A médica Raquel e a repórter Gabriela: uma belíssima lição de vida

A médica Raquel e a repórter Gabriela: uma belíssima lição de vida

“A gente ajuda uma pessoa até com um sorriso. Dá para ajudar de inúmeras formas. Não adianta, por exemplo, fazer uma caridade, mas ser grossa com as pessoas ao redor. É o que vem do coração, encontrar no dia a dia maneiras de ajudar o outro. Porque, diretamente, a gente ajuda é a gente mesmo. Você vai para uma missão humanitária querendo salvar os outros, mas quem se salva é você”.

Assim termina a reportagem “Adiei o casamento e abri mão de 3 empregos para tratar de doentes na África” sobre a trajetória da médica sem fronteiras Raquel Bandeira publicada neste domingo pela repórter Gabriela Fujita, no UOL.

A frase de Raquel resume uma belíssima lição de vida, um raro encontro entre a riqueza da personagem e a qualidade da matéria.

Passei esta cinzenta manhã de janeiro lendo jornal no papel e na tela do computador em busca de um bom assunto para escrever a coluna.

Já estava quase desistindo, quando encontrei esta história que me fez muito bem à alma, um oásis em meio ao massacrante deserto dominado por Trumps e Temers, e outras tantas figuras menores que alimentam o noticiário e nos fazem até desacreditar do ser humano.

Sem adjetivos nem sub-literatice tão em moda no jornalismo nativo, Gabriela Fujita narra com simplicidade uma história com começo, meio e fim, contando como a médica mineira Raquel Bandeira, de 31 anos, deixou tudo para trás em busca de um sonho e foi salvar vidas num centro de tratamento de Aids em Moçambique.

Raquel descobriu sua vocação para fazer o bem ainda adolescente ao participar de um trabalho voluntário durante as férias escolares no Vale do Jequitinhonha, uma das regiões mais pobres do Brasil, que já era conhecida como “O vale da fome” quando passei um mês lá no final dos anos 1970 para fazer uma série de reportagens publicada no Estadão.

“Eu decidi que ia fazer medicina, que queria ser infectologista e que ia para a ONG Médicos sem Fronteiras. Guiei minha formação para isso”.

Assim começa a reportagem que vocês precisam ler na íntegra no portal UOL.

Bom domingo e vida que segue.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

6 comentários em “A médica Raquel e a repórter Gabriela: uma belíssima lição de vida

  1. Para cada meia dúzia de idealistas compadecidos e cuidadores da miséria humana, há pelo menos cem dúzias de exploradores portadores do que de pior há na natureza humana. Vida longa à menina que conseguiu sobreviver à linha de pobreza nacional, estudar medicina e tratar seus pacientes miseráveis no maior continente abandonado e esquecido da Terra.

  2. Post oportuno para o momento que o mundo enfrenta. Exemplo aqui… é sinônimo de bálsamo
    A médica atendeu ao chamamento de sua consciência. Há uma frase que jamais esqueci ( de uma das primeiras Campanhas da Fraternidade): “Para o outro o próximo é você”.
    No rio da vida, a médica brasileira desancorou seu “barquinho” e foi correr riscos. Riscos para nós, para ela, uma realização pessoal. Aos seus pacientes da África, um balsamo.
    Entregar-se ao rio da vida não é fácil. Exige coragem luta, dignidade, misericórdia e força espiritual. Quem acha que ela devia tratar dos irmãozinhos brasileiros, será que alguma vez, rompeu o “falar” e tomou atitude para agasalhar um necessitado?
    Raquel conheceu a dor do próximo, navegou nesse rio e foi levar a solução que salva. Falar para ela é igual a nada.
    Atravessou o rio da vida e não ficou no raso das margens. Para Raquel, viver é angustiar-se, atravessar corredeiras e passagens estreitas e violentas… o caminho da esperança e salvação.
    Certamente, as famílias do Vale do Jequitinhonha abençoaram aquela jovem voluntária e tiveram o mesmo peso que a Faculdade de Medicina…. na formação do caldo cultural e profissional da Doutora Raquel.
    Nossa heroína está de volta, há muito trabalho… e muita gente continuará falando, falando….medrosos, nem conhecem as margens do rio da vida.
    Vai, Raquel… Você é uma escola de amor e esperança.

    1. Lendo todos os comentários, principalmente o excelente e motivador Post, não tenho medo de concluir tratar-se de voluntariado à causa nobre. Uma doação sem fronteiras, admirável e com seis louvores, um para cada mês trabalhado em Moçambique. E pensar que ali tem milhões de seres humanos na esperança de conhecer uma nova Raquel. Perfil, tempo e organização estão a corroborar que não há interesse político e econômico. Nada de direita, esquerda, situação, oposição (ou, filiação ao PSOL), e sim: digna e invejável doação sem fronteiras. Raquel não é corrupta, não parece conterrânea do atual Brasil. É uma joia de inigualável valor, um diamante de alto quilate que lapidou-se a si mesma e fez-se de “presente” aos irmãos moçambicanos. Mulher! Uma mulher virtuosa!!!

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