DEBATE 1968/ LIVRARIA DA VILA

DEBATE 1968/ LIVRARIA DA VILA

Sou paulista, paulistano e são-paulino.

Nasci em 1948. Em 1968, tinha 20 anos, portanto.

Tinha cabelos e um bocado de sonhos, e também queria mudar o mundo, sem pegar em armas, só escrevendo.

Trabalhava na época como repórter do “Estadão” e era aluno da primeira turma da Escola de Comunicações e Artes, a ECA-USP, mas não me formei até hoje.

Comecei a trabalhar como repórter em 1964, o ano do golpe militar. Em outubro, completo 44 anos de profissão.

Lembro-me vagamente que, desde o começo de 1968, de vez em quando, era preso ou simplesmente desaparecia algum colega do jornal ou da faculdade.

Mas eu não era muito ligado em política, não entendia direito o que estava acontecendo, não participava do movimento estudantil, nem do sindicato, nem de partidos políticos legais ou clandestinos.

Só queria ser repórter. Nunca fui preso nem torturado.

A ditadura pra valer só começou mesmo em 1968, no inesquecível dia 13 de dezembro de 1968, como conto no meu livro de memórias  “Do Golpe ao Planalto _ uma vida de Repórter”, da Companhia das Letras, lançado em 2006.

Como minha memória é fraca, vou recorrer ao livro para lembrar a vocês como foram os dias mais quentes de 1968, quando os militares deram o golpe dentro do golpe _ e o Brasil entrou na longa noite do Ato Institucional nº 5, o famigerado AI-5.

São Paulo, 28 de março de 2008.

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