passar visita num apartamento e o marido da minha paciente que pagou pelo parto estava dormindo no chão), temos serviço de hotelaria zero.

Agora temos um interventor e um secretário de saúde que assumiram o hospital. São  amigos de longos anos, companheiros. O secretário é meu colega, mas percebemos que não têm autonomia, não dispõe de recursos, não consegue implantar uma linha de gestão.

Cenário de um plantão meu na maternidade: não havia luvas, faltavam fios, tesouras que não cortam, pinças que não pinçam, médico-obstetra fazendo 11 cesáreas num dia,ultrapassando todos os limites de desrespeito ao atendimento materno-fetal.

No dia 15, dia de pagamento dos médicos, recebi $ 400 por um mês de trabalho porque os repasses do governo federal dos partos e cirurgias que fiz não chegaram à conta de quem trabalhou duro.

Conclamo: vamos reagir! Vereadores, comerciantes, estudantes, médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, todos enfim, cidadãos de São Sebastião: vamos exigir uma solução técnica, decente e imediata para o nosso único hospital. Pergunto diariamente: afinal quem manda, quem decide neste hospital?

Dra. Janete Martinez Peres (CRM 56515)”.

Com a palavra, o governo do Estado de São Paulo.

7 thoughts on “Médica denuncia hospital em São Sebastião

  1. Olá Ricardo….
    Fiquei feliz pelo repasse que nosso amigo e seu irmão Ronaldo fez a vc das denuncias que a médica ginecologista de São Sebastião-Litoral Norte/SP faz sobre o Hospital de Clínicas local…. realmente estamos vivenciando um clima de terror sobre os problemas apresentados e com impactos penosos para os munícipes ou mesmo aqueles que de passagem por nosso município se faz valer dos serviços médicos, tanto do hospital como dos PSs. Infelizmente vemos tb o descaso das autoridades do Judiciário, Legislativo, PF, Polícia Civil em procurar e vir a saber da verdade dos fatos, mesmo com a autenticidade documental que é apresentada. Sr. Ricardo, faça valer nossos direitos e denuncie tb à mídia falada que V.Sa. representa… uma cidade com um orçamento de mais de 300 milhões/ano e a saúde agonizando… obrigado pela sua atenção… Abraços!!!

  2. Kotscho e Dra Janete, enquanto todo esse descalabro acontece, nosso Augusto Soberano, Geraldo Primeiro e Unico, desempenha impassível o papel de Principe Imaculado da Pedagiolândia, solenemente ignorando a avalanche diária de denuncias de corrupção em seu governo.
    Robson, aproveite mais esse oportunidade pra elogiar o tucano Alckmin. Faça uma forcinha que voce consegue.
    E pare de fingir-se de acusado, ofendido, insultado, etc….
    Não seja ridículo. É voce que me chama de petralha e bobo da corte.
    Pare de choramingar porque os siameses estão se desintegrando.
    Voce devia estar feliz, já que tenta, sem sucesso, convencer a todos nós que odeia politicos de todos os partidos, que não vota em ninguem e blá blá blá blá blá blá . . . . . . .
    Politico “é” tudo igual, Robson ?
    Não é o que se constata nos seus comenários aqui no Balaio.
    Um ótimo feriado a todos.

  3. Boa tarde RK e a todos os comentaristas.
    É impressionante como está estagnado o serviço público no estado de São Paulo. Na saúde, fraudes mil, desatenção total do governo, como narra a médica (poucos profissionais tem a coragem de denunciar como teve essa respeitável senhora), na educação está a costumeira promessa de melhores salários, que sequer cobre a inflação anos à fio, sempre oferecendo ”merrecas”, bem ao contrário dos vencimentos dos políticos, o mesmo ocorre na Segurança Pública, onde se vê enorme quantidade de contingente em verdadeiros ”desfiles”, aparato de viaturas e policiais, exibidos na TV e a criminalidade campeando cada vez mais. Ainda ontem vi a notícia de que marginais roubaram um carro na capital/ SP, com o qual foram fazer assalto no município de Botucatú/ SP. Vejam quantos quilometros trafegaram com esse carro, passando inclusive por praças de arrecadação de pedágios, pagando esse tributo, segundo a notícia, pois deixaram os comprovantes respctivo no veículo. Então para que tanto aparato policial? Mas, podem crer, policiamento não existe nas estradas para tirar esses marginais de circulação, mas os radares fotográficos estão apostos para ”faturar”. É como sempre digo: Se nos locais dos radares estivessem guarnições de policiais com viaturas e/ou duplas de motocicletas, teríamos as rodovias mais seguras do país, estando estes combatendo as mais diversas modalidades de crimes, como roubo de cargas e caminhões, direção perigosa, tráfcos de armas, drogas, crianças, até de cadáveres para ”desova”, de reféns, vítimas de sequestros, etc, etc.
    Mas, assim procedendo, fatalmente ”faliria a indústria das multas” e esse é o grande impecílio para combater o crime. E…continuamos
    ”pagando mico” e ”engolindo sapos”. É necessário que nós do povo, enxerguemos isso e nos movimentemos em protestos, por todos os canais de comunicações.

  4. Esqueci de dizer: A presença a policia nas rodovias em número suficiente, faz com que os condutores de veículos não excedam a velocidade, evitando assim acidentes, lesões corporais e óbitos nas estradas. Somente autuações (eletrônicas) sem parar e conscientizar o condutor infrator, apenas ”enche os cofres do Estado”.

  5. Ricardo,

    Providencial esta postagem. Se todos os médicos se unissem e colocassem na midia, toda a sua indignação em vez de sairem do estado, não quererem entrar para o estado a não ser se for através das forças armadas, seja federal ou estadual, ignorarem o lado sacerdócio que é a medicina, teriamos com certeza hoje uma saude mais estavel em todo o pais.
    Acho simplesmente incrivel as coisas que acontecem na saude publica. É impossivel que nossos politicos, responsaveis diretamente por este setor não possam se sencibilizar com este descarado desleixo.
    È em todo o país! De norte a sul encontramos esta vergonha. Me leva a pensar que os planos de saude fazem um loby em Brasilia para que continue a saude publica uma droga.
    Botar a boca no trombonew sempre, sem esmorecer até que um dia, São Lucas interfira e aconteça uma dádiva em nossa saude publica!

    Bom retiro!!!

  6. Os paulistas ainda não descobriram que a melhor forma de ter melhores serviços públicos, corrupção combatida, mídia e instituições como o sonolento Ministério Público e o inépto TCE perseguindo os corruptos e os ineficientes é eleger prefeitos do PT. Quando o prefeito é de outro partido que não o PT, o corrupto é poupado e até louvado pela mídia; o MP dorme a sono solto; o TCE faz no máximo “ressalvas” às contas; o judiciário torna nulas quaisquer provas de corrupção.

  7. Infelizmente é isso que se vê em nosso país e não só em S. Sebastião , dinheiro arodo tem para os estádios de futebol , e mais na surdina ainda , agora para saúde , segurança , educação não tem verba , que belos politicos temos , são a vergonha nacional e não é o povo que não sabe votar , o que falta é opção de candidato são todos farinha do mesmo saco .

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