"É câncer!": um livro que os homens precisam e as mulheres vão gostar de ler

"É câncer!": um livro que os homens precisam e as mulheres vão gostar de ler

Acabo de receber o livro “É câncer! _ O relato de um homem com tumor na próstata e tudo o que você deve saber sobre o assunto: do diagnóstico à cura”, de José Alberto de Camargo e Camilo Vanuchi, lançado pela editora Oirã.

Os autores são meus amigos faz tempo e assim pude acompanhar a produção deste livro desde o início. Camargo é um grande empresário da área de mineração que descobriu que tinha câncer na próstata aos 68 anos, em fevereiro de 2003. Camilo é um jovem jornalista que sabe escrever e, por isso mesmo, foi chamado para colocar a história no papel. 

Mas Camilo não se limitou a colher longos depoimentos de Camargo para contar seu drama, desde o momento em que ficou sabendo o diagnóstico, até controlar o câncer, graças a um tratamento de braquiterapia, que consiste no implante de cápsulas radioativas na próstata.

O jornalista fez o que todos devemos fazer diante de um tema desses: conduziu um alentado trabalho de pesquisa, levantando estatísticas e fazendo entrevistas com respeitados especialistas. Fez uma grande reportagem, enfim, que resultou num livro bom de se ler.

Já tinha dado uma passada rápida nos originais, mas agora pretendo ler “É câncer!” com calma, porque este é um assunto de importância vital para qualquer homem na minha idade e até para os mais novos. Resolvi, porém, escrever logo esta nota porque sou muito lento para ler e o tempo não perdoa nesses casos.

Na apresentação do livro, o câncer de próstata é definido como “um inimigo que pode facilmente ser vencido quando flagrado a tempo”. Dar este alerta foi o principal objetivo de Camargo ao resolver escrever o livro com Camilo (parecem nomes de dupla sertaneja..) e eu mesmo sou um exemplo de como isso funciona.

No século passado, quando eu ainda era jovem, o urologista Nelson Forjaz diagnosticou uma alteração na minha próstata e recomendou imediata cirurgia par fazer a redução do orgão. Para meu alívio, o resultado da biopsia deu resultado negativo (anos mais tarde, o mesmo médico descobriu que eu tinha câncer no intestino, do qual já estou curado, graças a outro médico, o cirurgião Paulo Corrêa).

Camilo foi ouvir especialistas como o urologista Miguel Srougi, de quem hoje sou paciente, e o incansável oncologista Dráuzio Varela, um dos melhores brasileiros que conheço. Só pelas entrevistas desses dois papas no assunto, o livro já vale a pena, mas ele é muito mais, uma lição de vida, como bem está definido no texto da contra-capa:

“Esta é a história de uma guerra travada com medo e coragem, confiança e dúvida, raiva e bom humor, desespero e esperança”.

Não percam, vale a pena ler este livro. 

 

 

 

0 thoughts on “"É câncer!": um livro que os homens precisam e as mulheres vão gostar de ler

  1. já que se trata de caso real , essa obra deve ser posta à venda com um valor camarada para que muitas pessoas tenham acesso a um assunto tao polemico e que traz muito medo as pessoas . obrigado .

  2. Querido Kotscho,
    Já inclui sua dica de leitura na minha listinha. Acho que vou precisar de, pelo menos, mais uma duas vidas para ler tudo que quero…. rs….
    Aproveito o ensejo para propor um debate aqui nesse Balaio. Sou jornalista e curso o último ano de Direito. Foi o próprio ofício que me levou de volta aos bancos escolares…
    Como tive que produzir um trabalho de conclusão de curso, decidi unir as duas áreas e me propus a discutir a atuação jornalística e o direito de informação em confronto com os direitos de personalidade (imagem, privacidade etc.).
    Seria enriquecedor saber o que você acha dessa história e até que ponto a imprensa se sobrepõe ao interesse particular. Em meu trabalho, defendo a liberdade absoluta de imprensa, mas tammbém acredito que o interesse público deve ser privilegiado em detrimento de notícias que permeiem apenas a esfera privada das pessoas. Ou seja, um político precisa prestar contas sobre sua atuação, mas sua orientação sexual, por exemplo, não é de interesse geral.

    O que vc e os amigos desse Balaio me dizem?

    Bjs e minha admiração!

    PS: felizmente, o conheci pessoalmente, por intermédio do Prof. Dirceu, da Universidade Católica de Santos. Até hoje relembro com carinho sua atenção e o autógrafo carinhoso que concedeu em meu livro.

  3. Cara Luciana,
    concordo com você. Como já escrevi no “Balaio”, sou um radical defensor da liberdade de expressão, mas é preciso estabelecer regras de civilidade que todos respeitem. Defendo a auto-regulamentação para empresas e jornalistas, a exemplo do Conar para a publicidade e da OAB para os advogados.Não defendo a impunidade de “jornalistas” nem de “leitores” irresponsáveis que entram no blog para despejar escatologia. A privacidade, deve ser preservada.
    Abraços,
    Ricardo Kotscho

  4. Devia haver campanhas de conscientização sobre o câncer de próstata,que mata milhares de homens com diagnóstico tardio é lamentável a omissão dolosa de milhões de homens que não fazem exames preventivo.

  5. Muito oportuna a nota sobre “É Câncer”. Como jornalista senti que faltou informação básica aos interessados: editora, preço de capa, forma de aquisição

  6. Caro José Salim,
    a editora é a Oirã, como está indicado na abertura do texto; o livro tem 260 páginas, o preço é de R$ 37,00 e está á venda nas livrarias. Se você precisar de mais informações, pedir para: lauraf@bei.com.br

  7. Ricardo,

    Felizmente o câncer tem deixado as tribunas médicas para ser discutido abertamente pela sociedade, seja através de experiências dolorosas, e geralmente, inesperadas, ou por radicalização da doença, até o óbito, independentemente das condições materiais que o paciente dispõe. Cabe encontrarmos uma maneira de entendermos se as células enlouquecidas fazem parte da constituição natural de nosso organismo, e aí temos que aceitá-las humanas e normais, ou temos que partir para o ataque descontruindo o fato de ao envelhecermos nosso organismo se torna auto-destrutivo, independentemente dos choques constantes e frequentes que a mente e o corpo sofreram ao longo dos anos por todos os lados, impactos sociais e emocionais. PS. Por acaso li hoje nas páginas amarelas da VEJA que a Joyce P. escondeu um câncer de mama durante alguns meses, e hoje se considera curada.

  8. Oi Kotshco,

    Vc não sabe como fiquei feliz com sua resposta, pois afinal de contas sou sua fã, daquelas bem tietes mesmo…rs…
    Concordo com gênero, número e grau com a auto-regulamentação e acredito que aqueles que agem de forma irresponsável, sejam ou não jornalistas, devem ser penalizados e responder da forma devida.
    O meu trabalho deu mais de 100 páginas, tamanho a polêmica do tema… Vou compilar alguns fragmentos para incrementar nosso debate.

    Bjs!

  9. O diagnóstico precoce é fundamental. O problema é que, na rede pública, é impossível um Zé Mané da vida conseguir um exame . No caso da próstata, ainda é possível, uma vez que é mais fácil e relativamente barato, mas nos demais casos é extramente difícil. No Rio de Janeiro, há poucos dias, quando o Vice José Alencar dava alta em S.Paulo dizendo extamente isso -prevenção- uma mulher tentava uma mamografia. Ela conseguiu, mas para o ano seguinte!

  10. – 13:33

    Enviado por: Luciana Praxedes.
    Cara Luciana.
    A CF de 88, no Inciso LX do Art.5º diz: ” A lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou interesse social o exigirem”
    Ora, se os ”atos processuais” são contemplados com a publicidade, pode-se imaginar que o sigilo é exceção.
    Segundo BENTHAM a publicidade é a lei mais apropriada para garantir a confiança pública,sendo a causa do seu avanço constante rumo ao fim de sua instituição.O segredo é ”INSTRUMENTO DE CONSPIRAÇÃO ”ele não deve,portanto,ser o sistema normal.TODA DEMOCRACIA CONSIDERA A PUBLICIDADE COMO UMA SITUAÇÃO INTRISSICAMENTE DESEJÁVEL SEGUINDO A PREMISSA FUNDAMENTAL DE QUE TODAS AS PESSOAS DEVERIAM CONHECER OS EVENTOS E CIRCUNSTÂNCIAS QUE LHES INTERESSAM, VISTO QUE ESTA É A CONDIÇÃO SEM A QUAL ELAS NÃO PODEM CONTRIBUIR NAS DECISÕES SOBRE ELAS MESMAS.

  11. Caro Luiz,
    Fiz muito isso desse inciso, e de outros, no meu trabalho. Concordo com sua opinião e reitero a afirmativa de que qualquer espécie de segredo é um “instrumento de conspiração”.
    Embora a história do nosso país não tenha sido sempre pautada por esse princípio, creio que reforçar a liberdade de imprensa e de expressão é uma tarefa de todos nós, jornalistas ou não.

    Abs!

  12. Prezado Kotscho:
    Só agora descobrí seu blog e é um prazer me comunicar com vc depois de tantos anos sem contato.
    O conteúdo deste livro dá uma boa reflexão. In felizmente, no Brasil, o machismo arraigado não permite que os homens façam o toque retal como uma rotina de prevenção e um diagnóstico precoce do câncer de próstata.
    Imagine se as mulheres tivessem preconceito quanto ao toque vaginal ou exame de mama. Certamente o índice de câncer ginecológico seria muito superior ao atual.
    Por falar em diagnóstico precoce, não me esqueço do dia em que vc chegou a uma reunião de prefeitos do PT em BH(isso lá pelos anos 90), com o ôlho amarelado, eu imediatamente pedí um exame de sangue e uma ultrassonografia abdominal que constataram a presença de cálculos na vesícula biliar.Imediatamente vc embarcou prá SP, onde foi operado e resolveu o problema.
    E aí entra a discussão sobre a dificuldade de marcar uma consulta no SUS e ter um acompanhamento regular por um especialista. Qtos casos não se perdem nas filas , e com eles, a oportunidade de um diagnóstico precoce e a possibilidade de cura. Sem falar nas greves que se repetem ano a ano nos serviços de saúde.
    Vc não acha que o movimento sindical devia ter revisto esta estratégia há muitos anos e , em vez de suspender o atendimento, aproveitá-lo para conscientizar a clientela do SUS e ganhar aliados na luta por melhoria na qualidade do atendimento em saúde no nosso país?
    Um forte abraço.
    Vitor
    PS: diga-me qual a editora que publica os livros de sua autoria.

  13. Caro amigo Vitor,
    fiquei feliz em te reencontrar aqui no nosso “Balaio”.
    Para quem não se lembra, Vitor Buaiz foi prefeito de Vitória e Governador do Espírito Santo e, depois de se desiludir com a política, voltou a ser apenas o grande médico que sempre foi. Não fosse ele, talvez não estivesse escrevendo aqui hoje, como ele conta em sua mensagem.
    Concordo plenamente que o movimento sindical precisa rever seus métodos na área da saúde. Os pacientes, já tão fragilizados, não podem ser punidos.
    Meus últimos dois livros foram editados pela Companhia das Letras (Do Golpe ao Planalto – Uma vida de repórter) e Ediouro (Uma Vida Nova e Feliz).
    Forte abraço,
    Ricardo Kotscho

  14. Maravilha Ricardo! Esse texto devería ter um repeteco mais na frente.
    Eu até me atrevo á entender os motívos desse Médico o Dr Vítor Buaiz de não prosseguir na política. Deve ser um excelente profissional dedicado, e idealísta que se desencantou com esse típo de gente que infectam os meios públicos.
    Tenho um parente assim!

    Um grande abraço e vamos seguindo…

    Robson de Oliveira

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