"Realidade": os 20 meses que revolucionaram a imprensa

"Realidade": os 20 meses que revolucionaram a imprensa

Atualizado às 10h40 de 12.12

Caros leitores,

estou em Fortaleza neste belo domingo de sol, cercado de amigos, e daqui a pouco vou enfrentar uns caranguejos na praia. Vim para cumprir dois compromissos nesta segunda-feira. Das 11 às 13 horas, participarei de um debate, promovido pela rádio CBN e jornal O Povo. Às 19 horas, farei uma palestra sobre as perspectivas do país para o próximo ano, organizado pela empresa de comunicação VSM, do meu velho amigo Marcos André. Volto na terça.

Bom domingo a todos.

Abraços,

Ricardo Kotscho

***

Durou pouco, mas “Realidade” (1966-1976) marcou para sempre o jornalismo brasileiro. Na verdade, a grande revolução promovida pela revista na imprensa escrita, em plena ditadura militar, durou apenas 20 meses, de abril de 1966 ao final de 1968, quando o Brasil entrou nas profundezas do Ato Institucional Nº 5, e acabaram-se as liberdades todas.

Até hoje, porém, “Realidade” continua “cult”, tema de incontáveis teses acadêmicas e da curiosidade dos estudantes que querem saber como o Brasil foi capaz de produzir numa determinada época esta revista que parecia de outro mundo.  

Como “Realidade” era uma publicação libertária em todos os sentidos, a revista foi morrendo aos poucos, depois da diáspora de dezembro de 1968, quando saiu toda a equipe que a criou. Meu grande sonho na época era trabalhar lá, mas não deu tempo. 

Alguns ainda voltariam depois, em 1969, como José Hamilton Ribeiro, até hoje em atividade como repórter do “Globo Rural”, e José Carlos Marão, outra estrela da companhia, colaborador do “Observatório da Imprensa”, mas o sonho já tinha acabado. Os dois são os autores de “Realidade Re-Vista” (Realejo Editora), um livro belíssimo, com lançamento marcado para o próximo dia 20, em São Paulo.

Como sou amigo deles, e não estarei no Brasil neste dia, tive o privilégio de receber os originais ontem à tarde, um catatau de 432 páginas, que a gente não consegue parar de ler. Claro que ainda não li tudo, mas me deu vontade de escrever logo, antes que eu me esqueça de dizer alguma coisa sobre o encantamento que me proporcionou esta obra-prima.

Para quem gosta de reportagem como eu, é como oferecer salsicha pra cachorro. Nem sei por onde começar, então vamos começar do começo mesmo, com um trecho da carta do editor, José Luiz Tahan, outra grande figura, de quem fiquei amigo no lançamento de um dos meus livros em Santos, onde ele tem duas livrarias e promove a “Tarrafa Literária”.

Melhor é deixar o próprio Zé Luiz contar como nasceu este livro, num encontro em 2008. “Quando tomávamos um cafezinho no centro histórico, o Zé (Hamilton Ribeiro) lançou uma pergunta que virou um desafio pela entonação. Ele falou assim:

_  Zé Luiz, você encara editar um livro? Eu tenho uma ideia, mas dependo de um grande amigo, o Marão, mas não sei, não. Você vai ter que me ajudar a convencê-lo, ele tem que escrever comigo, temos que ir ao encontro dele.

Assim surgiu o “Projeto dos Três Zés”, ao qual se incorporou Lígia Martins de Almeida, mulher de Marão, responsável pela pesquisa e edição do livro, que conta também com um making off das reportagens. Políticos, lugares, milagres, mulheres, pereconceitos, jovens, costumes, medicina, gente em geral, guerras _ tudo era pauta para “Realidade”.

As reportagens transcritas no livro são quase todas da dupla Zé Hamilton e Marão (parece nome de dupla sertaneja…), trazendo alguns “artistas convidados”, todos já falecidos, com um texto de cada um: Narciso Kalili, Sergio de Souza, Eurico Andrade e Paulo Patarra.   

“As celebridades _ que garantem as vendas das revistas semanais _ nunca foram um prato predileto” da revista, escreve Lígia na abertura do Capítulo 9 – “Gente simples, gente boa, gente brasileira” _ que, para mim, é o filé do livro.

No texto de apresentação _ “Por que falar de Realidade?” _, José Carlos Marão, que se aposentou e hoje vive na bela e tranquila Águas de São Pedro, no interior paulista, conta que muitos dos estudantes que procuram os jornalistas sobreviventes daquele dream team, como eles mesmos se qualificavam, “não se dão conta de que muito do comportamento atual _ como a liberdade para namorar ou ficar, o desprezo pelo tabu da virgindade, a igualdade dos direitos da mulher, a possibilidade de casar, descasar, casar de novo _ começou a despontar como mudança de comportamento no período 1966-1968″.

Marão procura mostrar este lado da história porque “os trabalhos universitários estão muito concentrados em uma eventual postura de resistência da revista ao regime de exceção”. Ele explica: “A criatividade na pauta e na finalização mostrava uma revista contestadora e irreverente, mas que nunca foi para o confronto (…).

Marão cita um dos melhores trabalhos acadêmicos, a tese de mestrado de Adalberto Leister Filho, que chama “Realidade” de uma “revista de autores, em contraposição às fórmulas pasteurizadas que viriam a seguir nas revistas semanais”.

Com tanto que já foi publicado em artigos, livros e teses de doutorado, Marão se pergunta: por que voltar ao assunto?”. E responde: “É simples: ainda falta mostrar a influência da revista na mudança dos costumes no Brasil, a mudança na maneira de fazer jornalismo, como tratava cada tipo de assunto e o estilo individual de seus repórteres-autores”.

Os bastidores, as receitas e os segredos desta história estão contados no texto “Vida Paixão e Morte de Nossa Senhora de Realidade”, que eu gostaria de reproduzir inteiro aqui, mas é coisa de livro mesmo, não cabe num blog. Mestre dos perfis publicados na revista, ninguém melhor do que Marão para escrever esta reportagem com o perfil de “Realidade”.

Só para dar uma palha, a parte que mais me chamou a atenção, e que eu não conhecia, mas recomendo aos jovens jornalistas, é aquela em que ele fala da relação dos repórteres com os leitores: ” Paravam em todas as bancas (…) Sorridentes, os jovens jornalistas da equipe de “Realidade” acompanhavam a venda de revistas (…) Conversavam com os leitores, “sentiam” o leitor, sem a frieza das pesquisas.

_ Por que o senhor comprou esta revista?

_ É boa esta revista? O que tem de bom aí?”

Sem querer colocar um disco de bolero na vitrola, mas podemos imaginar hoje em dia um jornalista indo às bancas para saber o que o leitor pensa do seu trabalho? Alguém está preocupado com isso?

Os dois autores são caipiras paulistas: Zé Hamilton, de Santa Rosa do Viterbo, e Marão, de Ourinhos. E têm a mesma origem profissional:  trabalharam juntos na “Folha de S. Paulo” antes de chegar à “Realidade”.

Na abertura do livro, coube a Zé Hamilton fazer um retrato da época em que a revista foi lançada: abril de 1966. O país só tinha duas revistas semanais de circulação nacional _ “O Cruzeiro” e “Manchete” _ um número muito maior de jornais diários do que hoje  e uma televisão ainda incipiente.

“Chegou a revista que faltava”, era o mote da campanha de lançamento. Era ano de Copa do Mundo e a primeira capa foi um Pelé sorridente ornado com o chapéu de guarda da rainha da Inglaterra. O Brasil dançaria na Copa, mas a capa fez o maior sucesso, servindo para mostrar que “Realidade” era realmente uma publicação diferente de tudo o que se conhecia até então na imprensa brasileira.

“Nesse mês de abril, a Revolução (ou golpe de 64) completava 2 anos”, registrou o repórter. Já havia muitos descontentes, até entre os que haviam apoiado o golpe, como o ex-governador paulista Ademar de Barros, que falou à “manchete”:

“O segundo aniversário da Revolução não será data festiva. Será dia de lamentações. Lamentações no seio da família democrática brasileira. Lamentações no cemitário das liberdades extintas”.

Pouco tempo depois, Ademar seria cassado junto com Jango, Juscelino, Jânio, Brizola, Carlos Lacerda… Naquela época, não se ouvia tantos valentes defendendo a liberdade de imprensa, que ainda havia, até ser extinta por decreto no dia 13 de dezembro de 1968, quando se deu o golpe dentro do golpe, e acabou o sonho da “Realidade”.

É muito bom o livro relembrar o que aconteceu naquele tempo para mostrar o papel de cada um nesta história _ para que ela não se repita. Em sua última fase, quando a Editora Abril reduziu o tamanho da revista e tentou imitar o formato e o conteúdo da “Seleções” do Readers Digest, “Realidade” já era um fantasma de si mesma, sendo enterrada oficialmente no mês de março de 1976. Não eram bons tempos, aqueles. 

Vale a pena percorrer este livro até a última página, onde se fala sobre os septuagenários revolucionários e da sua amizade de mais de 50 anos, fechando com uma foto atual, que resume a dignidade de duas vidas dedicadas ao jornalismo.

Em tempo:

O Movimento SOS Parque da Água Branca promove neste domingo um bingo para angariar recursos destinados ao pagamento de despesas da entidade na defesa desta área verde: elaboração de laudo técnico, cópias de documentos e assessoria jurídica. 

“Bingo! Com café, quitandas e quitutes”, promete o convite que me foi enviado. Como estarei em Fortaleza neste final de semana, repasso o convite aos caros leitores do Balaio, que têm acompanhado a luta deste movimento.

O bingo será na casa da Maria Laura, das 15 às 19 horas. Endereço: rua Lomas Valentinas, 432, Alto da Lapa. O ingresso custa R$ 30,00, com direito a uma cartela.

36 thoughts on “"Realidade": os 20 meses que revolucionaram a imprensa

  1. Curioso, essa semana, mexendo no meu armário, encontrei alguns numeros do Pasquim, de 1969 e 1970.
    Lia, também, naquele tempo, a revista Realidade. Estava justamente pensando nelas, perdi todos os numeros e hoje gostaria de reler os artigos de faziam nossa cabeça. Transmimento de pensação, diriam alguns…
    Bem, pra vc boa viagem e se ver o Mickey por lá… não diga que ele está fora de moda

  2. Revolução de costumes! Ótima expressão que define perfeitamente esta revista. Muito mais importante que o engajamento e o confronto, a revolução nos costumes é duradoura, é factual e abrangente, modifica e melhora a vida de milhões de pessoas, enfim, fomenta a evolução social. Mal posso esperar por este livro, eu adorava esta revista.

  3. Caro Kotscho

    Eu era criança no tempo desta revista mas me lembro bem da capa com o Pelé de “capacete de almofada” dos guardas da Rainha. Meu tio Nestor era leitor assíduo da Realidade e depois de muita insistência minha acabou me presenteando a edição que tinha na capa o palhaço Arrelia de quem eu era fã.
    Que diferença hein Kotscho ?
    Antes era o Arrelia e hoje é o Tiririca !!!
    Antes era a Realidade e hoje é a Veja !!! ( que vai para a história da imprensa brasileira como o seu lixo mais putrefato !!! )

    Sobre o José Hamilton Ribeiro eu sei que também foi ( assim como você ) um dos grandes amigos do Gil Passarelli ( avô da minha esposa ) e pena que só pude conhece-lo no dia do velório do Gil mas sei muito da sua história. Perdeu a perna no exercício da profissão cobrindo a guerra do Vietnã !!! Exemplo de jornalista !!! Exemplo de ser humano !!! Exemplo de brasileiro !!!
    Assim que sair vou ler o livro !!!

    Em tempo: Ainda não li o livro dos meninos Mauro Junior e José Roberto de Ponte: “Lugar de repórter ainda é na rua _ O Jornalismo de Ricardo Kotscho”. Está na frente da fila dos que quero ler para aprender mais e cada vez melhor DO QUE FOI UM DIA essa extraordinária profissão de JORNALISTA !!!

  4. Boa postada, essa

    Lendo quando sobra tempo

    Escrevo a continuação de algumas historias que esta sendo transformadas em historia que um dia poderá virar um livro para ir ao cinema, entre elas as mais, quentes

    Uma historia Bruxo de Benjamin Constante

    Outra do Xixi na salada do X salada com o Titulo Você e Mane se faz Xixi na calçada…

    Você e um, mane

    Você e um, mane se faz xixi na calçada, é sem educação

    Ser humano precisa ser repensado, do zero novamente

    Precisa mais que isso depois de deixar boa parte da população como manes e bobos na corte

    Roteiro abaixo pode ajudar como usar as sandálias da humildade

    Com essa iniciativa inteligente, parte foi enviada para FHC foi em outra língua

    http://colunistas.ig.com.br/poderonline/2010/12/08/fhc-o-psdb-precisa-calcar-as-sandalias-da-humildade/#comment-45604

    Porque a praça ta cheio de manes professores manes alunos manes clientes dos bares sai do bar fazendo xixi

    Nas calçadas nas portas dos comércios parecendo cachorros que deixaram de ser manes treinados pelas madames no lugar ficou as crianças abandonadas pela nossa sociedade

    Iniciativa inteligente demora, mas nunca e tarde para começar a reverter essa parte que nos mesmos produzimos induzindo, nossos descendentes a virar manes da vida real fazendo isso tudo em publico, em qualquer lugar do mundo, ta cheio, de manes

    Isso por falta de termos levado tudo da vida real para as salas de aulas de todas as escolas

    Esse projeto idealizado pela ficção escrito por mim ignorado pelos manes da política das instituições diversas, não só merecem esse nome por não ter aceitado isso, como os demais projetos, segundo o vidente conselheiro particular do Dr. Roberto Marinho e de muitas personalidades pelo mundo disse, disso tudo da ficção, um dia será realidade

    Fim das favelas, fim das esmolas, fim dos camelos etc. e a solução junta

    Nas creches nos jardins de infância todas as coisas em fotos com nome querem aprender todas as línguas

    No primário em desenho animado

    No ginásio em videogames

    No colegial ou semelhante desenvolver todas as idéias levando para os cinemas

    Isso no como uma medida de prevenção tomada antes durante, e não depois de tudo acontecer em todas as coisas

    Isso foi idealizado pela ficção levado aos políticos o seguinte agregar em todas as delegacias departamento de terapia psicológica para atender as pessoas antes durante, e não depois de tudo acontecer

    Incluir além desses manes os manes donos e sócios de bares que fazem barulhos com bandas que tocam com as caixas de sons que em vez de ficarem viradas com o som para fora, deviam deixar viradas para dentro do próprio comercio em direções aos manes donos e sócios desses comércios

  5. Gostei da lembrança do Eurico Andrade, o Euriquinho e sua risada inimitável. Creio que até foi premiado na Realidade

    Os “jornalistas que as faculdades criam” deixam muito a desejar quando comparados com os da “velha guarda”…infelizmente.

    ACESSEM UM LIVRO DESSA HISTÓRIA NO GOOGLE LIVROS: É totalmente FREE.

    “REVISTA REALIDADE 1966/1968 – Tempo da reportagem na imprensa brasileira” 292 p[aginas

    http://books.google.com.br/books?id=sOP_WZUD3CQC&printsec=frontcover#v=onepage&q&f=false

  6. Kotscho, dessa revista lembro-me de algumas reportagens fantásticas:
    1- A influência do Corinthians na proodução do ABC;
    2- A reportagem de Oriana Falacci na guerra do Vietam, onde ela entrevistou um texano que ganhava $ 500,00 por dia e que se terminasse a guerra ele iria fazê-la em outro lugar, pois nunca havia ganho tanto dinheiro na vida. Todo dinheiro que ganhava reenviava ao EUA e que os pais já tinham comprado 3 ranchos no Texas com o dinheiro dele.
    3- A entrevista de Nikita Krushev, desmistificando o John Kennedy, que o ameaçou de cobrir o céu da Rússia com foguetes, caso não retirasse os mísseis de Cuba. Kruschev disse que o Robert Kennedy (que depois também foi assassinado) foi até a embaixada russa implorar por uma negociação e que Krushev exigiu que o EUA instalasse uma linha telefonica entre os dois; o que foi feito e que passou a chamar-se “hot line”!
    Essas são algumas reportagens que me lembro dessa revista.
    Quanta diferença da Abril de hoje!

  7. Uma dúvida, Ricardo: o Audálio também passou por lá?
    (E daqui da Holanda, envio um abração ao mestre Zé Hamilton, do tempo em que jornalista era alguém que perguntava…)

  8. Espero que este livro faça tanto sucesso quanto a revista quando lançada. Ainda tenho os números dos dois primeiros anos e alguns após. A capa com o José Hamilton Ribeiro no Vietnã, a da menina chorando, a das misses(um manequim desconjuntado) e outras são de uma competência e criatividade raras nos dias de hoje. E eu conheci o Narciso Kalili nos tempos do Ex-, na época do assassinato de Wladimir Herzog. Livro essencial.

  9. Olá Ricardo, senti que você fica bastante emocionado em narrar esses fatos históricos; de vez que Você viveu como ninguém esses momentos marcantes e decisivos da história do Brasil. Pois havia poderosas forças sociais e políticas interessadas nesse embate: o proletariado urbano; as massas rurais(despertando de letargia secular); segmentos importantes das classes médias(especialmente a burocracia do estado, incluindo a militar); a burguesia nacional.

    A estratégia foi montada em torno das “reformas de base” – transformações estruturais na agricultura, na terra urbana, no regime bancário, na tributação – todas voltadas para fortalecer o poder do Estado brasileiro no mercado capitalista.

    Os trágicos acontecimentos de abril de 1964 encarregaram-se de demonstrar o equívoco da tese. Mas, há quarenta e quatro anos, ela não era assim tão evidente, pois as posições defendidas por vários industriais de peso davam a impressão de que havia uma contradição insanável entre os setores nacionais e os setores multinacionais do capitalismo brasileiro. E a esquerda(a qual eu pertenço) ansiava por conquistar o poder político e, a partir dele, fazer as reformas estruturais que permitiriam ao Estado brasileiro comandar a fase seguinte, do desenvolvimento industrial.

    Hoje, felizmente ou infelizmente, a esquerda brasileira virou Situação.

    Deve-se lembrar que, tendo realizado com êxito um processo de industrialização por substituição de importações de bens de consumo, a economia precisava avançar, na direção de bens intermediários e de bens de base. Esse novo patamar requeria maiores escalas de produção e maior volume de capital.

    Acredito, eu, que, desde o Plano de Metas do governo JK. No começo do anos 60, o adiamento dessa decisão já adquiria contornos de crise econômica, social e política.

    Pergunto-lhe: como vive hoje o proletariado urbano, as classes médias e a burguesia nacional?

    – E onde foram parar os investimentos da Saúde, da Educação e do Saneamento básico? que são os setores prementes para o desenvolvimento de qualquer país?

    – Até a próxima. Se Deus quiser.

  10. A ESPERANÇA FERMENTO DO MUNDO

    1. É preciso que o mundo envelheça
    pra como criança a vida brotar.
    É preciso mudar os caminhos
    pra que as coisas não voltem pro mesmo lugar.

    A esperança é o fermento do mundo
    que é pão e a todos deve alimentar.
    Nós queremos que ele se torne
    O corpo de Deus num só altar

    2. É preciso que a gente entenda:
    o tempo é passageiro, não fica jamais!
    É preciso cortar as raízes
    ir sabendo que nada é certo demais.

    3. É preciso saber que a verdade
    não anda tranquila, não tem mais poder
    É preciso abrir bem os olhos
    para vê-la sofrendo, porque quer viver

    4. É preciso voltar ao princípio
    Viver é tão simples! Feliz é quem crê!
    É preciso buscar a alegria
    nestas coisas pequenas que o mundo não vê.

    5. É preciso quebrar as barreiras
    que impedem a vida de desabrochar.
    É preciso, com olhos humildes,
    ver que tudo é areia: só Deus é o mar.

    6. Os dominantes desta Nação,
    empacotam o trabalhador,
    congelando seu salário,
    aumentando sua dor.

    7. Sem saúde, e sem educação
    não existe cidadão!

  11. Permitam-me mudar de assunto. Leio no Último Segundo sobre a mudança e lançamento das cédulas de 50 e 100 reais, com recursos para evitar falsificações (vamos ver se a partir de agora, os ”cientistas do crime” não inventam meios para contradizer isso). No governo FHV, tivemos a confecção das cédulas de 10 reais, de plástico, que diziam a mesma coisa, mas, não foi preciso falsificá-las, eram de tão baixa qualidade que ”desbotaram” por sí só. Porém quero me referir às moedas, que desde aquele tempo são as mesmas, temos de 10 centavos de real, nas cores brancas e amarelas, as de 25 centavos (estas que descobriram sua necessidade após o lançamento das outras) também, brancas e amarelas, a primeira apresentando um pentágono e em tamanho maior do que as de 50 centavos, a maior bagunça confundindo os idosos já desprovidos de uma boa visão. Aliás, já foi bem pior, quando do lançamento delas em dimensões que se faziam confundir com as de centavos de cruzeiro que estavam saindo de circulação. Aquilo foi uma palhaçada, mostrando que quem as lançou não entendia nada de dinheiro, minto, de dinheiro sim, mas de moedas não. Espero que revisem essas moedas e cunhem como no mundo é, as maiores de maior valor e de uma única cor de acordo com o valor, para que até cegos tenham facilidade em identificá-las. Desculpem, o tema do meu amigo RH não era esse, RK, meu amigo, um abraço!

  12. Curiosamente, ha apenas dois minutos em que eu recomendava a minha filha residente nos EUA a ler um livro nos contatos de todos os dias pelo computador, ocasião em que brinco e converso com meus dois netinhos.
    O livro que tem prendido a minha atenção até altas horas da noite tem o título de “A volta”, um best seller sobre a reencarnação editado lá nos EUA sob o título “Soul Surviver”.
    No mesmo instante que eu o indicava minha filha consultou o preço dele lá pelo computador e o estrago foi o seguinte;
    lá este livro custa U$ 11,00 novo e a livraria tem este mesmo livro por U$ 7,00 usado para vender. Aqui no Brasil eu paguei R$ 35,00 novo e usado não achei.
    O que eu quero dizer é o seguinte; muitas pessoas querem que o povo adquire cultura lendo livros mas com estes preços quem ganha até cinco salários mínimos como poderá comprar qualquer livro? É bom lembrar que temos nas nossas vidas muitas outras premências e um livro nestes preços desanima qualquer entusiasta em leitura e mesmo assim temos o já conhecido enfado (preguiça) do brasiliero pela leitura para distanciá-lo ainda mais dos livros. Triste realidade é esta em que o povo brasileiro vive.

    1. É verdade caro Divaldo, uma tristeza não perceberem que sem educação e cultura (e livros!) iremos apenas marcar passo na história. Neste país já há quem se orgulhe de ter pouco estudo, veja a que ponto chegamos.

    2. Divaldo.
      Quanto o autor vende la e quanto ele vende aqui?
      Quanto custa produzir um livro la e quanto custa produzir aqui?
      Quanto custa o dinheiro lá e quanto custa o dinheiro aqui.
      Vai fazendo perguntas que voce acha a causa.

    3. Fernandão, Lula quis dizer que é melhor ser semi-analfabeto, mas respeitar seu povo e amar seu país a ser um vendilhão da Pátria e lambe-botas bota dos parisienses, londrinos e nova-iorquinos, como nosso “estadista” FHC.

      E Lula fala na lingua do povo, o que pode dificultar o entendimento para a elite sofisticada.

  13. Li muito a revista Realidade de 70 até 76. Sem dúvida, ao lado do Movimento, Opinião e Pasquim, foi grande. Realmente uma revista revolucionária, maravilhosa. Imagina antes,então, de 66 a 68, no começo da terrível ditadura que vivemos e que há de nunca mais voltar.. Ricardo, lembro de voces fazendo o EX aqui em Maringá. Que o livro seja sucesso de venda e as novas gerações aprendam o valor da liberdade e dêem o melhor de suas inteligências para o aperfeiçoamento da democracia.

  14. Bom dia, RK e a todos os comentaristas.
    Outra vez peço permissão para abordar um assunto alheio à matéria postada, mas, que deve ser de interesse geral, pprincipalmente aos idosos.
    Uma criança foi morta num hospital por ter sido injetado em seu corpo, substância estranha à ministrada pelo médico, ou seja vaselina líquida, quando o certo deveria ser soro. Os frascos que as continham eram simplesmente iguais, diferenciados apenas pelos rótulos, também parecidos.
    Hoje, em contato com uma idosa, vejo que mais ”acidentes” podem ocorrer. Ela me apresentou duas cartelas de medicamentos em comprimidos, fornecidos pela FURP – Fundação Para o Remédio Popular, do Governo do Estado de São Paulo. Ambas as cartelas são identicas na dimensão e cor, os comprimidos também, da mesma cor, formato e tamanho, diferenciando-se apenas pelos dizeres no lado aluminizado, (em letras pequenas) que reflete a luminosidade local, dificultando a leitura: Numa, Captopril 25 mg. e outra Diazepan 10 mg. Quem é usuário desses medicamentos, (de uso contínuo) se idoso com a visão não muito boa, pode errar a ingestão destes e tomar um pelo outro ou ingerir em duplicata, o que poderá prejudicar o estado normal de quem dirige um veículo, seja por sonolência ou algo análogo, suponho.
    Mais uma vez, peço desculpas ao grande RK, por fugir ao tema, mas, acho que é importante a todos.

    1. Brasil de Abreu, parabens.

      São sempre oportunos lembretes como o seu.

      Agora veja que até em nossas casas diferenciamos o sal do açucar (isso quando não seguimos a sugestão da Maria, esposa do Manoel, e escrevemos “SAL” no recipiente do açucar pra enganar as formigas).

      Já os indicados por politicos incompetentes para dirigir hospitais e programas de farmácias populares parecem ter como unica preocupação usa-los na propaganda de seus candidatos nas campanhas eleitorais.

      E nisso os caluniadores irmãos siameses, PSDB e DEMO, são imbatíveis.

      Mais um motivo para não receberem meu voto nem pra ajudante de síndico do CDHU.

      Tenha um ótimo domingo.

  15. Ricardo,

    Como conheci a revista Realidade. Era leitura obrigatória em minha casa. Em 76 entrei na faculdade de jornalismo da UFF e sempre alguns artigos eram ponto de debates, principalmente nas aulas de sociologia.
    Era a revista séria da época. Tinhamos O CRUZEIRO, FATOS E FOTOS, MANCHETE que eram as CARAS da época, frívolas mas com grandes nomes que de vez em quando dava um cacete, mas muito raro.
    Com o AI5 as tesouras voadoras da ditadura começaram a cortar os ceus, e junto com ele, as palavras sensatas de quem tinha uma visão coerente de que se passava.
    Dizem que a ditadura endureceu porque os contras endureceram. Que babaquice! Nesta época não podemos esquecer do velho baluarte Pasquim, dos DZI CROQUETES, das revistas das faculdades que rodavam de mão em mão nos centros acadêmicos, sendo elas bastiões da criação de uma mentalidade consciente nos jovens que entravam nas universidades.
    Mas, de repente uma onda de nostalgia paira nossa literatura, como uma espécie de campainha para acordar que tudo pode voltar. Mas, nada voltará se pararmos de energizar o passado.
    Foram os tempos mais produtivos da musica popular. {Foi a época mais poetica que o pais teve. Calabar, Um grito parado no ar, Os Saltimbancos,
    Os festivais da Record, Vandré em fim, ao meu ver foram os anois mais brasileiros que tivemos nas artes, na literatura, no jornalismo.
    A Realidade estava lá, Viva, vivendo, sumindo. PUFF, mas a memória ninguem apaga, o pensamento ninguem patrulha com convicção, Supõe apenas.
    Que os livros surjam, que a memória se materialize, que as lebranças sejam flores, palavras, orações repletas de saudade, de um tempo doido mas que trouxe a poesia com gosto de liberdade de dentro da alma de quem viveu a mordaça fria, assustada, medrosa e burra!

  16. Adorei te ver falando no programa do Jô.
    Ainda mais que o Jô não ousou te interromper.
    Ate por não ser ético interromper um MESTRE em Brasil e
    mundo.

  17. Oi Ricardo, eu espero que o lançamento do Livro do Hamilton e cia. venda muito e chegue à Juiz de Fora. Lembro-me muito bem da revista pois fazia coleção.Guardei durante muitos anos aquelas mais importantes, como .px. a que mostrava pela primeira vez o parto de um nenem em foto no meio da revista.Foi um Deus nos acuda, porque teve gente que achou uma indecência.Imagine?Guardo boas lembras da revista e deixo aqui o meu obrigada aos jornalistas que a produziram.Um abraço.

  18. Caro Ricardo,
    Nostálgico e imortal o seu post. A alusão feita à revista, também, as loas tecidas aos grandes esteios do jornalismo brasileiro (que se juntam a você e a turma do Pasquim), lidos e comidos pelos olhos da minha faixa etária, quando, todo tipo de cerceamento e vigilância era praxe, aquilo tudo faz todo sentido no seu comentário. Fico feliz porque ainda tenho tempo de admirar esses registros que, embora épicos, fazem parte de minha vida. A revista realidade não era publicação da Editora Abril? se era essa editora perdeu muito desde então em termos de ética profissional…

  19. Ricardo,

    Confesso que escrevi um comentario dobre o tema e a época.
    Sumiu!!!!
    Mas, deixa para lá. O que quiz dizer era apenas que estes anos, mesmo um pouco a´pós o AI%, foi um dos periodos mais férteis intelectualmente no pais.
    Me lembro da revista, era básica na leitura de meus pais e minha de lambuja também. Na época ainda era um terceiroanista do cientifico, mas, quando assei para a UFF, jornalismo, e me vi envolvido pelos antropologos, sociologos, hidtoriologos e mesmo jornalistas em constsntes debate, onde vários artigos inclusive desta revisata eram postos em discursiva, pude iniciar meu neófito ciclo de entendimento do que realmente acontecia a minha volta.
    Era a época dos DZI CROQUETES, do PAQSQUIM surgindo com seu humor verdadeiro transformando baioneta em descascador de laranja.
    Veio o AI5, me lembro como se fosse hoje. Estava indo em direção ao prédio de ciencias humanas, na rua Passo da Pátria cokm meu fusquinha 64 ouvindo a radio quando o locutor corta a programação e escuto o pronunciamento do maledeto ato.
    Mas. aos poucos os intelectuais foram buscando formas de burlar a tábua de moisés ditatorioal e surgiram grandes poetas, grandes compositores, e os grandes idiotas da censura que julgavam o pequeno principe um simbolo comunista.
    Muitos bastiões lutaram e relutaram mas infelizmente chega a um ponto que loutar contra um regime que tem a maior força ,militar a frente, é insano. Mas, por inteligência pereceram, até que um dia, tudo terminou.

  20. Caro Ricardo, enquanto lia o seu Balaio, caiu-me uma ficha antiga: então, Pelé protagonizou o lançamento de dois produtos revolucionários na imprensa dos anos 60 – o Jornal da Tarde (˜Pelé Casa no Carnaval”) e a Realidade (Pelé na capa, com o chapéu de guarda da rainha da Inglaterra). Dois golaços…
    Abraço, rabino

  21. Emocionante!
    mais um livro que deve estar nas bibliotecas de quaisquer cursos de formação de jornalistas com J maiúsculo (graduação, pós-graduação, extensao etc.).
    Ricardo, parabéns pela sensibilidade de seu post!

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